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África do Sul

CHAPPIE
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Garimpo na Locadora, Ficção Científica, Estados Unidos, África do Sul, Ação - 13/04/2015

Não vi Distrito 9 (parece que é o seu melhor filme) e confesso que me dá preguiça de ver. Vi Elysium, que também mostra o conflito social, o mundo podre dos pobres e o intocável dos ricos. Parece que o tema é sempre o mesmo: analisar as diferenças sociais, os mandos e desmandos dos mais abastados e preparados, o uso da tecnologia no abuso do poder. Chapei vai pela mesma linha, mas tenta ser diferente com a figura do simpático robô-humano.

Chappie, descartado por uma empresa que constrói androides, é resgatado pelo gênio da tecnologia Deon Wilson (Dev Patel, também em O Exótico Hotel Marigold, Quem Quer Ser um Milionário?). Ele resolve fazer a experiência da sua vida: instalar um chip que transfere para o robô os sentimentos humanos, a tal inteligência artificial, evitando que ela responda só aos comandos frios das máquinas, com acontece com os androides produzidos para atuar como força policial em Johanesburgo. Aqui entra a luta dos lados opostos: Deon quer humanizar o robô, ensiná-lo a distinguir o certo do errado; o lado dos malvados da história obviamente não suporta isso e quer terminar com a sua raça.

O robô é sentimental, enquanto o resto da turma é um tanto quanto forçada. A começar pelo vilão Vincent (Hugh Jackman, também em Os Suspeitos, X-Men, Wolverine, Os Miseráveis). Ex-militar, quer fazer implicar na fábrica de robôs um robô-malvado, daqueles que obedecem os comandos de seu criador sem piedade, destruindo os androides que tanto lhe fizeram concorrência. Um tanto quanto batido, sem falar no raso personagem de Jackman. O casal de malandros profissionais é caricato e cansativo, embora seja o papel da mulher aquele que resgata a humanidade em Chappie.

Robô por robô, eu fico com o simpático e querido Wall-E. Que eu me lembre agora, o mais sensível dos robôs do cinema – se bem que R2-D2 e C-3PO de Guerra nas Estrelas também não tem concorrência. Gosto de Chappie, mas não do conjunto da obra. Melhor seria se estivesse em outras galáxias.

 

DIREÇÃO: Neil Blomkamp ROTEIRO: Neil Blomkamp, Terri Tatchel ELENCO: Sharlto Copley, Dev Patel, Sigourney Weaver, Hugh Jackman | 2015 (120 min)

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UM GOLPE PERFEITO – Gambit
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Comédia, Animação, África do Sul - 26/06/2013

golpe perfeitoDIREÇÃO: Michael Hoffman

ROTEIRO: Ethan Coen, Joel Coen

ELENCO: Colin Firth, Cameron Diaz, Alan Rickman, Stanley Tucci,

Estados Unidos, 2012 (89 min)

Com a chancela dos irmãos Coen no roteiro, participação de Colin Firth (também em O Discurso do Rei, Direito de Amar, O Espião que Sabia Demais) e atores como Staley Tucci no elenco, esse golpe não poderia ser tão baixo assim. Não caia na mesma armadilha que eu. O Golpe Perfeito é uma comédia, daquelas que as trapalhadas são atrapalhadas e não engenhosas, as piadas não têm graça e que a mocinha da história, neste caso Cameron Diaz, não me convence. Portanto, pra se divertir, passar o tempo, dar uma relaxada, pode quebrar o galho. Mas eu diria que o que pesou mais foi o banho de água fria, diante das credenciais.

Tudo gira em torno do curador de arte Harry Deane (Firth), que está sem grana e precisa dar um jeito de conseguir um extra – polpudo, de preferência. A vítima é Lionel Shabandar (Rickman), um milionário e colecionador de obras do cacife dos impressionistas franceses. Aliás, o que Harry quer é convencer Lionel a comprar um Monet falso. Para isso, escala a texana PJ (Diaz, também em O Que Esperar Quando Você Está Esperando, Uma Prova de Amor, O Amor Não Tira Férias) para ajudá-lo na empreitada e montar o circo todo.

Para não dizer que estou exagerando, dê uma espiada no trailer. As cenas foram bem escolhidas – dá para ter uma ideia aproximada do que é o filme. Agora, pra não dizer que não gostei de nada, gostei no desfecho. Esse sim, me pareceu engenhoso. Pena que para isso seja preciso assistir aos 80 minutos anteriores do filme.

 

 

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HOTEL RUANDA – Hotel Rwanda
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Drama, África do Sul - 21/04/2012

DIREÇÃO: Terry George

ROTEIRO: Terry George, Keir Pearson

ELENCO: Don Cheadle, Sophie Okonedo, Joaquin Phoenix, Cara Seymour, Nick Nolte

Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul, 2004 (121 min)

Nossa tarefa é manter a paz, não estabelecer a paz. Temos ordem para não intervir.” – funcionário das Nações Unidas

Um pequeno resumo, para nossas mentes distraídas: Ruanda, na África, era colônia belga, governada com consentimento dos tutsis, etnia minoritária. Depois da independência, os hutus, etnia majoritária, tomam o poder, têm sede de vingança, armam a violenta e implacável milícia Interahamwe e comandam um massacre de mais de 800 mil pessoas – inclusive crianças, para dizimar os tutsis pela raiz. Apesar da presença das Nações Unidas no país, apesar do acordo de paz firmado. Apesar de tudo, o massacre aconteceu bem embaixo dos olhos de todo o mundo. Literalmente.

Hotel Ruanda refresca a nossa memória. Quem não se lembra da notícias sobre a matança, os estupros, a presença das forças de paz e a incapacidade de fazer a diferença? O filme é encabeçado pelo gerente do hotel Mille Collines, Paul Rusesabagina (Don Cheadle, também em Crash – No Limite, Um Hotel Bom pra Cachorro, Doze Homens e Outro Segredo), um hutu, que faz de seu hotel em Kigali um abrigo para os tutsis perseguidos. O filme é absolutamente devastador, tanto do ponto de vista humano, desumano, de solidariedade e descaso, de generosidade e atrocidade. Segue a mesma linha Darfur – Deserto de Sangue no quisito barbaridade, mas é muito mais cruel e muito melhor no quisito cinema.

Assista. Além de um ótimo filme por toda a sua carga trágica e humana ao mesmo tempo, faz parar para pensar. A história é real, Paul Rusesabagina realmente lutou para salvar a vida de centenas de pessoas e tudo isso ocorreu há menos de 20 anos, em 1994, cansando um êxodo de refugiados para os países vizinhos gigantesco. Impressionante, não?

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Sobre a África, assista também a Diamante de Sangue, Life, Above All, Minha Terra, África, Infância Roubada.

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LIFE, ABOVE ALL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, África do Sul - 22/01/2012

DIREÇÃO: Oliver Schmitz

ROTEIRO: Dennis Foon

ELENCO: Khomotso Manyaka, Keaobaka Makanyane, Lerato Mvelase, Tinah Mnumzana, Aubrey Poolo

África do Sul, 2010 (100 min)

Melhor avisar antes: este filme ainda não está disponível aqui no Brasil, a não ser que você alugue no Apple TV. Cheguei nele pela seleção da categoria Un Certain Regard, do Festival de Cannes, e para minha surpresa estava disponível para alugar pelo ITunes. Já disse aqui que gosto especialmente dessa seleção de Cannes, por trazer filmes sensíveis, que têm de fato um olhar apurado e diferenciado sobre algum tema cotidiano e universal como Pecado da Carne (Israel), Trabalhar Cansa (Brasil), Mother (Coreia do Sul), A Banda (Israel), Tulpan (Cazaquistão), Abutres (Argentina).

Life, Above All, ou A Vida, Acima de Tudoretrata a dura realidade de um vilarejo rural nos arredores de Johanesburgo, na África do Sul. A grande protagonista é Chanda (Khomotso Manyaka), uma menina de 12 anos que amadurece antes do tempo pelas dificuldades da vida. Tem de lidar com o padrasto que bebe, com a amiga que se prostitui, com a mãe doente, além de cuidar dos dois irmãos menores e despistar os vizinhos que difamam a família. O diretor Oliver Schmitz (também de um episódio de Paris, Eu Te Amo) dá a Chanda a força e a coragem que são a espinha dorsal do filme.

Sem ser um filme muito especial, Life, Above All foi considerado um dos melhores filmes estrangeiros de 2010 pela associação dos críticos americanos e é de fato um muito bonito filme sobre as sequelas que a AIDS deixou no continente africano, tanto do ponto de vista da doença e da epidemia em si, mas principalmente do ponto de vista do entendimento da epidemia. O que é algo científico, ganha por lá um sentido de maldição, de penalidade, de vergonha; o que é para ser combatido com medicamentos e tratamento é feito de acordo com as crenças e rituais. Chanda representa a família destruída não só pela doença, mas principalmente pela perda da honra, da dignidade aos olhos dos vizinhos. Mas aos olhos do diretor, é preciso também deixar claro que o amor de mãe e filha, a capacidade de acolher e perdoar são o grande motor dessa menina-guerreira.

DICA: Quem quiser ver mais sobre o tema África, não deixe de assistir a Minha Terra, África, com Isabelle Rupert. Também um retrato muito interessante e intenso sobre a realidade do continente, mas aqui tem um viés político e colonialista.

 

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BORBOLETAS NEGRAS – Black Butterflies
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, África do Sul - 15/09/2011

DIREÇÃO: Paula van der Oest

ROTEIRO: Greg Latter

ELENCO: Carice van Houten, Rutger Hauer, Liam Cunningham, Grant Swanby

África do Sul, Holanda, 2011 (100 min)

África do Sul em pleno Apartheid dos anos 1960. Segregação, censura e repressão total aos negros, inclusive no campo cultural, contra aqueles que ousassem trazer à tona o extremo racismo contra toda e qualquer manifestação que pudesse contestar o status quo. A poetisa Ingrid Jonker sente isso dentro de casa, pelo olhar e palavras cortantes de seu pai. Severo e implacável, Abraham Jonker (Rutger Hauer) é o chefe do departamento de censura do Apartheid e contribui – e muito – para a instabilidade emocional e afetiva e o inconformismo que Ingrid carrega durante sua breve vida. Acaba não suportantdo conviver com ela mesma, com o amor intenso e incontrolável que sente pelo escritor Jack Cope e com outros tantos amantes. Ao mesmo tempo. Viver parece demais para ela e isso é mérito da direção da Paula van der Oest e da talentosa atriz Carice van Houten, como Ingrid.

Impossível não associar a imagem da descontrolada e passional Ingrid com outras mulheres magistralmente retratadas no cinema. O olhar desesperado de Camille Claudel (na pele de Isabelle Adjani), o ar ausente de Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno) em Vincere, a desilusão da diva Piaf (Marion Cotillard) são alguns exemplos da loucura que se apodera de mulheres intensas e apaixonadas, que levam o amor e a incompreensão às últimas consequências. Além de uma história realmente comovente, Borboletas Negras traz um elemento do cinema de que gosto muito: nos aproxima de uma realidade distante. Aqui, a África do Sul dos guetos, dos ricos, dos poetas, dos poderosos é retratada lindamente, com uma linda produção. Com uma fotografia impecável, o filme tem uma preocupação estética que transborda para a poesia de Ingrid. Legado que foi resgatado pelo próprio Nelson Mandela, quanto tomou posse em 1994.

 

 

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INFÂNCIA ROUBADA – Tsotsi
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, África do Sul - 01/08/2010

DIREÇÃO:  Gavin Hood

ROTEIRO: Athol Fugard e Gavin Hood

ELENCO: Presley Chweneyagae, Terry Pheto, Kenneth Nkosi, Mothusi Magano e Zenzo Ngqobe

África do Sul e Inglaterra,  2005 (94 min)

Dizem alguns que este filme é a versão sul-africana de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles (também de O Jardineiro Fiel). Não é, definitivamente. A produção brasileira é incrível porque a atroz realidade da sociedade choca, do começo ao fim. Choca por ser real e artística ao mesmo tempo. Infância Roubada também retrata a realidade das favelas, mas sem a veracidade, muito menos a arte, do filme de Meirelles. 

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006, Infância Roubada conta a história da guerrilha urbana comum a qualquer grande cidade, onde está estampado o abismo entre as classes sociais dos países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento. O filme ganha esse nome em português porque trata justamente da questão dos jovens delinquentes das favelas de Johanesburgo, na África do Sul, como se a infância problemática e traumática justificasse a bandidagem da fase adulta. Não gosto da escolha, mesmo porque o termo é um clichê sociológico. Melhor seria manter o título original, Tsotsi, apelido do protagonista, líder da gangue que assalta, mata, sequestra com a certeza da impunidade.

O filme vai num crescente, é verdade, mas a cena final é o que eu mais gosto nele. No decorrer da história, fica clara a sensação de abandono da sociedade marginalizada, de como uma infância violenta e sem carinho traumatiza e não dá opções além do “salve-se quem puder”. Também é lógica a condição de reféns dos moradores honestos e trabalhadores das favelas, suscetíveis ao crime que mora ao lado. Mas achei que o diretor Gavin Hood vitimiza o personagem e dramatiza demais em algumas cenas. Talvez por isso o fim me agrade mais. É o clímax, é onde está a dúvida, o questionamento. É aqui que ficamos presos, até o desfecho. A África do Sul (também retratada em Invictus), tão falada por causa da Copa do Mundo, tem aqui uma dimensão nada poética e bastante comum aos nossos olhos (a realidade das favelas está em filmes brasileiros como Linha de Passe e Última Parada 174).

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