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Dinamarca

DEMÔNIO DE NEON – The Neon Demon
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Dinamarca - 06/10/2016

Não transito bem com essa questão da ditadura da beleza. Nunca entendi esse panorama dos cabelos iguais, do desejo de corpos perfeitos, do espelhamento – e frustração – que o mundo fashion produz. Ultimamente têm surgido tendências mais interessantes, que apontam para a moda inteligente, do aproveita-o-que-você-tem, do peça-emprestado, do use-mais-de-uma-vez (pro vestido de festa). Bem melhor, aí me agrada. Demônio de Neon é indigesto neste sentido: fala da guerra entre modelos para conseguir um lugar ao sol, mas vai pro extremo. Quando ameaçadas, são capazes de comer a outra viva. Literalmente.

Vampiresco e totalmente surreal, Demônio de Neon é até agressivo. Gelado, misterioso, cheio de suspense. O mínimo de afetividade vem da personagem de Elle Fanning (também em Babel, Ginger e Rosa, Super 8). Recém-chegada no mundo da moda, a jovem modelo do interior, que sonha em ser famosa e ganhar dinheiro na cidade grande, é recebida por uma agente aparentemente solícita e carinhosa, que a introduz no meio das mega-modelos e está instalado o salve-se quem puder.

Foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e causou polêmica. Claro, tem uma pegada grotesca – mas, se você pensar metaforicamente (faça esse esforço, se conseguir), grotesca é a ditadura da estética que reina por aí.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nicolas Winding Refn ELENCO: Elle Fanning, Christina Hendricks, Keanu Reeves | 2016 (118 min)

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A COMUNIDADE – Kollektivet (The Commune)
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Dinamarca - 02/09/2016

Por Suzana Vidigal

A áurea do cinema escandinavo é diferente. Tem um entorno realista, sem firulas; é naturalista, sem truques. Diferente do que dizia o movimento Dogma 95, fundado pelos diretores Thomas Vinterberg (também de A Caça) e Lars Von Trier, A Comunidade migra para os anos 1970, quando viver em repúblicas era cool, a solução para a monotonia das relações. O movimento dizia que os filmes deveriam ser feitos no tempo presente, para ser o mais fiel possível às questões vividas no presente. Assistindo ao novo longa do diretor, confesso que isso não faz a menor diferença. Trine Dyrholm vai provocar tanta identificação com o público feminino, que é como se fosse real mesmo.

Trine foi a melhor atriz em Berlim e está também em Em Um Mundo Melhor, da talentosíssima diretora dinamarquesa Susanne Bier (também de Depois do Casamento). O que acontece sua personagem Anna é a velha discussão da linha tênue que separa o público do privado.  Anna e Erik (Ulrich Thomsen, também em Em Um Mundo Melhor, Festa de Família) são casados, têm uma filha adolescente e herdam uma casa grande. Anna se diz entediada, quer novos ares, novas pessoas por perto. Sugere que morem na casa e convidem amigos e conhecidos para viverem junto e dividirem as contas e o espaço. Que convivam com pessoas estimulantes. Logicamente a vida íntima acaba sendo partilhada (senão invadida) também. Erik tem receio de que morar em um lugar grande não seja propício para sentir, ver e escutar o outro; Anna diz que quem mora em lugar pequeno, fica com a mente restrita. Entra o público e efêmero, sai o privado e íntimo. O casal se distancia, Erik encontra outra mulher mais jovem e Anna passa a andar nessa linha tênue tentando conciliar seus sentimentos com a realidade exterior, como uma corda bamba.

Duro, cruel e muito realista, A Comunidade discute a utopia da vida partilhada e da mente aberta versus o sentimento de perda, de troca, de vazio que fica por ter escancarado demais o que é, por definição, privado. Extremamente tocante observar Anna e Emma (Helene Reingaard Neumann) na pele, no olhar, no histórico. Feminino e intenso. Filme que ressoa dentro da gente por dias.

 

DIREÇÃO: Thomas Vinterberg ROTEIRO: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm ELENCO: Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, Fares Fares, Julie Agnete Vang, Helene Reingaard Neumann | 2016 (111 min)

 

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O QUE TEM DE BOM NO CINEMA ESCANDINAVO
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Rever, Noruega, Lista, Dinamarca - 24/08/2016

Cinema escandinavo está cada vez mais em alta! Aqui vai uma lista com dicas boas, intensas e preciosas. Escolha pelo estado de espírito, porque não são filmes suaves. São dramas fortes, focados no relacionamento humano. Para ler sobre cada um dos filmes, é só clicar no seu nome.

Dos cineastas citados, adoro o trabalho de Susanne Bier – todos imperdíveis (foto acima: Depois do Casamento). Sobre Lars Von Trier e Thomas Vinterberg, vale dizer que são parceiros num projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme teria que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deveria ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir.

 

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TRISTEZA E ALEGRIA – Sorrow and Joy
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Dinamarca - 16/09/2015

Este filme passou na Mostra do ano passado e, portanto, escrevi este texto naquela ocasião.


 

Ainda extremamente emocionada por Tristeza e Alegria, fui conversar com o diretor dinamarquês Nils Malmros, que está em São Paulo especialmente para a Mostra Internacional de Cinema. Ele tinha avisado, um pouco antes de começar o filme, que suas produções sempre falam de sua vida. Mas não fiz uma leitura literal. Achei que o que eu acabara de assistir era uma ficção, inspirada em alguns fatos reais, talvez. Não poderia ser verdade.

Quando me dei conta de que era uma história real, perguntei a ele se deveria alertar meus leitores para esse fato – ou se deveria guardar a surpresa. Aquele amável senhor me olhou nos olhos e disse: “Absolutely!”. Então, pasmem: Tristeza e Alegria é a história vivida pelo próprio diretor. “Você tem que avisar porque há fatos tão inacreditáveis que as pessoas acham que é ficção”, explica. “Eu só alterei os nomes porque não se trata de um documentário, mas aquele que você viu na tela sou eu e aquela é a minha mulher com quem estou casado, e feliz, há 30 anos.”

Portanto, dito isso, não estou estragando prazer nenhum. E ele tem razão. Apesar de eu ter o costume de não buscar muitas informações sobre o que assisto – para que meus olhos sejam mais isentos e que a emoção chegue mais genuína (seja ela qual for), ele tem razão quando diz que parece ficção. Johannes é um cineasta, casa-se Signe, uma professora emocionalmente instável, e uma tragédia muda suas vidas para sempre. Mas ao invés de se chamar somente Tristeza, o filme também inclui a Alegria – e aqui é que entra o inacreditável. “Como foi possível perdoar desta maneira”, perguntei a ele. “Não se trata de perdão, trata-se de amor, um amor verdadeiro que é capaz de se reinventar.” E ainda me disse, de novo me olhando firme: “Eu avisei que o filme não era fácil e eu só consegui reviver essa história 20 anos depois.”

Tristeza e Alegria briga pela vaga na seleta lista de filmes indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro, junto com o argentino Relatos Selvagens, o sueco Força Maior e o brasileiro Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. É espetacular. E inacreditável. Mais inacreditável ainda foi ouvir Malmros me dar o seu depoimento. É o tipo de história que só é possível – embora tenha seu fator surreal fortíssimo – em uma sociedade civilizada como a dinamarquesa – quem me lembrou disso foi ele também nesse bate papo na sala do cinema. Assista ao filme e você entenderá o que eu estou dizendo. Essa surpresa eu não vou revelar!

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nils Malmros ELENCO: Jakob Cedergren, Helle Fagralid, Ida Dwinger | 2013 (107 min)

 

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SEGUNDA CHANCE – En Chance Til
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Dinamarca - 08/06/2015

Já não é de hoje que venho chamando a atenção para o cinema escandinavo, com destaque para o dinamarquês. Assim como o cinema argentino tem uma maneira toda particular de fazer recortes no estilo “comédia da vida privada”, os filmes dinamarqueses têm o dom, também todo particular, de retratar os “dramas da vida privada”. Ninguém mais faz isso como eles.

Fechando mais o foco, o nome que vêm à tona e brilha de forma singular é o de Susanne Bier. Também responsável pelo lindo Depois do Casamento, pelo impactante e inesquecível Em Um Mundo Melhor, que arrebatou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011, agora reina absoluta com Segunda Chance.
Ninguém sai ileso deste filme – o que é uma das características do cinema da Escandinávia. Ele vem numa linguagem simples, parece uma fotografia da realidade, os personagens parecem ser pessoas reais, num ambiente factível, num drama vivido por qualquer um de nós. É o inverso do pode-tudo de Hollywood. Não tem truque de luz ou de câmera, nem de maquiagem. Entrar na história e se sentir parte dela é algo que acontece naturalmente. Bier constrói o enredo com mais gestos e olhares do que com palavras; esmiúça os personagens com mais contextualização do que com explicações. Traz pra perto das mazelas humanas, por isso é tão profundo.
O drama aqui diz respeito a um lindo casal que sonhava em ter um filho; mas também diz respeito a um casal problemático que teve um filho por descuido e irresponsabilidade. Suas vidas se cruzam e as questões e aflições mais íntimas transbordam para a tela e vão atingir você em cheio. Quem não quiser um mergulho profundo, melhor não ver. Segunda Chance ficou ecoando na minha cabeça – e no meu coração de mãe – cada vez que as imagens vinham à tona. Susanne Bier arrasa mais uma vez.
Pra quem gosta do gênero, o Cine Garimpo tem uma lista de filmes escandinavos pra você mergulhar naqueles mares gelados e conturbados das relações humanas.

 

DIREÇÃO: Susanne Bier ROTEIRO: Anders Thomas Jensen ELENCO: Nikolaj Coster-Waldau, Ulrich Thomsen, Nikolaj Lie Kass | 2014 (102 min)

 

 

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A CAÇA – The Hunt
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Dinamarca - 03/10/2013

Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier em um projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir. Dele também são Submarino e Festa de Família. Os dois são de enlouquecer.

Deve ser porque retratam os dramas humanos, seus e meus, como ele realmente são. Intensos, cruéis, traiçoeiros, surpreendentes. A Caça, exibido na 36a Mostra Internacional de Cinema, lida com isso, com mazelas – das mais humanas. A injustiça, o julgamento, a traição. Lucas (Mads Mikkelsen, vencedor de melhor ator em Cannes por este filme e também em Depois do Casamento, Coco Chanel & Igor Stravinsky, O Amante da Rainha) é professor da educação infantil. Acaba de se divorciar e está em plena delicada negociação com a ex-mulher a respeito da guarda do filho adolescente. O ambiente é amigável, uma pequena cidade dinamarquesa em que todos se conhecem. Mas de repente que surge um boato e a vida de Lucas vira do avesso. Suas conduta é questionada, suas relações mais íntimas e duradouras são colocadas em dúvida. Verdade ou mentira (tire suas próprias conclusões), fato é que Vinterberg traz à tona e faz questão de ressaltar a capacidade humana do pré-julgamento e todo o perigo que vem junto com ele.

De uma intensidade ímpar, de uma profundidade cortante. Por ser real. Tem muito do cinema conterrâneo de Susanne Bier, como seu Em Um Mundo Melhor e Depois do Casamento. E de uma angústia que fica e que seguiu comigo até depois que o filme terminou, pensando sobre a proporção que o ressentimento ocupa dentro das pessoas. E do que isso é capaz. Não deixe de ver, ainda mais no mundo de hoje em que as manipulações são constantes, e o bullying cada vez mais frequente. Fala-se muito nesse tipo de intimidação física e emocional com crianças e adolescentes, mas nos esquecemos da intensidade com que é feito no ambiente adulto. É imperdível.

 

DIREÇÃO: Thomas Vinterberg  ROTEIRO: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm ELENCO: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing, Lars Ranthe, Alexandra Rapaport, Ole Dupont | 2012  (115 min)

 

 

 

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O AMANTE DE RAINHA – A Royal Affair
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Drama, Dinamarca - 05/02/2013

DIREÇÃO: Nicolaj Arcel

amante da rainha

ROTEIRO: Bodil Sttensen-Leth

ELENCO: Alicia Vikander, Mads Mikkelsen, Mikel Boe Folsgaard

Dinamarca, 2012 (137 min)

Mads Mikkelsen é a referência nas telas quando se fala de cinema dinamarquês. A primeira vez que vi o ator foi em Depois do Casamento, da diretora Suzanne Bier. Tem um olhar misterioso e sério, próprio de personagens que nos causam dúvida, intrigantes. Ponto pra ele.

Só depois assisti a Coco Chanel & Victor Stravinsky, em que sua presença já não me  chamou tanta atenção, parece ainda imaturo na tela. Acho que Mikkelsen se destaca em personagens mais controversos e capciosos, como em A Caça, que foi exibido na Mostra de SP e é espetacular.

Em O Amante da Rainha, Mikkelsen está brilhante e ofusca qualquer atuação sem sal da princesa da Grã-Bretanha, Caroline Mathilde (Alicia Vikander), que se casa com Christian VII (Mikkel Boe Folsgaard), rei da Dinamarca. Isso acontece em 1766, quando o pensamento Iluminista está borbulhando na Europa e o poder da realeza sendo questionado.

Famoso por ser um sujeito esquisito, cheio de manias, boêmio e promíscuo, e por ter um comportamento alheio às questões políticas, sociais e econômicas do país, Christian também é alheio à esposa, que se entedia e acaba se apaixonando pelo médico alemão Johann Struensee (Mikkelsen). Struensee é escolhido para ser o médico particular do rei, depois o oficial da corte. Entra na intimidade do palácio, passa a aconselhar o rei em todas as esferas, inclusive política e pessoal. No que diz respeito ao país, dita as regras inspiradas no Iluminismo que está virando a Europa de cabeça para baixo; na seara pessoal, invade os aposentos da rainha.

Caroline Mathilde não só tem que enfrentar  a saia justa perante a corte dinamarquesa no século XVII, mas também o exílio na Alemanha. O filme é o concorrente dinamarquês ao Oscar de melhor filme estrangeiro, disputando a estatueta com o francês Amor. Além de esteticamente lindo, o filme mostra um interessante momento histórico e os bastidores do romance proibido. Um prato cheio para quem gosta de romance de época.

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SUBMARINO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, Dinamarca - 27/01/2013

dinamarca submarinoDIREÇÃO: Thomas Vinterberg

ROTEIRO: Tobias Lindholm

ELENCO: Jokob Cedergren, Peter Plaugborg, Patricia Schumann, Morten Rose, Gustav Fischer Kjaerulff

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Dinamarca, 2011

 

Antes de mergulhar nas profundezas de Submarino, é preciso dizer que quem dirige é Thomas Vinterberg. Aquele diretor dinamarquês responsável por filmes fortes, marcantes, dilacerantes como Festa de Família (em DVD) e A Caça (que passou na Mostra de Cinema de SP em 2012). Tem a mesma carga dramática das produções da conterrânea Susanne Bier em Depois do Casamento e Em Um Mundo Melhor, mas com aquela cara de realidade nua e crua, símbolo do manifesto Dogma 95, do qual é co-autor, ao lado do também diretor Lars Von Trier. Portanto, um cinema duro, sem fantasia ou maquiagem, a vida como ela é. Gosto disso, embora saia sempre do cinema com a sensação de peso e reflexão tão reais quanto aqueles que a vida normalmente nos impõe e só por vezes propõe.

Vamos ao mergulho fundo e sombrio. As primeiras cenas já são de arrepiar. Dois irmãos têm de tomar conta do bebê caçula, enquanto sua mãe se droga e embriaga pelas ruas. Somos logo transportados para a vida adulta dos irmãos, que é repleta pelo vazio, pela falta de sentido e objetivo, pelo descontrole. Errantes pelo mundo, só colocando em prática o isolamento, a carência, o desamor em que foram criados. Não há cenas de conforto, nem a menor pretensão por parte do diretor de dourar a pílula, de construir heróis. A vida é dura e pertence a pessoas comuns. A solidão é infinita.

Assista a Submarino se estiver naqueles dias em que uma reflexão sobre comportamento, educação, valores vai cair bem, assim como um bom bate papo com alguém bacana sobre o assunto. Se o clima estiver mais pra baixo, nebuloso e tristonho, melhor deixar para outro dia. Submarino mergulha lá no fundo da alma humana, onde ela praticamente se perde pelo caminho e esquece de deixar a guia para conseguir voltar à superfície. De tão real, é capaz de te levar também para as profundezas e impedir que você aprecie a beleza do filme. Apesar de ser tão cruel.

 

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COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO – Things We Lost in the Fire
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Dinamarca - 25/12/2012

DIREÇÃO: Susanne Biercoisas que perdemos pelo caminho

ROTEIRO: Allan Loeb

ELENCO: Halle Berry, Benicio Del Toro, Alison Lohman, David Duchivny, Alexis Llewellyn

1 icone_DVDDinamarca, 2007 (118 min)

Um incêndio queima lembranças da família, fotos, objetos que não podem ser recuperados. São essas coisas que ficam pelo caminho, como diz a tradução do título original. Quando marcos da lembrança afetiva são destruídos, o vazio se instala. Na família, a tragédia pega todos de surpresa e é preciso resgatar o passado através do mais improvável elemento.

Não vou entrar em detalhes. Assisti a este filmes em saber o que aconteceria e recomendo que você faça o mesmo. Aliás, aproveito para dizer: já que muitos comentários publicados na imprensa eletrônica e impressa vão logo contanto detalhes do roteiro, simplesmente não leio. Procuro me informar sobre o diretor, atores, mas não sobre a história. O elemento surpresa é fundamental para o envolvimento com o filme. Por isso, digo só que Audrey (Halle Berry) perde sua referência em uma tragédia e vai buscar o resgate da razão de vida e das lembranças passadas no personagem de Benício del Toro, que não era exatamente uma pessoa próxima em sua vida.

Também são da diretora dinamarquesa Susanne Bier Em Um Mundo Melhor (Oscar de melhor filme estrangeiro em ) e Depois do Casamento. Coisas que Deixamos Pelo Caminho não é tão forte quando esses outros dois, nem tão instigante. Mas é um relato interessante sobre as voltas que a vida dá, sobre o exercício da aceitação do antes inaceitável, sobre a necessidade de acomodação diante de uma nova realidade.

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FESTA DE FAMILIA – The Celebration
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Dinamarca - 12/11/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Thomas Vinterberg

ELENCO: Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen

Dinamarca, 1998 (105 min)

Depois de A Caça, exibido na 36a Mostra Internacional de Cinema de SP, fui atrás da  filmografia do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg. É dele a autoria do movimento Dogma 95, juntamente com Lars Von Trier (diretor de Melancolia, Anticristo), que estipularam um padrão para a produção cinematográfica (veja abaixo). Festa de Família se encaixa perfeitamente, porque mais parecem cenas reais do que cinema. Uma câmera na mão oscila de acordo com o movimento dos personagens, sem estabilidade, assim como os membros dessa família destroçada, que se reúnem só fisicamente, porque está bem longe de ter uma união, seja ela qual for.

Na comemoração de 60 anos do patriarca da família, todos se juntam para comemorar. Helge (Henning Moritzen, também em Tudo Ficará Bem) representa a família feliz, bem sucedida. Mas não é o que parece ser quando Christian (Ulrich Thomsen, também em Em Um Mundo Melhor) resolve fazer um discurso em “homenagem” ao pai. As mágoas antigas, as questões não resolvidas vêm à tona e tornam a festa uma verdadeira lavagem de roupa suja, com um realismo impressionante.

Tem que gostar desse tipo de filme que revira as entranhas. É forte, tem uma tensão no ar constante, causa estranheza na sua estética pelo naturalismo, som natural, falta de truques fotográficos e tudo mais que faz maquiagem do cinema. Festa em Família é uma bela amostra dessa visão cinematográfica mais purista, eu diria. E humana, naquilo que há de mais difícil, que são os relacionamentos familiares.

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DOGMA 95: Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier no projeto Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. O avesso de Hollywood.

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