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CRASH – NO LIMITE – Crash
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 14/12/2010

DIREÇÃO: Paul Haggis

ROTEIRO: Paul Haggis e Bobby Moresco

ELENCO: Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Jennifer Esposito, William Fichtner, Brendan Fraser, Terrence Dashon Howard, Chris Ludacris Bridges, Thandie Newton, Ryan Phillippe, Larenz Tate, Nona Gaye

Estados Unidos, 2004 (107 min)

Conflito, colisão, atrito, colapso. Crash é isso e muito mais. Há alguns filmes que ganham subtítulos em português absolutamente desnecessários. “No Limite”, neste caso, é um deles, porque tenta dar significado à palavra inglesa “crash”, caso alguém não entenda. Não gosto da combinação. Mas gosto só de “No Limite”, porque é exatamente assim que estão todos os personagens do filme: a ponto de explodir, só falta alguém que risque o fósforo.

O estopim de Crash – No Limite, que levou o Oscar de melhor filme em 2006, é o racismo. Eu já tinha visto e mesmo assim voltei a me impressionar com a maneira forte, cruel e realista com que o tema ‘preconceito’ é abordado. Dói, de tão real. Seguindo aquele formato de filme em que várias histórias de vida que se cruzam, o racismo permeia todas elas a ponto de determinar o fim de um relacionamento, a revisão de um casamento, a morte, a reinvenção de uma forma de viver. Racismo e preconceitos que abalaram o mundo depois do 11 de setembro de 2001 e que é discutido aqui como causa e consequência não só de desastres de proporções mundiais, mas também de atitudes corriqueiras do dia a dia.

Os relacionamentos superficiais e a falta de comunicação entre as pessoas serviu de inspiração para criar personagens que despejam suas frustrações, infelicidades, preconceitos raciais  e sociais contra negros, tatuados, árabes, pobres, latinos, ricos de maneira inconsequente, egoísta e extremamente agressiva. Crash abre a infindável discussão sobre a sociedade e a insatisfação permanente do ser humano, mas também fala da incrível capacidade de, apesar de tudo, repensar e reestruturar as relações. O roteiro é muito bem construído e amarrado e não tem a pretensão de concluir nada. Simplesmente constata a fraqueza e imaturidade do ser humano e da nossa sociedade. A gente veste a carapuça, é verdade. É daqueles filmes que terminam e a gente ainda fica diante da televisão digerindo o assunto, sem saber o que dizer.

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