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Policial

SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS
CLASSIFICAÇÃO: Policial, Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 07/01/2016

Spotlight é o nome da equipe de jornalistas do The Boston Globe responsável por investigações especiais. São eles que apuram as histórias de alto impacto, fazendo reportagens que normalmente levam muitos meses e causam grandes controvérsias. Na redação, há um espaço reservado só pra eles e são escalados para mergulhar nos temas mais espinhosos. Com a investigação iniciada em 2001, foram eles que jogaram o holofote sob o escândalo que ninguém queria enxergar: a pedofilia endêmica na Igreja Católica, espalhada pelo mundo todo.

Baseado em fatoso reais, um dos filmes mais esperados do ano tem dois trunfos importantes: o primeiro é o foco nos bastidores da redação, com suas discussões sobre ética jornalística, apuração e dever com a verdade. Trazer à tona só alguns dos casos de pedofilia não surtiria efeito. Era preciso provar que o alto clero era conivente, assim como outras poderosas autoridades, e chacoalhar essa rede de abusos sexuais e tortura psicológica que já durava décadas.

O outro trunfo é o elenco. Formado por Rachel McAdams (também em Questão de Tempo), Michael Keaton (também em Birdman), Mark Ruffalo (também em Sentimentos que Curam) e Stanley Tucci, o diretor Tom McCarthy (também do ótimo O Visitante) consegue dar ao filme um ritmo investigativo, envolver o espectador na estratégia jornalística e imprimir um tom de urgência importante, apesar de já sabermos a dimensão global do absurdo – você vai ver os números. Prova de que fazer justiça era o objetivo maior daquela operação de guerra. Deu no que deu.

 

DIREÇÃO: Tom McCarthy ROTEIRO: John Singer, Tom McCarthy ELENCO: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery, Stanley Tucci | 2015 (128 min)

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O SEGREDO DOS SEUS OLHOS – El Secreto de Sus Ojos
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Policial, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Drama, Argentina - 08/11/2015

De tão bom, resolveram fazer uma outra versão, agora americana, que vai se chamar Olhos da Justiça (estreia 10/11). Mas não tem nem comparação. Embora a versão americana conte com elenco estrelado – Nicole Kindman, Julia Roberts, Chiwetel Ejiofor – Ricardo Darín vale por eles todos na versão argentina, que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro naquele ano.

Falei de Ricardo Darín porque ele se tornou o ícone do cinema argentino. A lista de filmes é imensa: O Filho da Noiva, Kamchatka, Abutres, Um Conto Chinês, Elefante Branco, O que os  Homens Falam, Tese sobre um Homicídio, Relatos Selvagens – só pra citar os mais bacanas. Mas em O Segredo dos Seus Olhos ele conta com a presença de um elenco superafinado – sem o qual o filme não teria o mesmo brilho.

Quem escreve e dirige é Juan José Campanella, também da animação Um Time Show de Bola – que não teve a repercussão que merecia. E tudo é muito bem feito: conta a história de um oficial de justiça aposentado, que escreve um livro sobre um homicídio do qual foi testemunha nos anos 70. Nunca aceitou o desfecho dado pela justiça, resolve reabrir o caso com ajuda da sua ex-chefe e mulher amada depois de 20 anos, e acaba causando uma reviravolta. Recheado de diálogos inteligentes, o thriller tem uma linda ambientação da Buenos Aires daquela época, um ótimo suspense e um subliminar amor que se forma nas entrelinhas.

É o que há de mais bacana no cinema argentino dos últimos anos. Vale rever antes de assistir à versão americana. Aí você compara, põe na balança e pensa: que valor não tem a sutileza!

DIREÇÃO: Juan José Campanella ROTEIRO: Eduardo Sacheri, Juan José Campanella ELENCO: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago | 2009 (129 min)

 

 

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SICARIO: TERRA DE NINGUÉM – Sicario
CLASSIFICAÇÃO: Policial, Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Ação - 22/10/2015

A expectativa em torno de tudo que Davis Villeneuve põe a mão é sempre enorme pra mim. Se você não tem como referência Incêndios, aproveita pra ver. Uns dizem que superestimaram o direitor canadense com esse filme. De jeito nenhum. Incêndios é de fato espetacular na forma, no drama, no roteiro e na intensidade do envolvimento do espectador – você não desgruda da tela, não só porque é bem feito tecnicamente, mas porque a crueldade do ser humano move você de um jeito assustador. (Também é do diretor Os Suspeitos e O Homem Duplicado, que também merecem sua atenção.)

Sicario tem esse viés parecido da índole ruim e vingativa inerente ao ser humano, que joga mil baldes de água fria em qualquer conduta baseada, acima de tudo, na ética e na justiça. Aqui, diferenciar certo e errado não é o que importa; o foco é deixar bem claro quem manda e onde. Simples assim.

Então, prepare-se para uma batalha constante entre questionamentos sérios e sorrisos irônicos; entre a autoridade oficial e as respostas evasivas e identidades veladas. Assim é esse momento devastador da vida da agente especial do FBI Kate Macer (Emily Blunt, também em Caminhos da Floresta, A Jovem Rainha Vitória), quando é escalada para participar de uma missão especial no combate às  drogas na fronteira dos Estados Unidos e México. A operação é estranha, os membros da equipe não são todos devidamente identificados como integrantes oficiais da força especial, as ações não são todas executaras dentro do padrão de qualidade e ética, e nem tudo deve ser reportado aos superiores. Faz parte desse cenário atores do porte de Benicio Del Toro (21 Gramas) e Josh Brolin (também em Evereste) – sem eles a verdade seria menos verdadeira.

O que acontece no “campo de batalha” dessa guerra contra e entre os cartéis é coisa de terra sem lei. “Sicario” quer dizer matador de aluguel. Mas nesse inferno, mata-se mesmo sem ser remunerado pra isso. É o melhor que se tem a fazer é não perguntar o porquê. Questionou, vai dançar.

DIREÇÃO: Denis Villeneuve ROTEIRO: Taylor Sheridan ELENCO: Emily Blunt, Josh Brolin, Benicio Del Toro | 2015 (121 min)

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NA PRÓXIMA, ACERTO NO CORAÇÃO – La Prochaine Fois Je Viserai le Couer
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Policial, Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, França, Drama - 12/08/2015

Guillaume Canet fez dois bons filmes no ano passado, ambos são histórias reais e ambos foram exibidos no Festival Varilux de Cinema Francês. O Homem Que Elas Amavam Demais, com Catherine Deneuve, já saiu de cartaz e vale ser garimpado na locadora quando estiver disponível. Sujeito enigmático, o personagem de Canet, nos dois filmes. Este que estreia agora tem esse título curioso, cruel e muito decidido: acertar a vítima no coração, para que não reste dúvida da sua morte.

É assim que pensa o assassino em série deste ótimo thriller. Canet, também diretor do lindo Até a Eternidade, com Marion Cotillard, é o tal serial killer – e isso não é nenhuma informação estraga-prazer porque já está na primeira sequência do filme. A grande questão, portanto, não é descobrir quem mata, mas por que ele mata e como vai se safar da polícia. A grande questão é observar suas atitudes, seu controlado descontrole, seu autoflagelo e tentar imaginar até aonde ele vai seguir com as mortes.

O filme dá uma boa análise psiquiátrica. Maníaco, foge da própria sombra, da própria loucura. Corre atrás do próprio rabo, investiga o próprio crime e não encontra saída na sua loucura. Também em Apenas uma Noite, Guillaume Canet mostra, nos dois filmes de 2o14, que realmente é talentoso e bom em criar personagens enigmáticos. Embora não seja roteiro original porque é baseado em episódios que de fato aconteceram entre 1978 e 79 no interior da França, o título é pra lá de original – e carrega um dos elementos cruciais do filme: a crueldade. Título bom é assim: um tiro certeiro no coração da trama.

 

DIREÇÃO: Cédric Anger ROTEIRO: Cédric Anger, Yvan Stefanovitch ELENCO: Guillaume Canet, Ana Girardot, Jean-Yves Berteloot | 2014 (111 min)

 

 

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O ANO MAIS VIOLENTO – A Most Violent Year
CLASSIFICAÇÃO: Policial, Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Ação - 01/04/2015

Em tempos de violência moral no limite da tolerância por aqui, O Ano Mais Violento cai como uma luva. Ou como uma bomba, depende do ponto de vista. Se você tem esperança e acha que ainda há gente honesta e incorruptível, o filme se encaixa bem; se pra você isso é utopia ou mera ingenuidade, que não há bons negócios sem propina, trapaça ou caixa dois, estamos muito mal servidos.

Este novo filme com a grande atriz Jessica Chastain, que não para de trabalhar – só em 2014 foram Dois Lados do Amor, Interestelar e Miss Julie, além deste – é um thriller daqueles que você fica adiando a ida ao banheiro para não perder os detalhes. Que podem ser reveladores: no mundo dos negócios em 1981, o ano mais violento da cidade de Nova York, todos os passos são decisivos. Abel Morales (o ótimo Oscar Isaac, também em Inside Llewin Davis – Balada de um Homem Comum) é um competente empresário do ramo de combustíveis, que ganha mercado rapidamente e passa a incomodar muito seus concorrentes. Auxiliado por sua esposa Anna (Chastain, também em A Hora Mais Escura), ele precisa trilhar seu caminho e driblar – ou aceitar – as tortuosas leis de mercado.

Pena que Jessica Chastain não levou o Globo de Ouro. Tinha concorrente forte, Julianne Moore. Mas foi indicada e mereceu mesmo ser lembrada. Está cada dia melhor. Mas o filme, ela e o ator Oscar Isaac ganharam o prêmio da National Board of Review, um baita reconhecimento. Além de ter um roteiro muito bom e contar uma boa história – obra de J.C. Chandor, também diretor de Margin Call e Até o Fim, ambos filmes com personalidade – O Ano Mais Violento é ambientado no começo dos anos 1980, com figurino e produção superem cuidados e uma linda fotografia. Grata surpresa – daquelas que valem seu ingresso.

 

DIRETOR e ROTEIRO: J.C. Chandor ELENCO: Oscar Isaac, Jessica Chastain, David Oyelowo | 2014 (125 min)

 

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GAROTA EXEMPLAR – Gone Girl
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Policial, Garimpo na Locadora, Estados Unidos - 02/10/2014

Adoro o título original de Garota Exemplar: Gone Girl. Pode ter várias conotações, sendo que a óbvia remete à garota desparecida, que é o que acontece no filme. Ela simplesmente some e o marido (Ben Affleck, também em Argo) é acusado de matá-la. Mas o sentido de que eu mais gosto vai ao encontro da ironia e do fino cinismo deste suspense: é aquele de que a boa moça linda, romântica e compreensiva, que leva boas patadas calada, já não existe mais. Um perfil exemplar que já era, para dar lugar à mulher antenada em tudo ao mesmo tempo e que não dá um só ponto sem nó.

Isso dito não estraga nenhuma das surpresas do filme – e ele é repleto delas. É só espiar o trailer para notar que a lindíssima e espetacular Amy (Rosamund Pike), uma escritora de livros infantis, fala nas entrelinhas apenas com o olhar. Casa-se com o charmoso Nick (Ben Affleck), que também é o ator perfeito para o jeitão do personagem. Tem uma maneira de se portar de quem diz e não diz ao mesmo tempo, joga charme para todos os lados, parece estar sempre em cima do muro. Um olhar cínico, mas atento. Dúbio, duvidoso, sedutor.

De um dia para o outro, Amy desaparece sem deixar rastros, a não ser alguns que levam os investigadores a suspeitar da integridade de Nick. Não é um filme de puro suspense, investigação, tramas. É mais sutil – e por isso bem instigante, também graças ao elenco afinadíssimo e ao roteiro muito bem encadeado. Põe na mesa o perigoso jogo entre os modos masculino e feminino de ser, de reagir, de se comportar e de se vingar. E joga todos os estereótipos e condições pré-estabelecidas no lixo. A única que fica intacta é a da irmandade. O resto não é mais do que um acordo, inclusive – e principalmente – o casamento. Com olhares perigosos e bem mais poderosos do que as palavras. Amy e Nick que se cuidem, porque a opinião pública não perdoa!

 

DIREÇÃO: David Fincher ROTEIRO: Gilian Flynn ELENCO: Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris, Tyler Perry, Carrie Coon, Kim Dickens | 2014 (149 min)

 

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TRUE DETECTIVE | série
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Série, Policial, Para Sentir Medo, Para Pensar, Estados Unidos, Especiais - 21/07/2014

Até agora não sei como é possível uma série ter cinco temporadas e prender tanta a atenção como Breaking Bad. Mas depois que assisti a True Detective, uma temporada com somente oito episódios, me pergunto se tudo aquilo era realmente necessário para contar uma boa história. Tudo bem, são coisas diferentes. Mas confesso que adorei série curta, enxuta, sucinta, sem enrolação. Tem o essencial e uma amarração genial.

True Detective conta a história de dois detetives da polícia de Louisiania, que são parceiros na investigação de um crime horroroso: um corpo é encontrado amarrado numa árvore, com sinais de magia negra e violação. Enquanto a investigação vai rolando e se mostrando cada vez mais complexa, as vidas dos detetives Rust e Marty vai se entrelaçando de uma maneira inevitável. Marty é sociável demais, casado, mulherengo, aparentemente dono do pedaço; Rust é introspectivo, misterioso, solitário e esquisito. Mas cabeça pensante, inteligente, um verdadeiro detetive.

Da maneira como o roteiro é montado, o suspense cresce exponencialmente. O crime acontece em 1995, mas em 2012 eles são chamados a depor por causa de um caso semelhante que volta a ocorrer. A gente acompanha a investigação de 95, do ponto de vista de Rust e Marty, a partir daquilo que eles contam para os atuais investigadores do caso. As reviravoltas são inúmeras; os atores, excelentes; e o cenário inóspito, desumano, pantanoso e tenebroso da região devastada por furacões e cheia de fábricas é fundamental para a criação do ambiente do crime.

Vale dizer que Matthew McConaughey é realmente um camaleão. Nunca na pele de um personagem óbvio, trivial, previsível. Rust Cohle é prepotente e dono da verdade, assim como é seu personagem em Clube de Compras Dallas, O Lobo de Wall Street, Amor Bandido, O Poder e a Lei. Tem talento para gêneros fortes, sujeitos perdidos e obcecados ao mesmo tempo, parte e párias da sociedade. Seu par Woody Harrelson não é diferente e juntos compõem a mais improvável dupla investigativa de sucesso. Um programa e tanto. Que venha a segunda temporada!

 

DIREÇÃO: Cary Fukunaga ROTEIRO: Nic Pizzolatto ELENCO: Matthew McConaughey, Woody Herrelson, Michelle Monaghan | 2014 (8 episódios)

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DRIVE
CLASSIFICAÇÃO: Policial, Para se Divertir, Estados Unidos - 09/03/2012

DIREÇÃO: Nicolas Winding Refn

ROTEIRO: Hossein Amini, James Sallis

ELENCO: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Oscar Issac, Albert Brooks, Christina Hendricks, Ron Perlman

Estados Unidos, 2011 (100 min)

Enquanto assistia a Drive, fiquei dividida em duas. De um lado, acompanhava paralisada os passos do rapaz que é dublê e motorista de assaltantes nas horas vagas, envolvendo-se com gente perigosa, altamente violenta, sem pudor, piedade ou qualquer coisa que o valha. O ritmo da trama de perseguição e eliminação de testemunhas é alucinante, uma morte mais cruel do que a outra, em sequências atrás da direção pelas largas avenidas de Los Angeles que são de tirar o fôlego – até de quem não é muito afável a filmes de ação.

Outra parte de mim torcia, com todas as forças, para que aquele rapaz aparentemente tímido, solitário, de poucas palavras e olhares marcantes, não fosse aquilo que eu achava que ele era. Torci para que fosse possível uma conversão, uma negação do envolvimento com o crime, uma vida relativamente normal. Da mesma forma que foi apresentado pelo diretor Nicolas Winding Refn um possível, mas não provável, romance em meio ao clima de vingança, traição e ganância, achei que o enigmático e espetacular Ryan Gosling (também em Tudo Pelo Poder, Namorados Para Sempre, Amor a Toda Prova, Entre Segredos e Mentiras), em mais uma atuação primorosa, na construção de mais um personagem marcante, pudesse continuar dirigindo sua vida.

Por essas e outras, Drive é muito envolvente e tem um roteiro incrível. Tudo está sob o controle do piloto, até que ele se apaixona pela vizinha Irene (Carey Mulligan, também em Shame, Educação, Não Me Abandone Jamais, Inimigos Públicos, Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme), resolve salvar a barra da amada ajudando seu marido a pagar uma dívida feita na prisão e acaba se envolvendo na trama violenta e muito bem roteirizada de que falei acima.

Embora a Academia de Hollywood tenha deixado de lado as ótimas atuações de Gosling nos últimos dois anos (e vale dizer que todos os filmes citados acima valem a pena ser vistos), não deixe de assistir a Drive. É o extremo, mas tem uma explícita doçura (como é possível?) que vem da personagem de Carey Mulligan e da vontade do rapaz de ser quem ele não é na prática. E na essência?

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INIMIGOS PÚBLICOS – Public Enemies
CLASSIFICAÇÃO: Policial, Para se Divertir, Estados Unidos - 29/02/2012

DIREÇÃO: Michael Mann

ROTEIRO: Ronan Bennett, Michael Mann, Ann Biderman

ELENCO: Johnny Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, Jason Clarke, Rory Cochrane, Billy Crudup, Stephen Dorff, Stephen Lang, John Ortiz, Giovanni Ribisi, David Wenham, John Michael Bolger, Bill Camp

Estados Unidos, 2009 (140 min)

J. Edgar Hoover, o chefão do FBI retratado no filme J. Edgarem cartaz com Leonardo DiCaprio, e responsável pela criação da agência americana de inteligência, diz tê-la criado pra combater os inimigos públicos que aterrorizavam os Estados Unidos nos anos seguintes à Grande Depressão de 1929. Ao invés de uma investigação à moda antiga, pautada somente por evidências e testemunhas da cena do crime, J.Edgar forma e informa seus agentes para que trabalhem com rigor científico: treinamento rigoroso, coleta de impressão digitais, análises químicas de materiais e evidências, escutas telefônicas e por aí vai. Tudo isso para combater a onda de crimes, assaltos a banco e trens que assombravam a população e menosprezavam o poder público.

Os inimigos, a que se refere o tão temido chefe por quase 50 anos, está aqui protagonizado pelo ótimo Johnny Depp (também em Alice no País das Maravilhas, Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas, O Turista). Em Inimigos Públicos, Depp é o famoso e procurado John Dillinger, chefão da gangue de criminosos ousados, irônicos e extremamente perigosos, que realmente deixou as autoridades de Chicago em polvorosa nos anos 1930. Amparado por uma rede de ladrões de alto escalão espalhada por todo o território nacional, inclusive pelas prisões, faz com que Melvin Purvis (Christian Bale, também em O Império do Sol, O Vencedor), agente responsável pela captura do bandido, criasse um departamento exclusivo no FBI para investigação do paradeiro de Dillinger (aliás, a cena em que Dillinger “passeia” por essa seção da agência sem ser notado, observando toda a parafernália montada para capturá-lo, é uma das melhores).

Filmado de forma a parecer realmente sombrio e escuro, tem o aspecto claro e proposital de algo “fora da lei”. Em meio aos tiroteios, assaltos e crimes muito bem construídos, Dillinger ainda tem tempo, antes de morrer, de prometer à sua amada Billie Frechette (Marion Cotillard, também em Piaf – Um Hino ao Amor, Nine, A Origem, Meia-Noite em Paris, Contágio), que cuidaria dela. No fim das contas, o poder público elimina a rede do crime bem organizado de Dillinger, desbaratando uma das muitas gangues que se espalharam e fizeram fortunas naquelas décadas seguintes. Interessante, muito bem feito e complementar, Inimigos Públicos também mostra a própria figura de J. Edgar em situações semelhantes ao filme com DiCaprio. Vale a pena conferir as duas histórias e montar um panorama da época com filmes de ótima qualidade.

 


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O PODEROSO CHEFÃO – TRILOGIA – The Godfather
CLASSIFICAÇÃO: Suspense, Policial, Para Rever, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 01/10/2009

Que diferença faz assistir à trilogia de O Poderoso Chefão às vésperas dos 40! Tem filme que é eterno, que já nasceu ao mesmo tempo clássico e moderno. A obra-prima de Francis Ford Coppola é extremamente atual. Fala de máfia, de poder, de influência. Impressiona sempre, e cada vez mais.

Confesso que não me lembro quando vi O Poderoso Chefão – Parte 1. Lançado em 1972, começa contando a saga da família do siciliano Vito Corleone, já poderosa e mafiosa, na Nova York dos anos do pós-guerra. Na figura de Marlon Brando, o poder do favor, do vínculo, do compromisso, funciona para os mafiosos como moeda de troca, “até que a morte os separe”. Trato rompido, guerra deflagrada. Assim é a família, honrada dentro de padrões bastante duvidosos, mas aos olhos dos poderosos, honra não se discute. Brando está notável, voz rouca inconfundível e olhar cortante. É sucedido pelo filho Michael (Al Pacino), que a princípio não tem a intenção de se envolver com os negócios escusos, mas termina por não ter opção a não ser “honrar” e “salvar” a família.

O segundo filme, rodado em 1974, volta no tempo. Coloca Vito Corleone ainda moço na pele de Robert De Niro. Espetacular! É um retrato dos italianos vivendo em Nova York, estabelecendo-se e construindo sua influência. Ao mesmo tempo, retrata Al Pacino na liderança dos negócios versus sua confusão emocional no desejo, controverso, de manter a família unida “a qualquer preço”. Em se tratando de um poderoso chefão, paga-se um preço muito caro por isso. Para mim, é o melhor da trilogia.

O terceiro, de 1990, mostra um Michael já envelhecido, doente, desafiado pela presença de um sobrinho, vivido por Andi Garcia, que precisa fazer justiça com as próprias mãos. O amor surge, mas vai embora na mesma velocidade em que as rixas doentias tomam conta da história. Essa terceira parte envolve o Vaticano, o Papa e uma tentativa de redenção por parte de Michael – mas a vingança e a lealdade são implacáveis.

Embora às avessas, fala-se de amor e de mulheres. Ele aparece na presença forte daquelas que contestaram, que viram outras alternativas além do desfecho de matança. Nelas estão a ex-mulher de Michael (Diane Keaton) e sua filha (Sofia Coppola). Diante das promessas de que tudo daria certo, ou de que tudo era lícito, a cena final da escadaria da ópera é um primor.

Também não me lembro se assisti ao 2º e 3º filmes nessa sequência. Mas pouco importa. Tinha algumas imagens gravadas na cabeça e a famosa trilha sonora. O mais bacana de tudo foi rever. A dica é ousada, mas vale a pena: assistir tudo de novo, começando do princípio, para acompanhar o enredo, seus detalhes e amarrações. Isso sem dar um intervalo muito longo entre um filme e outro. Dá para emendar, estilo 48 Horas, mas lembre-se que cada um dura três horas. Um feriado pode ser uma boa alternativa, ou então um por semana… O importante é não desgrudar o olho da tela. E para quem também está no limiar dos 40… vai ter um gostinho especial.

 

DIRETOR: Francis Ford Coppola (baseado no livro de Mario Puzo)

ELENCO – parte 1: Marlon Brando, Al Pacino, Robert Duvall, James Caan, Diane Keaton e Talia Shire; 1972

ELENCO – parte 2: Al Pacino, Robert De Niro, Diane Keaton, Robert Duvall, John Cazale e Talia Shire; 1974

ELENCO – parte 3: Al Pacino, Diane Keaton, Andy Garcia, Talia Shire, Joe Mantegna, Bridget Fonda e Sofia Coppola; 1990

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