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Japão

DEPOIS DA TEMPESTADE – After the Storm
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Drama - 17/11/2016

O cinema do cotidiano me parece o mais difícil. Sem os artifícios ou imaginação a perder de vista, fazer um recorte da vida comum, de pessoas normais, cheias de conflitos e questões, é o que o diretor Hirokazu Koreeda sabe fazer de melhor. Dessa prateleira são também Nossa Irmã Mais Nova, Pais e Filhos e O Que Eu Mais Desejo – todos uma só poesia.

Por isso são iguais, mas diferentes. Iguais porque trazem o dia a dia: problemas com dinheiro, trabalho, filhos, casamento, pais. Problemas com a cidade, com o transporte, com a frustração, com a tristeza. Diferentes, porque se completam. Eu diria até que, com este quarto filme, Koreeda fecha o ciclo: consegue falar das questões universais principais que, embora ambientadas no cultura japonesa, servem para qualquer sociedade, em qualquer tempo. Questões humanas e atemporais.

Aqui Koreeda fala dos pais que envelhecem, da difícil relação com os filhos quando o casal se separa, da busca da identidade no  mundo competitivo e exigente. Na perda do sonho, em prol do ganho da vida prática. Basicamente, fala da fase adulta, mas é mestre em inserir a expectativa infantil, o olhar menos viciado de quem espera afeto e compreensão. Com uma sensibilidade ímpar, Depois da Tempestade é sinal de que tudo passa, tudo anda. E que, embora seja banal – no sentido de ser corriqueiro – é profundo e transformador. Assim como nossa rotina. Transformadora. Basta olhar para ela.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hirokazu Koreeda ELENCO: Hiroshi Abe, Yôko Maki, Taiyô Yoshizawa | 2016 (117 min)

 

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NOSSA IRMÃ MAIS NOVA – Our Little Sister
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Drama - 11/03/2016

Inevitável lembrar do brasileiro A Partilha, que também conta a história de quatro irmãs que revisitam as questões da família após a morte de um dos pais. Minha Irmã Mais Nova, exibido em Cannes no ano passado, fala desse amor fraterno entre três irmãs que moram juntas, cuidam uma da outra e que conhecem, após a morte do pai, a irmã mais nova, filha do seu segundo casamento.

Novidade no enredo, não há. É uma história bem comum. O que é incomum é o tom de amorosidade, a suavidade que o diretor conduz as relações, sem que pra isso tenha que ser raso ou pobre. Pelo contrário, transmite a alegria entre as irmãs, a satisfação de cuidarem umas das outras, a valorização do lar, do companheirismo e do amor fraterno que não se dilui nos problemas e diferenças.

Quem tem irmãs, vai se emocionar. Traz muito da cultura japonesa, da culinária, das cerejeiras em flor (como haveria um filme japonês desse teor delicado sem cerejeiras?). Mesmo sem irmãs, me emocionei. E é com filmes assim que fica cada vez mais fã desse cinema japonês que é uma preciosidade.

 

DIREÇÃO: Hirokazu Koreeda ROTEIRO: Akimi Yoshida, Hirokazu Koreeda ELENCO: Haruka Ayase, Masami Nagasawa, Kaho, Suzu Asano | 2015 (128 min)

 

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SABOR DA VIDA – An
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Drama - 16/12/2015

A festa da contemplação das flores das cerejeiras se chama Hanami – que quer dizer exatamente isso: reverenciar esse fenômeno da natureza, quando as flores se abrem ao mesmo tempo e caem repentinamente. Aliás, o filme Hanami – Cerejeiras em Flor traz o mesmo tema profundo de Sabor da Vida: a reflexão do momento de vida, a apreciação do diferente e a busca pela essência que une as pessoas.

Dito isso, fica claro que Sabor da Vida não é um filme fechado, nem conclusivo – e se encaixa superem no perfil da categoria Un Certain Regard (que eu adoro!) de Cannes, quando foi o filme de abertura. O pano de fundo são os dorayakis – panquecas recheadas com pasta de feijão vermelho doce, conhecidas como “an”. É por causa delas que três pessoas bem diferentes se conhecem, se estranham e encontram semelhanças e afetos no meio da diversidade. Tudo isso enquanto as cerejeiras florescem e transformam o ambiente externo e interno de qualquer um ao redor.

Com ritmo mais lento e contemplativo, o filme vai mostrando quem é o rapaz que faz as panquecas, quem é a senhora que se oferece pra ajudar e traz uma receita mágica e saborosa de pasta de feijão e quem é a garota que capta todo esse movimento e se interessa pela energia nova que paira no ar.

Na 39ª Mostra Internacional de Cinema de SP, Sabor da Vida foi considerado Melhor Filme pelo público. Bem interessante, já que fala basicamente de sentimentos. Sinal de que o cinema toca e transforma sim as pessoas que estão abertas a contemplar as flores.

 

DIREÇÃO: Naomi Kawase ROTEIRO: Durian Sukegawa, Naomi Kawase ELENCO: Kirin Kiki, Masatoshi Nagase, Kyara Uchida | 2015 (113 min)

 

 

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AS MEMÓRIAS DE MARNIE – When Marnie Was There
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Japão, Garimpo na Locadora, Aventura, Animação - 23/11/2015

Já de cara é importante dizer – e a gente percebe pelo traço – que o diretor tem alguma relação com outras animações japonesas igualmente lindas. Uma delas é Vidas ao Vento e a outra, Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar. Hiromasa Yoebayashi é o animador chefe desses filmes e agora coloca toda essa leveza e riqueza de detalhes também em Marnie.

Adoro animação. Quando ela sai do traço de Hollywood (veja a lista de bons filmes nesse perfil), inova na cor, luz e forma, é delicioso. Filme pra qualquer idade, com aquela pitada visual de outra cultura. Ana é uma menina tristonha que tem poucos amigos, sofre de asma e seus pais adotivos a mandam para uma temporada no campo com uns tios para se recuperar. Misturando imaginação e realidade, ela se encontra com alguns traumas que carrega da infância, algumas palavras não ditas e rancores guardados. Tem um pouco da tristeza real da infância, daquele enfrentamento com as frustrações que, muitas vezes, são pintadas de irrealidade e brincadeira. Mas que ficam guardadas lá no fundo e é o encontro com a menina Marnie que faz Ana rever tudo isso e se reinventar.

Gostoso pra ver em família, reparar nos detalhes das casa, na cultura japonesa, nos gestos e olhares entre os personagens. Repare no interior das casas, em seus utensílios e em toda a ambientação. Lindamente construído!

 

DIREÇÃO: Hiromasa Yoebayashi ELENCO: Sara Takatsuki, Kasumi Arimura, Nanako Matsushima | 2015 (103 min)

 

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NOTRE PETITE SOEUR – Umimachi Diary
CLASSIFICAÇÃO: Japão, Especiais - 17/05/2015

Em competição em Cannes, mais um filme do cineasta japonês Hirokazu Kore-Eda, também responsável pelos filmes Pais e Filhos (ganhou prêmio do júri) e O Que Eu Mais Desejo. Segundo o diretor, o fato de ele ter se tornado pai suavizou sua visão sobre a família nos últimos tempos. Não importa. Se depender desses dois filmes anteriores, Our Little Sister, como é chamado em inglês, será emocionante.

Trata-se da história de três irmãs, que tem que lidar com a chegada da quarta irmã, que na verdade é meia-irmã. “É um filme que conta a história das personagens, mas sobretudo fala da passagem do tempo. ‘Eu um filme também sobre o tempo”, diz o diretor. Uma das atrizes completa: “Falaremos do modo de vida do Japão, sobre a beleza das estações e do tempo que evolui. Espero que o público seja sensível a isso”.

Sem dúvida é um filme sobre mulheres. Vale a pena conferir suas obras anteriores e sentir sua visão humana e sensível sobre as relações familiares.

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PAIS E FILHOS – Soshite Chichi Ni Naru | Like Father, Like Son
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Drama - 23/09/2014

O Filho do Outro, de Lorraine Levy, conta uma história parecida. Enquanto esse filme israelense marca o extremo da intolerância presenteando duas famílias, uma palestina e outra israelense, com a notícia de que seus filhos foram trocados na maternidade, este japonês não trabalha nessa envergadura, mas põe em cheque a capacidade – e vontade – de duas famílias de classes sociais e dinâmicas diferentes de se relacionarem. Dois bebês são trocados na maternidade e seus pais têm que pensar o que fazer com a nova realidade.

Sensível e tocante, Pais e Filhos é do mesmo diretor do bonito O Que Eu Mais Desejo. Mas agora ele se supera, na sensível construção de duas famílias distintas, que precisam achar uma maneira de conviver já que os filhos estão em casas trocadas. Uma das famílias tem uma relação fria com o filho único, um pai que coloca o trabalho em primeiro lugar e vive em um mundo onde aparentemente tudo é perfeito, daqueles bem engessados; a outra família é mais simples, tem menos dinheiro, mas tem mais filhos, interação e visivelmente é mais feliz. É um retrato interessante do despojamento contra a rigidez, da flexibilidade contra a intolerância a mudanças. Uma metáfora bonita do que realmente somos, versus aquilo que a sociedade espera que seja exibido.

Pais e Filhos levou o Prêmio do Júri em Cannes, foi nomeado para a Palma de Ouro e levou muitos outros mundo afora. É muito sugestivo mesmo. Rende conversa, faz refletir e mais, faz dar a devida importância às coisas e relações da vida. Diante de tanto poder regendo nossas vidas, fica muitas vezes difícil encontrar o caminho do meio. Com o toque oriental, fica ainda mais interessante.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hirokazu Koreeda ELENCO: Masaharu Fukuyama, Machiko Ono, Yôko Maki, Rirî Furankî | 2013 (121 min)

 

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VIDAS AO VENTO – Kaze Tachinu
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Animação - 27/02/2014

Esta não é uma animação para crianças. Diferente de Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar, do mesmo diretor, Vidas ao Vento fala da vida adulta, das frustrações e conquistas profissionais, e da difícil e, ao mesmo tempo, compensadora vida amorosa. Entra naquela categoria das animações que têm um traço diferenciado – e que, muitas vezes, causam estranhamento aos mais inflexíveis. Arrisque-se, assista e deixe a metáfora do vento te levar.

Tudo gira em torno da vida de Jiro Horikoshi, um garoto míope, que sonhava em ser piloto de avião, mas sua visão não o deixaria passar nos testes. Apaixonado pela aeronáutica, acaba realizando seu sonho como engenheiros, projetando aviões de combate, nas décadas de 30 e 40, muitos usados pelo Japão na Segunda Guerra. O romance corre paralelo – e lindo – com a  garota dos seus sonhos e que o vento acaba levando, para perto e para longe. As metáforas são preciosas, a pincelada na história do Japão muito bem conduzida e a emoção genuína através do traço delicado e suave.

Vidas ao Vento é triste e belo ao mesmo tempo. Talvez seja pela solidez e coerência do personagem de Jiro, que não deixa seus sonhos para trás, luta por eles, mesmo sabendo que não venceria a batalha final.  Concorre ao Oscar de melhor animação e tem grandes chances de levar o prêmio.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hayao Miyazaki

 

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UM ALGUÉM APAIXONADO – Like Someone in Love
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Japão, Drama - 08/11/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Abbas Kiarostami

ELENCO: Rin Takanashi, Ryo Kase, Tadashi Okuno

Japão, França, 2012 (109 min)

 

Nos cinemas: 09 de novembro

 

O diretor Abbas Kiarostami é iraniano, a atriz francesa e o ator inglês em Cópia Fiel. O cenário, a Itália. Em Um Alguém Apaixonado (selecionado para a 36a Mostra de SP), também é assim. Uma terra de ninguém. Um idioma só dos japoneses, sem que Kiarostami precise dominá-lo. Filmado em Tóquio, na paisagem cosmopolita, enérgica, ofuscante e vibrante do contemporâneo, o diretor iraniano deixa de retratar seu país – pelo destrato óbvio que as autoridades têm dados aos cineastas – e parte para o mundo. Quase uma antítese do que vinham fazendo os iranianos, na tentativa de mostrar ao mundo a sua realidade política e social.

Agora Kiarostami não só vai para o exterior, como faz questão de não contar uma história. Assim como em Cópia Fiel, com Juliette Binoche, em que os personagens se apropriam de uma língua e um país que não são deles, apropriam-se principalmente de uma vida e uma realidade que não lhes pertence de fato, mas que se vivida, pode se tornar realidade. Será? Pois é, ainda tenho as minhas dúvidas e acho, honestamente, que Kiarostami também não sabe. No cenário japonês, também não sabe – e gentilmente repassa para o seu espectador essa dúvida ou essa maravilhosa possibilidade de criar o imaginário, em tempos de tamanha objetividade e frieza das relações.

Não sabe se a jovem garota de programa Akiko conhece o tradutor e professor Takashi, que tem idade para ser seu avô. Ou ainda, se Kioko faz parte da memória afetiva de Takashi, se há algo em comum, já que há ternura no olhar dele, ou se, de novo, Kiarostami cria um enredo em que personagens não têm qualquer relação entre eles, mas a vida vai se entrelaçando de uma forma que eles próprios passam a acreditar no vínculo. Como se por encanto – embora aqui não haja qualquer vestígio de encantamento ou fábula, só e simplesmente vida nua e crua, em tempo real, como ela é.

Aliás, não tem qualquer artifício cinematográfico para suavizar o artifício da passagem do tempo. Se tantos minutos são necessários dentro de um carro para construir um significado do afrouxamento das relações, da perda da afinidade familiar, do vínculo e da intimidade das relações entre as pessoas, serão usados os minutos que o diretor achar necessário. Se no bar é preciso que o espectador escute tantas figurantes conversando, sem que isso acrescente algo para a história, para que a gente sinta, na pele, a vulgaridade e superficialidade das palavras, assim será feito.

O alguém apaixonado do filme é quem demonstra emoção, o único que quebra o fluxo estranho, porém corriqueiro do vai-e-vem das pessoas, que circulam sem fazer a diferença. É ele quem quebra o fluxo de energia constante e morna, sem brilho. É ele, um alguém apaixonado, que faz o espectador assustar. Assusta, por motivos outros, que você verá. Mas assusta também porque talvez seja uma demonstração de emoção, diante de tanta indiferença nessa vida atribulada e, ao mesmo tempo, monótona. A senhora que bisbilhota a vida dos outros pela janela que o diga. E o olhar do iraniano que filma no Japão, com japoneses, numa cultura completamente diferente da sua e da europeia (com a qual está acostumado), também é algo que faz refletir. Um olhar exterior, sim, mas não menos ausente do que o olhar que cada um daqueles japoneses tem pelo outro, da mesma cultura e tradição. Exceto o alguém apaixonado. Esse não olha para o vazio.

 

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11 DE SETEMBRO – 11’09”01
CLASSIFICAÇÃO: México, Japão, Irã, Inglaterra, França, Estados Unidos, Egito - 02/06/2012

DIREÇÃO: Samira Makhmalbaf, Claude Lelouch, Youssef Chahine, Danis Tanovic, Idrissa Ouedraogo, Ken Loach, Alejandro González Iñárritu, Amos Gitai, Mira Nair, Sean Penn, Shohei Imamura

Estados Unidos, França, Inglaterra, Japão, México, Irã, 2002 (134 min)

Um mesmo tema, sob diferentes perspectivas. Assim como na série de filmes sobre cidades do mundo, chamado Cities of Love (que já tem Paris, Eu Te Amo e New York, Eu Te Amo e ainda promete Rio, Jerusalém e Xangai), diretores de diversas partes do mundo foram convidados a fazer um curta sobre um assunto: o atentado terrorista às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Cada um teria 11 minutos e 9 segundos para imprimir sua emoção sobre o assunto e o que se vê são 11 filmes diferentes, com linguagens, culturas, pontos de vista e emoção distintos. Gosto desse tipo de trabalho, ainda mais num tema tão perturbador como a intolerância religiosa, a violência a qualquer custo, a luta pelo poder transformada na sua forma mais perturbada de expressão que é o terrorismo.

Assim como a torre de babel que é Nova York – e eram as torres que desabaram no coração de Manhattan – 11 de Setembro introduz cada um dos curtas localizando no mapa mundi a nacionalidade do diretor. Globaliza o fato, suas consequências, sua dimensão. Do Irã, Samira Makhmalbaf (também de Às Cinco da Tarde, Green Days) mostra lindamente uma professora tentando mostrar a crianças afegãs refugiadas no Irã a dimensão do atentado para o mundo; da França, Claude Lelouch (também de Um Homem, Uma Mulher, Esses Amores) mostra o silêncio e isolamento do mundo da uma surda-muda em contraste com o caos do atentado; do Egito, Youssef Chahine conta como um diretor de cinema sente compaixão pelas vítimas de qualquer forma de violência (não me tocou muito, é verdade). Da Bósnia-Herzegovina, Danis Tanovic remete à Guerra da Bósnia, ao massacre de Srebrenica, também intolerância religiosa; de Burkina Faso, Idrissa Oudraogo mostra garotos deste paupérrimo país africano tentando prender Bin Laden, quase uma aventura; da Inglaterra, Ken Loach (também de À Procura de Eric) faz um paralelo com o 11 de setembro de 73, quando Allende é deposto no Chile, através de um chileno refugiado em Londres – muito interessante.

Do México, Alejandro Gonzalez Iñarritu (também de Biutiful, Babel, 21 Gramas, Amores Brutos) causa estranheza com a ausência de imagens, cenas de pessoas se jogando das torres – para chocar e fazer refletir, como de costume; de Israel, Amos Gitai (também de Aproximação, Free Zone, O Dia do Perdão), mostra o atentado a bomba em Jerusalém, que aconteceu ao mesmo tempo do que o ataque às Torres Gêmeas – confusão de sentimentos, nacionalidades, morteos, tragédias humanas entrelaçadas; da Índia, Mira Nair enfatiza o sentimento contra os muçulmanos em todo o mundo depois atentado; Sean Penn (também de Na Natureza Selvagem) dirige um curta poético, sobre a sombra do WTC nos prédios vizinhos; e do Japão, o filme menos envolvente e mais abstrato, Shohei Imamura não faz referência ao atentado em si, mas às guerras santas – ou ausência delas.

Como disse, gosto desse tipo de trabalho que propõe uma exposição sem restrições e sem censura, algo realmente autoral.

 

 

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O QUE EU MAIS DESEJO – I Wish
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Garimpo na Locadora, Aventura - 18/05/2012

O que Koichi, o garoto do pôster, mais deseja é ver sua família morando junto novamente. Seus pais se separaram e seu irmão mais novo, Ryunosuke, ficou morando com o pai em outra cidade, enquanto ele e a mãe foram para a casa dos avós. Na cabeça de uma criança de 12 anos e de seus amigos, um milagre é algo possível – e principalmente factível. Nem que para isso seja preciso vender brinquedos para conseguir dinheiro, inventar uma mentira na escola e em casa, fazer as malas e pegar um trem para outra cidade sem ter onde dormir,

Além de leve e criativo, O Que Eu Mais Desejo toca nesse ponto importante do imaginário infantil, que faz tudo ser possível. No Japão, dizem que quando dois trens-balas se cruzam, a energia é tão grande que faz os desejos se realizarem. Acreditando nisso, as turmas dos dois irmãos, cada uma na sua cidade, montam o esquema para a aventura. Combinam de se encontrarem num ponto estratégico de uma determinada cidade, onde é possível ver os trens se cruzarem. Sem qualquer complicação ou empecilho, comuns aos adultos, é claro.

Com muita delicadeza, o filme mostra a alma da relação dos irmãos com o mundo, com os pais, com os amigos. Registra, sem interferir. Deposita a sensação de veracidade nas relações e nos sentimentos, de algo genuíno, ingênuo como deve ser nessa idade, verdadeiro nas intenções. Mais do que contar a aventura em si – que é muito bacana também – O Que Eu Mais Desejo é lindo pelo retrato que faz das crianças e da esperança que eles são capazes de nutrir na mais vaga possibilidade de sucesso. Sem falar na incrível atuação dos dois irmãos (são irmãos na realidade), que me envolveram na narrativa com todos os seus desejos e sorrisos.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hirokazu Koreeda ELENCO: Koki Maeda, Ohshirô Maeda, Ryôga Hayashi |  2011 (128 min)

 

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