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Para Entender o Nosso Mundo

O APARTAMENTO – The Salesman
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Irã, Garimpo na Locadora, Drama - 21/02/2017

O cinema iraniano não dá ponto sem nó. Justificar o conflito do filme em um prédio que corre o risco de desabar é como dizer que os alicerces da sociedade iraniana, da cultura censurada estão abalados. Asghar Farhadi faz filmes de gente comum, em que as situações estão no limite, em que é preciso resolver conflitos. Procurando Elly, por exemplo, vai além da moça que desaparece; é pano de fundo para discutir a condição da mulher muçulmana, a influência do ocidente, a relação homem-mulher no Irã, que se repente em O Passado, em A Separação. De novo, não tem ponto sem nó. Filmes densos, bem localizados na sociedade rígida e machista, mas que se aplicam, sim, aos contextos dos relacionamentos humanos em qualquer canto do mundo.

O Apartamento não foge à regra.  Entra mais a fundo na questão da honra masculina, numa sociedade em que a mulher é, explicitamente, propriedade do marido. Rana e Emad são atores, vão morar em um apartamento de um colega de trabalho e, enquanto se adaptam, Rana é violentada por um homem que invade sua casa. Louco de raiva – mas sem demonstrar afeto, nem acolhimento – o marido passa o investigar a identidade do agressor, em busca de vingança. Clima tenso: enquanto o marido escolhe o caminho da honra ferida, a mulher escolhe o perdão. Um Farhadi constrói um abismo entre o casal que, até então, parecia ter, na profissão e no teatro, a sinergia necessária para romper as barreiras da sociedade. Cenas marcantes, de um casal que se abandonou para mergulhar nas suas dúvidas e na sua solidão individual.

Aliás, o que fica é um abismo mesmo. Dá a impressão de que tudo será engolido pela distância que se cria ao construir um muro separando o afeto da tradição religiosa, o amor da expectativa da sociedade, o sentimento da honra. Metáfora das relações humanas, essa coisa do desabamento do prédio. Basta um abalo e vai tudo pro chão.

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Asghar Farhadi ELENCO: Taraneh Alidoosti, Shahab Hosseini, Babak KarimI | 2016 (125 min)

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ALIADOS – Allied
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Drama - 21/02/2017

A grande questão de Aliados é saber se Marianne Beausejour (Marion Cotillard, também em É Apenas o Fim do Mundo, Ferrugem e Osso, Piaf – Um Hino Ao Amor) realmente é uma espiã. Se for, teria casado com Max Vatan (Brad Pitt, também em Guerra Mundial Z, À Beira-Mar, Babel) para conseguir informações privilegiadas sobre a movimentação dos Aliados na Segunda Guerra. Se não for, teria se apaixonado realmente por ele e seu amor seria genuíno.

A liga entre eles é bem boa, diga-se de passagem. Bom ritmo e romance, Aliados segura até o final esse suspense, com detalhes do roteiro que vão dando sustentação (mas não entregando) o desfecho. Robert Zemeckis é diretor também do ótimo Náufrago e O Voo. Eu diria que aqui tem um bom mix de romantismo e aventura, pra culminar num desfecho com drama à altura!

Concorre ao Oscar de melhor figurino.

DIREÇÃO: Robert Zemeckis ROTEIRO: Steven Knight ELENCO: Brad Pitt, Marion Cotillard, Lizzy Caplan, Jared Harris | 2016 (124 min)

 

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JACKIE
CLASSIFICAÇÃO: Vale seu Ingresso de Cinema, Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, Estados Unidos, Biografia - 31/01/2017

Havia várias maneiras de falar do momento em que John Kennedy foi assassinado durante a carreata em Dallas, no dia 22 de novembro de 1963. Pelo diretor Pablo Larraín, o enfoque é dúbio. O momento após o tiro é contato através da entrevista que Jackie dá a um jornalista. Sua dor evidente se contrapõe à postura cuidadosa de viúva dos Estados Unidos, de moradora da Casa Branca, de mulher do homem cobiçado por todas, de alguém que quer – e precisa – deixar seu legado. De frágil e good wife, Natalie Portman (também em Cisne Negro, Um Beijo Roubado), indicada ao Globo de Ouro e Oscar pelo papel, consegue plantar a imagem da mulher astuta, consciente e política. Era preciso mostrar o que tinham feito com o presidente.

Diretor também de No, que mostra o momento do político importante no Chile, Larraín aqui também se preocupa em construir uma Jackie consciente de sua posição política, o que faz um contraponto importante com esse ícone da elegância, daquele que ditou as regras da moda nos anos 60, daquela que era a cara da América. Não é à toa que o filme concorre ao Oscar de melhor figurino. O diretor fez questão de fazer esse lado estético impecável, assim como era Jackie. Sempre elegante. Até suja de sangue, até quando precisou pontuar que seu marido entraria, sim, para a história. De fato, falou e disse.

 

DIREÇÃO:  Pablo Larraín ROTEIRO: Noah Oppenheim ELENCO: Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Greta Gerwig | 2016 (100 min)

 

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AMANHÃ – Demain
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, França, Documentário - 28/01/2017

Em vez da gente ficar reclamando que o mundo está poluído demais, aquecido demais, destruído demais, ruim demais, que tal ir atrás de soluções? Por menores que sejam, as mudanças transformam, são capazes de fazer as pessoas replicarem as ideais e causam efeitos multiplicadores. Se gentileza causa gentileza, uma melhor qualidade de vida acaba, naturalmente, atraindo quem se identifica com ela. Aí, é só continuar no caminho.

Com isso em mente, a atriz e diretora francesa Mélaine Laurent (também em Bastardos Inglórios, O Concerto) e o marido, Cyril Dion, saíram pelo mundo em busca de cidades e comunidades que já adoram um estilo diferente de vida. A gente acha que, para que isso aconteça é preciso mudanças muito bruscas, abandonar tudo e mudar de cidade. Saiba você que não. Mesmo porque, o ótimo é inimigo do bom. Não dá pra começar pelo ideal.

Comece pelo possível e você verá que mudanças no dia a dia já fazem a diferença e elas vão, aos poucos criando outras possibilidades. Economia criativa, bairro autossustentáveis, hortas comunitárias e urbanas são algumas das soluções que já estão mudando o mundo por aí e este documentário mostra realidades que a gente nunca imaginou existirem. Gente que está realmente fazendo a diferente. Faz uma hortinha em casa, em vaso mesmo, e você já vai ver que algo de diferente brotou bem perto de você.

 

DIREÇÃO: Cyril Dion, Mélaine Laurent | 2015 (118 min)

 

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O ÍDOLO – The Idol
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Palestina, Em cartaz, Drama, Biografia - 26/01/2017

O mais bacana desses filmes que falam do Oriente Médio é que eles falam do Oriente Médio por meio de algo com que a gente, do lado de cá do mundo, também se identifica. Falar da juventude em qualquer cultura aproximar os povos, como em Uma Garrafa no Mar de Gaza, por exemplo. Só mais universal do que o jovem, acho que é a música – coisas que caminham juntos, não por acaso. Dá aquela sensação de compreender um pouco de uma realidade bem distinta, o que é uma oportunidade de realmente olhar para o diferente com outros olhos.

Falando em olhar, O Ídolo traz essa perspectiva da superação de dificuldades. Não tem lá muito novidade, segue uma linha cronológica desde a infância e Mohammed Assaf e doura a pílula um pouco no quesito destruição e miséria por que passa o povo palestino. Mas, tirando isso, conta a verdadeira a história do menino de Gaza que sonhava em ser cantor profissional e se apresentar na Ópera do Cairo. Tanto ele faz – e tanto conta com a determinação da família – que consegue inscrever-se no concurso musical Arab Idol, “fugir”de Gaza para se apresentar na audição no Egito e finalmente vencer a competição.

O diretor do filme, Hany Abu-Assad, também de Paradise Now, que foi nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006 e tem uma pegada bem diferente e realista –, também é palestino, nasceu em Nazaré. Consegue trazer emoção para o drama, mesmo que tenha, sim, alguns clichês – que além de ser humano, universal enquanto luta por um lugar ao sol, pela liberdade de ir e vir, pelo sonho, pela justiça, traz pra perto uma realidade que a gente, aqui do outro lado, mal consegue dimensionar e que o cinema é capaz de traduzir.

 

DIREÇÃO: Hany Abu- Assad ROTEIRO: Hany Abu-Assad, Sameh Zoabi  ELENCO: Tawfeek Barhom, Kais Attalah, Hiba Attalah | 2015 (100 min)

 

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HORIZONTE PROFUNDO – Deepwater Horizon
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama - 22/11/2016

Em tempos de contaminações devastadoras do meio ambiente, Horizonte Profundo é um soco no estômago. O mais inacreditável – e previsível – é que o dano ambiental e a perda de vidas humanas nunca é proporcional à punição dada aos causadores. Muito menos à mea culpa dessa turma que só pensa em lucrar.

Superprodução – e muito bem feita e dramática – conta a história da do acidente na plataforma de petróleo Deepwater Horizon, instalada no Golfo do México, em 2010. Por irresponsabilidade da empresa operadora da plataforma, que tomou a decisão mais barata e não a mais segura, ela explode em alto mar, trabalhadores morrem e os feridos são expostos ao trauma da tragédia. Protagonizado por Mark Wahlberg (também em O Vencedor), Horizonte Profundo é daqueles filmes que faz a gente sair do cinema e se perguntar por que é que o erro se repete. Bicho ganancioso e egocêntrico por natureza, esse ser humano. Tem que se salve.

 

DIREÇÃO: Peter Berg ELENCO: Mark Wahlberg, Dylan O’Brien, Kate Hudson | 2016 (107 MIN)

 

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SNOWDEN – HERÓI OU TRAIDOR – Snowden
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Estados Unidos, Drama, Biografia - 14/11/2016

Em tempos de total invasão de privacidade em todas as esferas da vida, trazer à tona a história de Edward Snowden faz sentido. Ainda mais na semana em que a política americana (e mundial) caiu em mãos explicitamente sem escrúpulos – porque não dá pra por a mão no fogo por ninguém, mas diante das declarações de Trump, parece que tudo fica realmente muito claro.

Gênio da matemática, da tecnologia, da lógica da internet, Snowden (Joseph Gordon-Levitt, também em A Travessia, 500 Dias Com Ela) entra para a CIA, é um expoente da agência e é visto com o funcionário capaz de montar o maior esquema de espionagem que recaiu sobre o cidadão comum. E capaz de revelar, ao mundo, que a Agência de Segurança Nacional (NSA) seria capaz de tudo em nome da soberania – do Estado sobre o indivíduo. Snowden põe a boca no mundo e precisa se exilar na Rússia porque nos EUA ele não entra mais.

Dirigido por Oliver Stone (também de Selvagens), tem ritmo de thriller, cara de filme de espionagem (#sóquereal), pincelado por um romance e todas as questões privadas que se mesclam com as públicas – numa alusão a essa confusão que se tornou a vida de qualquer cidadão comum com o uso da tecnologia em todos os campos da vida. Quem rastreia quem? Quem é o espião e quem é o espionado? Parece que estamos todos dentro de um saco só.

 

 

DIREÇÃO: Oliver Stone ROTEIRO: Keiran Fitzgerald, Oliver Stone ELENCO: Joseph Gordon-Levitt, Shailene Woodley, Melissa Leo | 2016 (135 min)

 

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13 MINUTOS – Elser
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Alemanha - 14/11/2016

O que teria sido da história mundial sem Hitler? Mil possibilidades, mas é certo que teria sido bem diferente. George Elser tenta, em novembro de 1939, assassinar o líder alemão. Antevê o horror, percebe o que está por trás do discurso racista e imperialista, bola um plano e explode uma bomba. Por 13 minutos, Elser falha. Teria mudado tudo.

História real contada no filme, com o flashback sobre a vida e relacionamentos de Elser. Consegue se safar da morte iminente, fica preso durante a guerra e termina num campo de concentração. Mais um relato interessante sobre o olhar alemão sobre a cena da guerra: há os coniventes, mas há os que enfrentam o poder e pagam com a vida por isso.

 

DIREÇÃO: Oliver Hirschbiegel ROTEIRO: Léonie-Claire Breinersdorfer, Fred Breinersdorfer ELENCO: Christian Friedel, Katharina Schüttler, Burghart Klaubner | 2015 (114 min)

 

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KÓBLIC – Koblic
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Argentina - 14/10/2016

Ditaduras constroem essas lembranças que rondam o imaginário coletivo. Dentre tantas torturas documentadas na literatura e no cinema, a imagem do lançamento de presos políticos em pleno voo, em alto mar, me causa verdadeiro pavor. Foi assim na Argentina e sabe lá onde mais. Kóblic traz esse panorama como pano de fundo, inclusive sendo a causa da trama do filme.

Sebastián Borensztein, também diretor de Um Conto Chinês, escala Ricardo Darín para ser o protagonista. É incansável, o ícone argentino – faz mais de um filme por ano. Ex-piloto da aeronáutica, executa dos voos-assassinos durante os anos de chumbo, até que chega no seu limite, abandona o posto e se refugia em uma pequena cidade para tentar se refazer do trauma e retomar a vida.

Parece que quem vive a ditadura nunca se livra dela por completo. A realidade do autoritarismo, da abuso de poder, do uso da patente militar e da política da ameaça não dão trégua e acompanham o personagem durante o filme todo. Kóblic é um filme de suspense, mas também tem romance – o que dá uma suavizada e uma réstia de esperança.

 

DIREÇÃO: Sebastián Borensztein ROTEIRO: Sebastián Borensztein, Alejandro Ocon ELENCO: Ricardo Darín, Oscar Martínez, Inma Cuesta, | 2016 (92 min)

 

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DEMÔNIO DE NEON – The Neon Demon
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Para Entender o Nosso Mundo, Garimpo na Locadora, Drama, Dinamarca - 06/10/2016

Não transito bem com essa questão da ditadura da beleza. Nunca entendi esse panorama dos cabelos iguais, do desejo de corpos perfeitos, do espelhamento – e frustração – que o mundo fashion produz. Ultimamente têm surgido tendências mais interessantes, que apontam para a moda inteligente, do aproveita-o-que-você-tem, do peça-emprestado, do use-mais-de-uma-vez (pro vestido de festa). Bem melhor, aí me agrada. Demônio de Neon é indigesto neste sentido: fala da guerra entre modelos para conseguir um lugar ao sol, mas vai pro extremo. Quando ameaçadas, são capazes de comer a outra viva. Literalmente.

Vampiresco e totalmente surreal, Demônio de Neon é até agressivo. Gelado, misterioso, cheio de suspense. O mínimo de afetividade vem da personagem de Elle Fanning (também em Babel, Ginger e Rosa, Super 8). Recém-chegada no mundo da moda, a jovem modelo do interior, que sonha em ser famosa e ganhar dinheiro na cidade grande, é recebida por uma agente aparentemente solícita e carinhosa, que a introduz no meio das mega-modelos e está instalado o salve-se quem puder.

Foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e causou polêmica. Claro, tem uma pegada grotesca – mas, se você pensar metaforicamente (faça esse esforço, se conseguir), grotesca é a ditadura da estética que reina por aí.

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nicolas Winding Refn ELENCO: Elle Fanning, Christina Hendricks, Keanu Reeves | 2016 (118 min)

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