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Documentário

AMANHÃ – Demain
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, França, Documentário - 28/01/2017

Em vez da gente ficar reclamando que o mundo está poluído demais, aquecido demais, destruído demais, ruim demais, que tal ir atrás de soluções? Por menores que sejam, as mudanças transformam, são capazes de fazer as pessoas replicarem as ideais e causam efeitos multiplicadores. Se gentileza causa gentileza, uma melhor qualidade de vida acaba, naturalmente, atraindo quem se identifica com ela. Aí, é só continuar no caminho.

Com isso em mente, a atriz e diretora francesa Mélaine Laurent (também em Bastardos Inglórios, O Concerto) e o marido, Cyril Dion, saíram pelo mundo em busca de cidades e comunidades que já adoram um estilo diferente de vida. A gente acha que, para que isso aconteça é preciso mudanças muito bruscas, abandonar tudo e mudar de cidade. Saiba você que não. Mesmo porque, o ótimo é inimigo do bom. Não dá pra começar pelo ideal.

Comece pelo possível e você verá que mudanças no dia a dia já fazem a diferença e elas vão, aos poucos criando outras possibilidades. Economia criativa, bairro autossustentáveis, hortas comunitárias e urbanas são algumas das soluções que já estão mudando o mundo por aí e este documentário mostra realidades que a gente nunca imaginou existirem. Gente que está realmente fazendo a diferente. Faz uma hortinha em casa, em vaso mesmo, e você já vai ver que algo de diferente brotou bem perto de você.

 

DIREÇÃO: Cyril Dion, Mélaine Laurent | 2015 (118 min)

 

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JANIS: LITTLE GIRL BLUE
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Documentário, Biografia - 31/12/2016

Amy Winehouse, Jim Morrison, Jimy Hendrix, Kurt Cobain e Janis Joplin. Todos famosos, ícones, morreram aos 27 anos. Parece maldição, a lista é ainda maior. Assim como o documentário de Amy, JANIS: LITTLE GIRL BLUE consegue traduzir toda a intensidade da menina que sofreu bullying na adolescência, procurou loucamente um lugar ao sol, cantava com a alma e transmitia uma solidão no olhar.

Janis morreu de overdose em 1970, depois de muitos amores, depois do sucesso, mas antes de fazer as pazes consigo mesma. Pelo documentário – emocionante, por sinal – a impressão que se tem é de uma tristeza constante. Álcool pra esquecer; heroína pra conseguir ser ele mesma, depois de descer do palco.

Tem gente que não cabe dentro de si mesma. Que não administra o talento de ser ela mesma, de quebrar regras, de ir contra a corrente. Janis foi ícone da contracultura nos anos 1960, deu o que falar, tinha um vozeirão. Letras lindas, mas sempre repletas de melancolia, de amores não correspondidos, de uma vida sempre incompleta. Uma tristeza essa realidade que tanta gente vive; uma pena esses talentos tão jovens que vão embora. Vida em fuga, parece assim.

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PARATODOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Documentário, Brasil, Biografia - 23/06/2016

“Como é que eu não conheço a história desses atletas, se eu consumo as matérias esportivas, se acompanho o que acontece?” Foi essa pergunta que Marcelo Mesquita se fez nas Paralimpíadas de Londres de 2012, instigado com tanta superação nas pistas, nas quadras e nas piscinas. Se ele não conhecia, imagina o grande público. Daí surgiu a ideia de acompanhar os atletas, fazer o filme e lançá-lo  antes dos Jogos Paralímpicos de 2016, aqui no Brasil.

A questão da inclusão não é só esportiva. Vai pra educação, cultura, locomoção e tudo mais que qualquer cidadão tem direito. “A ideia é que o filme transcendesse o esporte e que, ao assistir você não ficasse pensando na deficiência, mas na capacidade daquela pessoa de realizar o que ela se propunha”, arremata. E é isso mesmo. Depois de conhecer um pouco mais da história desses atletas, tive certeza de que deficientes são aqueles que têm olhar limitado, porque a capacidade de se reinventar dessas pessoas é gigante. Inimaginável.

Precisa assistir a Paratodos pra ver a dimensão. Mas dá pra pensar o seguinte: o Brasil ficou em sétimo lugar no quadro de medalhas na Paralimpíada de Londres. Se é sétimo com essa estrutura precária que temos e com a falta de respeito do poder público com aqueles que têm alguma deficiência física, imagina o que seríamos se o país fosse um pouco mais competente. Aqui dá pra dar um grande suspiro – de pesar e de alívio. Ainda tem luz no fim do túnel, porque tem gente com muita raça nessa vida.

As histórias são inacreditáveis. Quando der preguiça de alguma coisa ou vontade de reclamar de bobagem, lembra da Terezinha, que a velocista mais rápida do mundo – e também psicóloga, que já planeja, quando encerrar a carreira de atleta, ser terapeuta esportiva; lembra do Daniel, que nasceu com má formação nos braços e pernas e já tem 15 medalhas paralímpicas; do Alan, bi-amputado que venceu o sulafricano Pistorius em 2012 e levou o ouro nos 200m rasos; do remador paraplégico, que era modelo, sofreu um acidente, ficou paraplégico e hoje é tetracampeão mundial de paracanoagem; lembra da Susana, triatleta que fazia Ironman, foi diagnosticada com uma doença degenerativa, luta contra o avanço cruel desse mal, que consome seus movimentos a cada dia. E aí, tá reclamando de quê, mesmo?

 

DIREÇÃO: Marcelo Mesquita  ROTEIRO: Peppe Siffredi ELENCO: Alan Fonteles, Daniel Dias, Fernando Fernandes, Ricardinho, Terezinha Guilhermina, Fernando Cowboy Rufino, Susana Schanarndorf, Yohansson do Nascimento | 2016 (110 min)

 

 

 

 

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FESTIVAL DE CURTAS DE DIREITOS HUMANOS – ENTRETODOS 9
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Notícias, Drama, Documentário, Brasil - 15/06/2016

Em tempos difíceis – aliás, quando é que foi fácil? – na questão dos direitos humanos, reunir material cinematográfico sobre o assunto é sempre interessante. O Festival de Curtas de Direitos Humanos, ENTRETODOS 9 vai ter mais de 80 exibições em diversas regiões de São Paulo, de graça!

Em números, o festival apresenta 25 filmes, sendo 19 nacionais e 6 estrangeiros, de países como Itália, Argentina, Turquia e Índia. Veja a programação no link do festival e aproveite!

Meu destaque é o ótimo documentário “Uma Família Ilustre‘, de Beth Formaggini. O psicólogo militante dos direitos humanos Eduardo Passos entrevista o ex-delegado de polícia Claudio Guerra, hoje bispo evangélico. Com a maior cara de pau (inacreditável), reconhece os desaparecidos, conta como deram fim nos corpos e detalhes de como foram incinerados. Estava cumprindo ordens. Simples assim.

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PROGRAME-SE:
Curadoria: Manuela Sobral e Jorge Grinspum
Quando: de 16/06 a 22/06
Onde: vários espaços, Spcineo Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, além de 19 CEUs
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WINTER ON FIRE: UKRAINE’S FIGHT FOR FREEDOM
CLASSIFICAÇÃO: Ucrânia, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Documentário - 04/03/2016

Pra tirar Viktor Yanukovych, o ditador pró-Rússia do poder, o povo ucraniano fica nada mais, nada menos do que 92 dias na praça principal de Kiev, protestando. Em pleno inverno, montou ali sua base, enfrentou a forte repressão das tropas oficiais e só arredou o pé quando o presidente foi deposto em fevereiro de 2014. Mas teve que ir pra ruas, o que é bem óbvio.

Este excelente documentário Winter on Fire: UKraine’s Fight for Freedom pode ser traduzido como Inverno sob Fogo: a Luta da Ucrânia pela Liberdade. E é bem isso mesmo: o povo passou o inverno sob fogo cruzado, dezenas de pessoas morreram, centenas ficaram feridas, milhares se juntaram dia a dia para prover comida, alimentos, remédios, assistência aos resistentes na praça de Kiev. Enquanto o povo queria se aproximar do Ocidente e da União Europeia, seu líder teimava em continuar a aliança com a Rússia. Descontente e sentindo-se traído, protesta até não dar mais.

Soa familiar? A insatisfação, sim. O modus operandi não. As coisas só mudam se o povo disser o que pensa. Indicado ao Oscar de melhor documentário, Winter on Fire impressiona pelo relato dos protestos, riqueza de imagens e intensidade do envolvimento da população. De arrepiar.

 

DIREÇÃO: Evgeny Afineevsky ROTEIRO: Den Tolmor ELENCO: Bishop Agapit, Serhii Averchenko, Kristina Berdinskikh | 2015 (102 min)

 

 

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WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Musical, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Documentário, Biografia - 19/01/2016

Claro que quem circula pelo mundo do jazz, do blues, do piano, do canto, do gospel, da música clássica, do R&B, do soul, da irreverência já está cansado de saber. E, mesmo assim, certamente vai se encantar com tanta força e tanta beleza. Pra quem não tem familiaridade com a área, para quem apenas diria ter ouvido a voz de Nina Simone, sem ao menos conseguir identificar quando, onde e o quê, entrar em contato com a vida da cantora, compositora e pianista neste documentário é um verdadeiro presente.

Eu sou uma delas. Sem qualquer repertório do gênero, me deixei envolver pelo som, pela entonação, pelas palavras, pelo olhar, pela luta de Nina Simone. Fez o maior sucesso nos anos 1960 no mundo todo, compôs canções maravilhosas, ganhou mundos e fundos, perdeu tudo, teve relações conturbadas, deixou uma filha de um casamento complexo, teve de lidar com a fama, o dinheiro, a falta dele, a bipolaridade, o câncer de mama, os maltratos. Foi ativista pelos direitos civis dos negros, amiga de Martin Luther King, lutou pela causa negra, contra a guerra do Vietnã, nem que isso tudo lhe causasse danos à carreira.

Essa vida intensa e cheia de altos e baixos é tratada com sinceridade, com imagens incríveis de shows, declarações emocionantes da cantora, depoimentos de sua filha Lisa e muitas outras passagens, lindas e fortes. What Happened, Miss Simone? foi indicado ao Oscar de melhor documentário, concorrendo com Amy, sobre a também talentosíssima artista Amy Winehouse. Páreo duro e a gente é que sai ganhando. Imperdíveis!

DIREÇÃO: Liz Garbus ELENCO: Lisa Simone Kelly, James Baldwin, Stokely Carmichael, Walter Cronkite | 2015 (101 min)

 

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MALALA – He Named Me Malala
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Emocionar, Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Documentário, Biografia - 18/11/2015

O nome Malala tem todo um significado especial, que o filme mostra através de lindas ilustrações. É daí que vem o título original deste documentário: He Named Me Malala. Quem deu a essa pequena grande mulher o nome de Malala foi seu pai, o guardião de toda a sua trajetória. Mas ela diz com todas as letras: “Ele me deu o nome, mas eu escolhi me tornar uma Malala”.

Portanto, é uma escolha. Tornar-se uma referência na luta pelo direito à educação de meninas em todo o mundo aos 15 anos, mesmo depois de ter levado um tiro dos militantes do Talibã em 2012 e ter ficado entre a vida e a morte, foi uma escolha. Mas o que mais impressiona é a opção pela vida, pela alegria e pela atitude de não-violência. E isso é explícito, não é só discurso. Por mais triste que seja, é interessante pensar que Malala estreia justamente na semana em que os atentados em Paris deixaram o mundo em polvorosa. Optar por atitudes de tolerância, aceitação e respeito parece ser mesmo a melhor resposta a tudo isso que vem acontecendo.

E a paquistanesa assina em baixo. Neste documentário, conhecemos a menina doce de fala mansa, que em nenhum momento se revolta, que sempre prega a paz e que tem sua família como alicerce e seu pai como pilar principal e inquestionável. O filme não tem nada de muito extraordinário e nem precisava. Mostra Malala no ambiente familiar, imagens dela com amigos, fazendo tudo que uma criança ou adolescente faz em qualquer lugar do mundo. O extraordinário fica por conta da convicção de que sua missão era entrar em ação e fazer a diferença. Inspirador!

 

DIREÇÃO: Davis Guggenheim ELENCO: Malala Yousafzai, Ziauddin Yousafzai, Toor Pekai Yousafzai | 2015 (88 min)

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AMY
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Inglaterra, Garimpo na Locadora, Documentário, Biografia - 15/10/2015

Pra quem gosta de Amy Winehouse – e quem não gosta? – assistir a este documentário na telona deve ser realmente muito emocionante. Foi lançado oficialmente em Cannes e superelogiado pela crítica. Quem dirige é Asif Kapadia, o mesmo cineasta que pilotou o ótimo documentário Senna, sobre o nosso grande piloto.

Tem o mesmo viés imparcial e humano, muito realista, mostrando pontos de vista bem diferentes: traz muito da própria Amy, de seu pai, seu empresário, seu marido, sua melhor amiga. Dá só uma espiada no trailer.

 

 

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DIOR E EU – Dior and I
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, França, Documentário, Biografia - 28/08/2015

Mesmo para quem não se envolve com o mundo da moda, Dior e Eu vale o ingresso. Mostra os bastidores de um desfile, mas nada ali é um “qualquer”. Estamos falando da Maison Dior, daquele que foi nomeado para substituir o inglês John Galliano depois do escândalo causado pela declaração de que “amava Hitler”, da capacidade de criar uma coleção, liderar uma equipe e planejar não só um desfile, mas seu début no mundo da alta costura diante dos olhos do mundo. Não é pouca coisa e não é para qualquer um. Portanto, goste você de moda ou não, dê uma espiada no que este jovem e talentosíssimo estilista foi capaz de fazer em meras oito semanas de trabalho.

Honesto e fiel, Dior e Eu não é um filme oficial da Maison, mas seus dirigentes não vetaram momentos em que o diretor Frédéric Tcheng mostrou a faceta dura e inflexível do líder Raf Simons, um estilista belga que nunca tinha pisado no mundo da alta costura, estava acostumado a criar coleções de prêt-à-porter e tinha sobre ele todos os holofotes do planeta da moda mundial. Mas também não vetaram seu desabafo final, sua euforia e emoção ao ver o projeto concretizado com sucesso.

Pouquíssimo tempo, nenhuma intimidade com o processo de produção, nem com sua equipe. Por outro lado, toda a liberdade para construir sua imagem na casa em que seu criador, Christian Dior, trabalhou somente por 10 anos (1947-57) e deixou um legado inquestionavel de elegância, delicadeza e beleza, no pós-guerra em que a mulher era uma mulher-soldado. Ele devolve a figura da mulher-flor em seus vestidos, resgata a feminilidade. Simons tinha esse legado como referência, esses dez anos revolucionários para criar algo dinâmico, com toque pessoal e contemporâneo.

Outros filmes sobre moda surgiram recentemente, inclusive dois sobre a trajetória de Yves Saint Laurent (Yves Saint Laurent e Saint Laurent). Chanel também tem um filme com Audrey Tautou, Coco Antes de Chanel, e outro chamado Coco Chanel & Igor Stravinsky, mas todos são obras de ficção. O bacana aqui é que Dior e Eu é um documentário, pelas mãos e olhos do diretor francês Tcheng, que já tinha registrado o mundo da moda em Diana Vreeland: The Eye Hás to TravelValentino: The Last Emperor. Parece que pegou mesmo o jeito da coisa, além, é claro, de ser um colírio para os olhos.

 

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Frédéric Tcheng ELENCO: Raf Simons, Sharon Stone, Jennifer Lawrence, Grace Coddington, Marion Cottilard, Isabelle Huppert | 2014 (90 min)

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ÚLTIMAS CONVERSAS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Garimpo na Locadora, Documentário, Brasil - 08/05/2015

Claro que não era a intenção de Coutinho que fosse esse seu último filme. Morreu em 2014
sem ter tempo de encerrar o projeto. Quem finalizou o filme foi seu produtor, João Moreira Salles. E o fez como se Coutinho estivesse no comando. Nada foi perdido: a naturalidade, espontaneidade e personalidade do diretor estão presentes em cada um dos depoimentos dos jovens, com sua interferência divertida e humana pincelada por comentários vindos do fundo da alma.

Coutinho pra mim é um sujeito de alma. A própria proposta do seu trabalho é assim, genuína. Não tem maquiagem, não tem cenário, não tem encenação. As coisas são como são e quem quiser gostar, que goste. Edifício MasterJogo de CenaAs Canções são retratos da sociedade, do feminino, da música na vida, respectivamente. Quando se propõe a entrevistar jovens, trazer à tona suas angústias e inseguranças, sonhos e tristezas, traz para a superfície aquilo que está enraizado, que vai se transformar em adulto e dar frutos. Como ele mesmo diz, se não filmasse, faria o quê? Filmar era como viver. Por isso seus filmes são tão cheios de emoções.

 

DIREÇÃO: Eduardo Coutinho (2015, 85 min)

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