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Irlanda

BROOKLIN
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Irlanda, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama - 12/02/2016

Brooklyn me lembrou o filme com Marion Cotillard, Era Uma Vez Em Nova York. Também sobre uma moça (aqui polonesa, nos anos 1920) que migra pros Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Mas o ambiente é mais pesado, a realidade mais dura. A personagem Ellis em Brooklyn vive nos anos 1950, sai da Irlanda pra tentar a vida e, apesar das diferenças e de sentir falta da Irlanda, encontra um país próspero, gente amigável e um futuro bem possível pela frente.

Brooklyn tem esse tom mais leve, muito mais centrado na adaptação da jovem ao modo de vida americano do que nas dificuldades de mudar de país – vamos combinar que o que Ellis encontra é quase um mar de rosas, rodeado de gente boa e solícita. Portanto, está mais pra romance do que pra drama.

O que não tira o mérito do filme – concorre em três categorias: melhor filme, roteiro adaptado e atriz. Saoirse Ronan está perfeita (quem gosta, como eu, do sotaque britânico, vai adorar!), a ambientação da época é linda, o filme tem bom ritmo, boas atuações (adoro Domhnall Gleeson, também em Questão de Tempo e O Regresso), e uma ótima história de amor. Muita coisa acha que é o melhor filme, mas é delicioso de ver e merece ser visto bem acompanhado.

DIREÇÃO: John Crowley ROTEIRO: Nick Hornby, Colm Tóibín ELENCO: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson | 2015 (111 min)

 

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MEU PÉ ESQUERDO – My Left Foot
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Irlanda, Drama - 11/06/2012

DIREÇÃO: Jim Sheridan

ROTEIRO: Shane Connaughton, Jim Sheridan

ELENCO: Daniel Day-Lewis, Brenda Fricker, Ray McAnally, Ruth McCabe, Fiona Shaw

Irlanda, 1989 (103 min)

Este é um dos papéis que merecem ser destacados e revistos. Assim como Geoffrey Rush em Shine, Daniel Day-Lewis incorpora a figura de Christie Brown de uma maneira integral. Com todas as suas restrições e limitações. Com toda a sua sensibilidade. Nem parece encenação. Levou o Oscar de melhor ator pelo personagem, além do Bafta, Globo de Ouro e outros tantos.

O irlandês Christie Brown nasceu com paralisia cerebral severa, não conseguia se movimentar, falar, interagir. Criado em uma família amorosa, com muitos irmãos, supera aos poucos as dificuldades básicas e consegue se comunicar através da pintura e escrita, feitas com a única parte do corpo que conseguia controlar: seu pé esquerdo. Com isso, escreve sua biografia, que ganha a telona pelas mãos e lentes do diretor irlandês Jim Sheridan, também do excelente Em Nome do Pai, com o mesmo ator.

Meu Pé Esquerdo é uma daquelas histórias inesquecíveis sobre pessoas que superam as expectativas, quando não superá-las seria o mais normal e o esperado. Está no grupo dos filmes que emocionam e que obrigatoriamente têm de contar com elenco especial – caso contrário, não seriam mais do que um melodrama. Daniel Day-Lewis é simplesmente espetacular e a história e conquistas de Brown, sem palavras.

 

 

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THE SHORE
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Irlanda, Drama - 27/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Terry George

ELENCO: Ciarán Hinds, Conleth Hill, Kerry Condon, Maggie Cronin

Irlanda, 2011 (29 min)

Vencedor do Oscar de melhor curta-metragem em 2011, The Shore, ainda sem tradução no Brasil, é um bonito – e simples – filme sobre a amizade. Separados há 25, dois melhores amigos se reencontram. O curioso é que ambos sentiam-se culpados pela separação, mas nunca tinham tido oportunidade de pedir desculpas. Mas só um deles realmente acreditava na versão real e perdoar o que ficou pra trás é a chance que eles têm de reatar a amizade.

Gosto particularmente de curtas. São como os contos na literatura: uma história boa o suficiente para ser interessante e entreter, mas não tão complexa que renda minutos ou horas a mais. Assim, é dito o essencial, é filmado o necessário para que aquele acontecimento seja contado com a emoção que merece. Deparei-me com The Shore por acaso, buscando sair um pouco do formato com que estamos acostumados. E a história dos dois reencontro dos amigos Joe (Ciarán Hinds, também em O Espião que Sabia Demais, A Mulher de Preto, Munique) e Paddy (Conleth Hill, também em Tudo Pode Dar Certo) é bastante singela, mas é agradável e tem um viés humano interessante, quase ingênuo. Assim como parecem ser os encontros entre amigos e vizinhos nesse pequeno vilarejo litorâneo na Irlanda do Norte, onde se passa a história.

Terry George, diretor também de Hotel Ruanda e roteirista de Em Nome do Pai, faz um filme bem diferente desses dois. Não fala de guerra, genocídio, política ou terrorismo. Fala de gente, da dificuldade de lidar com as diferenças e de ser verdadeiro, mas também da capacidade de perdoar. Ainda não chegou no Brasil, mas quem puder alugar pelo ITunes, está disponível.

 

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ALBERT NOBBS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Irlanda, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama - 24/02/2012

Que opção tem uma mulher pobre, sem recursos, família, herança, senão ser homem na Irlanda machista e católica do fim do século 19? Ficamos sem saber o nome dessa órfã, que vê na oferta de emprego como garçom em um hotel a oportunidade de sobreviver dignamente na cidade de Dublin. Assim surge Albert Nobbs, que assume o papel do sério, dedicado e austero funcionário de um badalado hotel, na pele da simplesmente fantástica Gleen Close. Não se trata de se vestir de homem, mas sim de incorporar a postura, gestos, expressões masculinas, ainda que tenha um toque assexuado. Quase não se percebe a linha que separa os dois mundos, mas a impressão que dá é de um homem ao mesmo tempo determinado e frágil, introspectivo e carente. Impecável maquiagem, impecável interpretação.

Albert Nobbs, no auge da sua elegância, conhece Hubert Page (Janet McTeer) e seus segredos se mesclam numa história só. Hubert também é uma mulher que se passa por homem, por motivos distintos porém semelhantes do que diz respeito à aceitação, oportunidade, trabalho. Concorrendo ao Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante respectivamente, Gleen Close e Janet McTeer dão um show, deixando Helen, vivida por Mia Wasikowska (também em Alice no País das Maravilhas, Minhas Mães e Meu Pai, Inquietos) bem para trás. Mas é por ela que Albert Nobbs se apaixona à sua maneira e é com ela que planeja mudar de vida, abrir seu próprio negócio e ter autonomia.

Não é filme para o grande público. Ainda mais em época em que grandes lançamentos ocupam muitas salas de cinema. Mais lento e o que eu chamaria de “filme de observação” (não perca um só gesto do gentil e minucioso Nobbs), Albert Nobbs tem uma beleza estética marcante, mas também humana. Mesmo na Dublin desumana, assolada pela tifo dos piolhos e pelo desemprego daquele fim de século.

 

DIREÇÃO: Rodrigo García ROTEIRO: Gleen Close,  John Banville ELENCO: Gleen Close, Janet McTeer, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Pauline Collins, Mary Doyle Kennedy |  2011 (113 min)

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EM NOME DO PAI – In The Name of the Father
CLASSIFICAÇÃO: Para Rever, Para Entender o Nosso Mundo, Irlanda, Inglaterra - 24/03/2010

DIRETOR: Jim Sheridan1 icone_DVD

ROTEIRO: Terry George, Jim Sheridan, Gerry Conlon (livro)

ELENCO: Daniel Day-Lewis, Emma Thompson, Pete Postlethwaite, Anthony Brophy, Frankie McCafferty, Mark Sheppard

Irlanda, Reino Unido, 1993 (133 min)

O “pai” do título não é Deus – muito embora o conflito entre Irlanda do Norte e Inglaterra também permeie a intolerância religiosa. Estamos nos anos 1970, quando unionistas protestantes queriam continuar respondendo para Londres, mas os nacionalistas católicos achavam que deveriam voltar a fazer parte da Irlanda. Por isso criam seu braço armado, o IRA (Exército Republicano Irlandês), para lutar contra a presença inglesa no país. Durante mais de 30 anos, os atos terroristas mataram inocentes e prejudicaram a Irlanda do Norte como um todo.

De fato “pai” poderia ser uma referência à luta armada em nome de Deus – assim como muitas outras cruzadas foram justificadas pela religião. Faria todo o sentido. Mas aqui é a luta em nome do pai biológico, condenado, junto com o filho, por um crime cometido justamente pelo IRA, e não por eles, em Londres. A família Conlon é julgada e presa injustamente. Daí a luta pela justiça e liberdade.em-nome-do-pai21

O filme é de 1993, mas a questão é bastante atual. Lembrei dele quando vi Nine, também com Daniel Day-Lewis. Lembrava da sua atuação brilhante e de que através de seu personagem conhecemos a ideologia do grupo terrorista IRA e sua brutalidade, além da atitude comum da juventude britânica dos anos 70, no culto das drogas, do sexo e do rock. Preste atenção nas roupas, na ambientação. O retrato é interessante. A cena em que mostra esses jovens inconsequentes, baderneiros e descompromissados no seu “apartamento” londrino caindo aos pedaços me fez lembrar a Londres de hoje. A cidade que mantém as fachadas vitorianas, tem o interior repaginado com o que há de mais moderno, fashion e badalado – vide as lojas e os hotéis charmosos que há por lá. Metafórico talvez de como a Inglaterra se comporta hoje e ontem, do seu conservadorismo, da quebra de protocolos e paradigmas.

Atualmente os dois braços políticos coexistem pacificamente e formam o governo de coalizão, embora ainda haja grupos dissidentes criando conflito. Hoje a província britânica da Irlanda do Norte já tem mais autonomia, com os poderes de polícia e justiça centrados em Belfast, e não mais Londres. Tanto melhor. Cada um que cuide do seu. Por essas e outras, vale rever para lembrar e entender melhor o nosso mundo. Vale rever – nem que seja para apreciar uma história realmente muito boa.

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APENAS UMA VEZ – Once
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Irlanda, Garimpo na Locadora - 08/10/2009

É como se eles já se conhecessem. Como se sempre tivessem cantado juntos. E como se nós, espectadores, estivéssemos ali só por acaso vendo uma pequena-grande história se desenrolar.

A cena inicial do filme cativa pela linda canção e pela câmera que tem um tomada, digamos, casual, praticamente caseira. A atriz tcheca Marketa Irglova interpreta um imigrante de mesma nacionalidade, que luta para viver em Dublin. Trabalha informalmente vendendo flores na rua, mas sonha em viver da música e do piano. Glen Hansard (irlandês) é quase ele próprio – músico que trabalha na loja de consertos do pai e que toca nas ruas de Dublin atrás de uns trocados. Sonha também em viver da música. Ao vê-lo tocar na rua, Marketa se encanta com a canção, provoca um encontro seguinte ao piano.

A sintonia é imediata: ela aprende com rapidez a tocar uma de suas composições (a vencedora do Oscar de Melhor Canção Original em 2008, Falling Slowly) e nasce uma relação intensa e bem particular. Tendo a música como fio condutor e relações amorosas passadas ainda não resolvidas, a relação evolui de forma diferente da esperada. O ponto em comum é a música e ela é mandatória na hora de decidir que caminho tomar.

DIRETOR: John Carney ELENCO: Glen Hansard, Marketa Irglova | 2006 (86 min)

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