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Suiça

TREM NOTURNO PARA LISBOA – Night Train to Lisbon
CLASSIFICAÇÃO: Suiça, Portugal, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Alemanha - 02/12/2013

Trem noturno para Lisboa tinha tudo para ser um bom filme: tem ótimo elenco (Jeremy Irons, Charlotte Rampling, Mélanie Laurent, Jack Huston, Martina Gedeck) e o trailer (aliás, a distribuidora fez um bom trabalho)tem bom ritmo, sugere romance, suspense, uma boa narrativa, permeada de assuntos pessoais e de fatos históricos. Ou seja, pacote completo.

O que será que acontece com um filme que tem tudo, mas que vai perdendo a força com o decorrer da trama? Começa pungente: a pacata rotina de um professor de filosofia suíço (Jeremy Irons) é quebrada quando ele se depara com uma jovem pulando de uma ponte. Impede que ela cometa suicídio e, de quebra, encontra o livro de um escritor português chamado Amadeo do Prado que chama a sua atenção. Dentro dele há uma passagem de trem para Lisboa, naquela noite. Resolve largar tudo, embarca para Portugal e vai atrás desse tal de Amadeo e de sua história.

Em flashback, o diretor dinamarquês Bille August volta para a época da ditadura de Salazar, que resultou na Revolução dos Cravos , em 1974, pelas mãos da resistência. Amadeo do Prado é um médico, que se envolve com os rebeldes, apaixona-se pela namorada do melhor amigo e escreve sua história no livro que vai parar na mão do professor suíço. Um prato cheio para um ótimo filme sobre um momento histórico pouco explorado pelo cinema (até onde eu sei), com romance, traição, amizade e a discussão, sempre atual, sobre o dia em que alguém decidiu largar tudo e mudar de vida.

Por algum motivo Bille August, também de Pelle, O Conquistador, não engrena. Embora seja agradável, não é aquele filmaço que o trailer promete. Pena. Adoro filmes com esse viés histórico, ainda mais recheado de tantas caras conhecidas. O livro homônimo, do francês Pascal Mercier, que serviu de base para o filme, foi sucesso de vendas. No cinema, este trem não vai muito longe.

 

DIREÇÃO: Bille August  ROTEIRO: Pascal Mercier (livro), Greg Latter ELENCO: Jeremy Irons, Mélaine Laurent, Jack Huston, Martina Gedeck | 2013 (111 min)

 

 

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MAIS QUE MEL – More Than Honey
CLASSIFICAÇÃO: Suiça, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Documentário, Áustria, Alemanha - 04/10/2013

Não sei você, mas eu sempre fiquei intrigada com a vida coletiva das abelhas e formigas. Inúmeras vezes me deparei com formigas em fila indiana cruzando a estrada de terra da fazenda no interior de São Paulo. Parávamos para observar. Era organizado demais da conta. Também me impressionava a proporção das folhas que elas carregavam nas costas, quase do tamanho do corpo. Enormes ou miúdas, mas sempre poderosas. E passíveis de observação – dava para ficar o olhando sem que significassem uma ameaça – acho que é por isso que as formigas me chamavam mais atenção no quisito “trabalho em equipe” do que as abelhas.

Sim, porque observar abelhas trabalhando é um pouco mais perigoso. Tem que achar a colmeia, aproximar-se sem perturbar e sem correr risco de levar uma ou milhares de picadas. Claro que dava para observar o trabalho de polinização nas flores, mas a fila indiana das formigas sempre me pareceu mais sistemática, processual, estilo linha de produção. Com começo, meio e fim, propósito e objetivo. Um exemplo a seguir.

Falo das formigas, mas este filme é sobre abelhas e realmente vai muito além do mel que elas sabiamente produzem. Mais Que Mel é uma viagem pelo universo desses animais, não somente na sua trajetória natural de polinização, produção de mel, acasalamento, construção da colmeia e hierarquização das funções, mas também na interferência do homem no processo para benefício da agricultura. Filmado na Suiça, Califórnia, China e Austrália, o documentário satisfez parte da minha curiosidade: me colocou dentro de uma colmeia, como espectadora. As imagens são fascinantes e merecem ser apreciadas.

Por outro lado, é montado de forma didática, já que muita gente não deve ter conhecimento sobre tudo aquilo que gira em torno desses animais. Fiquei sabendo, por exemplo, que a colheita de amêndoas na Califórnia depende em grande parte da polinização das abelhas durante a primavera. Para tanto, milhares de colmeias são levadas de caminhão para a região para que trabalhem sem parar. Assim as flores darão frutos, que serão colhidos e exportados mundo afora. Quem está acostumado com a manipulação de animais de grande porte para cruzamento de raças, melhorias, formação de rebanhos, pode transportar tudo isso para a produção de novas colmeias, com suas rainhas e seu exército.Tudo comercializado pelos apicultores no mundo todo, numa rentável atividade que, em alguns lugares como os vilarejos suíços, passam de pai para filho.

Também fiquei sabendo que a população de abelhas diminuiu drasticamente, o que prejudica muito a agricultura. Consequências das mudanças climáticas e de todas as interferências irresponsáveis dos homens. Na China, por exemplo, as abelhas sumiram. Quem tem que polinizar é o homem, que está longe de ser eficiente como elas.

Ainda quero me ver dentro do formigueiro, para entender o que aqueles seres fazem com as folhas enormes que carregam nas costas quando atravessam as estradas de terra. Mais Que Mel aguçou a minha curiosidade e me deixou encantada com a beleza da fotografia, com a proposta de interesse ambiental e com o cunho didático da profissão dos apicultores. Nunca vou me esquecer a maravilha que é deixar escorrer o mel do favo, comer e se lambuzar. Agora ele tem um sabor ainda mais especial.

 

DIREÇÃO: Markus Imhoof ROTEIRO: Markus Imhoof, Kerstin Hopperhaus ELENCO: Fred Jaggi, Randol Menzel, John Miller | 2012 (95 min)

 

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