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A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO – The Girl that Played with Fire
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Suécia, Para se Divertir - 21/03/2012

DIREÇÃO: Daniel Alfredson

ROTEIRO: Jonas Frykberg, Stieg Larsson (livro)

ELENCO: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre

Suécia, 2009 (129 min)

Adoro a versão sueca da série Millennium. Mesmo agora com o lançamento nos cinemas da produção americana com Daniel Craig e Rooney Mara e tudo mais que vem junto com uma proposta grandiosa e uma boa história, continuo gostando da linguagem europeia de suspense no cinema.

Baseado na trilogia do autor sueco Stieg Larsson, que morreu sem ver e imaginar que seus livros seriam sucesso no mundo inteiro e que ganhariam esse espaço todo na telona, o segundo filme da série Millennium: A Menina que Brincava com Fogo dá sequencia ao ótimo Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Os protagonistas são os mesmos, e nem poderia ser diferente. É com base na revista Millenium do jornalista investigativo Mikael Blomkvist que toda a trama da trilogia acontece. No primeiro, tudo girava em torno do desaparecimento de uma moça há mais de 40 anos e da morte misteriosa de várias mulheres; no segundo, ainda as mulheres são o centro da investigação, mas agora o tema é o tráfico humano na Europa (tema também abordado no filme A Informante, com Rachel Weisz). No centro de tudo isso, além do jornalista e sua audaciosa equipe, está Lisbeth Salander, uma hacker bem esquisita, antissocial, com a tal tatuagem de dragão nas costas e uma porção de problemas familiares passados para resolver.

Mesmo se você não leu o livro, como é o meu caso, não se intimide. Assista ao filme, porque o suspense é bom e bem interessante. E é bacana também não ter todo o aparato hollywoodiano por trás da produção – talvez esse olhar se aproxime mais do que Larsson imaginou para os seus personagens e nos tira um pouco do formato conhecido de filmes de investigação e assassinato. Porém, é claro que é preciso assistir ao primeiro da série para entender melhor o perfil dos personagens – o que não é nenhum sacrifício e uma ótima dobradinha para o fim de semana.

 

 

DEIXA ELA ENTRAR – Let the Right One In
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Pensar - 18/11/2011

DIREÇÃO: Tomas Alfredson

ROTEIRO: John Ajvide Lindgvist

ELENCO: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Berqquist, Peter Carlberg

Suécia, 2008 (115 min)

Vou na contramão dos cinemas, que lançam hoje Amanhecer – Parte 1, o primeiro episódio do quarto filme de A Saga Crepúsculo. Não assisti – até queria a opinião de quem acompanha essas produções. E já que o tema do fim de semana são vampiros, peguei carona, mas no outro sentido, fugindo descaradamente da maré dos filmes blockbuster, indo na direção das produções européias que gosto tanto.

Não dá pra dizer que prefiro sem ter assistido às duas opções. Mas o trailer de Amanhecer – Parte 1 não é exatamente um atrativo… Por outro lado, e numa linguagem absolutamente diferenciada, está esta produção sueca Deixa Ela Entrar, exibido na Mostra Internacional de Cinema em 2008 e este ano, no vão livre do MASP.

A protagonista é uma menina de 13 anos, vampira, que não sente frio, voa, está para sempre congelada no corpo de uma adolescente. Seu par, um garoto da mesma idade, que sofre forte bullying no colégio, não tem amigos, vive quieto, com medo, é fascinado por histórias de terror e morte e descobre a adolescência sem ter com quem conversar, nas gélidas paisagens suecas. Entre neve, frio, gelo e dias totalmente cinzas (uma metáfora dessas relações duras, frias, impessoais, individualistas e absolutamente cruéis), os dois se encontram, conversam, selam uma amizade que vai chegar às últimas consequências – para um vampiro e para um ser humano.

A atuação de Oskar (Kåre Hedebrant) e Eli (Lina Leandersson) é incrível e dá muita força para todo o clima de suspense e mortes misteriosas na pequena cidade onde vivem. Eli chega acompanhada de um senhor, que trata de conseguir sangue para alimentá-la da forma mais esquisita e mórbida possível. Técnica-morcego, eu diria. Eli tem uma aura de mistério, uma palidez própria dos vampiros (se é que posso dizer isso), sem que isso pareça artificial. Tem aquele olhar esbugalhado impressionante e muito, mas muito convincente.

O que completa essa caracterização física e cenográfica e é de fato muito bem construída, é o emocional dos personagens, a vivência das descobertas da adolescência com essa cumplicidade tão improvável, mas que funciona na aceitação das diferenças, na adaptação, no respeito e ajuda mútua. Tipo de ajuda que não é qualquer um que daria… precisa ser uma amizade realmente muito especial. Quanto tudo parece terminado e resolvido, o diretor Tomas Alfredson dá um toque magistral. A última cena é de uma leveza e inocência incríveis. Não pensei que pudesse ter um final doce… agridoce, melhor dizendo.

OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES – The Girl with the Dragon Tattoo
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Suécia, Para se Divertir - 15/09/2010

DIREÇÃO: Niels Arden Oplev

ROTEIRO: Rasmus Heisterberg, Nikolaj Arcel

ELENCO: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Haber, Sven-Bertil Taube, Peter Andersson, Ingvar Hirdwall, Sofia Ledarp, David Dencik

Suécia, Dinamarca, Alemanha , 2009 (152 minutos)

Suspense puro. Daqueles de não desgrudar os olhos da tela. A história gira em torno de uma garota desaparecida há cerca de 40 anos – o que, a princípio, não tem nada de original. Mas vale dizer que a trama é muito bem articulada e amarrada. Parece fazer jus ao livro homônimo de Stieg Larsson, o primeiro da trilogia Millennium (os outros dois são A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar) – o que é uma boa surpresa, já que nem sempre as adaptações são fidedignas e tão interessantes quanto a história já contada em livro.

Neste caso, é interessante também pelos assuntos que aborda. Uma moça desaparece misteriosamente e 40 anos depois um jornalista investigativo é chamado para desvendar o caso que a polícia não conseguiu nem pistas. Além da trama, o filme sueco fala da inclemente invasão de privacidade nesse nosso mundo virtual, retrato do que é o mundo real de hoje. É graças a ela que o jornalista recebe reforço na sua tarefa, na figura inusitada e estranha, ao mesmo tempo forte e frágil, da hacker Lisbeth. Juntos eles decifram os códigos, o passado e o presente se misturam, os crimes sexuais saltam aos olhos, assim como a frieza dos personagens.

Interessante um suspense sueco – foge bastante daquele estilo contemplativo e calmo que vem dos países nórdicos. Interessante a construção dos personagens-detetives, tão diferentes e tão complementares, que juntos são capazes de gerar uma grande curiosidade pelo que a acontece na sequência da série. Quem quiser se adiantar, o segundo livro está nas livrarias. Parece que a trilogia está também na mira de Hollywood – gosto da versão sueca, do olhar europeu impresso na telona pelo diretor Niels Arden Oplev, das características cruéis e bizarras dos personagens. Pena o autor Stieg Larsson não ter tido o gostinho do sucesso – morreu repentinamente aos 50 anos, antes de a série estourar na Suécia e no mundo todo.

 

 

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