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Austrália

LION – UMA JORNADA PARA CASA – Lion
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama, Austrália - 25/02/2017

Saroo tem cinco anos, perde-se do irmão Guddu numa estação de trem de uma pequena cidade indiana, pega no sono em um vagão abandonado e, quando acorda, percebe que será engolido pela multidão daquela outra estação, a 1600 quilômetros de distância de onde viu seu irmão pela última vez. Essa parte da história já vale seu ingresso. É visceral a procura de Saroo por um rosto conhecido. Seu olhar diz tudo e se perde na indiferença daquela multidão. Mas a alegria chega, ele é adotado por uma família australiana bacana, cheia de amor pra dar. Por si só, a trajetória já é emocionante e cheia de ternura, em um cinema cuidadoso, delicado, do jeito que são as relações delicadas e afetivas que vão se formando no decorrer da vida desse improvável garoto que tirou a sorte grande.

No entanto, Lion – Uma Jornada Para Casa tem também um aspecto que não só se entrelaça com o drama, mas que é o grande gatilho para que a busca de Saroo por sua família biológica aconteça. Representado por Dev Patel (também em Quem Quer Ser Um Milionário, O Exótico Hotel Marigold) na fase adulta, Saroo tem tudo: pais amorosos, uma boa educação, um futuro promissor profissional, uma namorada conquistada e querida. Mas nada disso consegue diminuir sua angústia e procurar a família se torna uma  obsessão. Entra Google Earth em ação, ele mergulha fundo e solitário nessa jornada, perde-se em suas dúvidas pessoais, mas é o momento que lhe cabe viver. Seguir sem esse pedaço da vida parece impossível.

Lion é um mergulho nesse universo daquilo que existe dentro de nós e que não vivemos. Quando algo – mesmo que transbordando de medos e dúvidas –  bate na porta do coração, não há como negar. É preciso correr atrás, preencher o vazio para, então, seguir em frente. Lion é sobre isso, sobre preencher um grande vazio. E é lindo demais.

 

DIREÇÃO: Garth Davis ROTEIRO: Saroo Brierley, Luke Davis ELENCO: Dev Patel, Nicole Kidman, Rooney Mara, Sunny Pawar, Abhishek Bharate | 2016 (118 min)

 

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A LUZ ENTRE OCEANOS – The Light Between Oceans
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Austrália - 04/11/2016

O novo longa com Alicia Vikander, vencedora do Oscar por A Garota Dinamarquesa, e Michael Fassbender, também em Steve Jobs, vai roubar muitas lágrimas. Toca em temas universais como o amor incondicional de uma mãe por um filho, a culpa, a ética, a compaixão. Vá preparado. Nem o mais duro dos corações vai sair ileso do conflito de ter que fazer a escolha entre conviver com uma mentira e preservar o amor, ou viver na verdade e correr o risco de perder a razão de viver.

Baseado no livro homônimo, A Luz Entre Oceanos conta a história do ex-combatente da Primeira Guerra que aceita ser o guardião de um farol em uma ilhota perdida na costa australiana, para se refazer, na solidão, dos horrores do combate. Mas Tom conhece Isabel. Eles se casam, ela engravida duas vezes, perde os dois bebês e fica deprimida com a situação. Até que o casal é surpreendido com a chegada de um barco com uma criança, que acaba preenchendo aquele vazio devastador.

A tomada de decisão é aqui fundamental. Ficar com o bebê ou reportar a chegada do barco aos superiores? O misto de sentimentos muda tudo e transforma os personagens até o desfecho. Embora o drama vire melodrama em alguns momentos, estamos falando aqui de um filme que quer trazer todas essas questões à tona mesmo. Diferente de Namorados para Sempre, do mesmo diretor, os personagens Tom e Isabel não são lá tão profundos como poderiam ser, mas a trama faz despertar esses temas humanos, com que todos se identificam e se emocionam. E, convenhamos, Vikander e Fassbender estão incríveis e se consagram como atores de primeiríssima linha.

 

DIREÇÃO: Derek Cianfrance ROTEIRO: Derek Cianfrance, M.L. Stedman ELENCO: Alicia Vikander, Michael Fassbender, Rachel Weisz, Florence Clery | 2016 (132 min)

 

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PROMESSAS DE GUERRA – The Water Diviner
CLASSIFICAÇÃO: Turquia, Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Austrália, Ação - 29/05/2015

Apesar de estarmos superacostumados a ver Russell Crowe no cinema, este filme é seu primeiro por trás das câmeras. Além de dirigi-lo, ele é o protagonista e, embora seja também um filme que se passa em outra época (assim como O Gladiador, Robin Hood, Noé, Os Miseráveis), Crowe agora está com uma cara, digamos, mais contemporânea. E também mais natural.

Acho até que é por isso que o filme cai bem. Conta uma história real, mas ganha ares de romance e de emoção familiar, que acabam sendo mais importantes do que as imagens da guerra em si. Tudo se passa em 1915, quando Connor (Crowe) vai até a Turquia para encontrar os corpos dos três filhos mortos durante a Batalha de Galípoli, em que tropas da Nova Zelândia e Austrália lutaram para defender os interesses ingleses na região.

Connor é australiano, os três filhos se alistam e morrem no front de batalha e o pai, desolado, vai em busca dos corpos. Encontra outras coisas pelo caminho – mas isso você vai ver no filme. O título do filme, The Water Diviner (que remete ao fato de Connor cavar poços à procura de água na região seca da Austrália), é melhor do que o batido Promessas de Guerra. Mesmo porque remete à busca que ele faz pelos filhos e ao fato de a água ser a metáfora da vida e da esperança. Sem dúvida, bem mais interessante.

 

DIREÇÃO: Russell Crowe ROTEIRO: Andrew Knight, Andrew Anastasios ELENCO: Russell Crowe, Olga Kurylenko, Jai Courtney, Yilmaz Erdogan, Cem Yilmaz| 2014 (111 min)

 

 

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UMA VIAGEM EXTRAODINÁRIA – L’Extravagant voyage du jeune et prodigieux T.S. Spivet
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Garimpo na Locadora, França, Canadá, Aventura, Austrália - 08/11/2014

É importante localizar o diretor Jean-Pierre Jeunet, porque ele não é daqueles que faz cinema trivial, objetivo. É dele O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, só para citar o mais famoso. Uma Viagem Extraordinária tem um toque dessa fantasia de Amélie, seu colorido, mas principalmente a mensagem de que é preciso seguir o instinto – mesmo sem saber onde ele vai levar.

Apesar disso, confesso que T.S. Spivet, na pele do talentosíssimo ator de 10 anos, me fez lembrar a menina Olive de Pequena Miss Sunshine que também moveu mares e montanhas e cruzou o país em busca do seu sonho. E mais, mobilizou a família toda e fez uma viagem transformadora. Spivet também é protagonista do improvável, mas a fotografia, o visual e o roteiro garantem que você embarque no road movie sem se dar o trabalho de se perguntar se tudo isso seria possível – e provável.

T. S. Spivet mora em Montana, no meio do nada. É um precoce cientista, sente-se carta fora do baralho na família composta pela mãe avoada, pelo pai caubói e pela irmã adolescente e sonha em ser reconhecido – e amado. Inscreve seu invento no prestigiado Smithsonian Institute, em Washington, e é convidado para ir até lá receber o prêmio. Faz a mala e embarca de gaiato num trem – mesmo sem ter a menor ideia da dimensão que a decisão vai tomar na sua vida.

Gosto do título Uma Viagem Extraordinária – que em francês é mais completo ainda e fala da “extravagante viagem do jovem prodígio T.S. Spivet”. De acordo. Tudo isso pra dizer que além de o fato de cruzar o país ser algo extraordinário mesmo, mais inusitado ainda são as descobertas feitas através das mais incertas decisões. E tem todo um toque da magia e do movimento do road movie que é transformador por si só. A miss Sunshine é o que o diga.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Jean-Pierre Jeunet ELENCO: Helena Bonham Carter, Judy Davis, Callum Keith Rennie, Kyle Catlett | 2013 (105 min)

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LORE
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Austrália, Alemanha - 31/10/2013

Um viés diferente, de um contexto bem conhecido. Um pouco da sensação que tive quando li A Trégua, do italiano Primo Levi (foi também feito um filme homônimo, baseado no livro). Levi conta a sua história a partir do momento em que os Aliados vencem a guerra, os campos de concentração já não têm soldados e os  judeus, até então encarcerados esperando a morte, se veem livres para voltar para casa. Mas que casa? Que família? Que país? A Trégua mostra essa jornada pela Europa devastada, por um passado que já não existe nem sinal.

Lore também volta para essa realidade do imediato pós-guerra, em que a paz foi declarada, mas em que ainda há muita luta a ser travada: pela vida, pela comida, pela habitação, pela restauração de algo que já não volta mais. Muito se tem dito nessas décadas sobre os horrores da Segunda Guerra. Mas o que foram os dias e meses imediatamente depois? Em Lore, os protagonistas são o inimigo. Os nazistas. A personagem Lore é filha de nazistas, que são presos após a derrocada de Hitler. É a mais velha de 5 filhos e tem que cuidar dos irmãos, o que inclui a árdua tarefa de cruzar a Alemanha totalmente destruída, encontrar comida e abrigo, cuidar de um bebê de colo, passar pelas adversidades e pelas barreiras dos Aliados, até chegar na casa dos avós.

Extremamente bem conduzido, todo esse contexto da luta pela sobrevivência já vale a pena, mesmo porque nos coloca em contato com uma realidade pouco explorada. Porém, o mais interessante do filme é a discussão ética que ele propõe. Pelo caminho, Lore encontra-se com um rapaz judeu, sem o qual ela não seria capaz de conduzir a família. Ele se dispõe a ajudá-la e ela revida com o ódio plantado pelas crenças e comportamento dos pais. Inteligente e sutil, o filme coloca toda a problemática da formação da geração que viveu a guerra, seja ela do lado que for. Na construção do preconceito e do contraponto com a tolerância. E na importância da formação e dos valores passados pela família. Pelo bem e pelo mal, eles sempre vêm à tona. Fico pensando o que deve ter sido restaurar a sociedade alemã depois de tudo o que se viveu. Fico pensando que fim Lore deu à sua conduta e à sua vida.

Indicado da Austrália ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012, Lore é emocionante no roteiro, nas imagens e na entrega dos atores. Não seria nada sem atores integralmente envolvidos. Pareceria folhetim. Lore tem uma autenticidade ímpar, facilmente capaz de emocionar.

 

DIREÇÃO: Cate Shortland  ROTEIRO: Cate Shortland, Robin Mukherjee ELENCO: Saskia Rosendahl, Kai-Peter Malina, Nele Trebs, André Frid, Mika Seidel, Ursina Lardi | 2012 (109 min)

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O PIANO – The Piano
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Rever, Nova Zelândia, Drama, Austrália - 01/04/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Jane Campion

ELENCO: Holly Hunter, Harvey Keitel, Sam Neill, Ana Paquin, Kerry Walker

Austrália, Nova Zelândia, 1993 (121 min)

Quando o filme tem um roteiro envolvente e amarrado e me fisga de uma maneira especial, deixando-me absolutamente absorvida pela história, confesso que muitas vezes me sinto no mais absoluto silêncio. Interno também. É como se o enredo, a realidade da tela me subtraísse da realidade, dos meus pensamentos e sentimentos. Entro no filme, por assim dizer. E quando isso acontece, a música também é absorvida, mas de uma maneira diferente. É como se eu a percebesse como conjunto, fazendo parte da imagem, da encenação, do cenário. Quando o todo é harmônico, a trilha ganha outras dimensões, fazendo com que muitas vezes eu me esqueça (ou não consiga) senti-la isoladamente.

Falha minha, eu sei. Principalmente em filmes como O Piano, em que a música compõe a trama e o drama vivido por Ada (Holy Hunter) e sua filha Flora (Anna Paquin, também em O Casamento do Meu Ex), ambas vencedoras do Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante respectivamente, e o filme levou também o de melhor roteiro. Elas se mudam da Escócia para a Austrália em meados do século 19, pois Ada está de casamento marcado com um rico fazendeiro. Muda, capaz de se comunicar através de gestos e com a ajuda de sua filha, ela se apaixona pela pessoa errada. Sempre com o piano como intermediário das cenas e dramas, compondo um panorama intenso e emocionante.

Sentir a música dessa maneira é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque mostra que o filme forma um conjunto equilibrado, capaz de emocionar e tocar o espectador profundamente. Ruim porque a trilha linda e bem cuidada não é apreciada isoladamente, mas sim como composição do conjunto – acabou o filme e fiquei com vontade de ouvi-la de novo. Se quiser rever O Piano, pode tentar fazer o exercício de prestar especial atenção à trilha. Não em detrimento de todo o resto, que é belíssimo. Mas com o olhar – e ouvidos – de quem aprecia uma obra que fala por si só.

 

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A ÁRVORE – The Tree
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Drama, Austrália - 14/03/2012

DIREÇÃO: Julie Bertuccelli

ROTEIRO: Judy, Julie Berteccelli

ELENCO: Charlotte Gainsbourg, Morgana Davies, Marton Csokas

França, Austrália, 2010 (100 min)

 

Charlotte Gainsbourg desta vez não está tão melancólica, embora tenha sim uma tristeza inerente ao personagem já que seu marido morre repentinamente. Digo desta vez porque da última que a vimos no cinema ela era uma das protagonistas, ao lado de Kirsten Dunst, no maravilhoso Melancolia. E ainda, como se não bastasse essa fama de “carregar o mundo nas costas”, é ela também a protagonista do conturbado e controverso Anticristo em que tem que lidar com a morte do filho, transcende os limites da sensatez e nos deixa, espectadores, também muito incomodados com tanta angústia.

No contemplativo A Árvore, da diretora francesa Julie Bertuccelli, Charlotte é Dawn, uma mãe de quatro filhos que mora em uma casa gostosa no interior da Austrália e tem uma vida feliz ao lado do marido. Após sua morte, Dawn vive o luto, mas demonstra vontade de seguir vivendo, de se alegrar, de cuidar dos filhos. É como se ela soubesse aqui que ninguém o substituiria, mas que iria haver um outro caminho, que era preciso esperar. Há tristeza, nos faz parar para pensar, mas há esperança – o que é importante dizer, já que tem um clima diferente dos seus filmes anteriores e definitivamente mais leve.

A esperança está representada pela árvore imensa ao lado da casa, que rende o título do filme, cujas raízes já prejudicam a sua estrutura, mas onde sua filha de 8 anos imagina (e sente) a presença do pai. É aqui que entra a metáfora: as raízes da árvore, da casa, da família, da vida passada se confundem e se mostram fortes e fracas, preenchem e incomodam. É como se só o tempo e a própria natureza fossem capazes de mostrar o rumo a seguir – e aqui a árvore tem uma grande parcela de responsabilidade. Sensível e delicado, A Árvore é uma singela vivência da perda, do luto e da luz que aparece das situações mais imprevisíveis.

 

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O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO – Mao’s Last Dancer
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Drama, Biografia, Austrália - 09/12/2011

DIREÇÃO: Bruce Beresford

ROTEIRO: Jan Sardi, Li Cunxin (autobiografia)

ELENCO: Chi Cao, Bruce Greenwood, Kyle MacLachlan, Wen Bin Huang, Penne Hackforth-Jones, Christopher Kirby, Madeleine Eastoe

Austrália, 2009 (117 min)

 

Nos cinemas: 9 de dezembro

 

A primeira referência que me veio à mente ao assistir a O Último Dançarino de Mao, baseado na autobiografia Adeus, China – O Último Bailarino de Mao (Fundamento, 2007, 400 páginas), é o filme com o Mikhail Baryshnikov, O Sol da Meia-Noite, de 1985. Nele, o bailarino russo exilado nos Estados Unidos tem de fazer um pouso forçado no território soviético a caminho do Japão e acaba preso pela KGB por ser considerado um traidor. Fica isolado na Sibéria, sob cuidados de um bailarino americano que desertou do exército e casou-se com uma russa. A história toda gira em torno da saída ou não do território fechado da ex-União Soviética, do envolvimento da embaixada, da mídia, da opinião popular e, obviamente, traz à tona o tema da liberdade de ir e vir, de pensar, de se expressar em regimes autoritários e cruéis.

O Último Dançarino de Mao retoma o assunto, contando a história verdadeira de Li Cunxin, que era um menino de 11 anos como tantos outros nas regiões remotas e carentes da China comunista de Mao, em plena Revolução Cultural nos anos 1970, quando as formas de arte deveriam ser politizadas, militarizadas. Foi escolhido para dançar balé na Academia de Dança de Pequim, submetendo-se a treinamentos intensos, dolorosos e competitivos. Em tempos de penúria e de forte influência do Partido, ser escolhido significava ganhar na loteria – era, de fato, uma chance única de ser alguém na vida aos olhos da família.

Em 1979, Li Cunxin é escolhido para representar a China nos Estados Unidos, num intercâmbio cultural incentivado pelo governo dos dois países. Segue para o Texas, onde se depara com um mundo completamente diferente, do consumo à arquitetura, à liberdade de expressão. A partir daí Li faz suas escolhas, sempre recheadas de fatores políticos, envolvimento emocional, diplomacia – já que um abismo separa a China familiar e censurada, da possibilidade de ser livre, de fazer uma carreira internacional sólida e bem sucedida.

A meu ver, há um importante contraponto em O Último Dançarino de Mao, do diretor australiano Bruce Beresford (também de Conduzindo Miss Daisy). Ao mesmo tempo em que é sentimental demais em algumas cenas e mostra personagens rasos, tem cenas belas e delicadas, momentos de verdadeira superação e escolhas difíceis. Talvez as coisas tenham realmente se dado dessa maneira, dramáticas. O ator e bailarino Chi Cao, escolhido para interpretar Li Cunxin, é intenso na sua interpretação e as cenas de dança são lindíssimas – gosto em particular da mais informal delas, a última. Quando vejo esse tipo de filme, procuro ter em mente o fato de ser uma história real. Isso muda tudo. Como eu dizia, apesar do sentimentalismo em alguns momentos, a história de vida supera qualquer excesso. Um registro importante e histórico de uma China que ainda reprime, mas que já presenteia seu bilhão com o capitalismo que tanto surpreendeu Li naqueles anos.


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HAPPY FEET 2
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Divertir, Austrália - 24/11/2011

DIREÇÃO: George Miller

ROTEIRO: George Miller, Paul Livingston, Warren Coleman

Estados Unidos, 2011 (100 min)

Politicamente correto, os pinguins e todas as outras espécies que vivem na Antártida têm que se unir contra o inimigo comum: o aquecimento global. O homem, vilão do primeiro Happy Feet, agora até que tenta colaborar, mas parece que o estrago já está feito e que a natureza está louca pela desforra. Claro que nem tudo é lição de moral, do tipo “fizeram-agora-engulam”. Mas nas entrelinhas, deixa bem claro que é preciso a colaboração de todos se quisermos lutar contra um mal poderoso e implacável – e isso serve também para os animais, liderados pelos pinguins imperadores.

Mano, o pinguin que no primeiro filme sentia-se deslocado porque não sabia cantar com os outros da sua espécie, sabia sapatear como ninguém. Casa-se com sua paixão, a charmosa Glória, que canta maravilhosamente bem, e com ela tem um filho, Erik. Ele é a grande estrela deste filme, mas não sabe sapatear, tem vergonha, sente-se carta fora do baralho por isso e vai literalmente procurar outra turma. Com outra espécie de pinguins, elefantes-marinhos e os minúsculos krills, os imperadores precisam enfrentar os deslocamentos dos gigantescos icebergs, o derretimento da neve e a mudança que isso causa na cadeia alimentar e na sobrevivência das espécies.

Apesar dessas situações ecologicamente corretas, que podem despertar nas crianças a tão desejada necessidade de preservação do meio ambiente e render conversas interessantes, acho que Happy Feet 2 é mais bonito e graficamente impecável (é 3D!) do que moralista; mais agradável e divertido do que político. Adoro animação – já disse isso aqui – e se você for acompanhado de crianças que ainda se encantam com a graça do pequeno Erik e dos filhotes de elefante-marinho, tanto melhor. Um delicioso programa em família!

 PROGRAME-SE: Em cartaz dia 25 de novembro!

 

 

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SHINE – BRILHANTE
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Rever, Austrália - 14/02/2011

DIREÇÃO: Scott Hicks

ROTEIRO: Scott Hicks, Jan Sardi 

ELENCO: Geoffrey Rush, Justin Brane, Sonia Todd, Armim Mueller-Stahl, Lynn Redgrave, Noah Taylor, Jonh Gielgud, Alex Rafalowicz, Chris Haywood

Austrália, 1996 (103 min)

Vencedor do Bafta de melhor ator coadjuvante (prêmio da Academia Britânica de Cinema), por O Discurso do Rei, Geoffrey Rush é imbatível em Shine – Brilhante, quando ganhou o Oscar de melhor ator. Retratar o pianista australiano David Helfgott, que era brilhante na música, intenso na sua interpretação, porém frágil ao lidar com o autoritarismo do pai castrador, redeu-lhe um personagem único e inesquecível. Revi Shine justamente por causa dessa lembrança da figura forte e frágil, do talentoso pianista que só conseguiu se estabilizar e voltar a tocar em público graças à dedicação e afeto da esposa Gillian (Lynn Redgrave).

A história de David emociona, não só pela sua superação, mas por mostrar sem meias palavras as consequências dos maltratos que sofreu na infância. Oprimido e castigado por um pai frustrado e autoritário, ignorado por uma mãe submissa e completamente omissa, David desenvolve sua incrível habilidade musical, mas continua emocionalmente inseguro, confuso, perturbado emocionalmente, num quadro típico de esquizofrenia. Exigido ao extremo, seu sistema emocional entra em colapso e ele se torna um sujeito sem lugar na sociedade. Mais uma vez o cinema mostra uma história real, em que a recuperação da auto-estima e do talento só é possível através do apoio familiar, firme e amoroso, coerente e compreensivo. Vale a pena rever.

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