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Canadá

É APENAS O FIM DO MUNDO – Juste la Fin du Monde
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Canadá - 22/11/2016

Toda vez que assisto a um filme dirigido pelo canadense Xavier Dolan faço o mesmo comentário: a idade de Dolan é inversamente proporcional à complexidade das relações humanas retratadas em seus filmes. Tem só 27 anos. É dele também (inclusive o roteiro) Mommy, Laurence Anyways e Eu Matei Minha Mãe – todos premiados em Cannes. E ele só tem 27.

Digo isso porque a dramaticidade não é algo banal. Muito menos fácil de trazer pra tela. E de imaginar, eu diria. Dolan cria contextos de conflitos familiares profundos, da relação materna com o filho (pilar de Mommy) e que se repete aqui em É Apenas o Fim do Mundo. Não é filme pra toda hora, muito menos pra qualquer público. Tem que mergulhar no conflito, deixar-se levar pra sentir o tamanho da tensão dos diálogos, dos sentimentos não ditos, das palavras mal interpretadas, dos olhares e, principalmente, do silêncio que o protagonista carrega. Perturbador.

Louis (Gaspard Ulliel, também em Saint Laurent) saiu de casa ainda jovem, não vê a família há 12 anos e resolve voltar para contar que vai morrer. Mas quando pisa em casa, é como se as mágoas, pesares, ditos-pelos-não-ditos e rancores transbordassem a ponto de não deixar nada mais aflorar. A única pessoa que consegue trazer à tona algo positivo, um interesse genuíno pela vida do rapaz que teve que viver longe de todos para sobreviver emocionalmente, é justamente quem não tem o vínculo afetivo antigo. A cunhada Catherine (Marion Cotillard, também em Dois Dias, Uma Noite, Ferrugem e Osso, Era Uma Vez Em Nova York ) não tem intimidade com ele, não tem uma relação viciada nas ruínas do passado, mas não consegue sair da lama. Quem cava cada vez mais fundo no lamaçal é seu irmão Antoine (Vincent Cassel, também em ), marido de Catherine, sua mãe (Natahlie Baye), que tenta sobreviver ao caos fingindo que está tudo superado, e a irmã Suzanne (Léa Seydoux, também em Diário de uma CamareiraAzul é a Cor mais Quente), que mal conhece a personalidade do irmão, mas também fica no meio do fogo cruzado e não consegue respirar.

Essa é uma metáfora boa. Ficamos sufocados com tanta cobrança, com tanta raiva e tanto desentendimento. Toda palavra é uma farpa. Não tem trégua. Uma família a ponto de explodir – ou o que restou dela.

Com esse elenco impecável, É Apenas o Fim do Mundo é um arraso. E me deixou arrasada também, duplamente: pela intensidade desse drama tão comum, fundamentado na comunicação violenta e pela profundidade dos sentimentos e da mente deste jovem diretor. O que será que vem depois disso?

DIREÇÃO e ROTEIRO: Xavier Dolan ELENCO: Gaspard Ulliel, Marion Cotillard, Vincent Cassel, Léa Seydoux, Nathalie Baye | 2016 (97 min)

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MEMÓRIAS SECRETAS – Remember
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Canadá - 13/05/2016

Inesgotável fonte de histórias, o holocausto nazista continua rendendo narrativas de tirar o fôlego e tem, no cinema, um registro importante do que foi esse horror. Memórias Secretas tem dois trunfos que você não pode perder. O mais evidente é a atuação de Christopher Plummer, o eterno capitão Von Trapp de A Noviça Rebelde, que no auge dos seus 86 anos, não dá sinal de quem vai parar de trabalhar tão cedo. O segundo é o desfecho, que vai deixar bem clara a qualidade do roteiro.

Plummer, também em Não Olhe Pra Trás, é Zev Guttman, um sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, que mora numa casa de repouso, sofre com a perda da mulher e da memória e, embora idoso, ainda tem uma missão a cumprir. Sob comando de Max, um amigo judeu também sobrevivente, Zev tem que encontrar o nazista que matou suas famílias e acertar as contas. Ele segue à risca as instruções escritas por Max numa carta e não descansa até o último minuto do filme.

Memórias Secretas tem um bom ritmo de road movie de suspense. Aton Egoyan, também diretor de À Procura, é bom em envolver o espectador no drama. Vai te deixar preso na cadeira até o último minuto, pode acreditar.

 

DIREÇÃO: Aton Egoyan ROTEIRO: Benjamin August ELENCO: Christopher Plummer, Dean Norris, Martin Landau | 2015 (94 min)

 

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ZOOM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, Comédia, Canadá, Brasil - 30/03/2016

Pedro Morelli fez Entre Nós, aquele filme em que o grupo de amigos se reúne numa casa, escreve num papel como eles se veem 10 anos pra frente e, depois dessa década, voltam ao mesmo lugar para reler o que ficou enterrado numa caixa no jardim. Gostei do filme, achei intimista e bem interessante. Zoom – Realidade Virtual, não tem esse mesmo apelo. É muito mais uma brincadeira metalinguística: contar uma história, que conta uma história que conta uma história. Uma dentro da outra, as três narrativas se entrelaçam e a gente termina sem saber quem é realidade, quem é ficção.

Indo um pouco mais além, seria como se o diretor sugerisse que somos sim, produto da imaginação do outro. O que não deixa de ter seu fundo de verdade: o outro cria expectativas, a gente se molda um pouco pra cada lado e vai fazendo histórias de vida. A de Morelli é assim: Emma (Alison Pill) trabalha numa fábrica de bonecas sensuais e desenha história em quadrinhos; seu desenhos falam do diretor de cinema Edward (Gael García Bernal, também em Diários de Motocicleta), que se vê na maior saia justa com suas parceiras sexuais; Edward, por sua vez, dirige um filme que tem como protagonista a escritora Michelle (Mariana Ximenes, também em O Gorila), que abandona seu marido (Jason Priestley) e escreve um livro que conta a história de Emma.

Divertido nessa alternância de formatos – já que a história de Gael é realmente em quadrinhos – é uma produção internacional e já passou em alguns festivais. Gosto do roteiro de Matt Hansen, gosto da ousadia de Morelli de inovar e se lançar num universo jovem e mais solto da ficção.

 

DIREÇÃO: Pedro Morelli ROTEIRO: Matt Hansen ELENCO: Gael García Bernal, Alison Pill, Mariana Ximenes, Jason Priestley, Tyler Labine | 2016 (96 min)

 

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FILMES INDEPENDENTES DO QUEBEC
CLASSIFICAÇÃO: Festivais, Canadá, Brasil - 23/06/2015

Já não é de hoje que o cinema canadense chama a minha atenção – e do mundo. Incêndios, de Denis Villeneuve, é genial (depois ele também fez Os Suspeitos, ótimo suspense), e os filmes de Xavier Dolan como Mommy e Lawrence Anyways são igualmente impactantes. Ambos cineastas, agora já transitando em festivais do mundo – Dolan foi, inclusive, júri em Cannes este ano – passaram pelo Ciné Tapis Rouge um dia. Portanto, são mostras assim que abrem as portas para grandes talentos nesse mercado tão competitivo.

O Ciné Tapis Rouge é uma organização canadense sem fins lucrativos, que desde 2007 organiza um intercâmbio de filmes entre Quebec e outro país. O objetivo principal da instituição é prestigiar e dar espaço para o cinema independente; o bacana é que inclui produções de outras nacionalidades, dando a chance para essa troca cultural tão rica para os cinéfilos. Já participaram do projeto Suíça, Bélgica, a Catalunha (Espanha), Romênia, Dinamarca e a Baviera (Alemanha). Agora é a vez do Brasil, que já teve seu cinema apresentado em Quebec em 2014 e agora nós é que recebemos as produções dessa região francesa do Canadá no Brasil.

Nessa edição brasileira da mostra Cinema Contemporâneo do Quebec, serão exibidos 12 longas e sete curtas de cineastas independentes. Entre eles está Robert Morin, responsável pelo filme da abertura, 3 Histórias Indígenas (Canadá, 2014, 70 min, foto acima), que fez parte da seleção oficial do Festival de Berlim em 2014. Junto com Luis Olivia e a diretora geral Vanessa Tatjana Beerli, Morin estará em São Paulo para o evento.

Também vale destacar o filme Whitewash, de Emanual Hoss-Dermarais, ganhador do Festival de Cinema de Tribeca. A programação está no site do Sesc e vale seu ingresso!


PROGRAME-SE:

o quê: filmes independentes produzidos por cineastas do Quebec, no Canadá

onde: no Cinesesc, São Paulo (R. Augusta, 2075 | São Paulo – SP | (11) 3087-0500

quando: de 25 de junho a 1º de julho de 2015

 

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MOMMY
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Canadá - 11/12/2014

Difícil dizer o que mais me impressiona em Mommy. O filme é forte, os personagens todos têm uma personalidade ímpar, a relação mãe e filho é visceral e a verdadeira amizade é a eterna tábua de salvação para todos os males. Por tudo isso – e por cada um desses itens separados – este filme vale seu ingresso. Mas nada disso seria retratado desta maneira se não tivesse o olhar do diretor canadense Xavier Dolan. E, pensando bem, acho que isto é que me impressiona mais: de 2009 pra cá, Dolan já roteirizou e dirigiu filmes marcantes e premiadíssimos como Eu Matei a Minha Mãe, Amores Imaginários e Lawrence Anyways. Todos eles carregam tamanha sensibilidade sobre os relacionamentos, quantidade que não cabe nos seus meros 25 anos.

Ainda preciso completar meus comentários no Cine Garimpo sobre essas produções anteriores, mas posso afirmar que Mommy é a melhor delas. Tem a força dramática, implacável e destrutiva dos relacionamentos também brilhantemente construídos em O Garoto da Bicicleta, obra dos irmãos Dardenne. De temperamentos que não combinam, de vidas que se autodestroem, ao mesmo tempo em que dependem, uma da outra, para continuar caminhando.

Die é viúva, cria sozinha Steve, seu filho que sofre de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), o que faz sua vida ser um mar de instabilidades e agressões. Ou seja, o adolescente de 17 anos oscila entre o amor e o ódio, entre o afeto e a violência num piscar de olhos, numa palavra mal colocada, num gesto mal interpretado. Quando sai de um centro de reabilitação, Die precisa se adaptar novamente à convivência com o filho, encontrar trabalho para sustentá-lo e equilibrar-se emocionalmente. No meio desse furacão, a tímida e solitária vizinha Kyla surge como se fosse resgatá-los do meio da tormenta e surge dali uma amizade tanto imprevisível, quanto emocionante.

Mommy deixa qualquer mãe sensibilizada. Eu fiquei. Claro, a gente quer acertar, é capaz de dar a vida pelo filho, mas não consegue de resolver todos os problemas. É amor incondicional, mas não somos onipotentes. De mãos dadas com esse sentimento maternal e instintivo, criamos vínculos de amor sem laços de sangue, que são capazes de nos tirar do limbo e resgatar a alegria de viver. Mommy é sobre esses dois sentimentos. Bravo, Xavier, tomara que você esteja na seleta lista dos indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro, já que este foi o filme escolhido pelo Canadá! Quanta profundidade em apenas 25 anos. Bravo!

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Xavier Dolan ELENCO: Anne Dorval, Antoine-Olivier Pilon, Suzanne Clément | 2014 (135 min)

 

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À PROCURA – The Captive
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Egito, Canadá - 03/12/2014

À Procura me remeteu, num primeiro momento, a Os Suspeitos, do canadense Denis Villeneuve – que, aliás, merece ser visto. Tem aquela coisa angustiante do pai que procura a filha desaparecida e que vira o principal suspeito. A diferença básica entre um e outro é que até o último momento não sabemos o que realmente aconteceu com a filha do ator Hugh Jackman e o desfecho é impactante. Já neste filme do diretor egípcio Atom Agoyan, o paradeiro de Cass é logo revelado. E a aflição aqui é outra.

Naturalizado canadense, Egoyan constrói um bom suspense e deixa explícito o paradeiro da menina que desaparece misteriosamente da traseira da caminhonete do pai (Ryan Reynolds, também em A Proposta). O que a gente não sabe é como essa trama será desenrolada e se isso será possível. Exibido no Festival de Cannes, À Procura tem outra semelhança com Os Suspeitos: a tola tradução do título. The Captive não tem nada a ver com À Procura e enfraquece o fato de uma garota viver em cativeiro durante anos a fio, parte de uma poderosa gangue – que é o grande elemento do filme. Deveria se chamar Cativeiro.

Atom Egoyan concorreu à Palma de Ouro em Cannes com este filme – mas não era páreo para isso. O que não quer dizer que não seja um bom filme do gênero. É sim. E se você não ficar aflito e grudado na cadeira até o desfecho final, me avisa.

 

DIRETOR: Atom Egoyan ROTEIRO: Atom Egoyan, David Fraser ELENCO: Ryan Reynolds, Scott Speedman, Rosario Dawson, Mireille Enos | 2014 (112 min)

 

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UMA VIAGEM EXTRAODINÁRIA – L’Extravagant voyage du jeune et prodigieux T.S. Spivet
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Canadá, Aventura, Austrália - 08/11/2014

É importante localizar o diretor Jean-Pierre Jeunet, porque ele não é daqueles que faz cinema trivial, objetivo. É dele O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, só para citar o mais famoso. Uma Viagem Extraordinária tem um toque dessa fantasia de Amélie, seu colorido, mas principalmente a mensagem de que é preciso seguir o instinto – mesmo sem saber onde ele vai levar.

Apesar disso, confesso que T.S. Spivet, na pele do talentosíssimo ator de 10 anos, me fez lembrar a menina Olive de Pequena Miss Sunshine que também moveu mares e montanhas e cruzou o país em busca do seu sonho. E mais, mobilizou a família toda e fez uma viagem transformadora. Spivet também é protagonista do improvável, mas a fotografia, o visual e o roteiro garantem que você embarque no road movie sem se dar o trabalho de se perguntar se tudo isso seria possível – e provável.

T. S. Spivet mora em Montana, no meio do nada. É um precoce cientista, sente-se carta fora do baralho na família composta pela mãe avoada, pelo pai caubói e pela irmã adolescente e sonha em ser reconhecido – e amado. Inscreve seu invento no prestigiado Smithsonian Institute, em Washington, e é convidado para ir até lá receber o prêmio. Faz a mala e embarca de gaiato num trem – mesmo sem ter a menor ideia da dimensão que a decisão vai tomar na sua vida.

Gosto do título Uma Viagem Extraordinária – que em francês é mais completo ainda e fala da “extravagante viagem do jovem prodígio T.S. Spivet”. De acordo. Tudo isso pra dizer que além de o fato de cruzar o país ser algo extraordinário mesmo, mais inusitado ainda são as descobertas feitas através das mais incertas decisões. E tem todo um toque da magia e do movimento do road movie que é transformador por si só. A miss Sunshine é o que o diga.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Jean-Pierre Jeunet ELENCO: Helena Bonham Carter, Judy Davis, Callum Keith Rennie, Kyle Catlett | 2013 (105 min)

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O HOMEM DUPLICADO – Enemy
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Canadá - 23/06/2014

Na orelha do livro homônimo de José Saramago, vai a pergunta que não quer calar: “O que você faria se descobrisse que tem uma sósia, alguém que é o seu retrato fiel, o mesmo rosto, o mesmo corpo, a mesma voz?”. Engraçado, à primeira vista; curioso, quando se pensa melhor; assustador, quando se dá conta de que o que se considera individual, único, exclusivo não é privilégio dos seres vivos. Somos também produção em série, produtos de uma sociedade uniformizada, tolhida e formatada segundo o mais poderoso dos poderes: a força da imagem.

E por aí vai: podemos enveredar para o papel fundamental da mídia e da informação na formação da nossa era; para a força da inserção no grupo, na maioria; para a importância de “fazer parte de algo”. O que teoricamente nos faria únicos, Saramago traz à tona como algo oposto, contrário e contraditório: a perda da identidade. Jake Gyllenhall, um pacato professor, um dia se vê em um filme, como coadjuvante. Intrigado, faz uma pesquisa para saber quem é aquele sujeito idêntico a ele. O encontro de opostos, o professor e o ator, confunde não só o espectador – confesso que já não sabia quem era quem – mas nos deixa com a sensação de que alguém é dissimulado. De que alguém sabe de algo; de que há algo sendo encoberto e de que jamais conseguiremos juntar as peças do quebra-cabeça. Eu não consegui, e acho que nem os personagens de Gyllenhall foram capazes (também em Os Suspeitos, Contra o Tempo).

Gosto muito da leitura de Saramago, dessa confusão armada que fizemos na sociedade. A tentativa de unificar fez com que todos sejam parecidos, porém sem personalidade. Em Ensaio Sobre a Cegueira, somos todos cegos, se não vemos o essencial. Filme para pensar, assim como seus livros. Com exceção do interessante e divertido A Viagem do Elefante, em que o escritor conta como é que foi possível transportar um elefante de Lisboa a Viena, no século XVI, por causa dos caprichos de um rei. Satírico – não poderia deixar de ser. O Homem Duplicado não escapa deste adjetivo também, mas eu diria que está mais para algo enlouquecedor, parecido com o que a dinâmica de que “a gente plantou, agora tem que colher”.

Vale dizer que o diretor canadense Denis Villeneuve é responsável pelo incrível filme Incêndios, já enaltecido várias vezes aqui no blog. Tem um viés político, humano e dramático fortíssimo, enquanto que Os Suspeitos, também dele, é suspense puro. O Homem Duplicado não é nada disso e é tudo isso; somos nossos próprios inimigos, como sugere o título em inglês. Uma boa sacada de um diretor versátil e nada óbvio. Sorte de quem gosta de sair da narrativa comum.

DIREÇÃO: Denis Villeneuve ROTEIRO: Javier Gullón, José Saramago (livro) ELENCO: Jake Gyllenhaal, Mélaine Laurent, Sarah Gadon | 2013 (90 min)

 

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VERMELHO BRASIL – Rouge Brésil
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, França, Canadá, Brasil - 16/06/2014

Tentativa francesa frustrada de fundar uma colônia chamada França Antártica em 1555. Chegaram atrasados, os portugueses já estavam por aqui. Claro que não houve acordo, muito índio foi morto e os franceses voltaram para casa de mãos vazias. Será que teria sido melhor? Sabe-se lá. Fato é que essa tentativa é retratada em Vermelho Brasil, que também é uma série para televisão, em dois capítulos, baseada no romance homônimo de Jean-Christophe Rufin, vencedor do Prix Goncourt, importante prêmio literário. (Essa coisa de adaptar obras premiadas, como se fosse chancela para um bom filme, entra na lista das frustrações.)

O enredo gira em torno da expedição francesa, que quer conquistar a terra do pau-brasil e sabe que precisa se comunicar com os “selvagens” existentes por aqui. Para tanto, traz dois jovens, nobres franceses, que têm aula de tupi com um padre a bordo, para servirem de intérpretes com os índios. As reviravoltas acontecem, traições esperadas, jogos de interesse e salve-se quem puder! Num roteiro fraco, bem com cara de filme morno para a televisão e com aquele clima trivial de rivalidade entre colonizadores versus a pureza e a naturalidade indígena, Vermelho Brasil não é lá grande coisa e tem cara de novelão. Aliás, tem um desfecho infantilizado e um final estranho – ainda estou pensando se a voz em off é mesmo do Cristo Redentor… Fiquei achando que é coisa para gringo ver. Deve ser. Até os índios falam inglês.

 

DIREÇÃO: Sylvain Archambault ROTEIRO: Daniel Tonachella, Thomas Richardson e Christian Duguay ELENCO: Stellan Skarsgard, Théo Frilet, Juliette Lamboley, Sagamore Stevenin, Didier Flamand, Olivier Chantreau, Joaquim de Almeida, Giselle Motta, Pietro Mario Bogianchini | 2013

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UMA GARRAFA NO MAR DE GAZA – Une Boutteille à la Mer
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para Entender o Nosso Mundo, Israel, Garimpo na Locadora, França, Drama, Canadá - 11/02/2014

Em tempos de atentado (será que vai chegar a hora em que esta introdução não será mais verdadeira?), as reflexões propostas em Uma Garrafa no Mar de Gaza me pareceram muito oportunas. Até pelo fato de o atentado ter sido em Boston (desta vez) e nós aqui, tão longe, sentimos como se fosse conosco. Ameaça iminente, presente, global. Embora não seja esta a nossa preocupação em terras tupiniquins, aqui nos preocupamos também com a violência, com o desrespeito, com a morte de pessoas queridas. Gera tensão um simples telefonema não atendido (o que será que aconteceu?), uma moto que para no farol ao lado do carro (não blindado), uma pessoa de gestos suspeitos (ou nem tanto, o que é ainda mais perigoso). Portanto, onde quer que estejamos, estamos sempre com medo (eu sei, é verdade, há lugares no mundo que não há nem réstia de ameaça, mas temos que trabalhar com os sentimentos disponíveis, não é mesmo?).

Introdução cheia de perguntas esta minha. Assim ficamos com o noticiário, com famílias destroçadas, pessoas de bem, mutiladas e feridas. Assim ficamos. E ficamos paralisados. Mas quando o estresse gera reflexão e ponderação, e ajuda a sair da zona de pânico e paralisia, pode haver, enfim, algum benefício em meio a tanto terror. Por que raios as coisas são assim?

É esse tipo de questionamento que move essa garrafa do título até uma praia da Faixa de Gaza. A francesa Tal Levine é judia  e mora com a família em Jerusalém. Inconformada com as bombas que assustam e matam as pessoas na cidade santa, escreve um manifesto mostrando sua indignação com a intolerância religiosa, o coloca em uma garrafa vazia, e joga no mar (veja trailer abaixo). Como uma mensagem de socorro, chega nas mãos do jovem palestino Naïm, que vive em Gaza, território islâmico cercado com altos muros, sob severas restrições e em constante conflito bélico, ideológico, religioso e territorial com Israel.

A partir daí, Tal e Naïm fazem contato e trocam tanto farpas quanto palavras de solidariedade diante dos constantes ataques desmedidos. Munido de uma arma poderosa que é o questionamento da juventude, Uma Garrafa no Mar de Gaza tem a irreverência própria dos jovens, a possibilidade de mudança, a visão do novo e a esperança ainda tão presente a ponto de ser transformadora. Humano e muito delicado, fala da amizade improvável, mas principalmente do preconceito e do perigo que é o rótulo. Difícil entender e tomar partido. Aqui entra o cinema com vários olhares para gerar reflexão e, quem sabe, um olhar fraterno. Afinal, os mundos de Tal e Naïm são separados pelos 90 km mais intransponíveis que possam existir.

DIREÇÃO: Thierry Binisti ROTEIRO: Thierry Binisti, Valérie Zenatti ELENCO: Agathe Bonitzer, Mahmud Shalaby, Hiam Abbass | 2011 (100 min)

PARA SABER MAIS: Sobre os conflitos na região, ver o post FILMES SOBRE O CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO.

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