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Espanha

UM DIA PERFEITO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Espanha, Comédia - 06/08/2016

Imagine um dia em que você tenha uma missão a cumprir; que muitas pessoas dependam do seu empenho e persistência; e que o universo inteiro conspire contra. Não caia na cilada do título. Nesse dia acontece de tudo, mas só aquilo que atrapalha.

A pegada do filme espanhol é inteligente e muito bem humorada. Depois da guerra de 1995 nos Balcãs, em que a região está lotada de minas terrestres, milhares de famílias foram destruídas e falta absolutamente tudo. Quem tem água é rei. Uma equipe de ajuda humanitária, enviada para  para apaziguar a área e atender às necessidades básicas dos sobreviventes, precisa liberar um poço de água potável que está contaminado – o corpo de um homem foi jogado lá dentro e eles têm que achar uma corda capaz de suportar o peso do sujeito gordo, que já está em decomposição. Tarefa difícil e trabalhosa para a equipe liderado por Benício Del Toro (também em Sicario), que vai percorrer caminhos bloqueados por corpos de animais, enfrentar a crueldade da guerra e a veia oportunista dos que se aproveitam da tragédia dos outros, mas sempre com o seguinte pensamento em mente: já que está tudo difícil mesmo é reclamar só vai fazer o ruim ficar pior, que tal lidar com a missão com humor e companheirismo?

Tem filme que me surpreende de uma maneira especial. Entro com baixas expectativas e saio pelo menos com duas certezas: de que um bom roteiro faz toda, toda a diferença, e de que inteligência e simplicidade formam uma das melhores parcerias em qualquer campo da vida. O perfeito no imperfeito – mesmo que seja carregado de ironia, tudo depende do seu olhar para o problema. Genial! Todo mundo deveria assistir.

DIREÇÃO: Fernando León de Aranoa ROTEIRO: Fernando León de Aranoa, Diego Farias, Paula Farias ELENCO: Benicio Del Toro, Tim Robbins, Olga Kurylenko, Mélanie Thierry | 2015 (106 min)

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JULIETA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 07/07/2016

Dos filmes de Pedro Almodóvar, a trilogia Tudo Sobre Minha Mãe, Fale com Ela e Volver estão na prateleira dos indispensáveis. Narrativas femininas, coloridas, pungentes, instigantes. Sem igual. Depois vem A Pele que Habito, o melhor dos desfechos. Drama humano, personagens profundos – sempre elementos suspensos, aguardando a hora de encaixar, perfeitamente.

Depois de Kika, Julieta é seu segundo filme com nome de mulher. Tudo a ver, encaixe perfeito. Almodóvar é célebre por seus personagens femininos marcantes, pela força da matriarca, pela fio condutor feminino familiar, pelas mazelas e maravilhas de ser mulher. Julieta sugere sempre algo não resolvido e não revelado. Sem suspense, só um leve mistério. Isso porque a personagem título já de cara mostra que lida com sentimentos mal resolvidos, que o passado a perturba e que não consegue encarar a realidade. Os flashbacks vão contar a sua história, na pele de duas atrizes.

Drama humano, relacionamentos truncados, palavras não ditas. Parece déjà-vu. Sim e não – quem é que nunca sentiu culpa, raiva, solidão, amor, mas o diretor tem uma maneira toda particular de contar uma história. Sem que esta seja a sua mais pungente narrativa, vale seu ingresso sim, Julieta.

 

DIREÇÃO: Pedro Almodóvar ROTEIRO: Pedro Almodóvar, Alice Munro ELENCO: Adriana Ugarte, Emma Suárez, Inma Cuesta, Rossy de Palma, Daniel Grao | 2016 (99 min)

 

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A GAROTA DE FOGO | Magical Girl
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 10/05/2016

Tenho dito com todas as letras – e torcido muito – para que A Garota de Fogo continue em cartaz. Nessas duas últimas semanas, quando me pedem dicas de filmes que valem seu ingresso, incluo este na lista, sem medo de errar. Se eu me arrisco, pergunto se a pessoa gosta de Almodóvar e a resposta é “sim”, então a chance de acertar o programa é 100%. A Garota de Fogo é do diretor Carlos Vermut, também espanhol, e tem um toque almodovariano inegável: personagens enigmáticos e enredo que se entrelaça na lógica do absurdo. Genial!

Foi o grande vencedor no Festival de San Sebastián em 2014 e é filme pra se ver duas vezes – pelo menos. Vermut é também roteirista e traça o fio condutor cruzando três histórias. Uma é a história título, da “magical girl” Alicia – uma adolescente que está com câncer, mora com o pai desempregado e quer um vestido de uma personagem de uma série japonesa que custa caríssimo. Para comprá-lo, seu pai resolve ultrapassar o limite do bom senso. A outra é a “garota de fogo” da canção-tema, Bárbara, que é um moça meio esquisita, que parece ser bipolar ou ter algum outro tipo de distúrbio mental, passa por problemas conjugais e também chega às últimas consequências para tentar se safar. Algumas cenas pinceladas aqui e acolá, vão juntando as duas narrativas numa terceira, do presidiário Damián, que tem medo de sair da cadeia. Mergulhamos numa teia de detalhes, de personagens complexos e muito bem construídos, chantagens e dependências sombrias.

O drama humano é forte, mas o mais impressionante é a frieza dos personagens – e, claro, como Vermut consegue fazer a gente acreditar nessa história de gente dissimulada e bem real – apesar da contraditória lógica do absurdo. Quando você vir, vai entender. Funciona como a razão da loucura ou o argumento do insano. Com a capa do cinema, fica tudo bem mais interessante.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Carlos Vermut ELENCO: José Sacristán, Marina Andruix, Raimundo de los Reyes, Bárbara Lennie, Lucía Pollán, Luis Bermejo | 2014 (127 min)

 

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TRUMAN
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 20/04/2016

Nem só de Ricardo Darín vive o cinema argentino, mas que a produção e onipresença dele é incrível, isso é. Só aqui no Cine Garimpo são 13 filmes assistidos e publicados. E digo mais: sua presença não se restringe só ao argentino, porque este é espanhol, do cineasta catalão Cesc Gay, também de O Que Os Homens Falam – outro bom filme sobre as questões masculinas.

Truman é um filme essencialmente sobre a amizade. Mas entre homens – o que é bem diferente. Darín é Julián, um sujeito que se relaciona muito bem com seu cachorro Truman, seu companheiro fiel de sempre, mas lida mal com as relações: está distante do filho, guarda situações mal resolvidas com os amigos, vive no seu canto. Não chega a ser tão rabugento como seu personagem em Conto Chinês, mas está na cara que não é de grandes afetos. Até que um antigo amigo se despenca do Canadá para Madri para visitá-lo, quando descobre que Julián está com um câncer em estado avançado.

A leitura de Truman pra mim é a seguinte: lidar com quem não contesta, não discorda, não tem outros desejos que não os nossos, é tranquilo. Por isso o dito do cachorro como melhor amigo do homem faz tanto sentido. O duro mesmo é lidar com pessoas, vontades, egos, temperamentos e expectativas mil. Sabendo que vai morrer, Julián se sensibiliza pra encontrar uma pessoa que adote Truman, mas principalmente é um momento de rever as relações, resolver as mágoas e deixar o caminho interior aberto pra o que vem pela frente. Mesmo que não seja o seu filme mais tocante, fala a linguagem universal da amizade e das sempre complexas relações humanas. Por isso vale seu ingresso. Mas também vale por Darín e pelo ator espanhol Javier Cámara (também em Viver É Fácil com os Olhos Bem Fechados, Fale Com Ela). A química entre eles é excelente e isso faz toda a diferença.

DIREÇÃO: Cesc Gay ROTEIRO: Cesc Gay, Tomàs Aragay ELENCO: Ricardo Darín, Javier Cámara, Dolores Fonzi | 2015 (108 min)

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O FRANCO ATIRADOR – The Gunman
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Espanha, Ação - 10/05/2015

Adoro o trabalho de Sean Penn. Gosto dele em Milk – A Voz da Igualdade, 21 Gramas, Sobre Meninos e Lobos. Mas desde Milk, que lhe rendeu um Oscar, é que Penn não acerta a mão. E isso foi em 2008. Ou seja, faz tempo que não cai na sua mão um bom roteiro – Jogo de Poder é bacana, mas não é um filmaço – ou que ele não se apropria da direção, que fez tão bem em Na Natureza Selvagem.

Por isso, pode baixar as expectativas em O Franco Atirador. É mais do mesmo: um filme de ação, com muito tiro e um roteiro que não surpreende em nada. Ou seja, déjà vu e um desperdício de bons atores como o próprio Sean Penn e Javier Bardem. Penn é Martin Terrier, um atirador de elite de um grupo de mercenários infiltrados, trabalhando a mando dos chefões das minas de pedras preciosas no Congo. Em uma importante jogada política e de fortes interesses econômicos, Martin é escalado para matar o ministro de Minas congolês e depois disso precisa fugir do país e abandonar sua namorada. Anos depois, volta ao Congo quando descobre que é alvo de criminosos envolvidos com esse antigo caso e descobre que vou vítima de uma armação.

Muitos tiros, mortes, trilhas sonoras de suspense, chegamos no final sem qualquer surpresa. Que preguiça me dá esse tipo de filme. É para quem realmente não está a fim de se surpreender com absolutamente nada.

 

DIREÇÃO: Pierre Morel ROTEIRO: Jean-Patrick Manchette, Don MacPherson ELENCO: Sean Penn, Javier Bardem, Idris Elba, Jasmine Trinca, Jorge Leon Martinez, Ray Winstone | 2015 (11 5min)

 

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OS FENÔMENOS – Os Fenómenos
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Especiais, Espanha, Drama - 22/10/2014

38mostraspEntrei por acaso para assistir ao espanhol Os Fenômenos e foi uma grata surpresa. Adoro a atriz Lola Dueñas, tão conhecida por sua marca nos filmes de Pedro Almodóvar, Fale com Ela, Abraços Partidos e Volver. Também está no ótimo Mar Adentro e As Mulheres do Sexto Andar. Portanto, já fica a dica de filmes incríveis para assistir em casa.

Com foco na Espanha, esta 38a Mostra também tem algo curioso: o foco na crise espanhola. Hermosa Juventud mostra a desesperança do jovem e sua falta de perspectiva no futuro; Os Fenômenos traz a realidade da especulação imobiliária sem real sustentação econômica e a falência do sistema, que leva o trabalhador para o fundo do poço e congela a economia. Quem lidera esse panorama é a atriz Lola Dueñas como Neneta, uma moça de classe média, que larga tudo e vai no estilo “o amor e uma cabana”, até que a vida passa uma rasteira e precisa encontrar emprego. A única coisa que consegue é trabalhar na construção civil, setor em que a economia informal (e suspeita) reina e em que o ambiente masculino hostiliza a presença de mulheres.

Singelo e com deliciosos toques de humor, Os Fenômenos é o nome que do grupo de amigos que Neneta conquista no trabalho, pelo seu alto rendimento na construção. Com foco na rapidez e não na qualidade, o setor imobiliário sofre com a crise generalizada na Espanha, fazendo um paralelo com a vida pessoal de Neneta que tem que se ajustar sempre à nova realidade. De crise em crise, pessoal ou econômica, o cidadão vai sofrendo junto as transformações por que passa um país. Adoro Lola Dueñas e claro que ela é o filme em si. Uma lição de alto astral – sem que para isso tenha que ser “poliana” – e de quem não desiste da batalha de todo dia.

 

DIREÇÃO: Alfonso Zaruaza ROTEIRO: Jaione Camborda, Alfonse Zaruaza ELENCO: Lola Dueñas, Luis Tosar, Ledicia Sola, Xúlio Abonjo, Farruco Castromán, Miguel de Lira | 2104 (103 min)

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HERMOSA JUVENTUD | MOSTRA SP 2014
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Especiais, Espanha, Drama - 19/10/2014

38mostraspHermosa Juventud me lembrou de cara A Criança, dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Cannes reconheceu a importância dos dois, com o Prêmio do Júri Ecumênico e a Palma de Ouro, respectivamente. E não é para menos. Tratam com um tom muito realista um assunto importante e definitivo nas sociedades: o rumo que toma a juventude. O filme belga mexeu comigo e com o espanhol não foi diferente.

Enquanto o título A Criança dá um tom seco ao filme e ao relacionamento que se desenvolve entre jovens imaturos e despreparados, Hermosa Juventud, ou Juventude Maravilhosa (tradução literal) tem essa irônia implícita – e explícita. Ser jovem é maravilhoso, mas aqui está carregado pela falta de perspectiva de uma fase que deveria ser de alta produção, de plantar conhecimentos adquiridos, de trocar informações, de agir com humildade para aprender, ensinar, plantar e colher lá na frente. Planejar o futuro, mas sem deixar a ganância engessar. Ousar, com risco calculado. É a hora de viver intensamente com liberdade responsável, com já um pouco de bagagem e muita esperança no futuro.

Por isso a ironia. De “hermosa” essa juventude espanhola não tem nada. Com a crise econômica, o jovem joga a toalha, não dá valor à educação, não se especializa, curte a vida sem planejar nada, não encontra emprego, é mão de obra sem especialização, numa sociedade em que até os especialistas têm que se reinventar. O casal de namorados Nathalia e Carlos sonham com uma vida melhor, mas não se preparam para isso. Uma grana fácil aparece aqui e acolá, mas não há bagagem emocional para enfrentar a dura realidade. Isso fala alto demais no filme, a questão do tempo. Nada se colhe do dia para a noite. Com vinte e poucos anos, já têm que tomar decisões duras, criar uma filha, encarar a vida adulta sem que terem a experiência natural que a luta diária vai criando.

A juventude é para ser maravilhosa – sem que para isso ela tenha que ser fácil. Fácil demais perde a graça. Mas ela tem um sabor do desafio, da busca, da oportunidade, da liberdade de escolha. Nathalia e Carlos fazem escolhas, forçados pela vida. E é muito triste que seja assim, que isso seja tão comum e que a juventude deixe de ser maravilhosa para tantos jovens. Que serão o futuro do país. Isso é o mais assustador.

 

DIREÇÃO: Jaime Rosales ROTEIRO: Jaime Rosales, Enric Rufas ELENCO: Ingrid García Jonsson, Carlos Rodríguez | 2014 (104 min)

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O QUE OS HOMENS FALAM – Una Pistola en Cada Mano
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Espanha, Comédia - 03/06/2014

Para começar, esse título em espanhol não soa nada bem. Também acho sem graça a opção em português, que não quer dizer nada de nada, ainda mais considerando que o filme é bom e diz muita coisa sim – mesmo que seja com silêncios masculinos. Se fosse para traduzir, usaria a expressão “atirar para todos os lados”, tentando dar a conotação de desespero e desamparo em que os homens às vezes se encontram. É claro que, em condições normais de temperatura e pressão, diriam estar por cima da carne seca. Mas esta comédia espanhola conta o contrário: escancara que eles dariam tudo – ou quase tudo – para voltar no tempo e mudar o presente.

Não caia na cilada de que se trata de comédia romântica. Pelo contrário. O filme conta a história de oito homens, na faixa dos 40, basicamente arrependidos de algo. E normalmente sozinhos. Sim, ou porque trocaram a mulher por uma mais nova, que também virou lugar comum depois de um tempo; ou porque foram traídos; ou porque não comparecem sexualmente; ou porque simplesmente não sabem se comunicar. Aliás, está aí grande parte da graça do filme. Homem não se comunica, nem mesmo entre eles.

Com fino humor, trata da difícil arte de falar de si próprio, de encarar suas dificuldades. Adoro quando o ex-marido diz que a ex está “estupenda” e ela confessa que está grávida do novo namorado; adoro quando o marido segue a mulher até a casa do amante, senta no banco da praça e desabafa com um conhecido que passava por ali; adoro quando um jovem pai tenta pular a cerca e leva um fora muito bem dado. Adoro esse fino trato das relações humanas tão delicadas e de linha tão tênue. E tem aquele sotaque espanhol delicioso de ouvir, mesclado com um sorriso de quem diz “eu te avisei que não seria tão fácil assim…”.

 

DIREÇÃO: Cesc Gay ROTEIRO: Cesc Gay, Tomàs Aragay ELENCO: Javier Cámara, Ricardo Darín, Luis Tosar, Eduard Fernández, Cayetana Guillén Cuervo, Jordi Mollà, Eduardo Noriega, Candela Peña, Alberto San Juan, Leonardo Sbaraglia | 2012 (95 min)

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BRANCA DE NEVE – Blancanieves
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Espanha, Drama - 19/08/2013

Os contos de fadas são de domínio público, portanto qualquer pessoa pode contar e recontar a sua versão das princesas, madrastas, príncipes e tudo mais que já conhecemos. O que encanta – entre muitas outras coisas – nessa versão de Branca de Neve é ao mesmo tempo a delicadeza e a força da atmosfera espanhola, harmonicamente casada com anões, maldade, maçã, morte. Um olhar especial, não é para qualquer um.

Dá pra entender porque a produção do diretor Pablo Berger demorou tanto pra ficar pronta. Iniciada em 2004, tem um trabalho primoroso em cada detalhe, um cuidado para não cair na mesmice com símbolos já exaustivamente tratados, um olhar poético capaz de emocionar. Portanto, não deixe escapar o balanço dos leques na tourada, o olhar do toureiro, o figurino da Espanha daqueles anos 1920, a trilha sonora espetacular, carregada de significado e magia. O enredo você já conhece, por isso os detalhes fazem toda a diferença.

Exagerei? Não. Branca de Neve sai do lugar comum e dá voz ao conflito enteados-madrasta de uma maneira no mínimo diferente. É um convite para abrirmos uma brecha para uma outra linguagem cinematográfica. Com tanto filme mastigado, enlatado e barulhento, Branca de Neve é um presente para os sentidos: em preto e branco e mudo (sim, lembra O Artista), consegue, sem dúvida, ir além das palavras. Com elenco é primoroso, foi o grande vencedor do Prêmio Goya de 2013: melhor filme, atriz (Maribel Verdú, a madrasta), atriz revelação (Macarena García, a Branca de Neve), roteiro original, música original, canção original e figurino. Faltou premiar Daniel Gimenez-Cacho, pai da Branca de Neve, também espetacular.

Aguce os sentidos e permita-se a viagem à Sevilha do começo do século 20. E passe a dica adiante. É encantador.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Pablo Berger  ELENCO: Maribel Verdú, Macarena García, Daniel Gimenez-Cacho, Ángela Molina, Sofia Oria | 2012 (104 min)

 

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O IMPOSSÍVEL – The Impossible
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Espanha, Drama - 20/12/2012

impossívelDIREÇÃO: Juan Antonio Bayona

ROTEIRO: Sergio G. Sánchez

ELENCO: Naomi Watts, Ewan McGregos, Tom Holland, Samuel Joslin, Oaklee Pendergast, Geraldine Chaplin

Espanha, 2012 (114 min)

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Adivinhem para onde tenho férias programadas em janeiro? Tailândia. Será que foi por isso que o filme me impressionou tanto? Pode ser. Deve ser. Espero que fenômenos assim não se repitam em um curto espaço de tempo, afinal são só nove anos desde que o tsunami varreu a costa da Tailândia naquele verão de 2004. Mas não é só isso. O que aconteceu por lá foi mais  impressionante ainda porque assistimos e acompanhamos tudo ao vivo, sem acreditar que pudesse ser verdade. Devastador, por si só.

No cinema, a gente até acredita. Clint Eastwood já falou do assunto em Além da Vida, com Matt Damon e Cecile de France, em 2010. De novo a cena da onda que invade o tranquilo paraíso impressiona, massacra, afoga e desespera quem vive para ver o que sobrou. E quem sobreviveu. O roteiro é real, aconteceu com uma família espanhola que passava as férias de Natal no litoral tailandês. Em meio a 230 mil mortos, considerar que uma família inteira (pais e três filhos de 5, 7 e 10 anos) sobreviveram e se reencontraram no meio do caos, é praticamente impossível.

Interpretados por Naomi Watts (também em 21 Gramas, Destinos Ligados, Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos, Jogo de Poder, J. Edgar) e Ewan McGregor (também em Amor Impossível, Sentidos do Amor, O Escritor Fantasma), O Impossível ganha uma carga dramática grande. Por isso, está avisado: quem não estiver afim de ver tragédia, drama familiar, morte, perda, crianças desesperadas, garimpe outras opções no blog. O filme é forte e real. Toca no medo mais profundo que é a perda de um filho, ou no temor de um filho de ficar órfão. O medo de se ver sozinho no mundo. O medo de enfrentar a vida de outra maneira.

Alguns trunfos para que o filme fosse realmente impactante e não somente um melodrama. Os protagonistas, Naomi Watts, McGregor são muito convincentes, inclusive na premissa de que eram sim uma família feliz. Isso aumentou minha agonia de ver a família dilacerada. As três crianças, e principalmente Lucas, o mais velho, também consegue segurar o rojão que é interpretar o tempo todo no limite da dor e do desespero.

Prepare-se: passamos o filme todo, com exceção da primeira parte em que a família está curtindo as férias, em cenas de fim de mundo: a onda gigante arrasta tudo que vê pela frente, Maria se afoga (e nós junto) em meio aos destroços, vemos gente morta e gente morrendo, feridos, perdidos, desesperados, órfãos. Falta de medicamento, comida, água, recursos, socorro. O tempo todo é a busca pela ajuda, pelo remédio, pelo pai, mãe, irmãos, solidaridade. Há poucos minutos de alento, e mesmo assim, ainda são instantes de dão a entender que o trauma é grande demais para terminar por ali.

Quem já foi para aqueles mares diz que não dá para acreditar que um oceano tão calmo pode se transformar em tamanha anomalia da natureza. Raiva ferroz. Vou checar de perto e espero estar de volta no tempo planejado. Enquanto isso, se tiver fôlego, vá ver. Ou comece pelo trailer, talvez seja mais fácil de sobreviver.

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