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Ucrânia

WINTER ON FIRE: UKRAINE’S FIGHT FOR FREEDOM
CLASSIFICAÇÃO: Ucrânia, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Documentário - 04/03/2016

Pra tirar Viktor Yanukovych, o ditador pró-Rússia do poder, o povo ucraniano fica nada mais, nada menos do que 92 dias na praça principal de Kiev, protestando. Em pleno inverno, montou ali sua base, enfrentou a forte repressão das tropas oficiais e só arredou o pé quando o presidente foi deposto em fevereiro de 2014. Mas teve que ir pra ruas, o que é bem óbvio.

Este excelente documentário Winter on Fire: UKraine’s Fight for Freedom pode ser traduzido como Inverno sob Fogo: a Luta da Ucrânia pela Liberdade. E é bem isso mesmo: o povo passou o inverno sob fogo cruzado, dezenas de pessoas morreram, centenas ficaram feridas, milhares se juntaram dia a dia para prover comida, alimentos, remédios, assistência aos resistentes na praça de Kiev. Enquanto o povo queria se aproximar do Ocidente e da União Europeia, seu líder teimava em continuar a aliança com a Rússia. Descontente e sentindo-se traído, protesta até não dar mais.

Soa familiar? A insatisfação, sim. O modus operandi não. As coisas só mudam se o povo disser o que pensa. Indicado ao Oscar de melhor documentário, Winter on Fire impressiona pelo relato dos protestos, riqueza de imagens e intensidade do envolvimento da população. De arrepiar.

 

DIREÇÃO: Evgeny Afineevsky ROTEIRO: Den Tolmor ELENCO: Bishop Agapit, Serhii Averchenko, Kristina Berdinskikh | 2015 (102 min)

 

 

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A GANGUE – Plemya
CLASSIFICAÇÃO: Ucrânia, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama - 14/05/2015

Como as palavras são prescindíveis… foi a primeira coisa que eu pensei quando terminou o filme ucraniano A Gangue. Imaginem só um filme sem diálogos, só com atores surdos-mudos – amadores, diga-se de passagem – todo narrado com a linguagem dos sinais. Em ucraniano. E sem legenda. E acredite: as palavras não fizeram falta, tamanha a força da expressão, do cenário, do olhar e dos gestos dos jovens que compõem o grupo de alunos de um internato de surdos-mudos.

Não há um só movimento que passa despercebido. A partir da chegada de um garoto novato no instituto, ele sofre bullying, tem que se render ao apelo da tribo líder da turma, participar de roubos, fazer-se de cafetão das alunas, apanhar, e passar por tudo mais que é preciso para fazer parte do esquema e ser aceito. Sem uma só palavra. Até que se apaixona – mas a gente sabe que o amor também não precisa de palavras, assim como o ódio e a violência. Muito menos de legendas.

A linguagem do cenário formado pelos blocos típicos da era soviética – frios, sem identidade, sem diferença, cinzas, sem futuro impressiona. Assim como a juventude, um retrato perfeito. O clima frio, nebuloso, sem sol nem brilho também são personagens que ajudam a explicar a falta de gentileza, ternura e compaixão do jovem que não tem esperança. Vencedor da Semana de Crítica, Mostra paralela ao Festival de Cannes, o filme de Miroslav Slaboshpitsky é de uma força impressionante. Fico pensando quanta gente não terá a chance – nem a curiosidade – de assistir a este filme. Mas se você tiver, não perca. Chega a ser indigesto, incômodo, real demais que chega a machucar. Mas vale a pena pela dimensão humana – ou o contrário, pela falta de humanidade a que chegamos. De novo o tema da juventude desesperada. Vale seu ingresso, definitivamente.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Miroslav Slaboshpitsky ELENCO: Grigoriy Fesenko, Yana Novikova, Rosa Babiy | 2014 (130 min)

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