DIREÇÃO: Ioana Uricaru, Hanno Höffer, Räzvam Márculescu, Constantin Popescu, Cristian Mungiu
ROTEIRO: Cristian Mungiu
ELENCO: Alexandru Potocean, Diana Cavaliotti, Radu Iacoban, Tania Popa, Teo Corban, Emanuel Pirvu, Avram Birau, Paul Dunca, Viorel Comanici, Ion Sapdaru, Virginia Mirea, Gabriel Spahiu, Calin Chirila, Romeo Tudor
Romênia, 2009 (149 min)
Depois da queda do comunismo em 1989 e da morte do ditador Ceausescu na Romênia, surgiu uma safra incrível de cineastas no país. São muitas as qualidades, mas basicamente eu ressaltaria duas: a ironia inteligente e a capacidade de fazer humor com a própria desgraça. Como já acontece em outros filmes conterrâneos como A Leste de Bucareste, Casamento Silencioso, Polícia, Adjetivo e Como Eu Festejei o Fim do Mundo, o cinema é veículo de denúncia de uma situação que já não existe, mas que deixou sequelas profundas na sociedade romena.
Achei que Contos da Era Dourada não tem o tom melancólico e sombrio de Casamento Silencioso, nem de denúncia como em Polícia, Adjetivo. É praticamente uma piada, uma tragicomédia capaz de abordar os pontos fundamentais do comunismo, absolutamente essenciais para a sua permanência por mais de 30 anos. As imagens e simbolismos do filme são muitos – aliás, os diretores fizeram escolhas incríveis. Pensando alto: a manipulação das informações através da montagem de fotografias por parte do Partido; a venda não autorizada de mercadorias para conseguir um dinheiro extra ou suprir a escassez de alimentos (inclusive são situações que beiram o absurdo, com a venda do próprio ar com cheio da indústria química!); o déficit educacional do país; o senso de urgência do Partido para os eventos oficiais, totalmente irreais, dispensáveis e sem qualquer importância ou sentido construtivo (o chapéu mexicano retrata perfeitamente essa ideia, de algo que não sai do lugar, da força da inércia); o cumprimento de regras e protocolos sem qualquer raciocínio lógico; a corrupção.
A “era dourada” do título compreende os 15 anos anteriores à queda do Muro de Berlim e ao efeito dominó no Leste Europeu comunista. Retrata uma situação patética, mas ainda dura e ditatorial. Contar a própria história com humor e sátira é uma boa maneira de mostrar que, apesar dos pesares, há perspectiva de futuro. Com humor, sempre há. Aos diretores romenos, meus sinceros cumprimentos.
© Copyright 2009-2013, Cine Garimpo





Podcasts
sending...
Envie uma Opinião