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CHE 2 – A GUERRILHA – The Argentine – Guerrilla
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Espanha - 18/06/2010

DIRETOR: Steven Soderbergh1 icone_DVD

ROTEIRO: Peter Buchman, Benjamin A. van der Veen

ELENCO: Benicio Del Toro, Rodrigo Santoro, Catalina Sandino Moreno, Demián Bichir, Julia Ormond, Lou Diamond Phillips, Franka Potente, Benjamin Bratt

Espanha, Estados Unidos, França, 2008 (262 min)

Esta semana li uma notinha em uma revista semanal sobre os 100 dias de greve de fome do jornalista cubano Guillermo Fariñas, que pede a libertação de presos políticos doentes. Essa luta dos dissidentes de Cuba sempre impressiona pela intensidade e gravidade da situação. Lembrei que fiquei devendo a continuação de Che - O Argentino. Mais que merecida. Che 2 – A Guerrilha é um filme muito interessante, longe da idealização do mártir Che e bem perto da realidade que vemos hoje em Cuba.

A primeira parte da vida de Ernesto Guevara, pelo olhar criterioso de Steven Soderbergh, termina com Fidel e Che no poder, liderando em Cuba as reformas propostas pelo modelo comunista. A segunda parte começa em 1965, com a ida camuflada de Che à Bolívia. Seu objetivo é convencer camponeses a participar da luta armada por uma vida melhor e assim lutar contra o governo boliviano para tomar o poder (tudo dentro do ideal de uma América Latina unida e comunista).

O que o filme mostra é uma sucessão de erros estratégicos (falta de mantimentos, alimentos e remédios), de falta de planejamento e organização. Nos meses passados na selva boliviana, Che e seus “soldados” camponeses conseguem, a princípio, conquistar apoio da população que vive na miséria, mas aos poucos vão sofrendo com a própria falta de preparo logístico e emocional.

Benicio Del Toro é excepcional no papel (ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes por isso) e realmente constrói o personagem dúbio que é Che na história. Para uns, mito; para outros, lobo em pelo de cordeiro. Seu jeito calmo, também quando atua como médico cuidando dos doentes que encontra pelo caminho, e sua opção pela guerrilha na selva ao invés da comodidade do poder com Fidel em Cuba, contrastam fortemente com sua determinação em usar armas, em matar, em tomar o poder. O Che do filme tem um olhar dissimulado, irônico. Se a ideia de Soderbergh era ser imparcial e retratar o ‘homem’ Che, que sofre com crises fortíssimas de asma e confessa seus erros graves no planejamento de sua ação, atinge seu objetivo com clareza. Mas ainda bem que temos como prova a história viva de Cuba que não quer calar.

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