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Cazaquistão

TULPAN
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Cazaquistão - 20/12/2011

DIREÇÃO: Sergei Dvortsevoy

ROTEIRO: Sergei Dvortsevoy, Gennadi Ostrovsky

ELENCO: Tolepbergen Baisakalov, Samal Yeslyamova, Ondas Besikbasov, Bereke Turganbayev, Nurzhigit Zhapabayev

Cazaquistão, Rússia, 2008 (100 min)

Não vejo como conhecer lugares como Cazaquistão se não for através do cinema, da fotografia, da literatura. Será que um dia me aventuro por aquelas bandas? Quem sabe? Quem se interessa por realidades e culturas completamente diferentes, formas de vida que em nada se parecem com o modo ocidental de viver, aproveite obras como esta. Tulpan, premiado como melhor filme em Cannes na categoria Um Certo Olhar, retrata a natureza inclemente das planícies da Ásia central, o clima desértico e árido dessa região das estepes, onde ser nômade é uma questão de sobrevivência.

Vivendo aqui e lá, de acordo com os mandos dos proprietários de terra, os camponeses cuidam do rebanho de ovelhas de outros, quando não têm a oportunidade (rara) de ter o seu próprio. É o que busca Asa, que se formou na Marinha russa, quer se casar e assim conseguir seu próprio rebanho, sua forma de sustento. Sai à procura de uma moça para casar-se na região e Tulpan, filha de camponeses vizinhos, é a única disponível. Mas ela se recusa, implica com suas orelhas grandes e a Asa resta viver com a irmã Samal, seu marido Ondas e seus filhos.

Na rotina da vida nômade nas estepes cazaques, a vida dessas pessoas parece ser desoladora – não deixe de assistir ao trailer abaixo. Não há diversão e a alegria se restringe ao convívio familiar, à música americana, aos passeios de trator pela paisagem de areia. Se há trabalho, água e comida, já está de bom tamanho.

Segundo depoimento do diretor Sergei Dvortsevoy, o retrato do filme é bem próximo da realidade. Algumas cenas são especialmente bonitas, como a do nascimento do carneiro e a narração que o garoto faz dos acontecimentos ao redor do mundo. A única maneira de ter notícias é através de um antigo aparelho de rádio, que é pilotado pelo sobrinho de Asa e as notícias que chegam sobre política, economia e desastres naturais parecem algo realmente de outro planeta.

Embora lento, Tulpan não é monótono. Transmite o ritmo do local, onde é preciso sobreviver todos os dias. O carneiro que nasce em situação tão adversa é metáfora da luta, do esforço pela vida. Tulpan é um filme poético, para quem gosta de contemplação da vida humana e da natureza (aliás, que fotografia!) e tem curiosidade por terras desconhecidas. Mas não é filme para quem quer movimento, ação, dinamismo. Tem o ritmo do vento que sopra do lado de fora das tendas – deu até para imaginar o que é viver nessa terra de ninguém. Com uma realidade tão dissonante, seria impossível esperar de um cineasta cazaque algo semelhante ao cinema e ao olhar ocidental. Tinha que ser realmente outro olhar.

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