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Uruguai

O SILÊNCIO DO CÉU – Era El Cielo
CLASSIFICAÇÃO: Uruguai, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil - 29/09/2016

A pergunta que não quer calar é sobre o silêncio. A princípio, o filme tem dois protagonistas: Diana, uma mulher misteriosa, assustada e com olhar distante; e Mario, um homem inseguro, cheio de medos, mas que demonstra uma vontade de compreender o que acontece. A princípio – e de maneira rasa – é isso. Um casal em crise, um casal que já não se vê no casamento.

A questão maior de todas é que o filme tem mais um protagonista – que, talvez, seja o mais importante. Sem ele, não teria história. “Meu personagem busca, o tempo todo, entender aquilo que não pode ser dito”, diz Leonardo Sbaraglia, ator também do episódio do motorista num dia de fúria em Relatos Selvagens, na entrevista coletiva. “O filme fala daquele silêncio que, muitas vezes, sepulta a relação do casal.” Essa é a essência do filme: personificar o silêncio, que impera nas relações já desgastadas, e funciona como causador do afastamento, do estranhamento e, depois, da indiferença.

Isso dito, vale a pena prestar atenção na ausência de trilha. Há um momento do filme em que Diana e Mario cantam Corcovado – o único em que a história remete ao passado, à sinergia entre eles, à relação que um dia existiu. Agora, Diana (Carolina Dieckmann, também em Entre Nós) e Mario passam pela crise, ela é estuprada (não é spoiler, está no trailer) e não fala nada para o marido. Só isso já é instigante – o que levaria uma mulher a fazer isso? O enredo segue com Mario destrinchando esse mistério e deixando claro quem é quem nessa história.

É um thriller, tem suspense, tem tensão. Constante. Nada é leve. E, confesso, que ainda me faço algumas perguntas. A certeza fica por conta do silêncio. É o protagonista.

 

DIREÇÃO: Marco Dutra ROTEIRO: Sergio Bizzio, Caetano Gotardo, Lucía Puenzo ELENCO: Carolina Dieckmann, Leonardo Sbaraglia, Chino Darín | 2016 (102 min)

 

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ALÉM DA ESTRADA – Por el Camino
CLASSIFICAÇÃO: Uruguai, Para Ver Bem Acompanhado, Brasil - 29/09/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Charly Braun

ELENCO: Esteban Feune de Colombi, Jill Mulleady, Guilhermina Guinle, Hugo Arias, Naomi Campbell

Brasil/Uruguai, 2010 (85 min)

Que lindas as paisagens uruguaias. Aliás, dá vontade de ir. Ainda mais porque a câmera do diretor brasileiro Charly Braun consegue mostrar bem o olhar do argentino Santiago (Esteban Feune de Colombi) e da belga Juliette (Jill Mulleady), os protagonistas desse road movie. É o olhar deles que conta, tanto da percepção que eles têm do território uruguaio, onde se conhecem por acaso por causa de uma carona, quanto da percepção deles mesmos. Com uma produção intimista, percebemos que a viagem de ambos em um território estrangeiro é uma metáfora para a descoberta dessa nova relação, descoberta daquilo que são­ nesse momento da vida e daquilo que buscam.

Santiago vai para o Uruguai para cuidar de assuntos de família; Juliette vai atrás de um antigo namorado. Ele fala espanhol, ela francês. A língua em comum, portanto, é o inglês – estrangeira, assim como aquele país. Aos poucos vão se conhecendo durante a viagem, a relação é construída passo a passo, sem sobressaltos, sem precipitações. Simplesmente acontece, com o olhar natural que as lentes do diretor fazem questão de deixar bem claro.

Gosto bastante da adaptação do título deste filme que ganhou o prêmio de melhor direção no Festival do Rio. Originalmente Por el Camino, a opção por Além da Estrada traz uma conotação muito sutil do que realmente acontece na tela. A história vai além da carona, de duas pessoas que percorrem um trajeto juntas. Transcende e passa para o campo afetivo, sem ser apelativo, sexualmente falando – aliás, isso é o que menos tem no filme. O bonito e delicado são os olhares, as risadas, as brincadeiras e principalmente a sinceridade com que a relação é elaborada. E é aos poucos mesmo, no mesmo ritmo em que Santiago e Juliette também percebem que estão envolvidos, nós percebemos que eles vão se encontrando dentro deles também.

Além da Estrada me lembrou um filme que acabei de rever e publicar no blog. Antes do Amanhecer, em que dois jovens se conhecem por acaso em um trem na Europa. Bonita essa releitura do mesmo tema. Singela e inteligente.

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GIGANTE
CLASSIFICAÇÃO: Uruguai, Para Pensar - 16/06/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Adrián Biniez

ELENCO: Leonor Svarcas e Horacio Camandulle

Uruguai, Argentina, Alemanha, Espanha 2009 (90 mim)

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o diretor Adrián Biniez diz que escreveu o roteiro de Gigante com base na frase anotada em um caderninho: “agente de segurança se enamora de empregada da limpeza num supermercado”. É simplesmente isso. E de tão simples o filme se tornou um retrato humano e sensível de uma relação idealizada através das câmeras de segurança de um supermercado.

Vencedor do Urso de Prata em Berlim e do Kikito de melhor roteiro em Gramado, Gigante é um filme parado, com pouquíssimos diálogos – por isso, não indico para quem prefere filmes rápidos e divertidos. É através da movimentação dos personagens que a história é contada. Jara, o segurança, apaixona-se por Julia, uma das moças da limpeza. Mas não tem coragem de abordá-la, então acompanha seus passos através das câmeras espalhadas pelo estabelecimento e segue a moça pela cidade quando ela vai à praia, ao cinema, às compras e até quando vai se encontrar com outro homem. Tudo de uma maneira sutil, cotidiana. Consegue até dar um toque de humor, colocando um leve sorriso nos lábios dos atores.

Gigante chama a atenção pela sensibilidade do rapaz apaixonado e realmente pela simplicidade na produção e pretensão do filme. O que se pretende? Acho que justamente ser despretensioso, falar de gente comum. Até a escolha do protagonista foi assim. Horacio Camandulle trabalha como professor e às vezes como ator teatral. Esse foi o primeiro filme dele. Bom começo.

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O BANHEIRO DO PAPA – El Baño del Papa
CLASSIFICAÇÃO: Uruguai, Para se Emocionar, Para se Divertir - 13/12/2009

banheiro-do-papa-poster01DIREÇÃO: César Charlone, Enrique Fernádez1 icone_DVD

ELENCO: César Troncoso, Virginia Mendez, Virginia Ruiz, Mario Silva, Henry de Leon, Jose Arce, Nelson Lence, Rosario dos Santos

LOCAL, ANO: Uruguai, Brasil, França, 2007

Todo mundo já passou por aquelas situações tragicômicas, em que é mehor rir para não chorar – mesmo porque chorar não resolve nada. Tive essa sensação ao ver O Banheiro do Papa. Ao mesmo tempo em que Beto não tem sorte, faz coisa errada, cria desilusões, põe tudo a perder, não perde o bom humor, a esperança, o otimismo e principalmente a criatividade. Tem gente que é mesmo assim, parece comédia da vida real. Quem tem esse dom, está com sorte. Passa pelas dificuldades da vida com sequelas menos profundas.

Beto mora em Melo, uma cidade uruguaia pobre, perto da fronteira com o Brasil. Como acontece em vários pontos, aqui também os habitantes fazem do contrabando de quiquilharias e produtos dos mais variados sua fonte de renda. Beto é um deles: vai buscar em Aceguá, em uma bicicleta velha, as encomendas dos mercadinhos locais. Enlouquece Carmem e Silvia, mulher e filha respectivamente, com suas tramóias, confusões, bebedeiras e decepções. Mas sonha em arrumar a vida da família, principalmente da filha que quer estudar jornalismo em Lima.

Sua sorte – ou azar – é que ninguém menos que o Papa passará por Melo. A comunidade se mobiliza para vender comida para os peregrinos brasileiros que virão e Beto tem a brilhante ideia de fazer um banheiro. Afinal, depois de comer, vão precisar. Mas, as previsões do número de visitantes passam ao largo da realidade e Beto e seus compatriotas ficam a ver navios. Curioso o trecho dos preparos da comilança – como a calma e a razão fazem falta…

Em se falando de América Latina e da realidade desses povoados pequenos, sem recursos e sem emprego, é um retrato muito interessante. Ainda mais porque tem humor, o que faz o contraponto inteligente e divertido com o desespero da situação.

 

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