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Noruega

MAIS FORTE QUE BOMBAS – Louder Than Bombs
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Noruega, Garimpo na Locadora, França, Drama - 04/11/2016

Assim como Juliette Binoche em Mil Vezes Boa Noite, Isabelle Huppert é também uma famosa fotógrafa, que percorre o planeta fazendo registros de conflitos, guerras, refugiadas. Vai aonde está o perigo. A desolação. Mas tem família, se ausenta, deixa um buraco. Fisica e emocionalmente. Nela e no filho, no marido, no relacionamento. É como não se encaixasse em lugar nenhum.

Isabelle Huppert é camaleoa. Produz incansavelmente – está em A Religiosa, Dois Lados do Amor, A Bela que Dorme, Amor, Em Nome de Deus, Copacabana, Minha Terra, África e, recentemente em Elle. É sempre um personagem intenso. Em Mais Forte que Bombas, o buraco que ela causa é real. Sofre um acidente, sabemos logo no começo. Mas as suas escolhas de vida também transformaram a vida dos que amava – e aí está o conflito. Como preencher, reinventar, continuar vivendo. Os filhos, o marido, o amante. A fotografia.

O vazio que fica é mais barulhento e conturbado que as bombas que Isabelle tanto buscava retratar. É Joachim Trier também o lindo e perturbador filme Oslo, 31 de Agosto – sobre um jovem que sofre para se recuperar do vício das drogas e voltar à vida normal e ao convívio. O diretor norueguês entra bem fundo nas questões humanas, sem julgamentos, apenas pontua. Mas escolhe os sentimentos mais difíceis. A dor de não conseguir conviver consigo mesmo.

 

DIREÇÃO: Joachim Trier ROTEIRO: Joachim Trier, Eskil Vogt ELENCO: Isabelle Huppert, Jesse Eisenberg, Gabriel Byrne, Devin Druid, Amy Ryan | 2015 (109 min)

 

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O QUE TEM DE BOM NO CINEMA ESCANDINAVO
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Rever, Noruega, Lista, Dinamarca - 24/08/2016

Cinema escandinavo está cada vez mais em alta! Aqui vai uma lista com dicas boas, intensas e preciosas. Escolha pelo estado de espírito, porque não são filmes suaves. São dramas fortes, focados no relacionamento humano. Para ler sobre cada um dos filmes, é só clicar no seu nome.

Dos cineastas citados, adoro o trabalho de Susanne Bier – todos imperdíveis (foto acima: Depois do Casamento). Sobre Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, vale dizer que são parceiros num projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme teria que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deveria ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir.

 

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O CIDADÃO DO ANO – Kraftidioten
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Noruega, Garimpo na Locadora, Ação - 29/06/2015

Publiquei, no Cine Garimpo, uma lista de filmes escandinavos bacanas. O Cidadão do Ano, que concorreu ao Urso de Ouro em Berlim em 2014, merece fazer parte dela. Mistura suspense, ação e investigação, numa trama superengenhosa: um pai procura o assassino de seu filho, mas está interessado em pegar o mandante, e não seus capangas. Como não sabe quem ele é, vai matando todos da gangue, um por um, começando pelos peixes pequenos, subindo na hierarquia do poder dos mafiosos, até chegar aos tubarões.

Nils (Stellan Skarsgård, também em Gênio Indomável, Millennium, Uma Longa Viagem) é responsável por limpar a neve que bloqueia as estradas da Noruega. Pode-se imaginar a importância dessa profissão num lugar como esse, a ponto de ele ganhar o título de O Cidadão do Ano. Só que seu filho é assassinado, o laudo é de overdose, mas Nils não acredita. Vai atrás dos assassinos, até chegar no chefe dos traficantes. Com a frieza do ambiente gelado do inverno norueguês, o filme é uma caçada implacável aos culpados e acaba envolvendo também a máfia sérvia, com quem a gangue local divide o território do tráfico de drogas.

Has Petter Moland também é diretor de Uma Vida Nova e mostra aqui sua habilidade de fazer um filme de ação, com boa pitada de suspense e ironia. Você vai se sentir dentro da trama, acompanhando o raciocínio de Nils, à medida que o diretor é bastante didático: sinaliza quem morre e deixa claro a estratégia de terminar o filme só quando terminarem os suspeitos. Só segue assim quem não tem nada a perder.

DIREÇÃO: Hans Petter Moland ROTEIRO: Kim Fupz Aakeson ELENCO: Stellan Skarsgard, Birgitte Hjort Sørensen, Kristofer Hivju | 2014 (116 min)

 

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MISS JULIE
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Noruega, Garimpo na Locadora, Drama - 20/05/2015

Vou menos ao teatro do que gostaria. E quando me vejo programando o que assistir, tenho que pensar duas vezes antes de propor o programa. Não é todo mundo que curte de teatro – ou melhor, eu diria que a maioria das pessoas tem preguiça, já parte do pressuposto que é algo monótono, ou não se sente à vontade com o atores assim, tão perto. Tem gente que simplesmente diz que não gosta e pronto. (Vai ver nunca foram assistir nada que preste.)

Por isso, tomo cuidado ao recomendar um filme-teatral. Assim como fiz com o brasileiro Sorria, Você Está Sendo Filmado. É teatro: um só cenário, um só ponto de vista, a câmera que não muda de posição. Um filme não tem absolutamente nada a ver com o outro, mas o gênero sim. Mais do que o tema de Miss Julie, é importante dizer que essa produção praticamente só tem tomadas internas, dentro de um palacete, com os personagens em conflito. As poucas tomadas externas são rápidas e sem importância. Dão um pequeno alento, mas não o suficiente para que você se sinta fora do “teatro”.

Dito isso, vamos ao filme em si. Jessica Chastain (também em O Ano Mais Violento, Dois Lados do Amor) é Miss Julie, a filha mimada de um aristocrata anglo-irlandês, que dá em cima descaradamente do empregado de seu pai (Colin Farrell, também em Caminho da Liberdade e Walt nos Bastidores de Mary Poppins) e os dois passam o filme se desafiando. Tudo no verão de 1890, no Condado de Fermanagh. A única personagem que é o contraponto da história é Kathleen (Samantha Morton), namorada de John, mas que se enfraquece diante da intensidade das discussões. Bem cena de teatro mesmo. Parece que eles estavam cara a cara comigo. Acho um filme corajoso – não claustrofóbico, como disseram alguns. Ainda mais com Chastain no elenco – definitivamente ela vem ocupando um lugar de destaque na telona que é de tirar o chapéu.

 

DIREÇÃO: Liv Ullmann ROTEIRO: August Strindberg, Liv Ullmann ELENCO: Jessica Chastain, Colin Farrell, Samantha Morton | 2014 (129 min)

 

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BLIND
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Noruega, Garimpo na Locadora, Drama - 05/03/2015

Alguns filmes sobre a cegueira me marcaram de modo especial. A começar pelo maravilhoso italiano Vermelho Como o Céu; passando pelos angustiantes Ensaio sobre a Cegueira e Sentidos do Amor; pela revelação brasileira Hoje Eu Quero Voltar Sozinho; e terminando no lindo clássico Perfume de Mulher. Não dá para não se impressionar – deixar-nos levar e mergulhar no universo de quem não vê é uma viagem, no mínimo, diferente.

Que normalmente se torna aflitiva. Dificilmente conseguimos nos imaginar vivos sem a visão, ativos sem ver o mundo. E felizes? Nem pensar. É inimaginável e é por isso que filmes bem feitos sobre a cegueira nos rendem esse sentimento da proximidade e intimidade com a escuridão que tanto tememos. E por isso são tão impressionantes. Mergulhei no norueguês Blind como quem mergulha nessa vasta nuvem negra. E me deixei levar pela personagem Ingrid, que fica cega por causa de uma doença e se fecha dentro do seu apartamento, fugindo de tudo e de todos.

Ingrid é quem conta a história. Expõe sua sensação em relação ao marido e seu medo de se expor ao mundo nessa nova condição. Enquanto vive fechada, a vida continua lá fora, seu marido circula com amigos, um homem é obcecado por pornografia, uma moça se separa e se muda para Oslo para começar uma vida nova. Além da história de Ingrid e sua nova dimensão da realidade, outras histórias vão sendo escritas e o roteiro do também diretor Eskil Vogt cresce a cada minuto. Torna-se mais interessante à medida que os personagens ganham corpo, para culminar num desfecho engenhoso e muito original.

Blind consegue nos transportar para a tela, mas só explica como faz isso bem no final. Venceu melhor filme estrangeiro de drama do júri e roteiro emno Festival de Sundance e vem surpreendendo a quem assiste. Embarque na rotina de Ingrid, mesmo que ela lhe pareça pacata e triste. É por essas e outras que sou fã do cinema escandinavo. Fala do ser humano com uma sensibilidade ímpar, sem medo de parecer elaborado demais. E é elaborado, com muita personalidade.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Eskil Vogt ELENCO: Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Vera Vitali | 2014 (96 min)

 

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MIL VEZES BOA NOITE – A Thousand Times Good Night
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Noruega, Garimpo na Locadora, Drama - 08/11/2014

Toda vez que assisto a um filme com Juliette Binoche fico fazendo conta de quantos ela é capaz de fazer por ano. Na 38a Mostra Internacional de Cinema de SP, ela estava presente com Acima das Nuvens, antes fez Camille Claudel 1915, De Coração Aberto, Cosmópolis, Elles e Cópia Fiel – tudo isso de 2010 para cá. Impressionante.

Mil Vezes Boa Noite é do diretor norueguês Erik Poppe e conta uma história bem bonita sobre escolhas (lendo sobre a biografia do diretor, descobri que o filme é autobiográfico, já que Poppe foi fotógrafo de guerra e passou por esse conflito familiar). Rebecca (Juliette Binoche, também em O Paciente Inglês e Horas de Verão) é uma fotógrafa famosa, especializada em fotojornalismo de áreas de conflito. Ela vai aonde estão as mais guerras mais perigosas e truculentas do mundo. Desta vez está em Cabul, no Afeganistão, quando é atingida por uma bomba e coloca, mais uma vez, sua vida em risco.

Este “mais uma vez” ficamos sabendo depois, porque Rebecca é casada, tem duas filhas e passa a maior parte do tempo viajando pelo mundo. Trabalho ou família? Como conciliar o afetivo com o humanitário? Na realidade, o filme traz essa pergunta mais profunda, além da natural trabalho versus família, um conflito mais comum. Além de fotografar, ela se sente portadora de informações importantes, capazes de mobilizar pessoas e transformar realidades atrozes em vidas mais humanizadas e minimamente viáveis.

Já disse aqui no Cine Garimpo que cada vez mais gosto do cinema nórdico, seja ele sueco, norueguês, dinamarquês. Todos trazem a problemática humana com uma intensidade muito grande, sem apresentar respostas. É quase como nos jogassem as perguntas e nos deixassem refletir para responder aquilo que nem eles sabem como fazer. Dramas humanos da mais fina sabedoria. É verdade que são ainda bem mais fortes, filmes como A Caça, Em Um Mundo Melhor, Depois do Casamento. Mas Mil Vezes Boa Noite, vencedor  do prêmio do júri no prestigiado Festival de Montreal, tem uma boa história e um ótimo ponto para reflexão.

DIREÇÃO: Erik Poppe ROTEIRO: Erik Poppe, Harald Rosenlow-Eeg ELENCO: Juliette Binoche, Nikolaj Coster-Waldau, Maria Doyle | 2013 (117 min)

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A AVENTURA DE KON-TIKI – Kon-Tiki
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Emocionar, Para se Divertir, Noruega, Garimpo na Locadora, Aventura - 21/01/2014

A história, por si só, já é incrível. Que tal navegar 8 mil quilômetros no Pacífico, do Peru à Polinésia Francesa, em uma jangada de madeira? Que tal imaginar essa expedição em 1947, bancada por uma turma que nunca tinha navegado antes? Pilotados pelo pesquisador Thor Heyerdal, essa tripulação – tão despreparada quanto aventureira – precisa chegar viva no oeste para comprovar a tese do norueguês: de que a Polinésia teria sido colonizada primeiramente pelo povo sulamericano, que teria embarcado nessa perigosa viagem perseguindo Kon-Tiki, o deus sol dos incas.

Cruzar o Pacífico usando os mesmos recursos que os incas usaram parece irreal. Mas Thor não teima em provar que está certo, constrói a jangada de madeira e parte para 101 dias de viagem. Quem viu As Aventuras de Pi vai fazer a ponte entre os dois filmes: à deriva em alto mar, a tripulação se depara com momentos de tensão, e outros de euforia. Além, é claro, de todas as belezas e perigos inerentes a esse tipo de viagem. Mas é preciso dizer que a produção tem ritmo, conta uma história real e inacreditável e é bem bacana.

As Aventuras de Kon-Tiki perdeu a estatueta do Oscar de melhor filme estrangeiro para o francês Amor, no ano passado. Boa pedida para adolescentes, ávidos por aventura, só que diferente dos nossos dias. Nos anos 40, as mensagens a bordo dependiam de uma rádio mequetrefe e de um telégrafo, sem que qualquer possibilidade de socorro pudesse chegar a tempo. Para uma geração acostumada com todas as facilidades e benesses da tecnologia atual, viajar numa jangada de madeira parece coisa do outro mundo. E é.

 

DIREÇÃO: Espen Sandberg,  Joachim Rønning ROTEIRO: Petter Skavlan ELENCO: Pål Sverre Valheim Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Odd-Magnus Williamson, Agnes Kittelsen, Gustaf Skarsgård, Jakob Oftebro , Tobias Santelmann | 2012 (118 min)

 

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