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O QUE EU MAIS DESEJO – I Wish
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Japão, Aventura - 18/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Hirokazu Koreeda

ELENCO: Koki Maeda, Ohshirô Maeda, Ryôga Hayashi

Japão, 2011 (128 min)

 

Nos cinemas: 18 de maio

O que Koichi, o garoto do pôster, mais deseja é ver sua família morando junto novamente. Seus pais se separaram e seu irmão mais novo, Ryunosuke, ficou morando com o pai em outra cidade, enquanto ele e a mãe foram para a casa dos avós. Na cabeça de uma criança de 12 anos e de seus amigos, um milagre é algo possível – e principalmente factível. Nem que para isso seja preciso vender brinquedos para conseguir dinheiro, inventar uma mentira na escola e em casa, fazer as malas e pegar um trem para outra cidade sem ter onde dormir,

Além de leve e criativo, O Que Eu Mais Desejo toca nesse ponto importante do imaginário infantil, que faz tudo ser possível. No Japão, dizem que quando dois trens-balas se cruzam, a energia é tão grande que faz os desejos se realizarem. Acreditando nisso, as turmas dos dois irmãos, cada uma na sua cidade, montam o esquema para a aventura. Combinam de se encontrarem num ponto estratégico de uma determinada cidade, onde é possível ver os trens se cruzarem. Sem qualquer complicação ou empecilho, comuns aos adultos, é claro.

Com muita delicadeza, o filme mostra a alma da relação dos irmãos com o mundo, com os pais, com os amigos. Registra, sem interferir. Deposita a sensação de veracidade nas relações e nos sentimentos, de algo genuíno, ingênuo como deve ser nessa idade, verdadeiro nas intenções. Mais do que contar a aventura em si – que é muito bacana também - O Que Eu Mais Desejo é lindo pelo retrato que faz das crianças e da esperança que eles são capazes de nutrir na mais vaga possibilidade de sucesso. Sem falar na incrível atuação dos dois irmãos (são irmãos na realidade), que me envolveram na narrativa com todos os seus desejos e sorrisos.

Dê uma espiada no trailer abaixo – vale a pena!

 

 

UMA LONGA VIAGEM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Documentário, Brasil, Biografia - 11/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Lúcia Murat

ELENCO: Caio Blat

Brasil, 2011 (97 min)

 

Nos cinemas: 11 de maio

 

A viagem parece durar até hoje. Quando revira as lembranças, cartas, sensações, descobertas e medos do passado, a cineasta Lúcia Murat decide contar o que viveu. E mais, o que viveram seus irmãos. Miguel morreu recentemente, o que motivou Lúcia a recordar, puxar pela memória a experiência daqueles anos de ditadura. Auxiliada pelo irmão Heitor, que dá seu depoimento emocionante e também é representado na telona por Caio Blat, ela escreve o roteiro daquilo que ficou registrado na mente e na alma dos membros da família.

É por isso que a viagem é longa. Começa no fim dos anos 1960, quando Lúcia milita contra a ditadura no Brasil e Heitor é mandado pela família para Londres para não acabar também na cadeia. E dura até hoje. Heitor não só vai a Londres, como viaja por anos pelo mundo todo, vive uma época em que a contracultura está solta, em que as drogas, o sexo e o rock ‘n roll são a ordem da vez e ele se envolve profundamente com narcóticos de todos os tipos. Acaba ficando esquizofrênico, o que acarretou inúmeras intervenções psiquiátricas, como podemos perceber pela maneira de falar e recordar o seu passado nos depoimentos do filme. A viagem que começou naquela época teve sérias implicações até hoje e leva o espectador também por esse túnel de emoções pessoas e muito particulares. E esse é o ponto principal do filme, as sequelas emocionais que ficam, os valores que são criados e alimentados com as experiências da vida. E claro, a coragem de Lúcia Murat de abrir sua intimidade desta maneira.

Em off, Lúcia narra suas lembranças neste documentário, o grande vencedor do Festival de Gramado do ano passado. A construção das passagens de Heitor na pele de Caio Blat (também em Bróder, Xingu, Carandiru, Os Inquilinos, As Melhores Coisas do Mundo, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) têm algo de surrealista, com base naquilo que foi escrito nas cartas enviadas por ele dos quatro cantos do mundo, guardadas por sua mãe. Não pretende parecer biográfico, acho que não. Mas sim um registro da memória afetiva de uma época que marcou a família e fez de seus membros aquilo que eles são hoje.

 

O EXÓTICO HOTEL MARIGOLD – The Best Exotic Marigold Hotel
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Inglaterra, Comédia - 10/05/2012

DIREÇÃO: John Madden

ROTEIRO: Ol Parker, Deborah Moggach

ELENCO: Judi Dench, Bill Nighy, Maggie Smith, Penelope Wilton, Dev Patel, Celia Imrie, Ronald Pickup, Tom Wilkinson

Inglaterra, 2011 (124 min)

 

Nos cinemas: 11 de maio

Como envelhecer? Dentre todas as questões expostas neste filme, ficou a pergunta. Acho que foi o que se perguntaram os sete senhores e senhoras ingleses na hora de procurar uma alternativa para viver a terceira idade. Optar por mais do mesmo, seria uma alternativa. No entanto, a beleza do filme está justamente na possibilidade de criar alternativas de vida, de olhar os anos futuros com novas perspectivas e não fazer da idade um empecilho. E sim um bônus.

O Exótico Hotel Marigold fica na Índia. É para lá que os sete aposentados ingleses querem ir, a procura de sol e tranquilidade. Cada um carrega sua história de vida. Evelyn (Judi Dench, também em Sete Dias com Marilyn, Nine) perdeu o marido e o dinheiro; Graham decepcionou-se com a carreira do magistrado; Douglas e Jean são casados, não se entendem e dependem do dinheiro da filha para sair do buraco; a rabugenta Muriel operou o quadril, precisa se recuperar logo para se mandar de volta pra a Inglaterra; Normal e Madge querem encontrar um novo amor. Chegam em Jaipur e encontram um hotel bem diferente do esperado, administrado por Sonny (Dev Patel, também em Quem Quer Ser um Milionário). A partir daí as máscaras caem, cada um se revela na sua habilidade e na sua fraqueza e escolhas diferentes são feitas para o futuro.

Inteligente, cheio de graça, além de muita cor e alegria próprios do local, O Exótico Hotel Marigold tem diálogos interessantíssimos e boas fontes de reflexão. Não só para quem está vivendo a terceira idade, mas para todos os que mudam a fase da vida, que fazem escolhas, que ficam paralisados com medo de sair da zona de conforto. Reinventar o estilo de vida é ter coragem e as rédeas da vida na mão. E esse é a grande mensagem do filme, sem que ele seja moralista ou professoral. Pelo contrário, é leve, singelo e delicado. Como deveriam ser os anos do outono da vida de cada um de nós.

 

BIRD
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Estados Unidos, Biografia - 30/04/2012

DIREÇÃO: Clint Eastwood

ROTEIRO: Joel Oliansky

ELENCO: Forest Whitaker, Diane Venora, Michael Zelniker, Samuel E. Wright

Estados Unidos, 1988 (161 min)

Aos amantes do jazz, Bird vai encantar por seu repertório. Aos que esperam uma história dinâmica, vai cansar. A biografia feita por Clint Eastwood (também em J.Edgar, Sobre Meninos e Lobos, Além da Vida, Conquista da Honra, Invictus, Cartas de Iwo Jima, Gran Torino, A Troca) é escura, dentro dos bares, da noite, dos clubes de jazz e da imensa depressão e do profundo vício em que o jazzista Charlie Parker (Forest Whitaker, vencedor em Cannes pelo papel) se afunda. Bebe e se droga desde os 15 e ao morrer, aos 34 anos, o médico legista estima que seu corpo tenha a idade de 65.

Claro que Eastwood não dá ponto sem nó – ganhou inclusive o Globo de Ouro por este filme. A escuridão é proposital, é reflexo da vida que Parker levou. Considerado um dos mestre do jazz, o percursor do bebop e do jazz agradável para se ouvir, não só para se dançar (como era antes com as big bands), teve uma vida pessoal consumida pela instabilidade, com mais baixos do que altos, o que é muito bem retratado no filme. Até por isso – e por suas 2h20 de duração – Bird se alonga um pouco demais da conta e vai ficando a cada cena mais sombrio. Assim como a vida do músico e compositor. De novo: para quem ama o jazz, sem dúvida uma biografia interessante dos anos 1940/50 no mundo da música. Se esse não for seu tema preferido, outras biografias do diretor como J.Edgar (sobre o chefão do FBI) e Invictus  (sobre Nelson Mandela) talvez agradem mais. Mas lembre-se de que Eastwood tem um estilo próprio, que não precisa pedir passagem nem permissão para filmar.

ESPECIAL: FILMES PARA O DIA DAS MÃES
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Especial - 20/04/2012

Dia 13 de maio é Dia das Mães. O Cine Garimpo selecionou 10 filmes que tratam da questão da maternidade de diversas formas diferentes. Garimpe também outras opções no blog!

 

1. Laços de Ternura (com  Shirley MacLaine, Debra Winger, Jack Nicholson / EUA, 1983)

2. Tudo sobre Minha Mãe (com Cecilia Roth, Marisa Paredes, Penelópe Cruz / Espanha, 1999)

3. O Filho da Noiva (com Ricardo Darín / Argentina, 2001)

4. Zuzu Angel (com Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira / Brasil, 2006 )

5. Uma Prova de Amor (com Sofia Vassilieva, Abigail Breslin, Cameron Diaz / EUA, 2009)

6. Um Sonho Possível (com Sandra Bullock / EUA, 2009)

7. Bebês (documentário / França, 2010)

8. Destinos Ligados (com Naomi Watts, Annette Bening / EUA, 2010)

9. O Garoto da Bicicleta (com Cécile De France, Jérémie Renier / França, 2011)

10. Minhas Mães e Meu Pai (com Julianne Moore, Annette Bening, Mia Wasikowska, Mark Ruffalo / EUA, 2010)

 

AMERICANO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 20/04/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Mathieu Demy

ELENCO: Mathieu Demy, Salma Hayek, Geraldine Chaplin, Chiara Mastroianni, Carlos Bardem

França, 2011 (90 min)

 

Nos cinemas: 20 de abril

 

Este parece filme de um homem só. Mathieu Demy (também em Tomboy), é diretor, roteirista e protagonista. Talvez o erro tenha sido justamente esse. A ideia do roteiro é boa: Martin (Mathieu Demy) mantém uma relação estável com sua companheira, muito embora não esteja entusiasmado, nem seja amoroso. Numa madrugada, recebe a notícia de que sua mãe morreu nos Estados Unidos. Precisa viajar para acertar a papelada e trazer o corpo para a França, onde será enterrada. Na viagem, faz tudo menos o que é burocrático. Acaba recordando sua infância adormecida e mais emoções do que poderia imaginar.

Interessante, não? Sim, mas Mathieu Demy se perde na construção da personagem Lola (Salma Hayek, também em Frida). Ela aparece desconexa, ganha importância sem que isso faça sentido, fazendo com que a busca de Martin pelo passado, pelas lembranças e por sua real identidade fique cansativa e até um pouco tola. Insisto que a ideia é bacana e o filme tem momentos bons, sobretudo quando Demy contracena com Claire (Chiara Mastroianni). E, claro, todo o debate sobre a busca pela identidade, sobre a resolução de  questões em aberto para poder viver o futuro é sempre interessante e válido. Mas caiu no lugar comum e fiquei com a impressão de que faltou trocar opiniões sobre roteiro e personagens nesse filme de um homem só.

HELENO – O PRÍNCIPE MALDITO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, Brasil, Biografia - 19/04/2012

DIREÇÃO: José Henrique Fonseca

ROTEIRO: José Henrique Fonseca, Fernando Castets

ELENCO: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Erom Cordeiro

Brasil, 2011 (116 min)

Antes de falar de Heleno de Freitas (1920-59), o boêmio, pavio curto, sedutor e talentoso jogador de futebol dos anos 40, falemos de Rodrigo Santoro. Sim, porque Heleno – O Príncipe Maldito seria mais uma história de sucesso-esquecimento de ídolos que não conseguem lidar com a fama e o dinheiro de forma equilibrada, se não fosse a atuação de Santoro. Particularmente, gosto muito da maneira como representa e imprime um olhar especial aos seus personagens. E gosto cada vez mais. Desde seu primeiro longa Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky, o talento é inegável. Aliás, é curioso que 11 anos depois Santoro volte a encenar o personagem de sanatório, de olhar e coração perdidos.

Depois do primeiro vieram Carandiru, Abril Despedaçado, Che – O Argentino, Che – A Guerrilha, Leonera, Reis e Ratos, Meu País, além de produções internacionais importantes a serem lançadas nos próximos anos. Santoro não para de trabalhar e tem mérito nisso. A força que dá ao personagem Heleno é grande, o que faz o filme não ser sobre futebol, apesar do tema, mas sim sobre um rapaz talentoso e boa pinta, que não sabe ouvir críticas, é estourado, acha que tem o mundo aos seus pés e acaba  tropeçando no vício, nas traições, nas grosserias e perde o trono para a sífilis aos 39 anos.

Fiquei surpresa com o filme e justiça seja feita: há um outro fator que o torna interessante. A escolha do preto e branco, da filmagem que coloca o espectador realmente no Rio de Janeiro dos anos 40/50, no Copacabana Palace, nas praias desertas é linda, bem cuidada e um tanto quanto nostálgica. Bela, sobretudo. Ponto para o diretor José Henrique Fonseca. Teria sido realmente necessário algum tom especial para que o filme não caísse na mesmice, nem na idolatria ou vitimização de um atleta. Ele humaniza a postura de Heleno diante da mulher Silvia (Alinne Moraes, também em O Homem do Futuro), dos amigos e colegas. E conta uma boa história. Que infelizmente, se repete, repete e repete.

 

 

A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS – The Secret Life of Words
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Espanha, Drama - 17/04/2012

DIREÇÃO E ROTEIRO: Isabel Coixet

ELENCO: Sarah Polley, Tim Robbins, Sverre Anker Ousdal

Espanha, 2005 (115 min)

Sensível e tocante, esse poder das palavras que o filme traz. Muitas produções – e muitas vezes a própria vida – valoriza sabiamente o silêncio como forma de reflexão e escuta, mas A Vida Secreta das Palavras faz o percursos inverso. Do silêncio que aprisiona, isola e entristece a alma, existe a palavra que dá vida. Aprisionada pelo medo e pavor trazidos por uma experiência extremamente traumática, Hanna (Sarah Polley) cala-se diante da vida, do futuro e fecha a sete chaves seu passado. Escuta o que quer, fala o mínimo necessário, para não ouvir sua própria voz, sua própria história.

São as palavras que a trazem de volta à possibilidade de vida. Funcionária exemplar de uma fábrica, não conversa com ninguém, não falta, não dá trabalho, não tira férias. É como se o tempo livre fosse doloroso demais. Obrigada a tirar férias por um mês, candidata-se a ser enfermeira de Josef (Tim Robbins), um funcionário de uma plataforma de petróleo, que sofreu sérias queimaduras. Isolada nela mesma e na imensidão do mar, Hanna encontra ali o refúgio perfeito, mas as palavras não a deixam calar e é só nesse momento que ficamos sabendo o que realmente aconteceu – um trauma vivido perto de nós, no tempo e no espaço, de dimensões absolutamente cruéis e desumanas. (Claro que não vou falar, porque esse é a revelação do filme.)

Com uma linda e melodiosa trilha sonora, A Vida Secreta das Palavras dá voz ao silêncio e aos outros sentidos, mas valoriza o poder de compartilhar, de conviver. No fim das contas, não adianta. Quando a alma é boa, a voz interior não pode ficar calado para sempre.

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