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Inglaterra

EU, DANIEL BLAKE – I, Daniel Blake
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Emocionar, Para Pensar, Inglaterra, Drama - 07/01/2017

Se fosse pra resumir em uma palavra, ela seria solidariedade. Se pudesse colocar mais uma, seria dignidade. Mais uma? Crueldade. Pois é, aí é que está a riqueza do filme de Ken Loach: traz opostos na sua mais genuína forma. A solidariedade bem nua, crua, genuína, sem moeda de troca; simplesmente acontece, com tem que ser com as pessoas de bem. A dignidade é mantida, mesmo que o universo conspire contra. E a crueldade… ahh, a crueldade vem arquitetada, montada de forma a dificultar, judiar, humilhar e nutrir uma sociedade mais injusta. Em uma semana em que a Finlândia anunciou que vai pagar um salário mínimo de 560 euros a desempregados, sem que eles tenham que provar que estão procurando emprego, este filme, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, cai como uma luva.

Daniel Blake é um marcineiro, que tem um problema no coração, ainda não pode voltar a trabalhar e recorre ao sistema de previdência social para receber seu seguro desemprego. Poderia ser no Brasil – dá até vontade de rir (aliás, este é um dos bônus do filme, que coloca como protagonista um ator de standup comedy – capaz de rir da própria trajédia). Rir pra não chorar: ele fica plantado no telefone tentando ser atendido, preencher os pré-requisitos, conseguir o benefício, ter o mínimo de atenção e ser tratado com o mínimo de respeito. Até que descobre que tem que fazer tudo isso online. Como, se não sabe com o esse mundo virtual funciona? Soa familiar?

As dificuldades são inúmeras e Daniel não desiste. Segue digno. Lutando. Conhece uma moça em situação crítica, com dois filhos pra cuidar, sem dinheiro, sem trabalho, sem esperança. Aqui entra a solidariedade. Genuinamente, porque assim é que deveria ser sempre.

Ken Loach, também diretor de Rota Irlandesa, A Parte dos Anjos, À Procura de Eric, consegue ser preciso: mostra o desvio de conduta da nossa sociedade que deveria acolher, ajudar o cidadão a viver e não a passar a vida correndo atrás do rabo. Ao mesmo tempo, consegue construir um Daniel e uma Katie íntegros, esperançosos, dignos e orgulhosos de quem são. Apesar dos pesares. Triste, claro, mas fica uma mensagem de esperança. Os finlandeses que o digam.

 

DIREÇÃO: Ken Loach ROTEIRO: Paul Laverty ELENCO: Dave Johns, Hayley Squires, Sharon Percy, Briana Shann | 2016 (100 min)

 

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O HOMEM QUE VIU O INFINITO – The Man Who Knew Infinity
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama, Biografia - 23/09/2016

Esta é daquelas histórias que, se não fosse o cinema, a gente não ficaria sabendo. Quem não se lembra do filme Mente Brilhante? Fico imaginando quantos gênios improváveis têm escondidos por aí, fazendo a diferença nas várias áreas do conhecimento. Srinivasa Ramanuja é um deles.

É verdade que a matemática complexa que Ramanuja domina não faz parte do repertório fora dos meios acadêmicos, mas os teoremas do jovem, que era atendente alfandegário em uma pequena cidade da Índia colonial em 1913, são analisados até hoje. Obcecado pelo estudo, Ramanuja entra em contato com a elegante e conceituada Universidade de Cambridge, na Inglaterra, consegue chamar a atenção de um importante professor e arrisca tudo para provar suas teorias. Além de ser um filme sobre as diferenças culturais e o preconceito, O Homem Que Viu O Infinito é sobre a amizade que nasce entre o indiano e o inglês.

Dev Patel (também em Quem Quer Ser Um Milionário) e Jeremy Irons (também em Beleza Roubada) formam uma boa dupla, principalmente na caracterização dessa disparidade cultural – o que, no fim das contas, não deveria fazer diferença alguma.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Matt Brown ELENCO: Dev Patel, Jeremy Irons, Malcolm Sinclair | 2015 (108 min)

 

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A SENHORA DA VAN – The Lady in the Van
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama - 05/04/2016

Quando Maggie Smith aparece na tela, já é um chamariz natural. A atriz inglesa não dá ponto sem nó e faz cinema para ser lembrada. É rabugenta em O Exótico Hotel Marigold, espirituosa em Minha Querida Dama, música em O Quarteto, sem falar na figura da inesquecível matriarca Violet, na série Downton Abbey. Mas A Senhora da Van parece que se ancora demais nesses personagens anteriores marcantes e fica sem personalidade – falta ritmo e, eu diria, até um pouco de brilho.

Ainda rabugenta, pouco se sabe deste novo personagem, Miss Shepherd. Alguns flashbacks vão indicando que um acidente fez com que ela decidisse viver dentro de uma van, estacionada em uma rua qualquer de Londres, como se fosse dona do pedaço. Apodera-se não só da rua, mas manda nos moradores, está sempre mal-humorada e cria um cria uma expectativa até que se saiba a sua trajetória.

Claro que Maggie é excelente atriz e tem uma boa história. Mas ficou arrastado, remete aos outros papéis no quesito humor e deixa Miss Shepherd um pouco à deriva. É mais pra ver em casa do que no cinema, mas é verdade também que Maggie Smith é sempre um espetáculo à parte.

 

DIREÇÃO: Nicholas Hytner ROTEIRO: Alan Bennett ELENCO: Maggie Smith, Alex Jennings, Jim Broadbent | 2015 (104 min)

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VOANDO ALTO – Eddie The Eagle
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Aventura - 30/03/2016

Quem poderia imaginar uma história como esta: um sujeito desengonçado e sem habilidade para esporte, encasqueta que quer ser atleta olímpico, começa a treinar depois de adulto e consegue realizar seu sonho. Ainda bem que o cinema é capaz de trazer histórias como esta de superação e coragem. Se não fosse realmente verdade, dava pra jurar que o roteiro de Eddie The Eagle era ficção.

Eddie Edwards é britânico e sonha em ser atleta. Sofre bullying na infância e adolescência, porque realmente não tem porte atlético. Contrariando as expectativas do pai, Eddie tem o apoio da mãe, tenta todo tipo de esporte e descobre que há uma brecha para ingressar na equipe de salto de esqui. Luta com todas as suas forças e as estratégias mais improváveis para participar das Olimpíadas de Inverno de Calgary, no Canadá em 1988, como único integrante da delegação olímpica britânica.

Quem faz o papel de Eddie é Taron Egerton (também de Kingsman: Serviço Secreto) – e é muito convincente. Junto com Hugh Jackman (também em Os Suspeitos, Os Miseráveis), que assume o lugar de seu treinador, os dois formam uma dupla divertida e resiliente, e protagonizam esta história de superação com graça e credibilidade – apesar da história em si ser praticamente inacreditável. Ótimo pra ver em família, inclusive para assistir com jovens e adolescentes que precisam de passagens inspiradoras pra dar veracidade àquele discurso recorrente dos pais de “nunca desistir”.

 

DIREÇÃO: Dexter Fletcher ROTEIRO: Sean Macaulay, Simon Kelton ELENCO: Taron Egerton, Hugh Jackman, Tom Costello Jr., Jo Hartley, Keith Allen | 2016 (126 min)

 

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BROOKLIN
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Irlanda, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama - 12/02/2016

Brooklyn me lembrou o filme com Marion Cotillard, Era Uma Vez Em Nova York. Também sobre uma moça (aqui polonesa, nos anos 1920) que migra pros Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Mas o ambiente é mais pesado, a realidade mais dura. A personagem Ellis em Brooklyn vive nos anos 1950, sai da Irlanda pra tentar a vida e, apesar das diferenças e de sentir falta da Irlanda, encontra um país próspero, gente amigável e um futuro bem possível pela frente.

Brooklyn tem esse tom mais leve, muito mais centrado na adaptação da jovem ao modo de vida americano do que nas dificuldades de mudar de país – vamos combinar que o que Ellis encontra é quase um mar de rosas, rodeado de gente boa e solícita. Portanto, está mais pra romance do que pra drama.

O que não tira o mérito do filme – concorre em três categorias: melhor filme, roteiro adaptado e atriz. Saoirse Ronan está perfeita (quem gosta, como eu, do sotaque britânico, vai adorar!), a ambientação da época é linda, o filme tem bom ritmo, boas atuações (adoro Domhnall Gleeson, também em Questão de Tempo e O Regresso), e uma ótima história de amor. Muita coisa acha que é o melhor filme, mas é delicioso de ver e merece ser visto bem acompanhado.

DIREÇÃO: John Crowley ROTEIRO: Nick Hornby, Colm Tóibín ELENCO: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson | 2015 (111 min)

 

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A GAROTA DINAMARQUESA – The Danish Girl
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama, Biografia - 11/02/2016

Muito se fala sobre a transgeneridade e é muito bom que esse diálogo seja possível. E muito se vai falar sobre A Garota Dinamarquesa abordando esse seu tema principal: a história real de Lili, uma artista plástica transgênera, que viveu nos anos 1920 na Dinamarca e que foi pioneira na mudança de sexo. E é isso mesmo. Além de lindo e delicado, o filme tem esse protagonismo importante, na pele do excelente ator Eddie Redmayne (vencedor do Oscar com o personagem Stephen Hawking em A Teoria de Tudo).

Portanto, pela qualidade cinematográfica, pela atuação da atriz sueca Alicia Vikander (também em O Amante de Rainha), pela beleza da luz, do figurino, das cores, da reconstituição da época, vale seu ingresso. Sem dúvida. Mas vale ainda mais se pensarmos naquilo que possibilitou Einar Wegener se perceber mulher, aceitar-se dessa maneira e tomar a decisão de mudar de sexo. Tudo teria sido diferente se o amor de sua esposa Gerda não tivesse sido incondicional. E aqui, dá pra ir bem longe nas questões humanas de aceitação e compaixão.

Não acho que Tom Hooper, também diretor de O Discurso do Rei e Os Miseráveis, foi conservador na sua leitura do personagem. Ele faz a escolha do tom certo, para que A Garota Dinamarquesa chegasse para o espectador com a convicção e a força que o tema merece, mas principalmente com a intensidade dessa relação humana que abraça, acolhe e faz toda a diferença.

 

Concorre ao Oscar em quatro categorias: ator, atriz coadjuvante, direção de arte e figurino.

 

DIREÇÃO: Tom Hooper ROTEIRO: David Ebershoff, Lucinda Coxon ELENCO: Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Amber Heard, Matthias Schoenaerts, Sebastian Kock | 2015 (119 min)

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AS SUFRAGISTAS – Suffragette
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 28/12/2015

“Se deixarmos as mulheres votarem, será uma perda da estrutura social”, diziam os homens do parlamento britânico no final do século 19. Em tempos em que a mulher não tinha nem o direito sob seu próprio filho, pensar no voto era algo realmente muito ousado. Cansadas de serem ignoradas e maltratadas, foram à luta, deram a cara pra bater e fizeram história. Chamadas de Suffragettes, elas se sacrificaram pelo direito ao voto. Básico, não?

Baseado nesses episódios, As Sufragistas ilustra uma época de total desequilíbrio social, em que as mulheres só tinham um dever: a obediência. O resto, quem fazia era o homem. Carey Mulligan (também em Drive, Educação, Inside Llewyn Davis) é a atriz que assume a protagonista Maud, que trabalha em uma lavanderia desde os sete anos, percebe a movimentação das colegas ativistas e se engaja, quase que por acaso, no movimento liderado pela personagem de Meryl Streep (que mal aparece). O encantamento com a possibilidade de levar outra vida é enorme, ela veste a camisa das sufragistas e paga um preço alto por isso.

Impressionante como tema é contemporâneo, ainda mais se pensarmos que na Arábia Saudita, por exemplo, mulheres foram eleitas para cargos públicos pela primeira vez neste mês de dezembro. Sem ser feminista, o filme da roteirista Abi Morgan (também de A Dama de Ferro, Shame) é simplesmente feminino, porque não levanta a bandeira da diferença, mas sim da igualdade.

 

DIREÇÃO: Sara Gavron ROTEIRO: Abi Morgan ELENCO: Carey Mulligan, Meryl Streep, Helena Bonham Carter, Brendan Gleeson, Anne-Marie Duff| 2015 (106 min)

 

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007 CONTRA SPECTRE – 007 Spectre
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Aventura, Ação - 07/11/2015

Regra número um pra quem quer entrar de cabeça e curtir um filme do agente secreto britânico mais famoso do mundo: escolha uma sala de cinema com boa imagem, bom som e ótima poltrona e curta muito o mundo maravilhoso da espionagem que tem o sofá na posição certa para o agente não se estatele na primeira cena, as mais incríveis paisagens, as mais lindas mulheres e a aventura mais milimétrica que já se viu. O resto é detalhe – ou intriga da oposição que não gosta deste tipo de filme.

Aprendi a gostar, porque filme bom é aquele que cumpre o que se propôs a fazer. O James Bond de Daniel Craig (também em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres) está na medida. É bem aquilo que você já viu no ótimo 007 – Operação Skyfall, do mesmo diretor: um agente ousado, transgressor das regras ditadas por seu superior que quer extinguir os agentes 00, frio no olhar, destemido nas atitudes e muito, mas muito sedutor. Um Bond que combina com a pegada impecável do diretor Sam Mendes – quem é capaz de criar filmes de ação como esses dois sem gordura no circuito básico dos intrigas e perseguições, e também fazer filmes tão distintos como Beleza Americana, Foi Apenas um Sonho e Por Uma Vida Melhor é um sujeito realmente genial. Mudar de estilo desta forma, com tanta competência, não é pra qualquer um.

Portanto, aproveite. Se você não viu ou não se lembra de Skyfall (que tem aquela linda canção da Adele), não se aflija, porque Bond é sempre autoexplicativo. Há rumores de que Mendes faria outro filme com o Bond Daniel Craig, mas o desfecho de Spectre deixa uma saudável e sugestiva dúvida no ar. Se for na onda das trilogias, pode ser que ainda tenha um filme final. Mas isso pouco importa, desde que, claro, não fiquemos órfãos de Bond.

DIREÇÃO: Sam Mendes ROTEIRO: John Logan, Neal Purvis ELENCO: Daniel Craig, Monica Bellucci, Léa Seydoux, Ralph Finnes, Naomie Harris, Jesper Christensen, Ben Whishaw, Christoph Waltz | 2015 (148 min)

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45 ANOS – 45 Years
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para Pensar, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Drama - 29/10/2015

O último filme que vi com a inglesa Charlotte Rampling foi Eu, Anna, que é perturbador. Charlotte tem um ar de mistério que dá aos seus personagens uma áurea sempre de dúvida, nostalgia e tristeza. 45 Anos não começa com essa sensação, mas vai ganhando essa angústia à medida que o tempo passa. Portanto, já digo de cara que não é filme que agrada a todos os gostos, muito menos a todos os “estados de espírito”. Ver bem acompanhado pode trazer à tona histórias não contadas entre o casal e, fique aqui dito, pode dar brecha pra lavar a roupa suja!

Aliás, o tempo é o grande protagonista do filme, já que Kate e Geoff vão comemorar 45 anos de casados. Programam uma festa para os amigos de longa data que moram na sua pequena cidade no interior da Inglaterra, combinam os detalhes e dias antes vem à tona uma antiga história que remexe no passado já deixado lá atrás. O curioso é que esse tipo de coisa sempre traz elementos desconhecidos, deixados de lado na ocasião e que acabam surgindo mal explicados.

O mal-estar que se instala é perturbador, capaz de incomodar até quem está assistindo. Charlotte Rampling é mestre nisso e, no decorrer da narrativa, deixa de lado sua face doce e veste sua capa de mulher dura e misteriosa, como também em Melancolia. Aliás, ela é uma mistura de tudo isso e acho que nem ela sabe direito o que sente. Mas o incrível é como o diretor prescinde de palavras para transmitir o incômodo sentido por Geoff diante dos seus sentimentos, por Kate, diante da sua mágoa. Aliás, justiça seja feita, porque Tom Courtenay (também em O Quarteto) está perfeito e preciso no seu olhar e discurso dissimulados. Gosto do filme, principalmente da sua profundidade. Fiquei curiosa pra saber o que viria pela frente.

 

DIREÇÃO: Andrew Haigh ROTEIRO: David Constantine, Andrew Haigh ELENCO: Charlotte Rampling, Tom Courtenay, Dolly Wells | 2015

 

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