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Turquia

PROMESSAS DE GUERRA – The Water Diviner
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Austrália, Ação - 29/05/2015

Apesar de estarmos superacostumados a ver Russell Crowe no cinema, este filme é seu primeiro por trás das câmeras. Além de dirigi-lo, ele é o protagonista e, embora seja também um filme que se passa em outra época (assim como O Gladiador, Robin Hood, Noé, Os Miseráveis), Crowe agora está com uma cara, digamos, mais contemporânea. E também mais natural.

Acho até que é por isso que o filme cai bem. Conta uma história real, mas ganha ares de romance e de emoção familiar, que acabam sendo mais importantes do que as imagens da guerra em si. Tudo se passa em 1915, quando Connor (Crowe) vai até a Turquia para encontrar os corpos dos três filhos mortos durante a Batalha de Galípoli, em que tropas da Nova Zelândia e Austrália lutaram para defender os interesses ingleses na região.

Connor é australiano, os três filhos se alistam e morrem no front de batalha e o pai, desolado, vai em busca dos corpos. Encontra outras coisas pelo caminho – mas isso você vai ver no filme. O título do filme, The Water Diviner (que remete ao fato de Connor cavar poços à procura de água na região seca da Austrália), é melhor do que o batido Promessas de Guerra. Mesmo porque remete à busca que ele faz pelos filhos e ao fato de a água ser a metáfora da vida e da esperança. Sem dúvida, bem mais interessante.

 

DIREÇÃO: Russell Crowe ROTEIRO: Andrew Knight, Andrew Anastasios ELENCO: Russell Crowe, Olga Kurylenko, Jai Courtney, Yilmaz Erdogan, Cem Yilmaz| 2014 (111 min)

 

 

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ERA UMA VEZ NA ANATOLIA – Once Upon a Time in Anatolia
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Para Pensar - 02/11/2011

DIREÇÃO: Nuri Bilge Ceylan

ROTEIRO: Nuri Bilge Ceylan, Ebru Ceylan

ELENCO: Muhammet Uzuner, Yilmaz, Erdogan, Taner Birsel, Firat TAnis, Ercan Kesal, Ahmet Mumtaz Taylan

Turquia, 2011 (157 min)

Demorei alguns dias para sentar e escrever sobre este filme, que tem mesmo o ritmo de era uma vez… Lento, ritmo de prosa sem pressa, de prosa que enaltece a paisagem várias vezes, que fala de sua beleza, de sua imensidão, do que os personagens pensam, sentem, sem que o enredo propriamente dito se desenrole. Muito aguardado na Mostra de Cinema, este é um filme do diretor turco Nuri Ceylan, também de Climas – assisti e não sei por que razão acabei não escrevendo sobre ele. Agora entendo o tamanho do desconforto que seus filmes causam. Desta vez não tenho escapatória senão dar minha opinião sobre Era Uma Vez na Anatólia, como escapei, furtivamente, de Climas.

Não vou tentar explicar, mesmo porque não acho que se trata de entender, mas de sentir o filme. O desconforto que produziu em mim está em vários aspectos. Primeiramente, e mais óbvio, no ritmo. Lento, cansativo, não tem a pressa, preenche seus 157 minutos quase em tempo real – modo de dizer, mas juro que é essa a sensação. Sendo que os primeiros 70 minutos se passam no escuro. Sim, é noite, um grupo composto de policiais, um promotor, um médico, dois coveiros e um criminoso percorrem as colinas desertas e inóspitas da Anatólia atrás do corpo da vítima. Só que tudo parece prosaico, tem diálogos inteligentes (embora o filme prime pelo silêncio) e não há clima de mistério, mas de rotina. Conversam sobre seus males, família, mazelas, expectativas.

A outra metade se passa na cidade, no necrotério onde é feita a autópsia do corpo, onde a esposa reconhece o defunto, onde os procedimentos de registro, documentação e causa da morte são feitos sem rigor, assim como se faz qualquer outra coisa que se tenha escolha. O essencial no filme não são os procedimentos, mas sim as sensações, as impressões, as experiências, as dores humanas.

Portanto, continuo sem qualquer conclusão sobre o filme. Se o objetivo era incomodar, tirar o espectador do imediatismo do enredo que tem começo, meio e fim, e colocá-lo na seara das sensações, conseguiu. A estranheza de uma semana atrás foi se dissipando no decorrer dos dias e agora, confesso, que admiro vários elementos e ousadias ali presentes. Que é um primor em termos de paisagem, fotografia, essência humana, isso é. Mas é também uma mostra inquestionável da capacidade desse diretor de separar o joio do trigo, ou seja, não cair na armadilha de contar uma história, sem que ela fosse importante. Ele quer falar sobre pessoas e consegue fazer com que o enredo não seja essencial na sua forma, mas no seu conteúdo e na sua linguagem cinematográfica. Acho que agora entendo um pouco mais o ritmo de Climas, lento, contemplativo – um retrato da alma humana em suas perturbações. Vou rever e vencer a barreira. Fiquei devendo essa.

 

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UM DOCE OLHAR – Bal
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Para Pensar - 30/08/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Semih Kaplanoglu

ELENCO: Erdal Besikçioglu, Tülin Özen, Alev Uçarer, Bora Alta

Turquia, Alemanha , 2010 (103 min)

Bal significa “mel” em turco. Isso porque a história gira em torno de uma família cujo pai é apicultor. Vivem nas montanhas da Turquia e tão movimentada quanto a floresta que circunda a casa e a escola, é a vida familiar do casal e do filho. Digo isso logo de cara porque o foco de Um Doce Olhar é a observação e o olhar dos personagens.

É o pequeno Yussuf (Bora Alta) que dá o ritmo do filme e o tom de observação, que cabe também a nós, espectadores. Yussuf vai à escola, volta para casa, acompanha o pai na busca pelas abelhas e por seu mel. Seu olhar é doce sim, mas muitas vezes incompreendido e solitário. Típico ambiente longínquo de montanha, que segue o ritmo do barulho da chuva e do vento. Um filme sobre as relações humanas, sobre as dificuldades de lidar com o outro, sobre a admiração, a dor da ausência, as descobertas do mundo, mas também sobre a percepção do ambiente ao redor.

Por isso Um doce olhar é tão lento, mas é bonito e sauve. As cenas parecem acontecer em tempo real.  É preciso ter paciência e gostar dessa apreciação ao ritmo da natureza. Os diálogos são raros e muitas vezes sussurrados, portanto essencialmente contemplativo e enxuto. Essencialmente “para pensar”.

Vencedor do Urso de Ouro em Berlim em 2010, o filme é o terceiro da trilogia Yumurta (Ovo), de 2007, e Sut, (Leite), de 2008, em que o personagem já ganha outra dimensão como adulto e adolescente, respectivamente.

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SOUL KITCHEN
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Para se Divertir, Alemanha - 24/05/2010

DIREÇÃO: Fatih Akin

ROTEIRO: Adam Bousdoukos e Fatih Akin

ELENCO: Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Birol Ünel, Anna Bederke, Pheline Roggan, Lukas Gregorowicz, Dorka Gryllus, Wotan Wilke Möhring, Udo Kier

 Alemanha, Turquia, 2009 (99 minutos)

Soul Kitchen se encaixa na classificação “Para se Divertir” do Cine Garimpo. Digo isso porque, diferente do filme Do Outro Lado, aqui o premiado diretor alemão de origem turca não nos coloca para pensar em primeiro lugar, nem mesmo tem a pretensão de nos emocionar. Fatih Akin continua tratando do mosaico de raças da Alemanha atual, mas a sua proposta primeira é divertir com situações tragicômicas – o que não é uma tarefa fácil.

O centro de tudo é a cozinha. Com alma – daí o título do filme e do restaurante ser Soul Kitchen. São vidas que se cruzam ao passar por ela, mas sem grandes dramas ou reflexões. O filme é uma comédia em que quase tudo é extremo e exagerado. Por isso, muitas vezes engraçado. Deixa ver se me explico: Zinos (Adam Bousdoukos) tem origem grega, mora em Hamburgo e compra um galpão abandonado para montar um restaurante. A comida é absolutamente sem gosto e sem charme e é preparada sem qualquer cuidado ou higiene. Mas é o que vende. Ao redor dele se formam os conflitos: um irmão que sai da prisão e precisa de emprego; a namorada que vai morar na China; uma atroz dor nas costas que faz com que contrate outro cozinheiro para o restaurante; um antigo amigo que lhe dá uma rasteira. Imagine um universo atrapalhado. É o Soul Kitchen.

Não espere grandes análises da situação multirracial européia. Pense em vários jovens convivendo com suas angústias, desejos, ambições, dúvidas, coloque-os em um caldeirão com muita música, sexo sem pudor, humor nada sutil, comida com afrodisíaco. Ousado, o diretor, por fugir ao seu estilo mais denso. Alguns críticos se decepcionaram por isso. Não tive essa impressão. O próprio Fatih Akin disse, em entrevista, não ter feito desta vez um filme de arte. Alega ter dirigido um filme pensando no público. Algum problema com a mudança de olhar? Não que eu saiba.

 

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DO OUTRO LADO – Auf der Anderen Seite
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Alemanha - 14/05/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Fatih Akin

ELENCO: Nurgül Yesilçay, Baki Davrak, Hanna Schygulla, Tuncel Kurtiz, Patrycia Ziolkowska, Nursel Köse

Alemanha, Turquia, 2007 (122 min)

Quem não se lembra de Babel, o filme que conta histórias aparentemente desconexas que compõem, aos poucos, uma teia complexas de relações multiculturais? Do Outro Lado tem também essa abordagem e remete a um fato bastante atual e, ao mesmo tempo, contraditório: isso que se chama de mundo globalizado, interligado, interdependente está recheado de gente sem identidade, sem rumo, sem vínculo familiar. Fizemos ao revés, desagregamos valores.

Entrar em muitos detalhes estraga as surpresas do filme. Mas não é segredo dizer que a morte movimenta os personagens – o próprio diretor a anuncia isso no começo cada bloco. É o gatilho para as mudanças de postura e atitude em relação à vida e às pessoas ao redor.

Sujeito sozinho, Nejat Aksu (Baki Davrak) é descendente de turcos, vive na Alemanha e por circunstâncias da vida resolve passar um tempo na Turquia. Ayten (Nurgül Yesilçay) é turca, ativista política e refugia-se na Alemanha após perseguição policial. Charlotte (Patrycia Ziolkowska) é uma estudante alemã que conhece Ayten na universidade. Não passa despercebida a cena do caixão que ora desembarca na Turquia, vindo da Alemanha, ora faz o caminho inverso. Entre outras tantas, é uma marca do caldeirão cultural europeu, das intolerantes fronteiras entre culturas complementares, das diferenças religiosas e das linguagens universais. A morte interrompe o rumo natural dos relacionamentos e parece ser a única alternativa para o resgate familiar. Mesmo que para isso fosse preciso compor famílias diferentes.

Do Outro Lado foi premiado em Cannes com o melhor roteiro e recebeu o Cesar de Melhor Filme Estrangeiro. Merecido. A trama é intrigante e muito envolvente. Faz refletir sobre a miscelânea cultural em que vivemos. De fato, aqui também tem uma babel.

 

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