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AS IDADES DO AMOR – The Ages of Love
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Itália, Comédia Romântica - 27/04/2012

DIREÇÃO: Giovanni Veronesi

ROTEIRO: Giovanni Veronesi, Ugo Chiti

ELENCO: Robert De Niro, Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio, Michele Placido, Laura Chiatti, Valeria Solarino, Donatella Finocchiaro, Carlo Verdone

Itália, 2011 (125 min)

 

Nos cinemas: 27 de abril

Tenho falado mal, num tom até sem paciência, das últimas comédias românticas americanas que vi. É pura falta de paciência mesmo para aquilo que não apresenta novidade, nem graça. Não é implicância com o tema, que fique bem claro. Não só gosto do gênero, como acho que ele deve ser explorado cada vez mais – afinal, é o repertório em comum a todos nós.

As Idades do Amor é prova disso. Quando saí da sessão, pensei justamente no fato de não ter ficado impaciente, de ter acompanhado as três histórias  na bela Itália, achando o programa da segunda-feira de manhã um privilégio! Não é para ser profundo, nem denso. Esse tipo de filme é pensado para nos identificarmos, cada um com o seu repertório romântico, e nos divertirmos com a comédia da vida. E falado em italiano, tem um toque especial.

São três histórias, em três idades. Na juventude, às vésperas do casamento, o advogado Roberto (Riccardo Scamarcio, também em O Primeiro que Disse, Meu Irmão é Filho Único) se encanta com outra mulher, a bela Micol (Laura Chiatti) e já não sabe se casa com a também bela Sara (Valeria Solarino) ou se compra uma bicicleta. Já na maturidade do casamento, o apresentador de televisão se rende às maluquices de Eliana (Donatella Finocchiaro) e coloca anos de confiança a perder. Por fim, o professor americano de História da Arte Adrian (Robert De Niro, também em Noite de Ano Novo, Estão Todos Bem, O Poderoso Chefão), vai passar um tempo em Roma depois de se aposentar e um encontro com Viola (Monica Bellucci) muda sua vida de uma maneira que ele não poderia imaginar.

São pequenas histórias, por vezes exageradas, improváveis – até por isso não entre em detalhes. Mas o ponto deste gênero de filme não é ser tão fiel assim à realidade, mas florear um pouco e dar risada das situações criadas pelos mais diversos relacionamentos. As Idades do Amor (em italiano, a quem interessar possa, é Manuale d’Amore) é gracioso, tem um toque original e descontraído no narrador-cupido, que conta a trajetória dos casais e mostra belas paisagens da Itália. Para ver bem acompanhado, é um programa bem gostoso.

 

A FONTE DAS MULHERES – La Source des Femmes
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Itália, França, Comédia - 15/02/2012

DIREÇÃO: Radu Mihaileanu

ROTEIRO: Radu Mihaileanu, Alain-Michel Blanc

ELENCO: Leïla Bekhti, Hafsia Herzi, Biyouna, Sabrina Ouazani, Saleh Bakri, Hiam Abbass, Mohamed Majd

França, Itália, Bélgica, 2011 (135 min)

Adoro – e já disse isso aqui – essa rica leva de filmes sobre a cultura árabe, sejam eles de um viés mais duro, como é o caso dos excelentes O Profeta e Incêndios, seja de uma perspectiva mais política como Lemon Tree, Free Zone, Miral, mais humana como A Noiva Síria e Homens e Deuses ou mais colorida e feminina como Caramelo. São filmes cheios de conteúdo importante sobre a cultura, costumes, política e relações humanas do mundo islâmico. A Fonte das Mulheres passa por tudo isso, mas tem um viés colorido e bem humorado, que se utiliza do mundo feminino para contar uma história que mais parece uma fábula das “não-mil e uma noites”.

Estamos em uma pequena aldeia no norte da África muçulmana, onde a seca, o desemprego a falta de perspectiva assolam a população. Já não há mais guerra que ocupe os homens – que passam o dia bebendo chá e jogando conversa fora no bar. Já as mulheres têm que manter a tradição milenar de tecer, cuidar da casa e das crianças, procriar e buscar água na fonte que fica morro acima. O esforço é tão grande que muitas delas, grávidas, acabam perdendo seus bebês durante o caminho. Lideradas pela jovem Leila (Leïla Bekhti, também em O Profeta, Eu, Você, os Outros), resolvem contestar esse poder de decisão dos maridos, essa distorção do Alcorão de que a mulher precisa obedecer, fazendo greve de sexo. As mais velhas não concordam e causam polêmica, como sua sogra Fatima (Hiam Abbass, também em Lemon Tree, Free Zone, O Visitante, A Noiva Síria, Conversas com meu Jardineiro), no entanto as mais jovens aderem à causa como Loubna (Hafsia Herzi, também em O Segredo do Grão) e Rachida (Homens e Deuses). Greve mesmo, até que os homens fiquem responsáveis pela água do poço.

A Fonte das Mulheres, todo falado em árabe, é um filme que trata das diferenças entre homens e mulheres no mundo muçulmano, das obrigações femininas e os maltratos que sofrem, sem ser propriamente violento. Pelo contrário, tem bom humor. O diretor romeno Radu Mihaileanu, também de O Concerto, consegue novamente dar leveza ao assunto, com graça, cor e música – quase também num tom de fábula. A bela Leila comanda a voz jovem, que casa por amor, defende o que pensa, não teme ser reprimida e se contrapõe à força da tradição familiar levada a ferro e fogo no campo da desonra, do repúdio, da obediência. Defende sua condição de mulher e mãe, de ser humano que sabe e quer fazer suas próprias escolhas, sem precisar que o marido, irmão ou pai decidam por ela.

Vale a pena assistir, mesmo que para isso seja preciso se encaixar nos pouquíssimos horários disponíveis no cinema.

CARO DIÁRIO – Caro Diario
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Itália, Comédia - 02/01/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nanni Moretti

ELENCO: Nanni Moretti, REnato Carpentieri, Giovanna Bozzolo

Itália, 1993 (100 min)

Quem gosta da narrativa do diretor italiano Nanni Moretti e ainda não assistiu a Caro Diário, aí vai a dica. Fui atrás dessa obra porque particularmente acho o cineasta um sujeito corajoso. Conta histórias à sua maneira, fora dos padrões narrativos e parece simplesmente não se importar com supostas críticas ou desconfortos. Só por isso, já acho que vale a pena conferir. Confesso que Caro Diário, pelo qual Moretti levou o prêmio de melhor diretor em Cannes em 1994, não é dos meus favoritos. Gosto muito mais de O Quarto do FilhoCaos Calmo e Habemus Papam - os dois primeiros profundos, sobre dor e adaptação, sobre o caos que se instala em alguns momentos da vida; o último, sobre o papa, que não sabe o que fazer com o trono.

Bem, Caro Diário é dividido em três partes, propriamente o que diz o título, um diário. De novo Moretti é ator de seus filmes e ele próprio é protagonista dos três episódios. No primeiro deles, vaga por Roma observando sua arquitetura, sua conjuntura, sua forma de vida. Divagações, como se conversasse com um amigo. É como se nos levasse junto com ele, de lambreta. No segundo, percorre as ilhas italianas, a procura de um lugar tranquilo para escrever. Dessa jornada, ficamos sabendo da forma de vida das pessoas, das peculiaridades de lugares isolados pela própria natureza ou pelo rigor do inverno. Nos dois episódios, senti como se Moretti realmente tivesse resolvido compartilhar isso com o espectador, da maneira simples como a vê e a sente.

Mas é do terceiro episódio que gosto mais – e por ele digo que vale mais a pena o filme todo. Nanni Moretti expõe não suas ideias e percepções, mas o calvário por que passou enquanto os médicos não conseguiam fazer o diagnóstico preciso dos males que o estavam deixando maluco. Sentia coceiras e suores terríveis, percorreu todas as especialidades médicas possíveis, comprou dezenas de medicamentos em vão, até ser diagnosticado com câncer. Retrata com um humor muito sutil, bastante direto e de forma inteligente o que foi viver essa fase da vida. Sem drama, com ironia. Faz um relato praticamente documental – e é essa a sua maneira mais peculiar de contar uma história. Por essas e outras, enquanto espera-se Habemus Papam chegar aos cinemas (já passou por aqui na Mostra Internacional de Cinema), Caro Diário vai recheando a filmografia do italiano que tem um jeito todo especial de ser ator e diretor, de contar um história, mesmo que ela não tenha nada de especial. São relatos do simples cotidiano.

 

GUERRA DOS SEXOS – Maschi contro Femmine
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Itália - 28/11/2011

Nos cinemas: 02 de dezembro

 

DIREÇÃO: Fausto Brizzi

ROTEIRO: Fausto Brizzi, Massimiliano Bruno, Valeria Di Napoli, Marco Martani

ELENCO: Fabio De Luigi, Paola Cortellesi, Francesco Pannofino, Allessandro Preziosi, Paolo Ruffini, Nicolas Vaporidis, Sarah Felberbaum, Chiara Francini, Lucia Ocone, Carla Signoris, Giorgia Wurth

Itália, 2011 (113 min)

 

Fui conferir este italiano Guerra dos Sexos, impulsionada pela boa leva filmes italianos recentes como Que Mais Posso Querer, O Primeiro que Disse, Um Sonho de Amor, Saturno em Oposição – só para citar alguns. Imaginei encontrar algo divertido em Guerra dos Sexos, já que o tema suscita as intermináveis diferenças e discussões entre homens e mulheres, mas também a inquestionável vontade de se apaixonar. A propósito, o filme começa bemq quando cita a máxima de que um homem e uma mulher são as pessoas menos indicadas para se casar, vide as diferenças, traições, disputas, medos, inseguranças. Mas, depois disso, seguiu previsível, sem criatividade. Confesso que fiquei impaciente.

Explico. Se a expectativa era dar risadas das mazelas e amores entre um homem e uma mulher, fiquei frustrada. Não achei graça, como achei em O Primeiro que Disse, por exemplo. Achei que “choveu no molhado”. Conta quatro histórias que se cruzam. Uma mulher já nos seus 50 anos, pega o marido transando na sala da sua casa com outra, bem mais jovem, e obviamente se sente a pior das mulheres, velha e acabada; um treinador de vôlei casado acaba de ter seu primeiro filho, mas é constantemente paquerado por uma das atletas do time; três amigos solteiros, dois rapazes e uma moça lésbica, estão sempre à procura de novos casos, até que se envolvem com a mesma mulher; e finalmente uma moça ecologicamente correta tem que conviver com o vizinho garanhão, que cada dia chega em casa com uma mulher de diferente nacionalidade.

As confusões acontecem, como pode-se ver no trailer abaixo, e os personagens se cruzam. Tem um gostinho de déjà vu, onde falta o novo, o toque de graça – mais parece um filme retalhado que se perde nas próprias confusões. Nem sempre é preciso ir além do riso, da ironia e do tom de deboche. O difícil é fazer isso de forma diferenciada. Guerra dos Sexos é igual a tantos outros – chega a lembrar até uma daquelas ditas “comédias românticas” americanas que, no meio de tanto sexo, não são nem uma coisa, nem outra…

HABEMUS PAPAM
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Entender o Nosso Mundo, Itália - 30/10/2011

 DIREÇÃO: Nanni Moretti

ROTEIRO: Nanni Moretti, Francesco Piccolo, Federica Pontremoli, Jerzy Stuhr,

ELENCO: Michel Piccoli, Nanni Moretti, Jerzy Stuhr, Renato Scarpa, Franco Graziosi, Camillo Milli, Roberto Nobile, Marguerita Buy

Itália, 2011 (104 min)

Qualquer um de nós, independente de crença ou religião, gostaria de ser uma mosca para saber o que se passa dentro das paredes do Vaticano. Na rotina, na tomada de decisão, nos relacionamentos, na política. Ainda mais se o momento for de eleição do novo papa. No conclave dos cardeais, eles se reúnem a sete chaves, escrevem seu voto e ficam incomunicáveis com o mundo exterior, até que seja anunciado no balcão da Praça São Pedro: Habemus Papam! Esse é o ponto central do novo longa de Moretti (também dos ótimos O Quarto do FilhoCaos Calmo, Caro Diário): temos papa, mas parece que ele próprio não está convencido disso.

Haveria inúmeros temas a serem explorados – nesses 2 mil anos de história, fatos é que não faltam para ilustrar, criticar, reverenciar os feitos da Igreja Católica. Acho inclusive que o mais fácil seria uma crítica ferrenha, tendo em vista as dificuldades de angariar novos fiéis, a concorrência dos outros credos, as denúncias e tudo mais. E é justamente isso que eu mais gosto no filme: a escolha de Nanni Moretti pelo retrato do papa enquanto homem, com fraquezas, dúvidas, ansiedades, medos como qualquer um de nós, sem juízo de valor à pessoa, nem ao religioso. Ao deparar-se com a missão de ser o novo chefe da Igreja, mentor espiritual de mais de um bilhão de pessoas no mundo todo, o novo eleito entra em desespero e o Vaticano toma a decisão de contratar um terapeuta, personagem do próprio Nanni Moretti, para desatar o nó.

Aqui entra a magia do filme, quando Nanni Moretti opta pela graça e pelo humor inteligente, e não pela ironia, acusação ou desprezo. Nada disso. Como terapeuta, ele levanta questões de caráter humano, próprio de todos nós que sentimos, amamos, escolhemos, detestamos, fazendo graça inclusive com situações da sua vida (no filme) com a ex-mulher também psicanalista. Questiona os protocolos e dogmas da Igreja com sutileza, embora explicitamente – me fez rir sem ofender – e retrata os dias de reclusão dos cardeais, a espera do anúncio do novo papa, como pessoas normais, com manias, hipocondria, preleções, habilidades e defeitos.

Exibido na Mostra Internacional de Cinema em outubro do ano passado, os espectadores se divertiram e de quebra levaram pra casa uma discussão interessante sobre essas pessoas “escolhidas”, seja político, líder religioso, chefe de estado, que têm a função inglória de representar e liderar, atender às expectativas e convencer o rebanho de que aquele discurso vale quando pesa.



IRMÃS JAMAIS – Sorelle Mai
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Itália - 27/10/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Marco Bellocchio

ELENCO: Pier Giorgio Bellocchio, Elena Bellocchio, Donatella Finocchiaro, Letizia Bellocchio, Maria Luisa Bellocchio, Gianni Schicchi, Alba Rohrwacher, Valentina Bardi

Itália, 2010 (105 min)

Fui ao cinema sem conhecer a história do filme, mas acho que vale a pena você saber antes de se aventurar. Se der uma olhada nos créditos acima, vai reparar que há vários atores com sobrenome Bellocchio, o que leva a crer que o diretor Marco Bellocchio (também de Vincere) contou com membros da família na produção. Mas é mais do que isso. O projeto mistura ficção e realidade. Durou 10 anos, durante os quais Bellocchio filmou seus parentes na sua cidade natal de Bobbio, entre 1999 e 2008. Sua filha Elena é retrarada dos 5 aos 13 anos (aliás, imagens lindas), interagindo com seu filho Pier Giorgio, que faz o papel de tio da garota. Suas duas irmãs Letizia e Maria Luisa interpretam as tias de Elena no filme. Portanto, se pararmos para pensar, o projeto de longo prazo já devia estar estruturado na cabeça de Bellocchio para que as tomadas fossem feitas durante um período tão longo. Ou não, podem ter sido ensaios, montados posteriormente, dando essa sensação de ordem cronológica, mas com ideias desencadeadas.

Em alguns momentos achei o filme escuro demais, até cansativo. Agora entendo isso como tomadas de reflexão da vida, recortes de momentos, um quebra-cabeça de episódios da trajetória do diretor, da rotina da pequena cidade fadada ao esquecimento, à vida pacata e sem graça. Mas é nela que estão as tradições, as histórias, as lembranças e as pessoas que constroem o álbum de família. Elena é criada pelo tio Giorgio (também em Vincere), porque sua mãe Sara tenta, há anos, um papel no teatro que faça a diferença. As tias de Elena são o alicerce da família, aquelas que continuam no mesmo lugar, acreditando nas mesmas coisas, enquanto o mundo e as pessoas dão voltas – muitas vezes sem sair do lugar. A atriz Alba Rohrwacher (também em Que Mais Posso Querer, Um Sonho de Amor, Meu Irmão é Filho Único) é uma professora amiga da Elena, que entra na história também de forma descontinuada.

Irmãs Jamais é um filme belo, mas me causou certa melancolia. A escuridão me dá a impressão dessa abordagem triste e muitas vezes mal sucedida dos projetos da vida. Claro que quem teve o prazer de assistir ao lindíssimo Vincere, pode se incomodar. Vá com expectativa de ver algo com uma linguagem diferente. Assim, pode aproveitar toda a poesia que o filme tem.

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PROGRAME-SE:

Ingressos online: Ingresso.com

29 out / 14h00 - ESPAÇO UNIBANCO AUGUSTA

* Sala 3
Rua Augusta, 1475, Cerqueira César / CEP: 01305-100 / TEL.: 3288-6780

31 out / 15h00 - CINEMATECA

* Sala PETROBRAS
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino / CEP: 04021-070 / TEL: 3512-6111.

 

 

 

 


UM SONHO DE AMOR – Io Sono l’Amore
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Itália, Drama - 18/08/2011

 

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Luca Guadagnino

ELENCO: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabbriellini, Alba Rohrwacher, Pippo Delbono, Diane Fleri, Maria Paiato

Itália, 2009 (120 min)

O porte e elegância de Emma (Tilda Swinton, também em Queime Depois de Ler) são arrebatadores neste lindo filme italiano. De origem russa, casa-se com um rico industrial de Milão, da tradicional família Recchi, fez três herdeiros, mas visivelmente não é feliz. Seu olhar é vago, distante, perdido na maravilhosa villa italiana, em que a riqueza de detalhes é de encher os olhos de qualquer um. Pobre menina rica – seria mais ou menos isso. O que não se restringe à mãe. Sua filha Elizabetta (a ótima Alba Rohrwacher, também em Que Mais Posso Querer) também não parece sentir-se à vontade, apesar do esforço em agradar o avô, patricarca e percursor de todo o prestígio e fortuna.

Construído esse universo aparentemente sólido e inabalável, elementos externos causam instabilidade, que vai crescendo, centrada na personagem de Emma, numa atuação espetacular. Lindo esteticamente, mas sobretudo um filme de desconstrução sutil, também elegante (se é que é possível) de personalidades mascaradas pela expectativa da sociedade, mas sem sua verdadeira alma. Em inglês, o título é fiel ao original em italiano: I am Love. Gosto mais, carrega o significado mais profundo da busca pelo amor próprio.

Indicado ao Oscar em 2011 na categoria de Melhor Figurino (perdeu para Alice no País das Maravilhas), Um Sonho de Amor é mais do que figurino. Tem belíssima fotografia, ótimo roteiro e poucos diálogos. O diretor abusa do silência, da trilha sonora e dos olhares – que dizem mais do que mil palavras.

Estreia dia 19 nos cinemas.

Trailer de UM SONHO DE AMOR por claquete_com no Videolog.tv.

SATURNO EM OPOSIÇÃO – Saturno Contro
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para se Divertir, Itália - 25/07/2011

DIRETOR: Ferzan Ozpetek

ROTEIRO: Ferzan Ozpetek, Gianni Romoli

ELENCO: Stefano Accorsi, Margherita Buy, Pierfrancesco Favino, Sierra Yilmaz, Ennio Fantaschini, Ambra Angiolini, Luca Argentero, Filippo Timi, Michelangelo Tommaso, Lunetta Savino

Itália, França, 2007 (110 min)

Do mesmo diretor dos ótimos O Primeiro que Disse e A Janela da Frente, o diretor Frezan Ozpetek acerta de novo com Saturno em Oposição. Talvez saiba tratar do tema das diferenças, pela sua própria origem turca em terras italianas. Talvez seja pela capacidade de tratar do lugar comum, um grupo de amigos e seus conflitos, como pessoas normais, com virtudes e fraquesas como todos nós. Aliás, acho que é essa maneira sincera de contar o drama humano de cada um dos personagens que falou mais alto. Cada um vive o seu problema, seja ele o casamento, a droga, a solidão, a falta de objetivo, mas todos sentem em conjunto a perda de um deles e aqui entra a amizade na vivência da tristeza.

Num grupo de amigos bastante heterogêneo, a doença de um deles dá ao diretor a oportunidade de retratar cenas singelas e muito profundas. A vigília que é feita no hospital chega a emocionar. O não abandono, apesar da não concordância com a atitude, com a postura, é prova de amor. Juntando gays, casais hetero (um deles Pierfrancesco Favino, também em Que Mais Posso Querer), uma moça drograda e desiludida (que tem no seu mapa astral saturno em oposição – por isso o título) saí do cinema com a certeza de que a vida continua para cada um deles, com suporte, sem julgamento. A essa altura do campeonato, além de uma bela história de gente comum, vejo como um grande tributo à amizade, apesar dos pesares da vida, que não são poucos.

 

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