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Suécia

UM HOMEM CHAMADO OVE – A Man Called Ove
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Suécia, Para se Emocionar, Drama - 17/02/2017

Numa Europa multirracial, usar o cinema para trazer esse assunto da tolerância, do acolhimento e da ajuda mútua é um alento para tantos conflitos. Sou fã incondicional do cinema escandinavo (aliás, tem lista, clica aqui) e Um Homem Chamado Ove integra esse panorama.

Mas tem uma pegada diferente, fugindo daquele clima denso do realismo de filmes como  Em Um Mundo Melhor e A Comunidade. O tom aqui é de comédia dramática, no estilo rir-pra-não-chorar. Ove é um senhor rabugento (aparentemente), solitário e de mal com a vida, que planeja o suicídio para poder ficar ao lado de sua mulher, que já faleceu. Trata mal os vizinhos e não quer muita conversa. Até que uma família iraniana se muda, vai chegando com jeitinho e acaba cativando o coração deste homem que já não via mais razão para viver.

Essencialmente um filme sobre amizade e sobre esse poder transformador. Singelo e verdadeiro, emociona por ser genuíno. Lembra o inglês O Visitante, em que o protagonista também é fisgado pela amizade de um imigrante clandestino.

Concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro pela Suécia, além de melhor maquiagem.

 

DIREÇÃO: Hannes Holm ROTEIRO: Hannes Holm, Fredrik Backman ELENCO: Rolf Lassgard, Bahar Pars, Filip Berg | 2015 (116 min)

 

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O QUE TEM DE BOM NO CINEMA ESCANDINAVO
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Rever, Noruega, Lista, Dinamarca - 24/08/2016

Cinema escandinavo está cada vez mais em alta! Aqui vai uma lista com dicas boas, intensas e preciosas. Escolha pelo estado de espírito, porque não são filmes suaves. São dramas fortes, focados no relacionamento humano. Para ler sobre cada um dos filmes, é só clicar no seu nome.

Dos cineastas citados, adoro o trabalho de Susanne Bier – todos imperdíveis (foto acima: Depois do Casamento). Sobre Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, vale dizer que são parceiros num projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme teria que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deveria ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir.

 

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FORÇA MAIOR – Turist
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama - 05/03/2015

Muitas das atitudes que tomamos são por motivo de força maior. Força que sai do controle e do nosso crivo racional. Vem das entranhas, do íntimo e revela porções e sentimentos nossos guardados à sete chaves. Sabe-se lá por quanto tempo. Sabe-se lá com que sequelas. O sueco Força Maior é assim: intenso, poderoso e, por isso, assustador. Assim como a montanha nevada, que vai produzindo uma pequena movimentação de neve bem longe, que se aproxima lentamente, ganha movimento, rapidez, até se transformar numa avalanche. Com os tsunamis é igual – o início é nas profundezas do oceano, uma alteração invisível aos olhos, mas de efeitos devastadores na superfície.

É dessa metáfora que Força Maior lança mão, fazendo uma analogia entre os movimentos transformadores da natureza e aqueles devastadores nas relações humanas. O que é mostrado no começo do filme como uma família linda e feliz, de férias em uma sofisticada estação de esqui na França, vai se transformando assim como a montanha repleta de neve fofa e instável. É numa avalanche real que o casal Tomas e Ebba começam a movimentar os sentimentos guardados dentro deles por anos, ressentimentos de uma relação mal resolvida, de individualidades deixadas de lado, de expectativas não correspondidas, de frases e sentimentos não ditos.

Aliás, eu diria que os cinemas sueco e dinamarquês têm dessas coisas. Tratam do subliminar – e da essência – das relações humanas com a força de uma avalanche, num crescente que a gente mal percebe, até que não dá mais para evitar. Foi assim em A Caça, Submarino e Festa de Família (de Thomas Vinterberg), em Depois do Casamento e Em Um Mundo Melhor (de Susanne Bier) – só para citar alguns. Venceu o prêmio que gosto tanto em Cannes, Un Certain Regard, e foi o indicado da Suécia para a vaga na corrida pelo Oscar de melhor filmes estrangeiro. Força Maior foi uma avalanche de emoções dentro de mim e é de fazer parar para pensar. Profundamente.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Ruben Östlund ELENCO: Johannes Kuhnke, Lise Loven Kongsli, Clara Wettergren | 2014 (118 min)

 

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JERUSALÉM – Jerusalem
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Ver Bem Acompanhado, Drama, Dinamarca - 07/08/2012


DIREÇÃO: Bille August

ROTEIRO: Bille August, Selma Lagerlöf (livro)

ELENCO: Maria Bonnevie, Ulf Friberg, Pernilla August, Lena Endre, Sven-Bertil Taube

Suécia, Dinamarca, 1996 (168 min)

De novo o tema da imigração, já que Bille August é também diretor de Pelle, O Conquistador (1987), só que desta vez é para a Terra Prometida. Mas Jerusalém é também um filme de amor, muito embora seja a religião, fé, crença os grandes motores da narrativa. Até por isso acho que o diretor optou por planos extensos, sugerindo reflexão e observação do personagem, dentro da proposta de vida das pessoas dessa pequena comunidade sueca, no começo do século 20.

Gertrud e Ingmar são criados juntos, se apaixonam e tinha absolutamente tudo para continuar juntos. Mas a chegada de um pregador fervoroso mexe profundamente com a fé dos habitantes dessa pacata e tradicional sociedade e acaba os distanciando cada vez mais. Indicação sueca para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro naquele ano, Jerusalém expõe não só a vida cotidiana e crenças da comunidade que gira em torno do culto e da figura do pregador, como a possibilidade de escolha e suas consequências. Ao seguirem para a Terra Prometida, os cristãos integram uma leva de peregrinos que lutam para coexistir na cidade sagrada com judeus e muçulmanos.

Em tempos de Festival de Cinema Judaico, um filme interessante sobre o tema. Longo, é verdade. E lento, no ritmo dos filmes nórdicos. Mas sensível e bonito. Vejam o trailer abaixo – infelizmente não é legendado, mas tem um visual que pode dar uma boa dica do tipo de filme.

 

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A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO – The Girl that Played with Fire
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Suécia, Para se Divertir, Garimpo na Locadora - 21/03/2012

DIREÇÃO: Daniel Alfredson

ROTEIRO: Jonas Frykberg, Stieg Larsson (livro)

ELENCO: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre

Suécia, 2009 (129 min)

Adoro a versão sueca da série Millennium. Mesmo agora com o lançamento nos cinemas da produção americana com Daniel Craig e Rooney Mara e tudo mais que vem junto com uma proposta grandiosa e uma boa história, continuo gostando da linguagem europeia de suspense no cinema.

Baseado na trilogia do autor sueco Stieg Larsson, que morreu sem ver e imaginar que seus livros seriam sucesso no mundo inteiro e que ganhariam esse espaço todo na telona, o segundo filme da série Millennium: A Menina que Brincava com Fogo dá sequencia ao ótimo Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Os protagonistas são os mesmos, e nem poderia ser diferente. É com base na revista Millenium do jornalista investigativo Mikael Blomkvist que toda a trama da trilogia acontece. No primeiro, tudo girava em torno do desaparecimento de uma moça há mais de 40 anos e da morte misteriosa de várias mulheres; no segundo, ainda as mulheres são o centro da investigação, mas agora o tema é o tráfico humano na Europa (tema também abordado no filme A Informante, com Rachel Weisz). No centro de tudo isso, além do jornalista e sua audaciosa equipe, está Lisbeth Salander, uma hacker bem esquisita, antissocial, com a tal tatuagem de dragão nas costas e uma porção de problemas familiares passados para resolver.

Mesmo se você não leu o livro, como é o meu caso, não se intimide. Assista ao filme, porque o suspense é bom e bem interessante. E é bacana também não ter todo o aparato hollywoodiano por trás da produção – talvez esse olhar se aproxime mais do que Larsson imaginou para os seus personagens e nos tira um pouco do formato conhecido de filmes de investigação e assassinato. Porém, é claro que é preciso assistir ao primeiro da série para entender melhor o perfil dos personagens – o que não é nenhum sacrifício e uma ótima dobradinha para o fim de semana.

 

 

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DEIXA ELA ENTRAR – Let the Right One In
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Pensar - 18/11/2011

DIREÇÃO: Tomas Alfredson

ROTEIRO: John Ajvide Lindgvist

ELENCO: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Berqquist, Peter Carlberg

Suécia, 2008 (115 min)

Vou na contramão dos cinemas, que lançam hoje Amanhecer – Parte 1, o primeiro episódio do quarto filme de A Saga Crepúsculo. Não assisti – até queria a opinião de quem acompanha essas produções. E já que o tema do fim de semana são vampiros, peguei carona, mas no outro sentido, fugindo descaradamente da maré dos filmes blockbuster, indo na direção das produções européias que gosto tanto.

Não dá pra dizer que prefiro sem ter assistido às duas opções. Mas o trailer de Amanhecer – Parte 1 não é exatamente um atrativo… Por outro lado, e numa linguagem absolutamente diferenciada, está esta produção sueca Deixa Ela Entrar, exibido na Mostra Internacional de Cinema em 2008 e este ano, no vão livre do MASP.

A protagonista é uma menina de 13 anos, vampira, que não sente frio, voa, está para sempre congelada no corpo de uma adolescente. Seu par, um garoto da mesma idade, que sofre forte bullying no colégio, não tem amigos, vive quieto, com medo, é fascinado por histórias de terror e morte e descobre a adolescência sem ter com quem conversar, nas gélidas paisagens suecas. Entre neve, frio, gelo e dias totalmente cinzas (uma metáfora dessas relações duras, frias, impessoais, individualistas e absolutamente cruéis), os dois se encontram, conversam, selam uma amizade que vai chegar às últimas consequências – para um vampiro e para um ser humano.

A atuação de Oskar (Kåre Hedebrant) e Eli (Lina Leandersson) é incrível e dá muita força para todo o clima de suspense e mortes misteriosas na pequena cidade onde vivem. Eli chega acompanhada de um senhor, que trata de conseguir sangue para alimentá-la da forma mais esquisita e mórbida possível. Técnica-morcego, eu diria. Eli tem uma aura de mistério, uma palidez própria dos vampiros (se é que posso dizer isso), sem que isso pareça artificial. Tem aquele olhar esbugalhado impressionante e muito, mas muito convincente.

O que completa essa caracterização física e cenográfica e é de fato muito bem construída, é o emocional dos personagens, a vivência das descobertas da adolescência com essa cumplicidade tão improvável, mas que funciona na aceitação das diferenças, na adaptação, no respeito e ajuda mútua. Tipo de ajuda que não é qualquer um que daria… precisa ser uma amizade realmente muito especial. Quanto tudo parece terminado e resolvido, o diretor Tomas Alfredson dá um toque magistral. A última cena é de uma leveza e inocência incríveis. Não pensei que pudesse ter um final doce… agridoce, melhor dizendo.

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OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES – The Girl with the Dragon Tattoo
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Suécia, Para se Divertir - 15/09/2010

DIREÇÃO: Niels Arden Oplev

ROTEIRO: Rasmus Heisterberg, Nikolaj Arcel

ELENCO: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Haber, Sven-Bertil Taube, Peter Andersson, Ingvar Hirdwall, Sofia Ledarp, David Dencik

Suécia, Dinamarca, Alemanha , 2009 (152 minutos)

Suspense puro. Daqueles de não desgrudar os olhos da tela. A história gira em torno de uma garota desaparecida há cerca de 40 anos – o que, a princípio, não tem nada de original. Mas vale dizer que a trama é muito bem articulada e amarrada. Parece fazer jus ao livro homônimo de Stieg Larsson, o primeiro da trilogia Millennium (os outros dois são A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar) – o que é uma boa surpresa, já que nem sempre as adaptações são fidedignas e tão interessantes quanto a história já contada em livro.

Neste caso, é interessante também pelos assuntos que aborda. Uma moça desaparece misteriosamente e 40 anos depois um jornalista investigativo é chamado para desvendar o caso que a polícia não conseguiu nem pistas. Além da trama, o filme sueco fala da inclemente invasão de privacidade nesse nosso mundo virtual, retrato do que é o mundo real de hoje. É graças a ela que o jornalista recebe reforço na sua tarefa, na figura inusitada e estranha, ao mesmo tempo forte e frágil, da hacker Lisbeth. Juntos eles decifram os códigos, o passado e o presente se misturam, os crimes sexuais saltam aos olhos, assim como a frieza dos personagens.

Interessante um suspense sueco – foge bastante daquele estilo contemplativo e calmo que vem dos países nórdicos. Interessante a construção dos personagens-detetives, tão diferentes e tão complementares, que juntos são capazes de gerar uma grande curiosidade pelo que a acontece na sequência da série. Quem quiser se adiantar, o segundo livro está nas livrarias. Parece que a trilogia está também na mira de Hollywood – gosto da versão sueca, do olhar europeu impresso na telona pelo diretor Niels Arden Oplev, das características cruéis e bizarras dos personagens. Pena o autor Stieg Larsson não ter tido o gostinho do sucesso – morreu repentinamente aos 50 anos, antes de a série estourar na Suécia e no mundo todo.

 

 

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