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CONFIAR – Trust
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos - 22/09/2011

DIREÇÃO: David Schwimmer

ROTEIRO: Andy Bellin, Robert Festinger

ELENCO: Clive Owen, Catherine Keener, Liana Liberato, Jason Clarke, Viola Davis, Chris Henry Coffey, Spencer Curnutt, Aislinn DeButch, Noah Emmerich

Estados Unidos, 2011 (106 min)

De que adiantam os mecanismos de controle de acesso a sites perigosos, suspeitos, pornográficos, quando o inimigo é gentil, tem boa lábia, é convincente e entra na sua casa através de todo e qualquer chat na internet? E pior: é um verdadeiro camaleão – pode se transformar em homem, mulher, jovem, velho, bonito, feio sem qualquer constrangimento. Se o papel tudo aceita, a internet tudo torna verdade. A tarefa de fiscalizar e acompanhar de perto o andar dos filhos adolescentes fica praticamente impossível. E é cada vez mais evidente que essa tarefa de cumplicidade entre pais e filhos realmente tem que começar no berço. Depois de grandes, eles têm autonomia e são seus próprios filtros de segurança, onde qualquer falha pode representar um perigo irreparável.

Não falo da autonomia emocional e Confiar retrata justamente isso. Falo da autonomia de acessar o mundo pela internet, onde há oportunistas, falsários, pedófilos e ninfomaníacos de plantão, e não de maturidade emocional. Não nos resta mais alternativa que confiar, sobretudo na capacidade deles de dizer não, de desconfiar de que algo parece estranho, de saber detectar a mentira. A linda adolescente Annie (Liana Liberato) quer ser aceita, elogiada, reconhecida. Quer pertencer ao grupo, e por isso acaba confiando na pessoa errada. Sua decisão tem repercussões profundas na sua vida, no seu emocional e na relação familiar. Os pais Will (Clive Owen, também em Closer – Perto Demais) e Lynn (Catherine Keener, também em Cyrus, Sentimento de Culpa, Onde Vivem os Monstros, O Solista) percebem a filha grudada no computador e no telefone, mas não desconfiam que algo prejudicial possa acontecer. Soa familiar?

Entre a angústia, o mal que é feito à garota e a tentativa de recuperação, resgate de auto-estima e reestruturação familiar, Confiar levanta várias questões urgentes sobre geração que praticamente nasceu vendo a internet e o celular entrarem nas casas, apropriarem-se do tempo livre da família, funcionarem como instrumento fundamental de comunicação, substituindo o telefonema e o contato físico e privando as pessoas de relações mais estreitas.
E não deixa de lado a dificuldade que os pais têm de se adequar à nova dinâmica e manter a estrutura e a confiança familiares como base, enquanto o universo todo diz o contrário! Confesso que fiquei aflita em vários momentos. Faz parar para pensar, principalmente porque é uma realidade dentro da casa de cada um de nós. Por isso, digo que a palavra de ordem é desconfiar – até que se prove o contrário.

 

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