cinegarimpo

Chile

GLORIA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Chile - 30/01/2014

Depois de dez minutos de filme, vários outros me vieram à cabeça. Logo de cara dá pra perceber que Gloria não é só a protagonista, mas é a história propriamente dita. Assim como ela, outras tantas mulheres maduras, imagino que na casa dos 50 e 60 anos, sentiram vontade – e necessidade – de se reinventar, de encontrar um companheiro, de renovar o casamento e de viver a própria vida. Lembrei do recente (e lindo) francês Os Belos Dias e do inesquecível inglês Shirley Valentine. Gloria é mais uma dessas mulheres, referendando uma trajetória universal, de uma mulher comum, mas de uma presença incrível.

A chilena Paulina García faturou o Urso de Prata em Berlim por seu personagem. Divorciada há 12 anos, Gloria é independente financeiramente, mas solitária. Os filhos levam sua vida, não querem muito envolvimento e ela busca companhia nas festas para solteiros. Conhece Rodolfo, um senhor que se diz recém separado, mas que ainda é manipulado pelas dependentes filhas e ex-mulher e parece não querer, no fundo, mudar de vida.

O filme é um retrato de uma fase da vida de Gloria, que tenta basicamente ser feliz e parar de viver a vida dos outros. Sem complicar, pelo contrário. É divertida, espirituosa, consegue correr riscos, não fica remoendo o passado. Tem alto astral, por assim dizer. Sem ter nada de especial ou inusitado (pelo contrário, fala da vida de gente como eu e você), Gloria é sensível e sensato, profundo e objetivo. Não é daqueles filmes reflexivos, mesmo porque Gloria não perde tempo analisando sua vida. Vai à luta, procura os filhos, demonstra afeto, busca companhia, entrega-se de coração e com prazer. Mas Paulina García consegue construir um personagem completo, que preenche a tela e diz a que veio. Vide a última cena. Se fosse resumir em uma palavra, eu diria que é um filme de descoberta.

DIREÇÃO: Sebastián Lelio ROTEIRO: Sebastián Lelio e Gonzalo Maza ELENCO: Paulina García, Sergio Hernández, Diego Fontecilla | 2013 (105 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
NO
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Chile - 27/12/2012

1 icone_DVD“O filme No fala de um caso inédito na história”, contou o produtor do filme Daniel Marc Dreifuss, na sessão de abertura da 36a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, quando foi exibido pela primeira vez por aqui. “É o único caso de ditador que perde sua ditadura pelo voto que ele mesmo convocou”, conclui Daniel. Parece ridículo e improvável, mas aconteceu.

Em 1988, Pinochet convoca um plebicito pela continuidade da ditadura. A oposição organiza a campanha do “Não” e se lança numa empreitada que, aparentemente, já estava ganha para o “Sim”. Diante do regime ferrenho do ditador, que estava à frente do governo do país desde 1973, do temor que assolava a população civil e do progresso econômico pelo qual o Chile passava, tudo levava a crer que não se ousaria contestar e que ganharia o “sim”, pela continuidade da ditadura – mesmo considerando os milhares de presos políticos, desaparecidos e mortos e de todo o panorama ditatorial que assolava a América Latina.

Fato é que a oposição resolveu se mexer e levantar a campanha do “não à ditadura”. Para conseguir virar o jogo, contratou o publicitário René Saavedra, representado pelo ótimo ator mexicano Gael García Bernal (também de Amores Brutos, Diários de MotocicletaBabelEnsaio sobre a CegueiraPronta para Amar), que deu cara nova à linguagem que seria usada para convencer as pessoas a se manifestarem contra o status quo. Ao invés de adotar uma campanha pessimista, mostrando o drama das famílias dos desaparecidos, os conflitos entre manifestantes e polícia, Saavedra propõe como mote de campanha a alegria, o otimismo, a linguagem familiar.

Sua ideia era contagiar as pessoas com a possibilidade de mudança e de liberdade de opinião. No mostra um case importante e muito interessante do poder da mídia, da sutil e fortíssima influência da linguagem publicitária na opinião das pessoas. Tira até boas risadas – em várias ocasiões, a gente consegue se sentir “o eleitor” do filme, aquele manipulado, à mercê das mentes criativas, habilidosas e manipuladoras da publicidade. É o candidato chileno ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013.

Dentre várias das felizes escolhas do diretor chileno Pablo Larraín – entre elas a presença de Gael García Bernal e do humor no roteiro -, eu destacaria a fotografia do filme. Para que a produção pudesse ser mesclada com cenas reais do episódio, o diretor optou por filmar com câmeras iguais àquelas usadas na década de 80. Portanto, com definição muito inferior aos telefones celulares que temos hoje, lembrou o produtor.

O resultado é um filme com textura antiga, com cara de realidade, de documentário – o que o torna ainda mais agradável de assistir, fugindo do padrão americano de fazer cinema. Ganha a cara de cinema independente, autoral, quase um filme de festival. Destaco obras como esta porque tenho sempre esperança de que as pessoas assistam a produções assim, diferentes. Nem que seja para aumentar o repertório. De quebra, sai ganhando também um pouco de história e boas risadas.

 

DIREÇÃO: Pablo Larraín ROTEIRO: Pedro Peirano ELENCO: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Néstor Cantillana, Antonia Zegers, Luis Gnecco, Alejandro Goic | 2012 (118 min)

 

Sem Comentários » TAGS:  
NO – Mostra de Cinema SP
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Drama, Chile - 19/10/2012

DIREÇÃO: Pablo Larraín

ROTEIRO: Pedro Peirano

ELENCO: Gael García Berna, Alfredo Castro, Néstor Cantillana, Antonia Zegers, Luis Gnecco, Alejandro Goic

Chile, 2012 (118 min)

“O filme No fala de um caso inédito na história”, conta o produtor do filme Daniel Marc Dreifuss, na sessão de abertura da 36a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. “É o único caso de ditador que perde sua ditadura pelo voto que ele mesmo convocou”, conclui Daniel. Parece ridículo e até improvável, mas aconteceu. E era improvável no começo. Diante do regime ferrenho de Augusto Pinochet, que estava à frente do governo do país desde 1973, do temor que assolava a população civil e do progresso econômico pelo qual o Chile passava, tudo levava a crer que não se ousaria contestar. Apesar dos milhares de presos políticos, desaparecidos e mortos e de todo o panorama ditatorial que assolava a América Latina.

Fato é que a oposição resolveu se mexer, contratou o publicitário René Saavedra, representado pelo ótimo ator mexicano Gael García Bernal, que deu cara nova à linguagem que seria usada para convencer as pessoas a se manifestarem contra o status quo. Ao invés de adotar uma campanha pessimista, mostrando o drama das famílias dos desaparecidos, os conflitos entre manifestantes e polícia, Saavedra propõe como mote de campanha a alegria, o otimismo, a linguagem familiar. Sua ideia era contagiar as pessoas com a possibilidade de mudança e de liberdade de opinião. No mostra um case importante e muito interessante do poder da mídia, da sutil e fortíssima influência da linguagem publicitária na opinião das pessoas. Tira até boas risadas – em várias ocasiões, a gente consegue se sentir “o eleitor” do filme, aquele manipulado, à mercê das mentes criativas, habilidosas e manipuladoras da publicidade.

Dentre várias das felizes escolhas do diretor chileno Pablo Larraín (entre elas a presença de Gael García Bernal – veja post com outros filmes do ator e do humor no roteiro), eu destacaria a fotografia do filme. Para que o filme pudesse ser mesclado com cenas reais do episódio, o diretor optou por filmar com câmeras iguais àquelas usadas na década de 80. Portanto, com definição muito inferior aos telefones celulares que temos hoje, lembrou o produtor. O resultado é um filme com textura daquela década, com cara de realidade, de documentário – o que o torna ainda mais agradável de assistir, fugindo do padrão americano de fazer cinema. Ganha a cara de cinema independente, autoral, quase um filme de festival. Digo quase porque tenho sempre esperança de que as pessoas assistam a produções assim, diferentes. Nem que seja para aumentar o repertório. De quebra, sai ganhando também um pouco de história e boas risadas.

 

PROGRAME-SE: informações sobre horários e salas no link clique aqui.

 

 

 

Sem Comentários » TAGS:  
Mostra de Cinema de SP – Abertura
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Festival, Chile - 19/10/2012

Está oficialmente aberta a temporada da 36a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Com a exibição do filme No, do diretor chileno Pablo Larrain, os cinéfilos têm de hoje a dia 1 de novembro mais de 350 filmes para escolher. Impossível assistir a todos e não há tanta necessidade de frenesi assim. Ressalto todos os anos que muitas das produções já foram comprados por distribuidoras brasileiras e serão exibidos em circuito comercial em breve. Mas também ressalto que assistir aos escolhidos durante das duas semanas da Mostra tem um clima especial. Gosto do movimento de gente circulando pelo Conjunto Nacional, organizando – ou tentando organizar – o quebra-cabeça dos horários e salas. É bacana, estimula a cultura, a conversa fora do lugar comum, o cinema e o cotidiano com outro olhar.

E começamos bem. Pelo que vi ontem no filme de abertura, teremos um repertório variado e muito criativo. O filme No foi uma escolha interessante – principalmente para nós que vivemos um momento eletivo, em que as campanhas publicitárias ganham influências enormes e proporções financeiras inimagináveis. É inclusive o candidato chileno para concorrer à vaga de melhor filme estrangeiro no Oscar 2013. Até rendeu “ganchos” para os discursos das autoridades que falaram durante a cerimônia de ontem no Auditório do Ibirapuera. No é um filme político, mas nem por isso árduo ou sério demais. Conta uma história interessantíssima que mudou o destino do Chile, com referências sobre linguagem publicitária capazes de tirar boas risadas do público.

Explico: No é um filme de ficção sobre o plebicito convocado por Pinochet no Chile, pela continuidade da ditadura em 1988. A oposição organiza a campanha do “Não” e se lança numa empreitada que, aparentemente, já estava ganha para o “Sim”. Quem encabeça é o publicitário René Saavedra, representado pelo ótimo ator mexicano Gael García Bernal, que vem crescendo, mostrando-se cada vez mais maduro. Muito embora eu tenha que confessar que filmes feitos por ele ainda bem jovem tem um olhar impactante e marcante. Se a ideia é esperar para assistir a No depois da Mostra (sim, o filme estreia no circuito em dezembro) aproveite para ver ator em outras produções:

1. Amores Brutos, de Alejandro González Iñárritu (2000)

2. Diários de Motocicleta, de Walter Salles (2004)

3. Babel, de Alejandro González Iñárritu (2006)

4. Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles (2008)

5. Pronta para Amar, de Nicole Kassell (2011)

 

Comentários » 2 comentários TAGS:  
VIOLETA FOI PARA O CÉU – Violeta Se Fue a los Cielo
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Chile, Biografia - 22/06/2012

DIREÇÃO: Andrés Wood

ROTEIRO: Eliseo Altunaga

ELENCO: Francisca Gavilán, Thomas Durand, Christian Quevedo, Gabriela Aguilera,

Chile, Brasil, 2011 (101 min)

Mesmo que você nunca tenha ouvido falar de Violeta Parra, assista ao filme. Mesmo que você tenha em mente que não gosta da música andina e que a primeira que lhe vem na cabeça soa como algo pejorativo, assista. Por dois simples motivos: o primeiro, cinematográfico – este filme é muito bem feito, com intensidades de música, emoção e tragédia na medida certa. O segundo, pessoal: a vida de Violeta Parra (1917-67), um ícone da música folclórica chilena, que teve um infância humilde, foi reconhecida internacionalmente, para depois morrer abandonada física e moralmente, já é uma história de vida e tanto.

Violeta Foi Para o Céu venceu o Prêmio de Júri Internacional do Festival de Sundance, além de ter sido o grande aclamado no Cine Ceará de 2012. Reconhecidamente, o trabalho e o olhar do diretor chileno Andrés Wood (também de Machuca) se destaca pela sensibilidade e coerência. Eu não conhecia a história de Violeta, mas já nos primeiros minutos, fragmentos da infância e da vida adulta se misturam, mostrando a confusão e instabilidade da vida da cantora e compositora, que também pintava, que traçou sua trajetória internacional com a cara e a coragem, conseguiu expor no Louvre, morou na Europa e foi desprezada em seu próprio país. Interpretada pela excelente atriz Francisca Gavilán, Violeta se mostra inflexível, sensível, geniosa, possessiva, intensa. Em tudo que fazia.

Depois de sua temporada fora, volta para Santiago, cria um espaço onde pretendia disseminar a cultura popular chilena, mas é nocauteada pelo amor não correspondido e pelo fracasso da proposta. Se mata, deixando um legado que é hoje divulgado por seu filho Ángel Parra, que escreve um livro em que este filme se baseia, e sua filha, ambos cantores e compositores. Além de música – muito boa, sonora, forte, com letras recheadas de protestos sociais e políticos e alta dose de inconformismo  sensibilidade – Violeta Foi Para o Céu é cheio de vida, inquieto. A própria Violeta. Assista, mesmo que seja só para tirar a impressão de a música latino-americana é toda igual. Não é, a de Violeta é cantada com uma força impressionante.

Sem Comentários » TAGS:  
DAWSON, ILHA 10 – Dawson, Isla 10
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Drama, Chile - 23/11/2011

DIREÇÃO: Miguel Littin

ROTEIRO: Miguel Littin, Sergio Bitar

ELENCO: Bertrand Duarte, Benjamín Vicuña, Pablo Krogh, Sergio Allard, Cristián de la Fuente, Luis Dubó, Sergio Hernández

Chile, 2009 (min 118)

Dawson é o nome dessa ilha nos confins do continente sulamericano, perto da Terra do Fogo, onde além de frio e gelo havia um campo de concentração na década de 1970. Era lá que ficavam confinados os principais colaboradores de Salvador Allende, após a junta militar liderada por Pinochet tomar o poder em 1973. Como qualquer campo de concentração, a regra básica era obedecer, trabalhar e esperar pelo melhor. Para lá foram enviados os ministros, como Sérgio Bitar, que sobreviveu ao campo, escreveu um livro homônimo contando sua experiência, que foi a base para esta produção.

Claro que o registro histórico é importante. Vemos tantos filmes mostrando os horrores que ocorreram (e ainda ocorrem) em governos totalitários europeus, mas nos esquecemos do nosso próprio continente. Ou ainda, temos a tendência em achar que aqui a coisa foi branda. Ledo engano. Admiro muito as produções latino-americanas sobre o tema como O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Zuzu Angel, Machuca, O Que é Isso Companheiro? – só para citar alguns. Saber que houve um prisão nas gélidas terras chilenas do sul é assustador e bem documentado nesta produção.

Sem ser um filmaço sobre o assunto, nem emocionar o quanto deveria pela gravidade da situação, Dawson, Ilha 10 cumpre seu papel e acho que agrada aos que têm especial interesse pelo tema. Particularmente, gosto desse tipo de registro histórico por fazer parte da construção das nações como elas são hoje. E lógico, relembrar as catástrofes para que não se repitam.

 

Sem Comentários » TAGS:  
MACHUCA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Chile - 05/10/2010

DIREÇÃO: Andrés Wood

ROTEIRO: Andrés Wood e Mamoun Hassan

ELENCO: Matías Quer, Ariel Mateluna, Manuela Matelli, Aline Küppenheim, Ernesto Malbran, Tamara Acosta, Francisco Reyes, Alejandro Trejo, Tiago Correa, Luis Dubó

Chile, Espanha, 2004 (120 min)

Na mesma linha de O Ano em que Meus Pais Saíam de Férias e A Culpa é do Fidel, Machuca expõe a situação política de um país do ponto de vista infantil. No caso de Machuca, são olhares opostos, de dois meninos que vivem em mundos diferentes, no momento da transição do governo Allende ao golpe militar de Pinochet no Chile, em 1973. O filme emociona pelo próprio sentimento dos meninos, pelas dificuldades de manter uma amizade genuína, pela perda da ingenuidade de uma maneira brusca e cruel.

Machuca é um garoto pobre, que mora numa favela em Santiago; Gonzalo é um garoto de família rica e estuda em um tradicional colégio católico. Sob regime de Allende, o colégio admite alguns meninos de classe social menos favorecida, entre eles Machuca, e a amizade começa aí. Os meninos passam a frenquentar a casa do outro, vivenciar as duas realidades e perceber as diferenças e incompatibilidades. A posição política das famílias também é oposta, mas o sentimento de amizade consegue transpor algumas barreiras.

Machuca tem um lado muito triste pela violência da ruptura da amizade, da política, dos interesses do país. Mas guarda a beleza do olhar infantil, ingênuo e verdadeiro dos meninos um dia foram amigos.

Sem Comentários » TAGS:  
LIVRO – A Ilha Sob o Mar
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Chile - 06/08/2010

Logo nas primeiras cenas de A Cor Púrpura, sabemos que uma criança é arrancada dos braços da mãe ao nascer. Junto com a herança afro-americana dos Estados Unidos, essa cena me fez lembrar a história de Zarité, mulher, negra, pobre; vida de privação, vida serviçal, vida de castigo e, neste caso, vida escrava. É essa a protagonista do livro A Ilha Sob o Mar, Isabel Allende (Bertrand Brasil, 476 páginas).

Aqui estamos no ano de 1770. Zarité é escrava, na ilha caribenha de São Domingos ou Espanhola – que futuramente se dividiria entre Haiti e República Dominicana. Sua história passa pela escravidão nas fazendas de cana, pelos favores sexuais aos senhores, mas também pela privação de ser mãe. Sua história também é recheada de rupturas, de laços familiares complexos e sofridos, através dos quais ficamos sabendo um pouco da história do que viria a ser o miserável Haiti. Ficamos sabendo de onde vem tamanha corrupção, descaso com o público e o social. Não é de hoje e as raízes não deixam mentir.

Além da interessante história, o panorama histórico é marcante e explica parte da maneira de pensar de um povo e seus dirigentes, além de explicar, em poucas e suficientes palavras, por que as coisas estão como estão. Li o livro coincidentemente na época do terremoto na ilha. A falta de infra-estrutura básica e de condições essenciais de vida para a população têm sua origem lá atrás. É plantar e colher, lógico assim.

Entrevistada hoje na FLIP, Isabel Allende diz, humorada, que não dá para ser best seller durante 30 anos, com 18 livros, sem ter alguma qualidade. Concordo. Goste ou não do seu estilo, A Ilha Sob o Mar é uma leitura agradável e leva-se, de quebra, o panorama interessante de uma ilha que pouco faz parte do nosso imaginário, mas que também sofre as consequências da colonizaão de exploração.

Sem Comentários » TAGS:  

CATEGORIAS

INSCREVA-SE PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER

Você também pode assinar listas específicas: