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Suspense

ANIMAIS NOTURNOS – Nocturnal Animals
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Suspense, Para se Emocionar, Para Pensar, Estados Unidos, Drama - 06/01/2017

Vale lembrar quem é Tom Ford: antes de cineasta, é estilista e responsável pela revitalização da Gucci. Portanto, olho bem aberto para a estética impecável de tudo que Ford faz – inclusive seu filme anterior, Direito de AmarAnimais Noturnos é de uma intensidade absurda – chega a rasgar o coração. Despeja, sem dó, o espectador dentro da tela, usando a estratégia de trazer uma história pra dentro da própria narrativa – tão bem amarrado que a gente até se esquece do que é a realidade da personagem, o que é ficção.

Vale dizer também que a Ford constrói dois mundos, bem distintos. Complementares, talvez. O claro, a sombra; o frio e impessoal, o confuso e caótico; o racional, o visceral. Susan, personagem da maravilhosa Amy Adams (também em A Chegada) – quanto talento em tanta frieza e insegurança! – e Tony, Jake Gyllenhaal (também em Evereste, O Abutre), vivem dois dramas. Na vida real, Susan e Tony foram casados, algo acontece e eles se separam. Susan se casa com um sujeito lindo e rico, que já a engana com outra. Vidas à parte. Susan lida com arte, é galerista – convive entre a perfeição da estética minimalista e contemporânea da arte, e o grotesco da vida real na pele das modelos que pousam na exposição da cena inicial. Sozinha e solitária, Susan recebe de Tony um livro escrito por ele, dedicado a ela. A história é de barbárie: a mãe e as duas filhas são violentadas e assassinadas por marginais na estrada, enquanto o pai fica refém dos assassinos. Chocante – e Susan devora o livro, assim como a gente devora a sua história pessoal.

Curioso Tom Ford, que é estilista da elite da moda, entrar a fundo nesse panorama do poder da imagem, da futilidade, da vaidade, da burguesia, do consumo. Faz uma reflexão importante. O que é, afinal, ficção e realidade? O terror de Susan era virar um espelho da sua mãe – conservadora e preconceituosa – e acaba repetindo o padrão, assim como previsto. Quantos de nós não repetimos e perdemos a essência, aquilo que somos. Animais Noturnos traz tudo isso, além da tensão de acompanhar relações humanas tão complexas na tela. E traz uma história de desamor – o que sempre é carregado de uma pitada de realidade.

 

DIREÇÃO: Tom Ford ROTEIRO: Tom Ford, Austin Wright ELENCO: Amy Adams, Jake Gyllenhall,  Michael Shannon, Aaron Taylor-Johson, Isla Fischer | 2016 (116  min)

 

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SOB PRESSÃO
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para se Emocionar, Para Pensar, Garimpo na Locadora, Drama, Brasil, Ação - 22/11/2016

Sempre me perguntei por que é que tanta gente gosta das séries que se passam em hospital, com médicos debruçados nas mesas de cirurgia, sangue pra tudo quanto é lado, doenças das mais variadas, cirurgias em tempo real, morte. Gente até que não aguenta muito “sangue” gosta e é fato que esse tipo de atividade exerce um certo fascínio. São quase super-heróis. Quando se trata de hospitais com equipamentos de última geração e equipes treinadas e capacitadas, como na série Critical, da BBC, ou em Grey’s Anatomy Dr. House, mais fácil ainda de entender.

Transportando isso para a realidade nua e crua das comunidades brasileiras, em que os hospitais nas periferia ou favelas são dominados pelos donos dos morros e do tráfico, o que se pratica é “medicina de guerra”. Instalado em uma comunidade, o hospital de Sob Pressão funciona de acordo com o andamento da guerrilha entre traficantes e policiais. Tem bala perdida e não-perdida para todos os lados e, na ética médica, não deveria importar a origem, sexo, cor, idoneidade do paciente. Bastaria ser uma vida humana pra ser atendida. A preferência é daquela que está em situação mais grave. Mas o critério não funciona para o médico Evandro (Julio Andrade, também em cartaz com Elis e Maresia), que é chefe da emergência, precisa operar um bandido, uma criança baleada (filha de gente bacana e importante do Rio) e um policial. Sofre todo tipo de pressão – inclusive da falta de equipamentos adequados, sangue compatível, equipe de médicos.

Sob Pressão é bem interessante e te deixa sob a tensão da emergência de um local como esse. É produção brasileira bem feita, com Andrea Beltrão, Marjorie Estiano, Ícaro Silva e Stepan Nercessian fechando o elenco bem formado. E apesar dos pesares, de todo sangue e desgraça, não é só no hospital-hotel inglês que os romances acontecem. Aqui também tem espaço, porque ninguém é de ferro.

 

DIREÇÃO: Andrucha Waddington ROTEIRO: Leandro Assis, Renato Fagundes ELENCO: Júlio Andrade, Andrea Beltrão, Stepan Nercessian, Ícaro Silva, Marjorie Estiano | 2016 (

 

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A GAROTA NO TREM – The Girl on the Train
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia - 27/10/2016

O trailer lembra o filme Garota Exemplar (Gone Girl): existe uma linda mulher, que tem um relacionamento intenso, desaparece de repente e as pessoas entram em parafuso à sua procura. No trem, indo para NY todos os dias, Rachel (Emily Blunt, também em Sicario, O Diabo Veste Prada) observa as pessoas em suas casas, imagina como se relacionam, cria fantasias e suposições, e acaba sabendo mais do deveria sobre essa mulher desaparecida. Do tipo quem-procura-acha. Começa a caçada pela verdade, com reviravoltas e muito suspense. A pegada é bem parecida; o jogo, bem amarrado.

A personagem de Rachel está deprimida, bebe demais e não consegue se desvencilhar do ex-marido, que já está casado com outra. Perde o rumo da própria vida e se mete numa trama difícil de se safar.

Com ótimo ritmo, o filme é baseado no best seller homônimo e realmente vale seu ingresso. Quando o desfecho é surpreendente, é sinal de que o roteiro não deixa pontas soltas. Emily Blunt está perfeita no equilíbrio desequilibrado da mulher ferida, que bate no fundo do poço e precisa de uma boa causa para vir novamente à tona e renascer.

 

DIREÇÃO: Tate Taylor ROTEIRO: Erin Cressida Wilson, Paula Hawkins ELENCO: Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson, Justin Theroux, Allison Janney | 2016 (112 min)

 

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O HOMEM NAS TREVAS – Don’t Breathe
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 11/09/2016

Don’t Breathe é o título original e cabe direitinho. O vilão é cego, tem os outros sentidos mais apurados e é capaz de notar a presença pelo olfato e pela audição. E pelo simples movimento de ar, pela respiração. Quando sua casa é invadida por jovens malandros, o cego é quem manda na escuridão. E é aí que o jogo se inverte.

O enredo é simples e basicamente o seguinte: um ex-militar perde a visão em combate, ganha uma grana de indenização e guarda todo o dinheiro em casa. Três jovens têm o péssimo hábito de arrombar a casa das pessoas, roubar tudo que tem valor e não terem o menor peso na consciência com isso. Parecia simples invadir e roubar o dinheiro da casa de um senhor que mora sozinho e é, ainda por cima, cego. Só parecia.

Daqui pra frente, a tensão é por sua conta e risco. Filme como Rua Cloverfield, 10 tem uma linha parecida de suspense e terror psicológico. Pra quem gosta desse gênero, vai ficar sem respirar. Aliás, título bom, o original: deixa o espectador sem fôlego e já diz de antemão, aos criminosos, que se respirarem, o homem cego segue o rastro.

 

DIREÇÃO: Fede Avarez ROTEIRO: Fede Alvarez, Rodo Sayagues ELENCO: Stephen Lang, Jane Lavy, Dylan Minnette| 2016 (88 min)

 

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ÁGUAS RASAS – The Shallows
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 23/08/2016

Quando o suspense deixa você grudado na poltrona de tanta aflição e vontade de salvar o personagem, é porque o filme cumpre o seu papel. Se alguma hora achar que tem algum exagero, pouco importa. O que conta aqui é que o filme pretende ser um thriller: a surfista que é atacada por um tubarão, refugia-se em um coral sem poder voltar para a praia e luta pra sobreviver até o último momento. É filme de tubarão – simples assim.

Águas Rasas até que tem um enredo por trás, que pretende justificar todo o drama de Nancy (Blake Lively, também em Café Society e A Incrível História de Adaline): ela acaba de perder o irmão, está passando por um momento de vida difícil, não sabe se continua a faculdade de medicina e precisa se reconciliar consigo mesma. A tragédia na praia mexicana passa a ser uma provação e, logicamente, a hora da virada. Nem precisava – porque o que pega mesmo é o seu momento com o tubarão, o medo do desconhecido, o clima de tensão durante praticamente todo o filme.

Eu torci pela Nancy e mente quem diz que não vai torcer para que tudo dê certo. Filmes assim movem esse tipo de sentimento: sobrevivência na telona e na poltrona, com direito à trilha sonora de suspense – que, claro, lembra a sensação inesquecível do clássico Tubarão de 1975, de Steven Spielberg, que ainda mora no nosso imaginário.

 

DIREÇÃO: Jaume Collet-Serra ROTEIRO: Anthony Jaswinski ELENCO: Blake Lively, Óscar Jaenada, Angelo Jose | 2016 (86 min)

 

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RUA CLOVERFIELD, 10 – 10 Cloverfield Lane
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, fantasia, Estados Unidos - 08/04/2016

Primeiro longa do diretor já chega com um suspense pra lá de interessante – e com um ritmo alucinante. Não é novidade conviver com sequestrados e sequestradores no cinema, e os desfechos são os mais variados possíveis. Rua Cloverfield, 10 entra nesta prateleira, porque certeza do final você só vai ter mesmo no último segundo.

Aliás, esta é a premissa do filme: não saber. A gente não sabe quem é Howard (o sempre ótimo John Goodman, também em O Natal dos Coopers, Trumbo, Inside Llewyn Davis), se ele mente ou fala a verdade, se ele é violento, compassivo, psicopata, generoso, louco, ou todas as anteriores. Se construiu o bunker porque realmente o mundo acabou ou se é tudo imaginação da sua cabeça. Fato é que Michelle (Mary Elizabeth Winstead) briga com o namorado, pega o carro feito maluca, sofre um acidente e acorda presa num subsolo de um lugar qualquer, amarrada.

Tudo se passa nesse cativeiro, já que o mundo acabou lá fora. O resto, você vai ver com seus próprios olhos e vai ficar ficar um tanto quanto tenso até que tudo se esclareça. Ou não! Ótimo suspense, ótimo ritmo e, de fato, uma boa história.

 

DIREÇÃO: Dan Trachtenberg  ROTEIRO: Josh Campbell, Matthew Stuecken ELENCO: John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr. | 2016 (103 min)

 

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PRESSÁGIOS DE UM CRIME – Solace
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Ação - 25/02/2016

Escrito originalmente para ser a sequência do ótimo Seven – Os Sete Pecados Capitais, acabou não vingando desta forma e foi produzido sem relação com o filme dirigido por David Fincher. Mas é interessante ver que Presságios de um Crime trabalha com uma premissa parecida: um serial killer pragmático mata, não deixa qualquer vestígio, os investigadores do FBI desconfiam que os casos possam estar relacionados, mas não sabem por onde começar. Acabam pedindo ajuda para um médico com poderes paranormais (Anthony Hopkings, também em O Silêncio dos Inocentes), que se aposentou depois da morte da filha, mas consegue antever o futuro. E essa pode ser a chave para desvendar os assassinatos.

Dito isso, já dá pra entender o óbvio: quanto mais informação você tiver sobre o filme, menos vai se surpreender e a chance de você entrar na trama e na caça ao assassino é menor. Infelizmente, o trailer é daqueles estraga-prazer e já sai desvendando o que não devia. Se der pra não assistir, melhor.

Dirigido pelo brasileiro Afonso Poyart (também de 2 Coelhos), Presságios discute a eutanásia sim, inclusive com o viés de alguém que está “brincando de Deus”. Mas isso é sugerido de maneira muito superficial, assim como fica na superfície também a construção dos personagens – aspectos que poderiam ter sido mais explorados e, de uma forma até pouco sutil, deixam um buraco grande no roteiro do filme. O que fica é um filme essencialmente investigativo, pra quem quer suspense. Tem muita ação, alguns crimes para solucionar e um assassino inteligente e lógico pra compreender.

 

DIREÇÃO: Afonso Poyart ROTEIRO: Sean Bailey, Ted Griffin ELENCO: Anthony Hopkins, Jeffrey Dean Morgan, Colin Farrell, Abbie Cornish | 2015 (101 min)

 

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13 HORAS: OS SOLDADOS SECRETOS DE BENGHAZI – 13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para Sentir Medo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Ação - 24/02/2016

Por Suzana Vidigal

Quando estoura a guerra civil na Líbia em 2011, todas as missões diplomáticas foram abortadas, menos a americana. Para proteger os agentes secretos que ficaram no país, o governo dos Estados Unidos manda pra lá uma equipe de soldados especiais, aqueles treinados para enfrentar qualquer situação no mar, no ar ou na terra, os famosos SEAL, que são os soldados secretos de Benghazi do título. Não havia nada mais perigoso do que estar na Líbia naquele momento.

Acontece que no dia 12 de setembro de 2012, o embaixador americano estava por lá, em uma base diplomática bem mal protegida. Milícias terroristas, que se apoderam das armas de Kadafi depois que ele é deposto e morto, mandam no país sem governo e querem os americanos longe dali. Resolvem atacar esse posto diplomático em Benghazi e a única chance de salvamento é contar com os ex-militares de elite, que estão uma base ali perto. O que acontece depois é história real, contada no livro homônimo que deu origem ao filme.

E parece tudo real mesmo – aliás, isso é o que mais impressiona. O filme é mais longo, mas muito bem feito, com a tensão sempre no limite e a morte sempre presente. Ação o tempo todo, desentendimentos na hora das decisões, questões de liderança, atitude e preparo profissional. Sem falar no horror do terrorismo em si, já visto em outros filmes que mostram ataques parecidos. Lembrei do ataque das milícias em Hotel Ruanda, dos iranianos à embaixada americana em Argo, dos árabes à vila olímpica em Munique.

Pra quem não está disposto a entrar nesse clima de guerra, atiradores de elite, milícias violentas, sangue, suor, estresse, tensão, melhor garimpar outro filme por aqui. 13 Horas é o tempo que dura o conflito, os ataques das milícias, a resposta dos americanos, o pânico e as mortes sequenciais. Dura a madrugada toda e a sua aflição também vai durar. Deixa aquela sensação ruim de que, se houver algum tipo solução pra esses conflitos que usam a religião como desculpa, é preciso criar um mundo novo.

 

DIREÇÃO: Michael Bay ROTEIRO: Chuck Hogan, Mitchell Zuckoff ELENCO: John Krasinski, Pablo Schreiber, James Badge Dale, Dominic Fumusa, Max Martini | 2016 (164 min)

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O QUARTO DE JACK – Room
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 18/02/2016

A atriz Brie Larson fez por merecer tantos prêmios. Já arrebatou o Globo de Ouro, o Bafta (o Oscar britânico) e agora só falta o Oscar no dia 28. Dar credibilidade à figura da jovem mãe, que passa sete anos presa dentro de um quarto (aliás, gosto bem mais do título em inglês, simplesmente Room), refém das vontades e mandos de um sequestrador, com seu filho Jack, não é trabalho pra qualquer uma.

Assisti a este filme sem saber detalhes e nem desconfiava do desfecho. Convido você a fazer o mesmo. Cada detalhe é uma descoberta – e uma angústia – transmitida com muita força e verdade pela mãe e pelo filho, representado de forma impressionante pelo jovem ator Jacob Tremblay, que na época tinha só cinco anos.

O que eu diria, sem estragar a beleza e a força da maternidade que o filme traz de maneira tão essencial, é que vale a pena reparar na maneira com que o menino se dirige às coisas que existem no seu quarto. Personifica os objetos, cria seu próprio mundo e faz perguntas que, apesar de óbvias para nós que conhecemos a realidade, o “mundo fora do quarto”, são profundas e mostram como tudo nessa vida é relativo. Depende do ponto de vista e da amplitude do horizonte que temos como referência. Meu voto no Oscar vai pra Brie Larson, sim!. Mesmo que não ganhe, ela já ganhou!

 

DIREÇÃO: Lenny Abrahamson ROTEIRO: Emma Donoghue ELENCO: Brie Larson, Jacob Trembley, Sean Bridgers, Joan Allen | 2015 (118 min)

 

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