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Líbano

E AGORA, AONDE VAMOS? Et Maintenant On Va Où?
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Líbano, França, Comédia - 16/11/2012

DIREÇÃO: Nadine Labaki

ELENCO: Nadine Labaki, Claude Baz Moussawbaa, Leyla Hakim

França, 2011 (110 min)

 

Nos cinemas: 16 de novembro

 

O primeiro filme da libanesa Nadine Labaki, Caramelo, é um prazer. Um relato delicioso de uma vivência feminina, original e divertido, parecido com o que se vê em A Fonte das Mulheres. Claro, ambos falam do universo feminino em países árabes e, portanto, têm pontos em comum. Fui com toda sede ao pote, mas E Agora, Aonde Vamos? não tem o encantamento do seu filme anterior.

A cena de entrada e encerramento são lindas, poéticas e emblemáticas. Mulheres vestidas de preto, acompanhando um cortejo fúnebre de algum marido, irmão, filho, pai. Dançam como moribundas, numa dança árida como a paisagem libanesa onde estão. E agora, depois de perder tanta gente querida, de ver as famílias se esvaziando pelo ódio, raiva, rivalidade religiosa entre cristãos e muçulmanos, aonde é possível ir? Resta algum lugar onde havia tolerância e paz? Pode ser uma das perguntas que a dança traz à tona.

Tudo se passa em uma remota aldeia no Líbano, rodeada de minas terrestres, em que vive uma comunidade de cristãos e muçulmanos, pacificamente – se dependesse somente das mulheres. A qualquer notícia de rivalidade que chegue, os homens se inflam e partem para a luta interna. Cansadas de tanto sangue e tanto funeral, as mulheres se reúnem, passam a boicotar as informações para que o barril de pólvora não exploda mais e criar novas situações para colocar panos quentes na situação.

Nadine Labaki tem um olhar peculiar. Sem dourar a pílula, retrata a situação na sua gravidade, mas coloca humor e fantasia no contexto. Mas em E Agora, Aonde Vamos? falta naturalidade, uma graça genuína. Foi o indicado do Líbano ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012, entrou na seleção Un Certain Regard de Cannes e foi premiado pelo público em Toronto. Quem aprecia o olhar sobre o Oriente Médio pode gostar, mas espere mais uma fábula. E se assim for, aventure-se primeiro em Caramelo e A Fonte das Mulheres (ambos em DVD). Você vai sair mais satisfeito, com certeza.

 

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CARAMELO – Sukkar Banat
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Líbano, Comédia - 04/09/2009

1 icone_DVDDIRETOR: Nadine Labaki

ELENCO: Nadine Labaki (Layale), Yasmine Elmasri (Nisrine), Joanna Moukarzel (Rima), Gisèle Aouad (Jamale) e Adel Karam (Youssef)

França, Líbano, 2007 (95 min)

Ganhou o Prêmio do Público de San Sebastián e foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

caramelo - poster

Definitivamente um filme sobre mulheres, para mulheres, no universo das mulheres. Delicioso, engraçado, sensível e muito singelo. Meninas, não percam! Meninos, apurem os sentidos!

O que mais me chama atenção num filme como Caramelo é o retrato do cotidiano. Sim, porque abordar um tema específico, uma trama com começo, meio e fim é como contar uma história – não que seja fácil, de jeito nenhum. Mas neste caso, não tem um fato em si. É uma comédia de costumes. É como se a diretora libanesa Nadine Labaki tivesse entrado num cabelereiro e feito um retrato da vidinha de cinco mulheres que ali se encontram. Como ela mesma disse numa entrevista, “o filme é muito baseado na observação das pessoas e dos ambientes”, nada mais do que o retrato do cotidiano, sem glamour ou romantismo, assim como o a cera de caramelo que dá nome ao filme – afinal, é possível existir algo menos glamuroso do que depilação??

É em torno do caramelo da depilação (feito de água, açúcar e limão) que tudo acontece: Layale (interpretada pela diretora Nadine Labaki) é a dona do cabelereiro, moça lindíssima que se apaixona por um homem casado, sonha com o dia em que ele deixará a mulher e nem nota o olhar apaixonado do policial (único ator profissional do filme); Nisrine é funcionária, está de casamento marcado com um rapaz muçulmano e precisa arranjar um jeito de lhe contar que não é mais virgem; Rima trabalha no salão, tem um jeito, digamos, masculinizado e sente-se atraída por mulheres; Jamale é cliente da casa, foi abandonada pelo marido e morre de medo de parecer velha, a ponto até de mascarar até a chegada da menopausa; e Rose, uma senhora costureira, mora ali perto, cuida da irmã maluquinha e abdica de sua própria felicidade por ela.

Aí está o panorama repleto de ingredientes para alimentar tudo que acontece no filme: os diálogos, as confidências, as decepções amorosas, a cumplidade entre amigas, a liberdade e o amor. Para completar o cenário, mostra Beirute, a cidade em que os muçulmanos convivem com os católicos, em que a língua francesa é onipresente, até no nome do cabelereiro Si Belle, e se mescla com o árabe a todo momento, em que as tradições patriarcais são fortemente marcadas.

Palmas para a cena final: não vou estragar o prazer, mas é de uma singela beleza, de pura libertação. Plageando o crítico Luis Carlos Merten, “um doce de filme”!

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