DIREÇÃO e ROTEIRO: Haiffa Al-Mansour
ELENCO: Reem Abdullah, Waad Mohammed, Abdullrahman Al Gohani, Ahd, Sultan Al Assaf
Alemanha, 2012 (97 min)
Nos cinemas: 03 de maio
Sonhar em ter uma bicicleta faz parte do imaginário de qualquer criança. Claro que isso esbarra, muitas vezes, na questão financeira, mas se deixarmos isso de lado, eu diria que infância e bicicleta caminham juntas desde sempre. O interessante é que na Arábia Saudita isso não é verdade. Pelo menos para as meninas. Menino pode, como pode todo o resto. Menina não. É imoral, contra os princípios religiosos, coisa de menina sem virtude.
Na sociedade islâmica conservadora saudita, mulher fica realmente para escanteio. Mesmo assim, a diretora Haiffa Al-Mansour consegue traçar, de uma maneira doce, um panorama da situação feminina em seu país, sem que para isso fosse preciso ser amarga. Wadjda tem 12 anos e destoa completamente das outras meninas da sua idade. Gosta de rock, tem veia empreendedora (faz pulseiras para vender na escola e ganhar um dinheirinho), usa tênis, gosta de brincar com os meninos e quer, loucamente, uma bicicleta. Enquanto espera a visita do pai, que, para desespero de sua mãe, vai se casar novamente porque deseja um filho homem, ela pensa numa maneira de burlar as expectativas e conseguir uma linda bicicleta verde.
É pelo olhar da garota que sutilmente somos introduzidos na cultura e religião islâmicas e na maneira como as pessoas se relacionam. Wadjda é daquele tipo que leva bronca, é repreendida, mas não desiste. A ponto de se inscrever em um concurso de Alcorão na escola, para tentar ganhar o prêmio em dinheiro e comprar seu sonho.
Digo e repito que o cinema tem esse papel: trazer universos remotos e diversos para perto. Aproximar povos, gerar interesse e conhecimento, diminuir a intolerância. De uma maneira singela e delicada, a diretora filma na Arábia Saudita, país em que não há salas de cinema oficiais, onde mulheres e homens são reprimidos por trabalharem juntos, onde o cinema é considerado imoral. É em países muçulmanos como o Irã, que cineastas são perseguidos e presos, proibidos de exercer seu trabalho. Portanto, essa obra ganha ainda mais importância e valor. Sem falar no simples fato de ter o olhar ainda em formação como lente para tudo que acontece.
Há algum tempo selecionei, aqui no Cine Garimpo, filmes que vão ao encontro aos temas da religião islâmica e seus costumes, e da criança como protagonista do cinema. Vale a pena conferir!
QUANDO A CRIANÇA É QUEM DÁ O TOM
DIREÇÃO e ROTEIRO: Olivier Assayas
ELENCO: Lola Creton, Clément Métayer, Félix Armand
França, 2012 (122 min)
Depois de maio de 68, tudo foi diferente. A ebolição daquela década mudou para sempre a história dessa juventude que transgrediu, desafiou, foi para as ruas protestar contra a guerra, a rigidez das regras culturais e comportamentais que resultavam dos anos em que a França estava se recompondo da destruição da Segunda Guerra.
Apesar de ter sacudido tudo e todos na França e de ter contagiado outros jovens, universitários e operários em outros países europeus, o que se viu na década seguinte foi o oposto disso. Jovens sem rumo ou propósito, buscando o que ser e o que fazer, mas sem aquele entusiasmo do fim dos anos 60. E isso que eu mais gosto no filme: a indecisão do personagem Gilles diante de fazer a revolução ou o cinema tem o ritmo dessa fase lenta, letárgica, morna. O diretor Olivier Assayas (também de Horas de Verão) acerta nesse tom carregado de significado, embora possa parecer, em alguns momentos, devagar demais.
Mas esse é o ritmo de Gilles, que busca se encontrar nessa sociedade politizada, mas que não sabe muito bem o que fazer com isso. Sabe que precisa andar em grupo, procurar juntar-se aos que têm objetivo em comum, nem que este seja ‘não ter objetivo de fato’. Mas, assim como em Horas de Verão, Depois de Maio tem um gosto forte de recomeço, de descoberta. No primeiro, a família que perde a matriarca precisa encontrar uma nova maneira de se relacionar entre si e com as marcas do passado que existem em comum; neste os jovens precisam descobrir o que fazer com o legado da ebulição cultural e social dos anos 1960. E esse é o ponto interessante, que pede reflexão, não tanto política quanto no filme/série Carlos (sobre o terrorista Chacal), mas sobre o papel pessoal de cada um na sociedade.
DIREÇÃO E ROTEIRO: Miranda July
ELENCO: Miranda July, Hamish Linklater, David Warshofsky
Alemanha, Estados Unidos, 2011 (91 min)
Nos cinemas: 26 de abril
Assisti a este filme na 35a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Replico aqui meu comentário, já que filme entrará em circuito comercial. E, claro, replico porque vale a pena ver!
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O futuro de ponta-cabeça – gostei do cartaz do filme. Aliás, que futuro? Que perspectiva? Quais são os planos? Nenhum, a não ser adotar um gato. E ao se deparar com essa mudança no futuro próximo, que chega em 30 dias, o casal Sophie (Miranda July, também a diretora) e Jason perde o chão. Será que conseguirão lidar com tamanha responsabilidade? Fará sentido continuar fazendo um trabalho sem graça, que não gostam, diante dessa mudança tão importante que está para acontecer? Antes de chegar o gato, que mudará suas vidas para sempre, é preciso aproveitar, correr atrás do sonho, desligar a internet, porque depois disso tudo estará acabado.
Este é o panorama irônico de O Futuro, logicamente mostrando um casal acomodado ao extremo para causar estranheza. Eles próprios são estranhos – vivem sem entusiasmo, tomam decisões sem pensar, se precipitam justamente quando a causa pede calma. Fazer a diferença no mundo particular de cada um pede calma e determinação. Mas Sophie e Jason não sabem o que querem: se dançam, ou se compram árvores para salvar o planeta; se fazem o tempo parar para não se perder ou não perder o outro, ou se correm para os braços do primeiro que abrir as portas. Interessante o retrato da relação que não se sustenta, que não se relaciona, que vive no imaginário irreal, na espera vazia. Apenas vive, cada um no seu mundo virtual, sem comunicar-se realmente, sem compartilhar sonhos, sem ambicionar construir.
O Futuro vale ser visto, mesmo porque tem figuras de linguagem e metáforas extremamente profundas, que chegam a incomodar. A da solidão interior, do vazio, da falta de auto-conhecimento, da falta de perspectiva, da falta de garra e vontade – motores fundamentais para uma vida ser vivida. Metáfora dos tempos atuais, em que o medo paralisa, em que o rigor das convenções e expectativas engessa iniciativas e quebra de paradigmas? Também acho que sim. Fato é que, ao sair dessa sessão da 35a Mostra, notei que as pessoas perguntavam aos amigos se tinham entendido bem tal e tal parte do filme. Pelo que senti, era isso que Miranda July queria despertar: o desconforto, a incerteza diante de um comportamento, para gerar reflexão, para deixar sentir a história de acordo com o repertório de cada um.
E o gato? Bem, o gato faz parte desse contexto sempre inacabado da vida do casal, ilusório, cheio de intenções, mas nunca concluído. Difícil sair da zona de conforto…
ROTEIRO: Jean-Claude Bernardet, Rubens Rewald
ELENCO: Denise Fraga, Pedro Abdhull, Cláudia Assunção, César Troncoso, Lorena Lobato, João Baldasserini
Brasil, 2011 (90 min)
Nos cinemas: 19 de abril
Hoje é Denise Fraga. Ponto. O único personagem que a acompanha é real e irreal ao mesmo tempo; a solidão e o medo que ela carrega a tornam ainda mais só nessa produção de Tata Amaral. Então, Denise Fraga é o filme Hoje, integralmente. Não só fisicamente, mas principalmente nas emoções, lembranças, possibilidades futuras. Nesse ponto a diretora acerta em cheio: constrói a Vera amedrontada com o passado e temerosa em relação ao futuro. E são esses sentimentos que transbordam em Hoje, o momento da vida dela que pretende ser o momento da virada.
Vera era militante política na ditadura, seu marido (Cesar Troncoso, também em Infância Clandestina, O Banheiro do Papa) desaparece na repressão e ela luta durante anos para ser indenizada. Quando finalmente consegue, compra um apartamento – cenário do filme praticamente inteiro – e tenta recomeçar a vida. Tenta, mais ainda derrapa nas lembranças, nas inseguranças, na perda da liberdade. Tive a impressão de assistir a uma peça de teatro, em que Denise é não só a protagonista, mas praticamente fala com ela mesma o tempo todo. Diálogo interior, denso e profundo. De uma dramaticidade que poucas atrizes poderiam transmitir. Até por isso acho, infelizmente, que Hoje não é para qualquer público. Precisa paciência, apreciação.
Hoje, vencedor do Festival de Brasília em 2011, é para quem gosta de monólogos. Usei a palavra ‘diálogo’ acima, mas acho até que está empregada no sentido figurado. Vera conversa com outros personagens, mas tenho a impressão de que está, o tempo todo, tentando entender seus sentimentos, colocá-los em ordem, livrar-se de culpas passadas, para então seguir em frente. Dá pra ver que não se trata de um roteiro linear, organizado, pragmático. É simples e elaborado ao mesmo tempo, assim como são as sensações que vão e vem dentro de alguém que precisa, finalmente, dar um rumo na vida.
Gosto quando um filme tem um formato que condiz com seu tema. Hoje faz isso, pincelando as ideias e situações, para chegar no desfecho. Que é muito bacana por sinal.
DIREÇÃO e ROTEIRO: Marco Bellocchio
ELENCO: Pier Giorgio Bellocchio, Elena Bellocchio, Donatella Finocchiaro, Letizia Bellocchio, Maria Luisa Bellocchio, Gianni Schicchi, Alba Rohrwacher, Valentina Bardi
Itália, 2010 (105 min)
Nos cinemas: 19 de abril
Assisti a este filme na Mostra Internacional de Cinema de SP de 2012. Já que vai entrar em cartaz, reproduzo novamente minha impressão. Bom garimpo!
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Fui ao cinema sem conhecer a história do filme, mas acho que vale a pena você saber antes de se aventurar. Se der uma olhada nos créditos acima, vai reparar que há vários atores com sobrenome Bellocchio, o que leva a crer que o diretor Marco Bellocchio (também de Vincere) contou com membros da família na produção. Mas é mais do que isso. O projeto mistura ficção e realidade. Durou 10 anos, durante os quais Bellocchio filmou seus parentes na sua cidade natal de Bobbio, entre 1999 e 2008. Sua filha Elena é retrarada dos 5 aos 13 anos (aliás, imagens lindas), interagindo com seu filho Pier Giorgio, que faz o papel de tio da garota. Suas duas irmãs Letizia e Maria Luisa interpretam as tias de Elena no filme. Portanto, se pararmos para pensar, o projeto de longo prazo já devia estar estruturado na cabeça de Bellocchio para que as tomadas fossem feitas durante um período tão longo. Ou não, podem ter sido ensaios, montados posteriormente, dando essa sensação de ordem cronológica, mas com ideias desencadeadas.
Em alguns momentos achei o filme escuro demais, até cansativo. Agora entendo isso como tomadas de reflexão da vida, recortes de momentos, um quebra-cabeça de episódios da trajetória do diretor, da rotina da pequena cidade fadada ao esquecimento, à vida pacata e sem graça. Mas é nela que estão as tradições, as histórias, as lembranças e as pessoas que constroem o álbum de família. Elena é criada pelo tio Giorgio (também em Vincere), porque sua mãe Sara tenta, há anos, um papel no teatro que faça a diferença. As tias de Elena são o alicerce da família, aquelas que continuam no mesmo lugar, acreditando nas mesmas coisas, enquanto o mundo e as pessoas dão voltas – muitas vezes sem sair do lugar. A atriz Alba Rohrwacher (também em Que Mais Posso Querer, Um Sonho de Amor, Meu Irmão é Filho Único) é uma professora amiga da Elena, que entra na história também de forma descontinuada.
Irmãs Jamais é um filme belo, mas me causou certa melancolia. A escuridão me dá a impressão dessa abordagem triste e muitas vezes mal sucedida dos projetos da vida. Claro que quem teve o prazer de assistir ao lindíssimo Vincere, pode se incomodar. Vá com expectativa de ver algo com uma linguagem diferente. Assim, pode aproveitar toda a poesia que o filme tem.

DIREÇÃO e ROTEIRO: François Ozon
ELENCO: Fabrice Luchini, Ernst Umhauer, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Seigner
França, 2012 (105 min)
Nos cinemas: 29 de março
Desta vez François Ozon segue outro caminho. Não é o casamento em frangalhos de Amor em 5 Tempos, nem a paródia de Potiche – Esposa Troféu. Também não tem o elemento surreal de Ricky, ou a melancolia de O Refúgio. Dentro da Casa fala da criatura e do criador, do tanto que eles se confundem, tornam-se uma coisa só, seja a criação na área que for.
Quando se fala em literatura, então, o céu é o limite. Dizem que o papel tudo aceita, mas isso não é suficiente para Claude, um adolescente que não se contenta em escrever uma simples redação sobre seu fim de semana. Talentoso, resolve transformar Rapha, seu colega de classe, em seu personagem. Estimulado pelo professor Germain (Fabrice Luchini, também em As Mulheres do 6o Andar, Potiche), que já não aguenta mais ler redações pobres de espírito, criatividade e estilo, Claude investe na amizade com Rapha e vai retratando suas passagens pela casa do amigo em suas redações.
A história criada por Claude vai, pouco a pouco, se misturando com a realidade. À medida que o garoto ganha intimidade com a família do colega, sua presença perturba a ordem vigente, cria conflito, deflagra situações inesperadas e já não há como voltar atrás. Nem a relação de Germain com sua esposa Jeanne (Kristin Scott Thomas, também em Há Tanto Tempo que Te Amo, A Chave de Sarah, O Paciente Inglês, Partir) se salva.
Gosto particularmente do tema da observação que Claude e Germain põem em prática. Tenho um pouco este hábito de observar pessoas desconhecidas e imaginar como é a vida delas, o que estaria acontecendo naquele exato momento. Momentos preciosos de ócio, quando a imaginação corre solta. Parece ser esse o passatempo predileto da dupla do professor e aluno, que extrapolam e geram um elemento novo a partir daquilo que é simples realidade aos olhos das pessoas comuns. É fonte de inspiração, a vida das pessoas de um modo geral. Aqui ela ganha um toque a mais com tamanha criatividade. Talvez Dentro da Casa tenha me interessando por eu ser do mundo das letras e do cinema, que nada mais contam que histórias de vida. De qualquer modo, gosto da maneira de Ozon de explorar o universo humano. E ousar caminhos.
Coincidentemente dois filmes muito bons entram em cartaz hoje e ambos falam do mal que aflige pais, educadores, crianças e jovens: o bullying. Caracterizado pela intimidação por palavras, agressões físicas, divulgação de imagens pela internet, humilhações covardes, este tipo de comportamento só ganhou um nome, porque na verdade sempre existiu.
O que acontece a mais hoje em dia é que há inúmeras outras ferramentas para intimidar alguém nos ambientes de trabalho, educacional e familiar. A tecnologia é uma delas e é capaz de expor a pessoa de forma irreparável.
Os seis filmes abaixo falam sem meias palavras sobre o assunto. Sem exceção, todos devem ser assistidos. Pela qualidade da produção e da narrativa, pela maneira de abordar o tema e por trazer à tona uma questão primordial para a formação de bons cidadãos: o trabalho com a tolerância e o respeito. Todos eles lidam com o bullying em crianças ou adolescentes, exceto A Caça, que transcende para o mundo adulto, deixando bem claro o tamanho do perigo.
ELEFANTE, de Gus Van Sant (EUA, 2003)
DEIXA ELA ENTRAR, de Tomas Alfredson (Suécia, 2008)
EM UM MUNDO MELHOR, de Susanne Bier (Dinamarca, 2010)
AS MELHORES COISAS DO MUNDO, de Laís Bodanzky (Brasil, 2010)
DEPOIS DE LÚCIA, de Michel Franco (México, 2012) (foto acima)
A CAÇA, de Thomas Vinterberg (Dinamarca, 2012)
ROTEIRO: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm
ELENCO: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing, Lars Ranthe, Alexandra Rapaport, Ole Dupont
Dinamarca, 2012 (115 min)
Nos cinemas: 22 de março
Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier em um projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir. Dele também são Submarino e Festa de Família. Os dois são de enlouquecer.
Deve ser porque retratam os dramas humanos, seus e meus, como ele realmente são. Intensos, cruéis, traiçoeiros, surpreendentes. A Caça, exibido na 36a Mostra Internacional de Cinema, lida com isso, com mazelas – das mais humanas. A injustiça, o julgamento, a traição. Lucas (Mads Mikkelsen, vencedor de melhor ator em Cannes por este filme e também em Depois do Casamento, Coco Chanel & Igor Stravinsky, O Amante da Rainha) é professor da educação infantil. Acaba de se divorciar e está em plena delicada negociação com a ex-mulher a respeito da guarda do filho adolescente. O ambiente é amigável, uma pequena cidade dinamarquesa em que todos se conhecem. Mas de repente que surge um boato e a vida de Lucas vira do avesso. Suas conduta é questionada, suas relações mais íntimas e duradouras são colocadas em dúvida. Verdade ou mentira, fato é que Vinterberg traz à tona e faz questão de ressaltar a capacidade humana do pré-julgamento e todo o perigo que vem junto com ele.
De uma intensidade ímpar, de uma profundidade cortante. Por ser real. Tem muito do cinema conterrâneo de Susanne Bier, como seu Em Um Mundo Melhor e Depois do Casamento. E de uma angústia que fica e que seguiu comigo até depois que o filme terminou, pensando sobre a proporção que o ressentimento ocupa dentro das pessoas. E do que isso é capaz. Não deixe de ver, ainda mais no mundo de hoje em que as manipulações são constantes, e o bullying cada vez mais frequente. Fala-se muito nesse tipo de intimidação física e emocional com crianças e adolescentes, mas nos esquecemos da intensidade com que é feito no ambiente adulto.
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