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Palestina

O ÍDOLO – The Idol
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Palestina, Em cartaz, Drama, Biografia - 26/01/2017

O mais bacana desses filmes que falam do Oriente Médio é que eles falam do Oriente Médio por meio de algo com que a gente, do lado de cá do mundo, também se identifica. Falar da juventude em qualquer cultura aproximar os povos, como em Uma Garrafa no Mar de Gaza, por exemplo. Só mais universal do que o jovem, acho que é a música – coisas que caminham juntos, não por acaso. Dá aquela sensação de compreender um pouco de uma realidade bem distinta, o que é uma oportunidade de realmente olhar para o diferente com outros olhos.

Falando em olhar, O Ídolo traz essa perspectiva da superação de dificuldades. Não tem lá muito novidade, segue uma linha cronológica desde a infância e Mohammed Assaf e doura a pílula um pouco no quesito destruição e miséria por que passa o povo palestino. Mas, tirando isso, conta a verdadeira a história do menino de Gaza que sonhava em ser cantor profissional e se apresentar na Ópera do Cairo. Tanto ele faz – e tanto conta com a determinação da família – que consegue inscrever-se no concurso musical Arab Idol, “fugir”de Gaza para se apresentar na audição no Egito e finalmente vencer a competição.

O diretor do filme, Hany Abu-Assad, também de Paradise Now, que foi nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006 e tem uma pegada bem diferente e realista –, também é palestino, nasceu em Nazaré. Consegue trazer emoção para o drama, mesmo que tenha, sim, alguns clichês – que além de ser humano, universal enquanto luta por um lugar ao sol, pela liberdade de ir e vir, pelo sonho, pela justiça, traz pra perto uma realidade que a gente, aqui do outro lado, mal consegue dimensionar e que o cinema é capaz de traduzir.

 

DIREÇÃO: Hany Abu- Assad ROTEIRO: Hany Abu-Assad, Sameh Zoabi  ELENCO: Tawfeek Barhom, Kais Attalah, Hiba Attalah | 2015 (100 min)

 

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PARADISE NOW
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Palestina, Garimpo na Locadora, Drama - 13/08/2014

Aproveitando o gancho da 9a MOSTRA DO MUNDO ÁRABE DE CINEMA, que começa hoje em  São Paulo e tem como filme de abertura Omar, de Hany Abu-Assad, fui ver seu filme premiado Paradise Now, vencedor do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro representando a Palestina. Mais emblemático, impossível – visto o estouro do barril de pólvora que se tornou o Oriente Médio.

E merecido. Paradise Now (tem no Netflix) conta a história de dois amigos de infância que vivem enclausurados em uma cidade da Cirsjordânia, isolada e ocupada por Israel. Levam uma vida aparentemente normal, mas não se conformam com a situação política e fazem parte da porção que acredita que é preciso agir com violência, já que os palestinos não podem competir com o poder militar do estado judeu. Para tanto, são homens-bomba voluntários. Quando são realmente convocados a participar de um atentado terrorista em Telaviv, as questões e dúvidas do preço humano a ser pago surgem de maneira arrasadora.

Mas nem tudo dá certo conforme detalhadamente planejado pelos líderes do grupo e os questionamentos vem à tona com mais força ainda. Atentado surte afeito de mudança política? Gera mais violência? Seria possível resistência pacífica? E a família, como fica depois que eles explodirem? Quem faz esse papel é a amiga Suha (Lubna Azabal, também em Incêndios), que sabe que não haverá solução através dos ataques e revides infindáveis.

Entra na lista dos filmes interessantes sobre o Oriente Médio, que já merece ser reeditada aqui no Cine Garimpo. O mínimo que temos que fazer é parar para refletir. Paradise Now trata o drama humano de uma maneira forte e marcante, na figura dos amigos que se vêem numa encruzilhada, perdidos e sem propósito de vida, levados pelo impulso. Atual e necessário, o filme traz toda a discussão que está na pauta das últimas semanas: intolerância religiosa espalhada pelo Oriente Médio feito praga.

 

DIREÇÃO: Hany Abu-Assad ROTEIRO: Hany Abu-Assad, Bero Beyer ELENCO: Kais Nashif, Ali Suliman, Lubna Azabal, Hiam Abbass | 2005 (90 min)

 

 

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9a MOSTRA MUNDO ÁRABE de CINEMA
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Palestina, Israel, Festivais, Egito - 11/08/2014

Parece que veio mesmo a calhar. Embora já esteja na sua 9a edição, falar em cinema árabe em meio ao atual confronto entre judeus e palestinos é um convite à reflexão. Aliás, não fazemos mais do que a obrigação. Refletir e produzir, no nosso microcosmos de convívio, um ambiente pacífico e tolerante.

Organizado pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe), a Mostra fica em cartaz de 13 de agosto a 16 de setembro em diversos lugares (clique aqui para programação completa) e vai focar nas relações humanas mais que políticas – muito embora elas estejam sempre interligadas por lá.

São quatro as sessões: Panorama Mundo Árabe, Cinema Palestino, Cinema Egípcio Contemporâneo e Diálogos Árabes-Latinos. Interessantes as temáticas. Do cinema palestino, o destaque é Omar, que foi indicado para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro e venceu o prêmio do júri em Cannes em 2013, tem tudo a ver com o conflito atual no Oriente Médio (do diretor Hany Abu-Assad, também de Paradise Now). Trata-se da história de um jovem palestino que  acaba se envolvendo com a polícia israelense (trailer abaixo) – algo que me lembra Belém – Zona de Confronto, tocando em pontos controversos e delicados como ocupação israelense, polícia, muros, informantes, violência. Também é destaque Um Mundo que Não é Nosso, sobre um campo de refugiado palestinos no Líbano.

Veja a programação completa acima e acompanhe aqui no Cine Garimpo os comentários dos filmes. Sempre depois da Mostra, alguns deles entram em cartaz – o que é um alento.

 

De 13 a 20 de agosto: Cinesesc

De 22 a 25 de agosto: Memorial da América Latina

De 27 de agosto a 14 de setembro: CCCB-SP

Dias 2 e 9 de setembro: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade

De 9 a 16 de setembro: Centro Cultural São Paulo

 

 

 

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O QUE RESTA DO TEMPO – The Time That Remains
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Palestina - 29/11/2010

DIREÇÃO e ROTEIRO: Elia Suleiman

ELENCO: Elia Suleiman, Saleh Bakri, Lotuf Neusser, Amer Hlehel, Samar Tanus, Ziyad Bakri, Shafika Bajjali

França, Palestina, 2009 (105 min)

À primeira vista, parece um filme monótono, há poucos diálogos e o cenário é teatral e artificial. A produção transmite claramente a ironia da condição dos palestinos em Israel, mas a lentidão e repetição de alguns planos pode desanimar os mais desavisados. Vale dizer que O Que Resta do Tempo está na categoria ‘para entender o nosso mundo’, mas indico também, e sobretudo, a quem busca um filme que vá além da superfície e do modelo auto-explicativo de cinema. É um filme ‘para pensar’. E a reflexão vem naturalmente, porque o tom de sarcasmo é realmente muito forte e evidente (pelo trailer já dá para perceber isso).

Fique atento aos detalhes do roteiro que compõem o significado do filme – as crianças árabes cantando música judaica, os fogos de artifício das cores da bandeira palestina, o soldado israelense pedindo que o árabe tome cuidado para não se machucar diante de um jipe que pode explodir. Esses e outros elementos são ferramentas importantes da percepção do diretor Elia Suleiman sobre as relações entre os povos que habitam Nazaré. Ele dá seu ponto de vista sobre a ocupação da Palestina pelos judeus durante a criação do Estado de Israel em 1948 e vai até os dias de hoje. Vai da expulsão das famílias palestinas de suas casas, da caça às bruxas, até os muros construídos ao redor dos territórios ocupados.

Os muros são intransponíveis, dificultando a vida e a economia das famílias que resistiram aos israelenses, mas a história é capaz de transpor as barreiras e chegar aos cinemas. Através de cartas de familiares que tiveram que deixar a Palestina, da experiência contada pelo pai do diretor, que resistiu à invasão e acabou sendo preso, Suleiman conta como foi sua vida desde a infância até hoje e ele mesmo se representa no filme. O olhar sempre perdido, catatônico e indiferente é a sua crítica mais autobiográfica do que sobrou da sua cultura e do tempo de resta para o povo palestino.

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