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Filipinas

EM NOME DE DEUS – Captive
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Filipinas, Drama - 29/11/2012

DIREÇÃO: Brillante Mendoza

ROTEIRO: Brillante Mendoza, Patrick Bancarel

ELENCO: Isabelle Huppert, Katherine Mulville, Marc Zanetta, Rustica Carpio, Timothy Mabalot, Maria Isabel Lopez, Raymond Bagatsing, Coco Martin, Mercedes Cabral

Filipinas, França, 2012 (120 min)

Não é documentário, mas em alguns momentos até que parece. O drama vivido por missionários feitos reféns por milícias islâmicas separatistas nas Filipinas em 2001 é retratado pelo diretor Brillante Mendoza, também do ótimo Lola, de maneira clara. Para quem assiste, fica evidente a posição das três partes envolvidas: desespero e impotência por parte dos reféns; cruel determinação por parte da milícia; desinteresse e incompetência por parte do governo filipino. O resultado foram inúmeras mortes e uma triste história para contar.

Representando os reféns está Thérèse Bourgoine, na pele da atriz francesa Isabelle Huppert (também em A Bela que Dorme, Copacabana). Ela representa o estrangeiro em outras terras, o intruso, que perturba a ordem vigente e as forças subversivas, assim como fez com muito talento em Minha Terra, África, em que enfrenta os milicianos rebeldes e os corruptos do governo, que expulsam e matam os colonizadores franceses. É o seu olhar que me guiou através do medo, desespero, fome, frio, dor das dezenas de reféns, que passaram meses a fio vagando pelas florestas filipinas, aguardando um resgate que só chega capenga e depois de muitas mortes, aturando a maldade dos milicianos e conformando-se com a presença de soldados-crianças numa terra sem esperança.

Em Nome de Deus tem o título original Captive, que em francês significa ‘reféns’. São reféns em nome de Deus. Os terroristas rezam, determinam regras seguindo o Alcorão, matam baseados no argumento da fé islâmica. Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim 2012, lembrou-me o maravilhoso Homens e Deuses, que trata de tema semelhante: católicos em missão assistencial em outro país que sofrem represália de grupos extremistas, que vale ser visto. Aqui, a missão religiosa tem que migrar para a seara particular de cada um dos reféns, que se vê na situação absurda de ficar à deriva por dias, invadir um hospital, ver mais reféns se juntarem a eles, outros morrerem pelas balas do próprio exército e ter de confiar na própria fé.  Eles estão no cativeiro quando as Torres Gêmeas são atingidas. Consequências de uma mesma distorção.

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LOLA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Filipinas - 27/07/2011

DIRETOR: Brillante Mendoza

ROTEIRO: Linda Casimiro

ELENCO: Anita Linda, Rustica Carpio e Tanya Gomez

Filipinas, França, 2011

Lola, em filipino, significa avó. Avó, em filipino, significa âncora, base, estrutura, linha mestra, matriarca, chefe de família. Ou pelo menos foi essa a minha impressão ao assistir a este sensível e delicado filme do diretor Brillante Mendoza. A sensação de que a avó é realmente o arrimo de família, tanto material na miséria de Manila, quanto emocional na desestruturada sociedade, é nítida e tocante. Nesta história que gira em torno da busca pelo dinheiro para enterrar um neto, conhecemos as relações, a intensa privação e algumas situações singelas de amizade e compaixão.

Inevitavelmente me lembrei de Poesia, filme sul-coreano que também coloca a avó como figura mais importante de um núcleo familiar que luta para não se desintegrar. Em Lola, não é diferente e são duas as avós que constroem a trama. Lola Sepa luta para enterrar o neto dignamente, morto a facadas por causa de um celular. Lola Puring luta para tirar o neto da prisão, o autor do crime. Sem recursos, numa Manila úmida, chuvosa, miserável, ambas dão tudo que têm (inclusive a energia que resta) e comprometem até o que não têm para cumprir sua missão. É dessa relação construída e desconstruída ente as famílias que percebemos a profundidade da sua importância para a família.

Claro que Lola não é um filme de ação e movimento, mas sim de observação dos passos, opções e caminhos que são tomados. O que começa numa cena chuvosa, lenta e desoladora, vai ganhando força e importância nas figuras das ‘lolas’. Fortes e frágeis ao mesmo tempo, dão uma dimensão humana emocionante ao filme e de certa forma homenageiam as avós, mesmo que para isso seja preciso colocá-las em uma situação tão vulnerável.

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