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Israel

A FESTA DE DESPEDIDA – The Farewell Party
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Israel, Garimpo na Locadora, Drama, Alemanha - 29/09/2015

Vai pra lista de filmes sobre a terceira idade, mas é da prateleira dos mais pesados – ou mais realistas do ponto de vista das dificuldades. Apesar da questão da eutanásia-solidária que o filme traz nas “festas de despedida”, a maior parte dele é feita de momentos difíceis, de doença e privação, de perda e dor, de esquecimento e solidão.

Há poucos momentos de prazer ou alegria – mas a cena da nudez é libertadora. De novo estamos numa casa de repouso (aliás, está mais para condomínio reservados para pessoas da terceira idade) agora em Israel, em que os hóspedes-pacientes já sofrem de doenças graves, alguns já não toleram a dor e desejam terminar logo com tanto sofrimento. Um dos senhores é engenheiro, estilo-professor-Pardal, e resolve construir uma máquina de eutanásia para ajudar seus amigos em estado terminal.

Deve ser controverso para alguns, mas pra mim faz sentido escolher a hora em que o sofrimento se torna insuportável para todos. Tem um pouco da melancolia do filme francês Amor, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Mas tem também o reconhecimento do amor e do respeito. E é isso que fala mais alto aqui também.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Tal Granit, Shayron Maymon ELENCO: Ze’ev Revach, Levana Finkekstein, Aliza Rosen, Ilan, Dar, Raffi Tavor, Yosef Carmon, Hilla Sarjon | 2014 (95 min)

 

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O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM – Gett
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Israel, Garimpo na Locadora, Drama - 21/08/2015

Passou  no Festival de Cinema Judaico e agora entra em cartaz. O Julgamento de Viviane Amsalem foi premiado mundo afora e chega a ser tragicômico. Viviane é casada com Eliseu, sente-se infeliz e pede o divórcio. Ele não concorda. Ela sai de casa, contrata um advogado bastante eloquente e vai ao tribunal religioso presidido por três rabinos, que decidirão o que o casal deve fazer. Aos olhos dos religiosos, não há motivo para a separação – Viviane deve aproveitar a chance de voltar pra casa para ser uma esposa obediente e uma boa mãe. Aos olhos dla, não há nada que o desabone, é um bom sujeito. Mas o fato de estar infeliz é suficiente para querer sua liberdade.

Filme de um único cenário, o tribunal é o local onde a roupa suja é lavada – inclusive por aqueles que não têm nada a ver com a vida do casal. Já que o trio de rabinos não consegue convencer nenhuma das partes, apela para essas testemunhas que acabam fazendo dessa corte um circo. Uma tragicomédia das tradições judaicas, do machismo que domina as relações, da luta pela individualidade das mulheres. Lembra um pouco o iraniano A Separação, nesse quesito da voz masculina ser imperativa e inquestionável, mas não tem um drama pesado. É teatral; dramático, com tom pitoresco e irônico. Intenso nas atuações, faz realmente parar para pensar no absurdo da situação.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Ronit Elkabetz, Shlomi Elkabetz ELENCO: Ronit Elkabetz, Simon Abkarian, Gabi Amrani | 2104 (115 min)

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9a MOSTRA MUNDO ÁRABE de CINEMA
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Palestina, Israel, Festivais, Egito - 11/08/2014

Parece que veio mesmo a calhar. Embora já esteja na sua 9a edição, falar em cinema árabe em meio ao atual confronto entre judeus e palestinos é um convite à reflexão. Aliás, não fazemos mais do que a obrigação. Refletir e produzir, no nosso microcosmos de convívio, um ambiente pacífico e tolerante.

Organizado pelo Instituto da Cultura Árabe (ICArabe), a Mostra fica em cartaz de 13 de agosto a 16 de setembro em diversos lugares (clique aqui para programação completa) e vai focar nas relações humanas mais que políticas – muito embora elas estejam sempre interligadas por lá.

São quatro as sessões: Panorama Mundo Árabe, Cinema Palestino, Cinema Egípcio Contemporâneo e Diálogos Árabes-Latinos. Interessantes as temáticas. Do cinema palestino, o destaque é Omar, que foi indicado para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro e venceu o prêmio do júri em Cannes em 2013, tem tudo a ver com o conflito atual no Oriente Médio (do diretor Hany Abu-Assad, também de Paradise Now). Trata-se da história de um jovem palestino que  acaba se envolvendo com a polícia israelense (trailer abaixo) – algo que me lembra Belém – Zona de Confronto, tocando em pontos controversos e delicados como ocupação israelense, polícia, muros, informantes, violência. Também é destaque Um Mundo que Não é Nosso, sobre um campo de refugiado palestinos no Líbano.

Veja a programação completa acima e acompanhe aqui no Cine Garimpo os comentários dos filmes. Sempre depois da Mostra, alguns deles entram em cartaz – o que é um alento.

 

De 13 a 20 de agosto: Cinesesc

De 22 a 25 de agosto: Memorial da América Latina

De 27 de agosto a 14 de setembro: CCCB-SP

Dias 2 e 9 de setembro: Auditório da Biblioteca Mário de Andrade

De 9 a 16 de setembro: Centro Cultural São Paulo

 

 

 

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BELÉM – ZONA DE CONFLITO – Bethlehem
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Garimpo na Locadora, Drama - 26/03/2014

A cidade de Belém está localizada no território palestino da Cisjordânia, cercada por muros intransponíveis e sob vigilância militar dos israelenses nas fronteiras. Quem coordena a administração civil é a Autoridade Nacional da Palestina, o que obviamente é um paradoxo e reflete bem a confusão e a falta de consenso na região. Belém – Zona de Conflito, filme premiado no Festival de Veneza e Israel, mostra bem como as relações são verdadeiros barris de pólvora. E de impossível solução.

Os atores são fortes, condizentes com a dimensão dos conflitos. Têm presença e crescem em importância até o desfecho final – que, aliás, tem um suspense bem construído. Razi é um oficial do serviço secreto israelense, responsável por monitorar ações terroristas. Como todo serviço de inteligência, Razi tem lá seus informantes e um deles é Sanfur, um garoto aliciado aos 15, com quem desenvolve uma relação de irmão mais velho. Mas Sanfur cresce e acaba servindo também de mensageiro para seu irmão de verdade, o palestino que trabalha para grupos terroristas, inclusive o Hamas. Sem saber a qual deles servir, acaba num beco sem saída, onde só há traição, morte, violência e intolerância.

Sempre menciono filmes que tratam do conflito árabe-israelense aqui no blog. Há produções muito boas, que nos ajudam a entender a complexidade do problema. Ou a concluir que não é possível entender mais nada. E não é mesmo. Cada vez que assisto a esses filmes me impressiono com a incapacidade do ser humano de se reconciliar. Que verdadeiro inferno!

DIREÇÃO: Yuval Adler ROTEIRO: Yuval Adler, Ali Wakad ELENCO: Tsahi Halevi,  Shadi Mar’i, Hitham Omari, Tarik Kopty | 2013 (99 min)

 

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UMA GARRAFA NO MAR DE GAZA – Une Boutteille à la Mer
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Garimpo na Locadora, França, Drama, Canadá - 11/02/2014

Em tempos de atentado (será que vai chegar a hora em que esta introdução não será mais verdadeira?), as reflexões propostas em Uma Garrafa no Mar de Gaza me pareceram muito oportunas. Até pelo fato de o atentado ter sido em Boston (desta vez) e nós aqui, tão longe, sentimos como se fosse conosco. Ameaça iminente, presente, global. Embora não seja esta a nossa preocupação em terras tupiniquins, aqui nos preocupamos também com a violência, com o desrespeito, com a morte de pessoas queridas. Gera tensão um simples telefonema não atendido (o que será que aconteceu?), uma moto que para no farol ao lado do carro (não blindado), uma pessoa de gestos suspeitos (ou nem tanto, o que é ainda mais perigoso). Portanto, onde quer que estejamos, estamos sempre com medo (eu sei, é verdade, há lugares no mundo que não há nem réstia de ameaça, mas temos que trabalhar com os sentimentos disponíveis, não é mesmo?).

Introdução cheia de perguntas esta minha. Assim ficamos com o noticiário, com famílias destroçadas, pessoas de bem, mutiladas e feridas. Assim ficamos. E ficamos paralisados. Mas quando o estresse gera reflexão e ponderação, e ajuda a sair da zona de pânico e paralisia, pode haver, enfim, algum benefício em meio a tanto terror. Por que raios as coisas são assim?

É esse tipo de questionamento que move essa garrafa do título até uma praia da Faixa de Gaza. A francesa Tal Levine é judia  e mora com a família em Jerusalém. Inconformada com as bombas que assustam e matam as pessoas na cidade santa, escreve um manifesto mostrando sua indignação com a intolerância religiosa, o coloca em uma garrafa vazia, e joga no mar (veja trailer abaixo). Como uma mensagem de socorro, chega nas mãos do jovem palestino Naïm, que vive em Gaza, território islâmico cercado com altos muros, sob severas restrições e em constante conflito bélico, ideológico, religioso e territorial com Israel.

A partir daí, Tal e Naïm fazem contato e trocam tanto farpas quanto palavras de solidariedade diante dos constantes ataques desmedidos. Munido de uma arma poderosa que é o questionamento da juventude, Uma Garrafa no Mar de Gaza tem a irreverência própria dos jovens, a possibilidade de mudança, a visão do novo e a esperança ainda tão presente a ponto de ser transformadora. Humano e muito delicado, fala da amizade improvável, mas principalmente do preconceito e do perigo que é o rótulo. Difícil entender e tomar partido. Aqui entra o cinema com vários olhares para gerar reflexão e, quem sabe, um olhar fraterno. Afinal, os mundos de Tal e Naïm são separados pelos 90 km mais intransponíveis que possam existir.

DIREÇÃO: Thierry Binisti ROTEIRO: Thierry Binisti, Valérie Zenatti ELENCO: Agathe Bonitzer, Mahmud Shalaby, Hiam Abbass | 2011 (100 min)

PARA SABER MAIS: Sobre os conflitos na região, ver o post FILMES SOBRE O CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO.

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ALÉM DA FRONTEIRA – Out In The Dark
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Garimpo na Locadora, Drama - 12/12/2013

Além da Fronteira tem dois elementos perigosos, duas fáceis armadilhas. A primeira é o tema do filme em si, já que estamos falando do conflito entre palestinos e israelenses, quando ele invade as casas, impede o ir e vir dos cidadãos, transforma o cotidiano. Falar dessa confusão interminável e não cair no lugar comum não é uma tarefa simples; a outra diz respeito ao tratamento dado à relação homossexual dos protagonistas, que deveria ser mostrada sutilmente, sem agressividade, de maneira que não roubasse a cena do tema principal, que é a intolerância religiosa, social e política entre os povos. Um repertório rico, mas de difícil abordagem. Apesar disso, o diretor Michael Mayer acerta no tom, porque o filme é impactante na sua temática e emocionante nas relações – sejam elas quais forem, entre amantes, irmãos, pais e filhos, amigos.

A partir do enredo, vejam como seria fácil cair no dramalhão: Nimr é um palestino que vive modestamente sob o cerco do exército de Israel e luta para conseguir visto para estudar na universidade de Tel Aviv; Roy é um advogado judeu bem sucedido, que vive do outro lado do muro de segurança erguido por Israel, para supostamente protegê-los dos terroristas palestinos. Apaixonam-se, mas encontram na relação homossexual um tabu enorme e na relação entre os povos, uma barreira quase intransponível.

Sem cair no exagero, nem usar a relação amorosa dos protagonistas como bandeira, Além da Fronteira toca em um dos pontos mais tensos e sensíveis das relações entre pessoas de diferentes religiões. Sem luz no fim do túnel, palestinos e israelenses vivem a realidade da discordância e a infelicidade da vizinhança. Nimr e Roy fazem parte da geração que não vê o preconceito, que não quer a divisão, nem as barreiras. Mas sofre as consequências das decisões tomadas pelas gerações anteriores e da disputa por território.

Recentemente vi outros dois filmes que tocam na mesma questão, ambos chamando atenção para o ponto de vista do jovem, que não compartilha da raiva que impera no Oriente Médio. Vale conferir o O Filho do Outro e Uma Garrafa no Mar de Gaza, disponíveis em home video. Filmes importantes para pensar sobre o assunto e prato cheio para quem gosta de produções com conteúdo e qualidade cinematográfica.

 

DIREÇÃO: Michael Mayer ROTEIRO: Yael Shafrir, Michael Mayer ELENCO: Nicholas Jacob, Michael Aloni, Jamil Khoury | 2102 (96 min)

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PREENCHENDO O VAZIO – Fill the Void
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Garimpo na Locadora, Drama - 26/09/2013

É claro que uma jovem de 18 anos não quer servir de tapa-buraco. Claro que ela sonha em se casar com alguém da sua idade, formar uma família, caminhar junto. Mesmo que esteja sujeita à escolha dos pais, mesmo que o casamento seja arranjado conforme manda a tradição das famílias judaicas chassídicas, uma corrente ultraortodoxa que mantém os costumes e mandamentos da religião intactos até hoje. Esta bela produção israelense transmite o encantamento com a possibilidade do casamento, ao mesmo tempo que carrega o peso da expectativa familiar. É doce e amargo ao mesmo tempo, explícito na jovem Shira que vive essa encruzilhada.

Preencher um vazio que se abateu sobre a família não é o desejo de Shira, na pele da ótima e expressiva atriz Hadas Yaron. Assim como as outras mulheres da comunidade ortodoxa, ela espera a recomendação de casamento feita por seu pai, que também é rabino, centro da comunidade. Mas a vida passa uma rasteira na tradicional família e o novo pretendente de Shira foge, em todos os sentidos, do casamento ideal.

Sem entrar em detalhes para não estragar expectativas, Preenchendo o Vazio tem sensibilidade no olhar dos personagens, ao mesmo tempo que consegue transmitir a importância e o peso da tradição e da responsabilidade. Embora pareça uma bolha irreal essa história de casamento arranjado, a produção cuidadosa do filme nos leva para o coração da comunidade ortodoxa, na riqueza de sua tradição religiosa, seus rituais e costumes. Sem endurecer demais na questão religiosa (que obviamente soa no mínimo antiquada e fora de propósito nos dias de hoje), o filme tempera as engessadas relações com afeto e respeito, totalmente dentro do contexto proposto. Já com grande carreira internacional, Preenchendo o Vazio é daqueles filmes que trazem para perto realidades interessantes e muito distantes. E isso ninguém faz melhor do que o cinema.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Rama Burshtein ELENCO: Hadas Yaron, Yiftach Klein, Irit Sheleg | 2012 (90 min)

 

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O FILHO DO OUTRO – Le Fils de L’Autre
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Garimpo na Locadora, França, Drama - 02/09/2013

Recentemente assisti a Uma Garrafa no Mar de Gaza, de Thierry Binisti, e agora o tema volta com O Filho do Outro. Não importa aqui se as histórias são possíveis ou verossímeis. Gosto dos dois filmes por um motivo muito simples: tratam da questão complicadíssima da intolerância entre judeus e palestinos. Além de conter tudo o que vem na cabeça quando se fala no assunto – territórios ocupados por Israel, escassez de recursos em Gaza, preconceito racial, terrorismo, violência – aborda o tema a partir do ponto de vista do jovem. E é isso que mais me interessa aqui. Se alguém ainda tem condição de mudar alguma coisa nesse barril de pólvora, ele pertence à essa nova geração.

O filme trata de uma maneira simbólica, por isso não se preocupe, repito, se não soa real. O que importa aqui é o que o filme traz à tona e como é possível – e agradável – usá-lo como os nosso adolescentes e jovens para ilustrar e conversar sobre o assunto. Joseph é judeu e mora em Israel; Yacine é palestino e vive na Cisjordânia. Ao fazer os exames para ingressar no serviço militar, a mãe de Joseph (Emmanualle Devos, também em A Criança da Meia-Noite, Coco Antes de Chanel), descobre que ele não é seu filho e que foi trocado por outro bebê. Palestino.

De uma maneira sutil e sensível, as famílias vão se ajustando à nova realidade (o trailer abaixo é interessante). O olhar materno sempre mais conciliador; o paterno, revoltado. O lado materno com tendência à reunião dos opostos; o paterno, ao afastamento. Nesse contexto entra o olhar do jovem desprovido do preconceito enraizado, ainda com espaço interno para trabalhar as diferenças e a tolerância. Além de bem produzido e bem representado, reforço a beleza do filme para ver em família e a forte característica didática do tema. E sob olhar jovem, o que nos livra do estigma da visão pesada, preconceituosa e já doente do mundo adulto.

 

DIREÇÃO: Lorraine Levy ROTEIRO: Noam Fitoussi, Larraine Levy ELENCO: Emmanuelle Devos, Pascal Elbé, Jules Sitruk, Mehdi Dehbi, Areen Omari | 2012 (105 min)

 

 

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FREE ZONE
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Drama - 16/05/2012

DIREÇÃO: Amos Gitai

ROTEIRO: Amos Gitai, Marie-Jose Sanselme

ELENCO: Hanna Laslo, Hiam Abbass, Natalie Portman, Carmem Maura

Israel, 2005 (96 min)

Filme feminino, em pleno conflito árabe-israelense – um assunto que automaticamente associamos a temas masculinos, como guerra, poder, violência. Assim como outros filmes como A Noiva Síria e Lemon Tree, as diferenças religiosas, desavenças territoriais e rixas históricas são mostradas através da alma feminina. Em Free Zone, elas são uma palestina, americana filha de israelense e uma judia que se encontram quase que por acaso: Rebecca briga com o namorado em Israel, entra no táxi de Hanna que não pode levá-la a lugar nenhum porque está indo para a Jordânia cobrar uma dívida. Cada uma com sua história, mas todas mulheres e mães. Como se isso bastasse quando se trata de solidariedade e identidade.

Na pele de três grandes atrizes, Free Zone é uma bonita história sobre a dificuldade de lidar com as diferenças e a facilidade de encontrar, até mesmo nas situações mais improváveis e mais controversas, pontos em comum, interesses parecidos, vontades semelhantes quando há boa vontade. Mesmo quando se trata do barril de pólvora que é o Oriente Médio. A cena das três cantando felizes no carro é emblemática – e emocionante.

Na pele de grandes atrizes como Natalie Portman (também em Cisne Negro, Nova York, Eu Te Amo, Closer – Perto Demais, Sexo sem Compromisso, As Coisas Impossíveis do Amor), Hiam Abbass (também em A Noiva Síria, Lemon Tree, O Visitante, Miral, Munique, Conversa com meu Jardineiro) e Hanna Laslo (melhor atriz em Cannes), o diretor israelense Amos Gitai (também em Aproximação, O Dia do Perdão) acerta no tom feminino, no que ele tem de mais humano e característico: a emoção, no choro de Rebecca; a teimosia, na insistência de Hanna; a maternidade, no pedido final de Leila. Assim como Caramelo e A Fonte das Mulheres, que também ajudam a construir quem são as mulheres do Oriente Médio.

 

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A MISSÃO do GERENTE de RECURSOS HUMANOS – The Human Resources Manager
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Israel - 01/03/2012

DIREÇÃO: Eran Riklis

ROTEIRO: Abraham B. Jehoshua, Noah Stollman

ELENCO: Mark Evanir, Gila Almagor, Reymond Amsalem, Noah Silver, Guri Alfi

Israel, 2010 (103 min)

Falando de maneira prática, a missão de um gerente de Recursos Humanos é zelar justamente pelas pessoas que fazem parte do staff de uma empresa. Zelar no sentido profissional, que logicamente vem carregado de situações pessoais, fatalidades, conjunturas que impactam o trabalho em si. O curioso aqui – e até antagônico – é que este gerente precisa cuidar da extradição do corpo de uma funcionário da panificadora onde trabalha, sem que ele tenha sabido da sua admissão, nem demissão, e por isso acaba sendo mais prático e frio. Acho que o jogo que o diretor israelense Eran Riklis (também em Lemon Tree e A Noiva Síria, ambos ótimos) faz com o termo “recursos humanos” se aplica também à humanização que normalmente não existe no nosso mundo competitivo empresarial, que muitas vezes é preterida pela necessidade de resultados e desempenho. Aqui, o gerente objetivo e atrapalhado emocionalmente, que passa por um momento delicado na vida pessoal, também precisa ser mais humano e ter compaixão.

Seguindo a mesma linha do humor sutil de A Noiva Síria, de situações improváveis e que por isso se tornam tragimômicas, o diretor constrói um filme interessante, com a espinha dorsal baseada na morte dessa funcionária em um atentado terrorista em Israel (uma imigrante clandestina vinda do Leste Europeu), que não tem parentes no país e que deve ter seu corpo extraditado para o país de origem, a Romênia. Acusado de ser desumano e injusto por um jornal sensacionalista, com problemas com a ex-mulher e com a filha, não vê outra saída senão se livrar rápido da situação e levar o corpo para os parentes. Mas uma série de situações inesperadas acontecem e o que era para ser uma simples e rápida resolução acaba mexendo com os sentimentos desse gerente e o levando para os confins desse país gelado. Mas não tem drama demais, pelo contrário. É até frio, objetivo, sem deixar de ser sutil.

Lembre-se de que o ritmo é mais lento, que é um filme de observação – daqueles que as ações acontecem mais devagar, até para parecer que acontecem mesmo. É daqueles que você precisa entrar na história, para captar e entender seus personagens e suas descobertas. Mas não deixe de ver os outros dois filmes do diretor, que são a grande pérola.

 

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