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França

PERSONAL SHOPPER
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para Pensar, França, Drama - 09/03/2017

Já disse aqui que Kristen Stewart conseguiu o que parecia o improvável: afastar-se da imagem vampiresca da saga Crepúsculo e construir uma carreira com personalidade. Seu parceiro Robert Pattinson não conseguiu – olho pra ele e vejo sempre um sujeito morto-vivo. Kristen não. Já quando embarca no road movie Na Estrada dá o ar da graça, vai solidificando sua presença, embora como coadjuvante, no outro filme do diretor francês Olivier Assayas, Acima das Nuvens, brilha do lado de Julianne Moore em Para Sempre Alice, pra realmente dizer a que veio sob direção de Woody Allen em Café Society. Agora, Personal Shopper é ele mesma – e praticamente sozinha.

Kristen faz um filme sobre consumo. Seu trabalho como personal shopper – alguém que escolhe roupas e acessórios para outro alguém, famoso ou não, que não tem tempo, paciência ou, teoricamente, bom gosto pra escolher para si próprio. Coisa esquisita, não saber o que gosta de vestir. Tem a história da construção do visual, pra quem é famoso e vive de vender sua imagem. Mesmo assim é um tanto quanto estranho. Enfim, Kristen é Maureen, uma moça que mora em Paris, garante uma grana cuidando comprando roupas, joias, acessórios para uma famosa enjoada e cheia de vontades, está passando pelo luto pela morte do irmão gêmeo e tem que lidar com seu fantasma rondando sua vida. É médium e percebe a presença do irmão na casa da família e em outros ambientes onde vai. Além disso, tem que lidar com outro fantasma que a assombra pelo whatsapp, que segue seus passos, sabe tudo sobre ela, a desafia a transitar pelo proibido (como provar as roupas da sua chefe enjoada e cheia de vontades) e transgredir. O filme é Maureen do começo ao fim, com suas angústias e dúvidas, transitando nos universos que não lhe pertencem: a fama, as roupas caras, o apartamento transado, as joias Cartier, o mundo virtual atual, a morte do irmão que já não existe mais.

A reflexão que nasce de Personal Shopper é genial. É como se não tivesse em solo firme. Tudo é transitório, tudo depende do olhar seletivo. Daquilo que você escolhe consumir. E se tem alguém que escolhe pra você, então fica ainda mais complicado lidar com as questões da vida. Tudo é simbólico. Maureen precisa acreditar para tocar a vida: na presença do irmão, na grana do emprego, no homem misterioso que manda mensagens e a seduz de alguma forma para um mundo inacessível. A gente também. Selecionamos a realidade que convém. Está cheio de fantasma rondando nossas vidas, fantasiados de passado e de futuro. A gente acredita, agarra com todas as forças e não solta a corda de jeito nenhum. Experimentar confiar no presente pode trazer uma experiência libertadora. Carregar o essencial, deixar pra trás o supérfluo. Um exercício. De novo, libertador.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Olivier Assayas ELENCO: Kristen Stewart, Lars Eidinger, Singrid Bouaziz | 2016 (105 min)

 

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A GAROTA DESCONHECIDA
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Em cartaz, Drama, Bélgica - 24/02/2017

Demorei pra digerir o último filme dos irmãos Dardenne. Fui com muita sede ao pote – sou fã desse cinema realista, nu e cru, social e político, humano no retrato mais seco que se pode ter das facetas humanas. É assim em A Criança; suaviza e emite uma réstia de otimismo na raça humana em O Garoto da Bicicleta, volta pro viés individualista e cruel da sociedade mercantilista em Dois Dias, Uma Noite; e vai ladeira abaixo naquilo que o ser humano ainda tem de esperança nele mesmo em A Garota Desconhecida.

No meu breve comentário no post sobre o filme no Instagram (@cinegarimpo), logo depois que saí da cabine de imprensa, digo que faltou realismo, aquele retrato da realidade que tanto me emociona nos seus filmes. Algo não me caiu bem – como se a falta de verossimilhança tivesse me incomodado demais. Depois que li a crítica do jornalista Luiz Zanin no Estadão, entendi o que eu realmente havia sentido. Jean-Pierre e Luc Dardenne preferem a fábula à realidade como a conhecemos. Constroem um personagem quase fictício: uma médica jovem, altruísta na essência, um dia não recebe uma paciente em seu consultório porque o horário de atendimento já havia encerrado. Ao descobrir que aquela mulher morreu logo depois, sente-se responsável e não sossega, genuinamente, até reparar o dano.

Não que as pessoas não possam ser tão boas assim. Pelo contrário, sou otimista. Acredito sempre. Mas ficou morno. Esforçar-se para encontrar a emoção na obra dos irmãos belgas, não combina. Sua obra é latente, pulsante, perturbadora porque toca fundo na alma. No que há de mais puro – e escuro. Normalmente não exige esforço. Ser inverossímil rompe esse mecanismo. E cansa. 

DIRECÃO e ROTEIRO: Jean-Pierre e Luc Dardenne ELENCO: Adèle Haenel, Olivier Bonnaud, Jérémie Renier | 2016 (113 min)

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MINHA VIDA DE ABOBRINHA – My Life as a Zucchini
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Animação - 17/02/2017

Cheio de ternura, Minha Vida de Abobrinha é daquelas animações que pegam a gente de jeito. Por três motivos bem básicos – e bem suficientes pra te dar a dica de sair do comum.

Aliás, esta é a primeira: animação que tem um traço diferenciado, que sai do padrão hollywoodiano (nada contra, só diferente), já chama a minha atenção. É feita com a técnica stop motion, aquela dos bonecos de massinha filmados quadro a quadro. Isso por si só já cria uma certa intimidade com os personagens, principalmente com o protagonista Abobrinha – esse garoto de 9 anos, que é abandonado pela mãe “que bebe muita cerveja”, vai parar num orfanato e, aos poucos, recupera a autoestima, a vontade de viver e ganha o amor de uma nova família.

A segunda é justamente o tema: a ternura e a amizade transformam a vida do garoto, que chega ressabiado, sofre bullying, vai aos poucos se encontrando e se desmancha em alegria quando faz novos amigos e se sente novamente amado. Tema adulto, essa dureza do abandono e da tristeza. Mas a amizade salva. Sempre!

Por fim, a qualidade desse cinema que é capaz de trazer um assunto tão comum, tão explorado, de uma maneira sensível e única. Cinema francês, concorre ao Oscar de melhor animação e vai pra lista do Cine Garimpo de animações que fogem do traço tradicional.

 

DIREÇÃO: Claude Barras ROTEIRO: Gilles Paris, Céline Sciamma ELENCO: Gaspard Schlatter, Sixtine Murat, Paulin Jaccoud | 2016 (70 min)

 

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AMANHÃ – Demain
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, França, Documentário - 28/01/2017

Em vez da gente ficar reclamando que o mundo está poluído demais, aquecido demais, destruído demais, ruim demais, que tal ir atrás de soluções? Por menores que sejam, as mudanças transformam, são capazes de fazer as pessoas replicarem as ideais e causam efeitos multiplicadores. Se gentileza causa gentileza, uma melhor qualidade de vida acaba, naturalmente, atraindo quem se identifica com ela. Aí, é só continuar no caminho.

Com isso em mente, a atriz e diretora francesa Mélaine Laurent (também em Bastardos Inglórios, O Concerto) e o marido, Cyril Dion, saíram pelo mundo em busca de cidades e comunidades que já adoram um estilo diferente de vida. A gente acha que, para que isso aconteça é preciso mudanças muito bruscas, abandonar tudo e mudar de cidade. Saiba você que não. Mesmo porque, o ótimo é inimigo do bom. Não dá pra começar pelo ideal.

Comece pelo possível e você verá que mudanças no dia a dia já fazem a diferença e elas vão, aos poucos criando outras possibilidades. Economia criativa, bairro autossustentáveis, hortas comunitárias e urbanas são algumas das soluções que já estão mudando o mundo por aí e este documentário mostra realidades que a gente nunca imaginou existirem. Gente que está realmente fazendo a diferente. Faz uma hortinha em casa, em vaso mesmo, e você já vai ver que algo de diferente brotou bem perto de você.

 

DIREÇÃO: Cyril Dion, Mélaine Laurent | 2015 (118 min)

 

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O QUE ESTÁ POR VIR – L’Avenir
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 07/01/2017

De novo, ela. Quando comentei sobre Mais Forte Que Bombas, também deste ano, já falei que ela produz incansavelmente. A Religiosa, Dois Lados do Amor, A Bela que Dorme, Amor, Em Nome de Deus, Copacabana, Minha Terra, África, Elle – este, um dos melhores filmes de 2016. Mas diferente da mulher independente e poderosa executiva do filme de Paul Verhoeven, a mulher de O Que Está por Vir é mais doce, maternal, afetiva, familiar. E mais real – recorte da história universal e inspiração pra mulheres que precisam se reinventar com o que a vida apresenta.

Nathalie Chazeaux é um professora de filosofia conceituada, assim como seu marido de longa data. Juntos, criaram os filhos, cuidam de suas carreiras, têm uma vida em comum, interesses que se cruzam, uma terceira idade programada pra ser vivida juntos. Até que ela descobre que são três. Existe uma amante, Nathalie se vê sozinha, suas publicações não vão bem e é hora de sair da zona de conforto. Linda cena em que ela vê o ex-marido com a namorada na rua – não lhe pertence, essa opção. Segue a vida, se reinventa, sofre, mas descobre um lugar dentro dela que a faz renascer.

O Que Está Por Vir, que levou Urso de Prata pela direção em Berlim, é poesia da vida. Descoberta de o que fazer com o que a vida apresenta, viver a vida que nos cabe da melhor forma, dar as cartas do jogo. Nathalie experimenta essa liberdade. Sem drama extra, sem felicidade irreal, sem lustrar a pílula. Simplesmente ser feliz com o que se tem e poder tomar as rédeas do que se apresenta.

 

DIRECÃO e ROTEIRO: Mia Hansen-Love ELENCO: Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob | 2016 (102 min)

 

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ELLE
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para Pensar, França, Drama - 21/11/2016

Um dos conflitos propostos em Elle é sim a violência sexual contra a mulher. Mas este não foi o mais impressionante – embora as cenas de estupro sejam realmente brutais, intensas e definitivas. As camadas costuradas em cima desse choque constróem uma figura determinante da mulher aos 60: independente financeira, emocional e sexualmente; dona do seu nariz, mas lotada de encrencas para resolver. É um recorte do empoderamento feminino, mas sem aquela pegada feminista onipotente: simula a mulher de verdade, em carne e osso, que precisa sim dos outros, que se apega às pessoas, que tem traumas de família, problemas com os pais, filho, nora. E não esconde isso de ninguém. Vive intensamente.

Sem criar uma mulher-maravilha, Paul Verhoeven (também de Instinto Selvagem) traz o feminino na sua mais complexa faceta. Ninguém melhor do que Isabelle Huppert pra passar a mensagem. Ela não para de produzir – em 2016 foram seis filmes; pra 2017, outros seis programados. É impressionante. É como se sua personagem, Michèlle Leblanc, dona de uma empresa de games, fosse uma extensão dela mesma. Super à vontade no papel, fala da sexualidade nessa idade de maneira natural, do ponto de vista da mulher que deseja, instiga e busca o que quer. É nesse contexto que entra a violência sexual, que perturba a ordem das coisas – mas Michèlle não cai – titubeia, não denuncia, toma as providências práticas, mas não entra em pânico. Toca a vida e tudo mais que depende do seu bom senso e poder de decisão para acontecer, na família e no trabalho.

Genial, forte, perturbador. Um mergulho na psique humana conturbada e ambígua. Do uso da força – física e sexual -, da aceitação dessa disfunção entre os gêneros, da ambiguidade entre o culto externo, social, para a vivência pessoal de cada um. Elle é para ser sentido, feminino ao extremo. Além de Michèlle, sua amiga Anna (Anne Cosigny), sua nora Josie, sua mãe Judith e sua vizinha Rebecca são as mulheres que fazem a história acontecer. Mas Isabelle… sem palavras pra dizer o que é – e representa – essa atriz.

 

DIREÇÃO: Paul Verhoeven ROTEIRO: Philippe Djian, David Birke ELENCO: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Anne Consigny, Charles Berling, Virginie Efira | 2016 (130 min)

 

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FILMES FRANCESES PRA VER EM CASA
CLASSIFICAÇÃO: França, Especiais - 04/11/2016

Depois da ressaca da Mostra SP, bom saber da chegada de ótimos filmes em casa, no streaming. Dá só uma olhada, clica no filme pra ler o comentário do Cine Garimpo e corre alugar em uma dessas plataformas online: NOW, VIVO, iTunes, Google Play. 

Tem pra todos os gostos:

JÁ DISPONÍVEL:

  1. uma viagem emocionante na inversão de papéis entre pai e filha em A VIAGEM DE MEU PAI;

DIA 10/11:

  1. divertida comédia LOLO: O FILHO DA MINHA NAMORADA, sobre a mulher na meia idade e tudo que vem com ela;
  2. retrato histórico de refugiados na Segunda Guerra , com espelho nos dias de hoje com tanta gente procurando abrigo em tempos de conflito em VIVA A FRANÇA!;

DIA 17/11: 

  1. deliciosa comédia romântica A CORTE, sobre a gentileza capaz de quebrar a rigidez;
  2. o drama humano em O VALE DO AMORsobre famílias.

DIA 24/11: 

  1. o profundo drama de MEU REI, sobre o complexo que é relacionar-se (foto);
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MAIS FORTE QUE BOMBAS – Louder Than Bombs
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Noruega, Garimpo na Locadora, França, Drama - 04/11/2016

Assim como Juliette Binoche em Mil Vezes Boa Noite, Isabelle Huppert é também uma famosa fotógrafa, que percorre o planeta fazendo registros de conflitos, guerras, refugiadas. Vai aonde está o perigo. A desolação. Mas tem família, se ausenta, deixa um buraco. Fisica e emocionalmente. Nela e no filho, no marido, no relacionamento. É como não se encaixasse em lugar nenhum.

Isabelle Huppert é camaleoa. Produz incansavelmente – está em A Religiosa, Dois Lados do Amor, A Bela que Dorme, Amor, Em Nome de Deus, Copacabana, Minha Terra, África e, recentemente em Elle. É sempre um personagem intenso. Em Mais Forte que Bombas, o buraco que ela causa é real. Sofre um acidente, sabemos logo no começo. Mas as suas escolhas de vida também transformaram a vida dos que amava – e aí está o conflito. Como preencher, reinventar, continuar vivendo. Os filhos, o marido, o amante. A fotografia.

O vazio que fica é mais barulhento e conturbado que as bombas que Isabelle tanto buscava retratar. É Joachim Trier também o lindo e perturbador filme Oslo, 31 de Agosto – sobre um jovem que sofre para se recuperar do vício das drogas e voltar à vida normal e ao convívio. O diretor norueguês entra bem fundo nas questões humanas, sem julgamentos, apenas pontua. Mas escolhe os sentimentos mais difíceis. A dor de não conseguir conviver consigo mesmo.

 

DIREÇÃO: Joachim Trier ROTEIRO: Joachim Trier, Eskil Vogt ELENCO: Isabelle Huppert, Jesse Eisenberg, Gabriel Byrne, Devin Druid, Amy Ryan | 2015 (109 min)

 

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A CORTE – L’Hermine
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, França, Drama, Comédia Romântica - 04/11/2016

Fabrice Luchini é um juiz, duro e sisudo, que prima não por julgar o réu, mas por cumprir o que a lei manda. Rígido, é pego num momento frágil: está gripado, recém-divorciado, falam mal dele pelas costas no tribunal. Entra em cena para julgar um caso, diz a que veio, dá as regras do jogo e não tem pra ninguém. Até que sua rigidez e certezas caem por terra quando avista uma das juradas: Ditte (Sidse Babett Knudsen, a atriz sueca de Depois do Casamento), por quem um dia ele se apaixonou.

O pano de fundo é o tribunal, mas o conflito é do coração. Mantendo as hierarquias e cerimônias desse ambiente, Luchini (também em As Mulheres do 6º Andar e Dentro da Casa), Ditte vai amolecendo a cena, vamos conhecendo sua história e sutilmente – e sem qualquer prentesão (adoro isso!), o estranhamento se transforma em algo a mais. Quase que um encaixe. A rigidez vai se derretendo num texto delicioso e numa troca de olhares que prescinde de diálogo, muitas vezes. Final aberto nem sempre é fácil, nem desejável. Mas quando feito com delicadeza, ainda melhor.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Christian Vincent ELENCO: Fabrice Luchini, Sidse Babett Knudsen, Eva Lallier | 2015 (98 min)

 

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UM DOCE REFÚGIO – Comme Un Avion
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Comédia - 06/10/2016

Aqui, o que menos importa, é a verossimilhança. Em parte porque que muita gente queria dar um perdido como o personagem Michel. Sair por aí, tirar férias de tudo e de todos – e com consentimento das pessoas mais importantes, seria o ideal. Apaixonado por aviões e sem condição de sair por aí pilotando um, descobre que pode realizar a aventura de kaiak. Compra e monta um dentro de casa, traça seu roteiro, comunica a mulher e o chefe e se manda.

Uma comédia de costumes com tom bucólico do interior da França, com seus vilarejos e sua vida mansa. Pra se divertir, sem pensar muito. Sandrine Kiberlain (também em Mademoiselle Chambon, As Mulheres do Sexto Andar, A Viagem de Meu Pai) é sempre uma boa pedida: atriz divertida, que marca presença e faz diferença.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Bruno Podalydès ELENCO: Bruno Podaydès, Sandrine Kiberlain, Agnès Joui | 2016 (105 min)

 

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