cinegarimpo

Jordânia

O LOBO DO DESERTO – Theeb
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Jordânia, Garimpo na Locadora, Drama - 23/02/2016

Filme de deserto não têm ritmo acelerado. Normal, segue o calor de dia e o frio da noite. A imensidão da paisagem, a sua monotonia disfarçada pela beleza natural das dunas, a ameaça iminente. Tem tudo isso e, por essa razão, dá mesmo a sensação de mais lentidão. Filme de deserto exige paciência – eu me coloco no lugar do personagem que vaga sem rumo, perdido. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro pela Jordânia, O Lobo do Deserto mostra a vida de uma tribo beduína em pleno Império Otomano, na Primeira Guerra. Não deve ganhar, porque Filho de Saul (indicado da Hungria) é muito forte, mas Theeb é sim um belíssimo filme.

Filmes no deserto sempre impressionam. Aí vão alguns imperdíveis: Lawrence da Arábia (Inglaterra, 1962), O Paciente Inglês (Inglaterra, 1996), A Caminho de Kandahar (Irã, 2001) e Timbuktu (Mauritânia, 2015).

Não deixa de ser um roadmovie, embora não exista estrada nenhuma. Os beduínos levam a vida normalmente na província de Hejaz, quando chega um inglês e pede ajuda para procurar um poço. Claro que deslocar-se pelo deserto, só com gente local mesmo. Hussein e seu irmão Theeb partem para acompanhar o viajante e no caminho se deparam com inimigos, sede, fome e outros desafios. O foco é o garoto Theeb, que vai ter que se virar pra sobreviver. E acaba vivendo esse episódio como um rito de passagem para a vida adulta – aprende, na marra, a decidir em quem confiar e com quem seguir seu caminho.

 

DIREÇÃO: Naji Abu Nowar ROTEIRO: Naji Abu Nowar, Bassel Ghandour ELENCO: Jacir Eid Al-Hwietat, Hussein Salameh Al-Sweikhiyeen, Hassan Mutlag Al-Maraiyeh | 2014 (100 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
O CASAMENTO DE MAY – May in the Summer
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Jordânia, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 13/08/2014

Este não é o primeiro filme sobre mulheres do Oriente Médio. Acho o assunto fascinante. Tive a mesma sensação quando assisti a Caramelo e A Fonte das Mulheres. São essencialmente femininos, enfatizando seu lado gracioso e espirituoso, sem desperdiçar a nuance própria da região, que faz o retrato da mulher ser um prato cheio para os cineastas mais sensíveis. Aqui se fala da sociedade machista, mas não são filmes sobre o machismo e as dificuldades da mulher. Mas sobre a mulher que lida com questões como casamento, família, diferenças como qualquer outra, em qualquer lugar do mundo.

O Casamento de May é escrito e dirigido por Cherien Dabis, que também faz o papel principal. May é escritora, mora em Nova York, onde conheceu seu futuro marido. Volta para Amã, na Jordânia, para rever  seus familiares e preparar o casamento com a sogra. Nem tudo é simples e as diferenças vêm logo à tona. Sua mãe, a sempre ótima Hiam Abbass, presença quase obrigatória em filmes com personagens árabes, é cristã fervorosa, não aprova o casamento da filha com um muçulmano; seu pai casou-se com uma moça bem mais moça e anda ausente; suas irmãs vivem dando palpite e May já não sabe mais se casa ou compra uma bicicleta.

Com uma linda paisagem da Jordânia, sua cidade e seu deserto, O Casamento de May e leve e gostoso de ver. É basicamente sobre a busca pessoal de cada um, sobre os estigmas da sociedade e sobre as relações humanas, sobre a relação entre irmãs. Poderia ser de qualquer religião, qualquer país. Ser jordaniano é um ganho e traz para mais perto realidades de países tão distantes. Com graça e beleza.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Cherien Dabis ELENCO: Cherien Dabis, Hiam Abbass, Nadine Malouf, Ritu Singh Pande, Bill Pullman, Alia Ziad, Alexander Siddig | 2013 (99 min)

Sem Comentários » TAGS:  

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: