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China

AS MONTANHAS SE SEPARAM – Mountains May Depart
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, China - 13/07/2016

Falou em transformação na China, o nome referência é Zhangke Jia. É dele o filme Em Busca da Vida, que conta a história da hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo, e de como a população da região foi profundamente afetada. Também é dele o documentário Memórias de Xangai, sobre modernidade e tradição. E suas contradições. Sem ser óbvio, entrelaçando progresso e relacionamentos, expectativas e realidades de quem vive a transformação da era digital, o diretor faz sempre um recorte preciso – na pintura dos ganhos e perdas da China atual.

Ao som de Go West, da banda Pet Shop Boys, o filme sai do óbvio da trajetória da vida. Repleto de transformações – aliás, pautado por elas em três épocas diferentes – As Montanhas Se Separam vai mostrando o que aconteceu com o país gigante, que é o fiel da balança da economia mundial e que, culturalmente, já é um caldeirão de expectativas. A protagonista é Shen Tao, uma moça linda que tem que escolher entre dois pretendentes na virada do milênio, opta pelo mais promissor, tem uma vida cheia de vazios emocionais, é privada do convívio com o filho, mas incorpora, na sua trajetória, as transformações por que passa o país. Sofre, mas opta pela poesia e pela aceitação da vida com ela é.

Pela primeira e últimas cenas, a poesia já é uma só e o filme forma um todo. De 1999 a 2025, a vida de Shen Tao tem mais desencontros do que encontros – sem que isso precise minar sua alegria de viver.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Zhangke Jia ELENCO: Tao Zhao, Yi Zhang, Jing Dong Liang | 2015 (131 min)

 

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O CICLO DA VIDA – Fei Yue Lao Yuan
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, China - 31/07/2015

Filmes assim são inspiradores. Quando tudo parece perdido, um único – e simples – gesto reacende a esperança. E me pega desprevenida, me deixando sem graça com a minha repentina desesperança. Quem tem tempo, tem sempre uma maneira de seguir em frente. Os protagonistas de O Ciclo da Vida não têm esse trunfo, mas encontram na arte, na amizade e na solidariedade uma forma de seguir vivendo. Nem que seja para viver o último desejo.

Filmes assim emocionam, pelo poder genuíno que tem a experiência de vida. Numa casa de repouso, seus hóspedes são todos idosos, uns mais outros menos, alguns doentes, outros ainda não, alguns ranzinzas e outros bem dispostos, alegres e criativos. Reinventam a terceira idade, superam as tristezas do abandono familiar, resgatam a esperança do outro com o viés poderoso da amizade e fazem arte – que sempre é um caminho para a reconciliação com o tempo e consigo mesmo. Montam uma apresentação de teatro, basicamente uma pantomima, e estão determinados a inscrever-se num concurso de talentos.

Há outros bons filmes também inspiradores sobre essa terceira fase da vida. Vou montar uma lista de recomendações aqui no blog, porque todos chegaremos lá ou já enfrentamos essa realidade com pessoas queridas. O Ciclo da Vida tem um road movie embutido, por sinal bem simbólico: os velhinhos fogem para o concurso num ônibus, libertam-se dos medos alheios e das convenções, como tem que acontecer em cada um dos outros ciclos da vida. A diferença é que este ciclo é aquele vivido com mais maturidade, experiência, porém menos tempo. Por isso cada minuto é valorizado ao extremo. Não há tempo a perder. Mas ainda há tempo pra viver.

 

DIREÇÃO: Zhang Yang ELENCO: Huanshan Xu, Tian-Ming Wu, Bin Li, Yan Bingyan | 2012 (105 min)

 

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AMOR À FLOR DA PELE – In The Mood for Love
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Drama, China - 29/09/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Kar Wai Wong ELENCO: Tony Leung Chiu, Maggie Cheung, Ping Lam Siu | 2000 (98 min)

In the mood for love. Adoro a versão inglesa do título. Amar depende realmente do estado de espírito. Tem que estar a fim. Os personagens do filme do diretor Kar Wai Wong, também do belo Um Beijo Roubado, estão dispostos a amar. Inicialmente, não se trata de trair, ter um caso. Estão dispostos a amar seus escolhidos, marido e mulher. Mas o andar da carruagem faz com que extravasem esse amor de outra maneira. Ele precisava ser canalizado e dizer a que veio. Só lhes sobrou a via mais difícil.

Ambientada em Hong Kong em 1962, Amor à Flor da Pele fala sobre dois casais, que alugam quartos em um prédio onde moram várias famílias juntas. A esposa de Chow Mo-Wan sempre tem que fazer hora extra, passa a maior parte do tempo fora de casa; o marido de Li-zhen passa a maior parte do tempo em longas viagens ao exterior. Sem companhia, Chow e Li-zhen se tornam amigos e começam a desconfiar que seus companheiros estão tendo um caso.

Sem entrar muito em detalhes, a beleza de Amor à Flor da Pele está na estética do filme. Diferenciada, estilizada, com personalidade. Mas também está na maneira com que os protagonistas veem esse amor. Não se igualam aos seus companheiros, que optaram pela traição. Tentam, às duras penas, encontrar uma saída. Sem descer no fundo do poço. Intenso, marcante, lindamente pensado. Adoro o ritmo, as tomadas de câmera, a maneira com que o contexto histórico de Hong Kong naquela época influencia o destino dos personagens. Para ver bem acompanhado, certamente.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Kar Wai Wong ELENCO: Tony Leung Chiu, Maggie Cheung, Ping Lam Siu | 2000 (98 min)

 

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UM BEIJO ROUBADO – My Blueberry Nights
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para Pensar, França, Drama, China - 15/07/2012

DIREÇÃO: Wong Kar Wai

ROTEIRO: Wong Kar Wai e Lawrence Block

ELENCO: Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman, David Strathairn, Cat Power, Frankie Faison

China, França, 2007 (111 min)

Não se deixe enganar pelo elenco hollywoodiano. Um Beijo Roubado não tem nada a ver com uma comédia romântica típica. Nada mesmo. E não é para menos, trata-se de um filme franco-chinês. A áurea é de cinema cult, de filme de autor. E mesmo que você não tenha o repertório anterior do diretor chinês Wong Kar Wai, como 2046 – Os Segredos do Amor e Amor à Flor da Pele, vá em frente, porque eu também não assisti ainda. Um Beijo Roubado tem uma boa história, um foco diferenciado, um bom elenco e uma ótima trilha sonora. Sai do lugar comum, por assim dizer. Só isso já é um bom motivo.

A começar pela protagonista, a cantora Norah Jones, que faz aqui sua estreia como atriz. É dela a canção The Story, que embala seu personagem Elizabeth na busca pelo amor e pela pessoa que ela quer ser. Explico: Elizabeth mora em Nova York, é abandonada pelo namorado e vai até o bar em frente para deixar ali a chave do apartamento. Caso o namorado passe por lá, o dono do bar, Jeremias (Jude Law, também em Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras, Contágio, A Invenção de Hugo Cabret, Closer – Perto Demais), poderia lhe devolver as chaves. Além das cores, do néon sempre marcante, das tomadas em câmera lenta de alguns pequenos detalhes, aqui já notamos que não se trata de uma história trivial. Jeremias tem um pote com várias chaves, de pessoas que passaram por lá e deixaram as chaves de casa para outra pessoa pegar. Chaves que contêm histórias de vida, como se alguém pudesse abrir sua porta interior e resolver as questões mais íntimas. Cansada de ser ela mesma e de se sentar no balcão do bar para comer torta de mirtilo (daí o título original ser My Blueberry Nights, referindo-se à blueberry pie), ela parte pelos Estados Unidos à procura de um outro eu.

Um road movie se instala. Ela percorre o país trabalhando como garçonete em bares, cassinos e lanchonetes, onde se depara com figuras intensas e marcantes, que também sofrem por serem amadas demais ou de menos, também incorrigíveis, representadas pela bela Rachel Weisz (também em O Jardineiro Fiel, A Informante) e pela jogadora Natalie Portman (Cisne Negro, Closer – Perto Demais, Nova York Eu Te Amo, Sexo Sem Compromisso). São elas que moldam a nova Elizabeth e suas noites regadas à torta de mirtilo.

Assista ao trailer, é bacana. Ele dá uma pequena amostra do que é esse clima cult de que estou falando.

 

 

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MEMÓRIAS DE XANGAI – I Wish I Knew
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Documentário, China - 12/07/2012

Cosmopolita e milenar, o novo e o antigo. Como retratar a tradição e a modernidade em um filme sem ser professoral e didático demais, caindo naqueles documentários informativos, histórico? Afinal de contas, Xangai é aquela cidade portuária chinesa, que serviu de porta de saída para a grande migração que ocorreu após a derrota dos nacionalistas chineses pelos comunistas de Mao em 1949. A maneira encontrada pelo diretor Jia Zhang-Ke mistura ficção e realidade, num equilíbrio interessante e rico que só a vivência é capaz de trazer.

Apesar de um pouco longo demais, e portanto cansativo em alguns depoimentos, Memórias de Xangai recolhe o testemunho de 18 pessoas de origens, idades e trajetórias diferentes, que viveram parte da história da cidade, que se confunde com suas histórias particulares e com a da própria China. Por sua posição estratégica, Xangai foi o porto por onde saíram milhares de chineses fugindo dos comunistas, tanto para Hong Kong como para Taiwan. Dessas pessoas também os depoimentos são ricos, passando pelos traumas da repressão ferrenha, dos assassinatos, das injustas acusações de traição ao partido, das perseguições. Tudo isso é intercalado pela introdução de cenas do cinema produzido na China durante o século 20, registrando as diversas etapas vividas pela cidade e pela sétima arte em si.

Permeando o passado, um atriz percorre o grande canteiro de obras que é a cidade, seus trabalhadores, sua multidão de bicicletas. Quase que como um fantasma, sem ser notada, com certa poesia apática. Parece o olhar observador do próprio diretor, na dificuldade de se inserir e principalmente de se identificar com um lugar que já deixou para trás grande parte da sua tradição e que assumiu, nas últimas décadas, a condição de cidade do mundo, moderna, contemporânea, comercial, cosmopolita. Um documentário que registra uma bonita leitura de uma cidade e de um povo com tantas facetas.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Zhangke Jia ELENCO: Yindi Cao, Hsin-i Chang, Dan-qing Chen | 2010 (125 min)

 

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FLOR DA NEVE E O LEQUE SECRETO – Snow Flower and the Secret Fan
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, China - 03/07/2012

DIREÇÃO: Wayne Wang

ROTEIRO: Angela Workman, Ronald Bass

ELENCO: Bingbing Li, Gianna Jun, Vivian Wu, Hugh Jackman

China, 2011 (104 min)

Falávamos outro dia, porque me lembrei do ótimo livro Cisnes Selvagens, das mulheres chinesas do século 19, que tinham seus pés enfaixados e atrofiados quando crianças, como símbolo de berço de família, tradição e promessa de bom casamento. Flor da Neve e o Leque Secreto aborda esse tema, voltando ao passado nas personagens de Nina e Sophia, duas amigas inseparáveis, irmãs de coração (ou laotong), que acabam tendo que enfrentar as diferenças de classe social e de vida que a escolha adulta lhes impôs. Mas faz um paralelo com a atualidade, com duas amigas (interpretadas pelas mesmas atrizes), que vivem em Xangai e se separam pelas diferenças de performance, profissão e escolhas de vida.

Aqui é que o filme peca e se torna um dramalhão raso. Lembrei agora da sensação que tive ao assistir W.E. – O Romance do Século, em que o passado vai bem, mas intercalar com o presente deixa a história truncada e um tanto quando forçada. Este filme chinês teria enredo para ser um bonito romance de época, com todo o colorido, a tradição e a curiosidade que a cultura chinesa desperta – tem, de fato, uma fotografia muito bonita, um jogo de luz e sombra interessante. Em flashback, o diretor Wayne Wang, também do ótimo Mil Anos de Orações, conta a trajetória de Lírio e Flor da Neve, duas moças fadadas ao casamento forçado no século 19, e de sua descendente Sophia nos dias de hoje, que tem uma amizade mal resolvida com Nina. O problema é que derrapa na atual história insossa dessas duas amigas que são íntimas na adolescência e que voltam a se procurar depois de um acidente – que também parece algo desconectado do todo. A comunicação entre passado e presente é feita através do tal “leque secreto” – daí o título do filme.

Flor da Neve e o Leque Secreto ficou pouco tempo em cartaz. Pudera. Não é filme que prenda o espectador no cinema – também não vale seu ingresso. No DVD, para quem quer algo água-com-açúcar e não se incomoda com buracos no roteiro, pode até agradar. Eu confesso que esperava uma produção mais delicada, sutil. Encontrei um novelão – o trailer mostra bem a escolha do diretor por frases de efeito e sentimentalismo demais.

 

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SEPARADOS PELO DESTINO – Aftershock
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, China - 21/09/2011

DIREÇÃO: Xiaogang Feng

ROTEIRO: Wu Si, Ling Zhang

ELENCO: Jingchu Zhang, Chen Li, Daoming Chen, Fan Xu

China, 2010 (135 min)

Separados pelo Destino foi dica de uma leitora do Cine Garimpo. Com olhar para as relações humanas, suas complexidades e incoerências, o filme coloca o núcleo familiar acima de tudo –  acima das separações, das mágoas e dos rancores.

Inspirado em fatos reais, não pude deixar de me lembrar de uma situação semelhante no tsunami asiático, quando uma mãe se viu na dramática situação de poder salvar só um dos filhos das ondas gigantes – lembro de esse fato ter aparecido na mídia na época. Se tentasse salvar os dois, todos se afogariam. É uma ‘escolha de Sofia’ dos nossos tempos, das tragédias ditas naturais. O que não é natural é preterir um filho ao outro, mas acaba sendo a única escolha para salvar um deles. Em Separados pelo Destino, a mãe chinesa tem que escolher qual dos filhos gêmeos vai tirar debaixo dos escombros do terremoto avassalador que destrói Tangshan em 1976 e mata seu marido. A história se desenrola a partir dessa escolha e vamos acompanhando a vida das famílias até 2008, quando um terremoto destrói outra cidade chinesa.

Além de todos o drama da perda, das mortes – são mais de 240 mil – da reconstrução das vidas, vemos aqui um interessante retrato da cultura chinesa, do papel dos pais, da importância fundamental da família e suas distorções nas obrigações, das mudanças na sociedade chinesa nos dias de hoje. Diante de tantas tragédias como terremotos, tsunamis, tornados e enchentes (tão familiares por aqui), não tem como não se sensibilizar com a história e transportá-la para nossa realidade. Apesar de algumas falhas no roteiro como a supressão do reencontro entre os irmãos, fiquei pensando se isso não teria sido uma opção do diretor para não cair no melodrama, que acaba sendo inevitável diante do assunto.

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MONTANHA CEGA – Mang Shan
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, China - 02/05/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Yang Li

ELENCO: Huang Lu

China, 2007 (95 min)

“Morrer é fácil, difícil é viver.” – frase dita por uma garota, também vendida para ser esposa da ignorância

Só a atriz Huang Lu aparece na lista dos créditos do IMDb, The Internet Movie Database – o banco de dados de cinema que dá toda e qualquer informação sobre o tema. Pelo que pesquisei, os outros personagens são moradores da região montanhosa do norte da China, onde a história se passa. Quando percebi isso, fez sentido. O filme é uma pequena e real amostra das atrocidades humanitárias a que as mulheres são submetidas na China de proporções continentais e portanto bem longe dos olhos e do alcance de qualquer um que se preocupe com os direitos humanos.

Bai Xuemei é uma garota formada na faculdade. Como tem dificuldade de encontrar emprego, aceita trabalhar em um pequeno vilarejo, que supostamente fabrica medicamentos para uma grande indústria. Tudo mentira. Ludibriada, ela é vendida a uma família, para que seja esposa de um homem bem mais velho. Tem o mesmo destino de muitas mulheres chinesas: é aprisionada, sujeita aos maus tratos da família, a quem deve obediência e servidão e, principalmente, um filho homem. Montanha Cega mostra a realidade das mulheres numa sociedade absolutamente machista e primitiva, em que os bebês do sexo feminino são muitas vezes mortos; quando sobrevivem, as mulheres são renegadas e vendidas como esposas a outras famílias.

A atriz Huang Lu consegue transmitir com muita força o seu desespero, e mostra que realmente enlouquece nessa sociedade corrupta, em que todos são cúmplices, egoístas e cegos. Um horror, que se junta a tantas outras humilhações por que passam as mulheres em sociedades atrasadas e hipócritas. Em uma situação dessas, realmente o caminho mais díficil é continuar vivo. E são.

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EM BUSCA DA VIDA – Sanxia Haoren
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Drama, China - 19/09/2010

A Hidrelétrica de Três Gargantas é a maior do mundo, no rio Yang-Tsé, o maior da China. A obra durou 12 anos e tem a função de prevenir enchentes,  fornecer energia e facilitar o transporte fluvial de pessoas e mercadorias. Portanto, está intimamente ligada com o desenvolvimento social e econômico chinês. É tão emblemático quanto majestoso – um divisor de águas entre a China agrícola e rural e a industrial e global.

Em Busa da Vida mostra essa faceta interessante do que resta dos vilarejos alagados com a formação da represa, o que resta das famílias, o que resta das profissões. Quem antes vivia nas aldeias às margens do rio Yang-Tsé, plantava e vivia a cultura chinesa da área rural; com a instalação da usina, cria-se um exército de demolidores – trabalhadores contratados para demolir o que vai sumir debaixo das águas quando o nível do rio subir.

Parece ficção para construir a realidade dessa região. Mas a desconstrução dos vilarejos para a construção de uma obra dessa magnitude mostra a descontrução de muitas famílias e de muitas vidas. Um dos protagonistas do filme vai atrás da filha, que já não mora na aldeia alagada há anos; a outra, vai à procura do marido, que saiu e nunca mais voltou. E uma procura pela identidade das pessoas nessa nova sociedade que nasce sem pedir passagem. Salve-se quem puder.

 

DIREÇÃO: Zhangke Jia ROTEIRO: Zhangke Jia, Guan Na, Jiamin Sun ELENCO: Han Sanming, Zhao Tao, Li Zhubin, Wang Wei Hong |  2006 (107 min)

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DESEJO E PERIGO – Lust, Caution (Se, Jie)
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, China - 06/01/2010

DIREÇÃO: Ang Lee

ROTEIRO: Hui-Ling Wang, James Scha1 icone_DVDmus

ELENCO: Tony Leung Chiu Wai, Wei Tang, Joan Chen, Lee-Hom Wang, Chung Hua Tou

LOCAL, ANO: China, Estados Unidos, 2007 (157 min)

Leão de Ouro em Veneza em 2007

desejo e perigo

Desejo e Perigo é um filme belíssimo. Para começo de conversa, quero dizer que a qualidade plástica e a fotografia, aliadas à construção de uma época, são impecáveis e já valem o programa. A Xangai dos anos 40 é mostrada com todos os detalhes, não só a cenografia, mas também os costumes, a política, a tradição.
 
Outro ponto muito interessante é o clima de perigo iminente, de tensão, de traição e suspense – belo trabalho do diretor Ang Lee, também de O Segredo de Brokeback Montain e O Tigre e o Dragão. É como se a angústia da emboscada estivesse presente o tempo todo – assim como deve ter sido naquela época e em tantas outras. Nem as cenas de sexo escapam do clima de alerta – achei, inclusive, que por isso foram feitas de maneira tão realista, iluminadas, sem qualquer censura, sombra ou maquiagem no cenário. Dramaticidade intensa, como se os atores estivesse no limite entre entregar-se e detonar-se, como se do ato dependesse a vida.
 
Vale lembrar que o enredo também é muito bom. Descobri nas pesquisas que o diretor adaptou essa história de um livro escrito por Eileen Chang, uma das escritoras chinesas mais conhecidas do oriente. E inclusive que a história seria autobiográfica. Ambientada na China sob domínio japonês na Segunda Guerra, o filme conta como um grupo de jovens universitários se envolve com o movimento de resistência e planeja assassinar um figurão chinês que colabora com o governo do Japão. Se contar mais, estraga. Mas não estraga pedir que reparem nas cenas detalhadamente construídas, nas mulheres jogando majong, na Xangai tumultuada, na privação da população, na crueldade da intolerância do regime, na desconfiança de tudo e de todos. Só senti que ela sai de cena para dar lugar aos humanos, enquanto seres que se importam uns com os outros, no instante em que Wang (Wei Tang) canta para Mr. Yee (Tony Leung Chiu Wai) no restaurante japonês. E para isso bastou um olhar. Não é qualquer um que consegue essa proeza. 
 
 
 
 
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