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A DATILÓGRAFA – Populaire
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 21/05/2013

DIREÇÃO: Régis Roinsard

ROTEIRO: Régis Roinsard, Daniel Presley

ELENCO: Romain Duris, Déborah François, Bérénice Bejo

França, 2012 (111 min)

 

Nos cinemas: 24 de maio

datilógrafa

Quem teve a oportunidade – sim, a oportunidade – de datilografar e conhecer de perto as mazelas e maravilhas de uma máquina de escrever, vai recordar muita coisa. Eu ainda tive aula de datilografia no colégio e decorar a sequência ASDFG HJKLÇ, cada qual com seu devido dedo, era um desafio. Mesmo porque, não era nada parecido com os teclado de hoje em termos de segurança (os dedos entravam no meio das teclas) e de eficiência (as hastes das letras travavam quando digitávamos rápido demais).

Depois esse romantismo terminou com a máquina elétrica,seguida pelo teclado do computador e das telas sensíveis ao toque. E não estou falando dos anos 1950, época em que o filme se passa. As aulas de datilografia eram um luxo, no auge dos anos 80. Pensar sobre esse aspecto da rapidez dessa substituição é curioso – e nostálgico. Mas o melhor de tudo é saber que hoje digito com os 10 dedos graças às sequências intermináveis que tinha que repetir, até decorar e esfolar todos os dedos.

A Datilógrafa conta a história de uma simpática moça de 21 anos, Rose Pamphule (Déborah François, também em O Monge, A Criança), que resolve seguir o caminho diferente da esmagadora maioria das mulheres daquela época. Em vez de se tornar esposa, mãe e dona de casa, resolve procurar o emprego mais cobiçado entre as mulheres: ser secretária. Acaba indo trabalhar no escritório de Louis (Romain Duris, também em Albergue Espanhol, Bonecas Russas, Como Arrasar um Coração, Em Paris, De Tanto Bater, Meu Coração Parou).

Dentro daquele clima retrô dos anos 50 e de algumas piadas graciosas, ele se encanta com Rose, resolve treiná-la para ser a mais rápida datilógrafa da França e vencer todas as competições. Sem comprometer, A Datilógrafa diverte e distrai na medida de uma graciosa comédia romântica.

OS SABORES DO PALÁCIO – Les Saveurs du Palais
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia - 13/05/2013

sabores do palácioDIREÇÃO: Christian Vincent

ROTEIRO: Christian Vincent, Etienne Comar

ELENCO: Catherine Frot, Arthur Dupont, Jean d’Ormesson, Hippolyte Girardot, Jean-Marc Roulot, Philippe Uchan

França, 2012 (95 min)

Os sabores palacianos permeiam não somente a culinária. Os sabores também estão entre os egos, as disputas, a hierarquia interna. Todos regados à mais alta e caprichada gastronomia, liderados pela chef (que se diz cozinheira), Hortense Laborie. Quem entende de cozinha vai ficar fascinado com os sabores, temperos, combinações feitas especialmente para o presidente da França. Quem não entende nada, como eu, vai ficar ainda mais convencido que culinária é uma arte para poucos, mesmo se ela for a dita e deliciosa comida da caseira.

É desta culinária que o presidente gosta. E, para tanto, pede para que sua equipe vá atrás de Hortese, uma cozinheira de mão cheia, que aprendeu a fazer tudo com a avó e a mãe, e não se acha sofisticada à altura do Palácio do Élysée, residência oficial da presidência. Mas é desta cozinha que ele gosta, com ingredientes frescos, especiais, direto do produtor. Quer comer o verdadeiro sabor da França, quer voltar a sentir o gosto das coisas! Hortense (Catherine Frot) entra no palácio pela porta da frente, conquista o presidente, gera ciúmes no anterior chef da cozinha particular do presidente e diz a que veio. A passagem de Hortense pelo Élysée é divertida, alegre e saborosa, a ponto de ganhar a amizade do chefe maior pela barriga e quebrar muitos protocolos.varilux 3

Não sei nem repetir os pratos que Hortense faz – como disse, não é meu métier. Mas o que o filme mostra, além das trufas e cogumelos, é a culinária enquanto arte e prazer do preparo, da escolha dos ingredientes, do aroma. Inspirado na história de Danièle Delpeuch, que realmente foi nomeada chef particular do presidente François Mitterrand, o filme deixa claro que a culinária transmite fielmente a identidade de quem cria os pratos e coloca neles todo o seu afinco. A passagem de Hortense pela base francesa gelada no polo é detalhe que fica perdido no contexto do filme. Não dê muita importância, faltou uma amarração melhor nesse quisito. Mas isso não invalida a graça e divertida andança pelos corredores do palácio presidencial, com todo o seu glamour, intrigas e delícias.

RENOIR
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 10/05/2013

renoirDIREÇÃO: Gilles Bourdos

ROTEIRO: Gilles Bourdos, Jacques Renoir

ELENCO: Michell Bouquet, Christa Theret, Vincent Rottiers

França, 2012 (111 min)

Nos últimos anos de vida, Renoir já sofria demais com a artrite que acometia principalmente suas mãos. Para um pintor teria sido motivo de parar a produção. Não para o impressionista, que trabalhou até morrer em 1919 e deixou um legado incrível.

Renoir, o filme, trata justamente desses últimos anos, em que faltava vigor físico, mas não criativo. 1915, Riviera Francesa. Seu filho Jean, que se tornaria depois cineasta, vai para a guerra, mas tem que voltar para casa porque é gravemente ferido. Nesse momento, Renoir tem uma nova modelo, Andrée, por que Jean se apaixona e que dá, realmente, novos ares à casa, à família e ao trabalho do pintor.
varilux 3Bonito esteticamente e interessante do ponto de vista da dinâmica dos quadros impressionistas, Renoir é para quem gosta de arte e de filme francês. Típico, tem aquela preocupação com a luz, tão importante nas obras impressionistas, e com o todo, mais do que com a forma. Talvez o que o diretor Gilles Bourdos tenha tentado fazer seja priorizar os pontos essenciais do movimento impressionista em seu filme, para então dar a sensação também de sentimento, intensidade e presente – aquilo que os pintores tentavam transmitir em seus quadros. Além de uma história de amor, mostra um lado que sempre me chama a atenção em filmes de época: a dinâmica do dia a dia, da vida doméstica, o figurino, os modos, a cultura.

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PARA MAIS INFORMAÇÕES, ACESSE O SITE DO FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2013.

 

PARIS – MANHATTAN
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França, Comédia Romântica - 07/05/2013

paris-manhattanDIREÇÃO e ROTEIRO: Sophie Lellouche

ELENCO: Alice Taglioni, Patrick Bruel, Marine Delterme, Louis-Do de Lencquesaing, Michel Aumont, Marie-Christine Adam, Yannick Soulier

1 icone_DVDFrança, 2012 (77 min)

Em Paris, com alma de Manhattan, na pessoa de Woody Allen. Em uma farmácia elegante, porém pitoresca, cheia de placebos para a mente. É assim que vive e convive consigo mesma a bela francesa Alice (Alice Taglioni). Espirituosa e geniosa, tenta encontrar na companhia de Woody Allen, de suas conversas (imaginárias) com o diretor e de seus inúmeros filmes um alento para suas aflições – de seus clientes, para quem prescreve o cinema como medicação alternativa.

De uma maneira leve e romântica, a diretora Sophie Lellouche parece contar uma fábula. Tem o clima do também francês A Delicadeza do Amor, com Audrey Tautou. A história é diluída em comentários divertidos, muitas vezes improváveis, mas que não têm a intenção de ser real. Prentende navegar no universo imaginário do cineasta americano, que vê nas situações mais comuns da vida uma graça e uma pequena tragédia, e faz rir de si mesmo.

Alice perde um pretendente para a irmã mais velha, fica solteira, não aguenta reuniões e festas sociais, não atura a pressão da família para que arranje um marido, quer fazer o que bem entende e acha defeito em todos os homens que se aproximam – quando ela permite uma aproximação. Até que conhece Victor (Patrick Bruel, também em Qual o Nome do Bebê?), que não entra no jogo de Alice, mas mesmo assim vai precisar de uma mãozinha de Woody Allen para amolecer sua amada. Paris-Manhattan é doce, sem ser melado demais, e faz essa viagem interessante do refúgio de Alice na magia do cinema, para a realidade – que, afinal, não parece ser tão dura assim.

FERRUGEM E OSSO – De Rouille et D’os
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, França, Drama - 04/05/2013

Ferrugem e OssoDIREÇÃO: Jacques Audiard

ROTEIRO: Jacques Audiard, Thomas Bidegain

ELENCO: Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts, Armand Verdure, Céline Sallette, Corinne Masiero

França, 2012 (120 min)

festival_varilux_2013Marion Cotillard é um dos expoentes do cinema francês. Competente, intensa, marcante, veste seus personagens de uma maneira apaixonante. Ferrugem e Osso é um filme que escancara tantos sentimentos ao mesmo tempo, naquilo que o ser humano tem de mais nobre, podre, digno e indigno. Não diria, como vi escrito por aí, que se trata de um filme de amor, porque isso logo dá margem a romance. Não. Trata-se fundamentalmente de um filme sobre a capacidade de se reinventar diante das dificuldades da vida, de se reconciliar consigo mesmo. Dito isso, pode ser sim um filme de amor. Mas amor pela própria vida.

Só assim é possível conviver e lidar com a tragédia de perder as duas pernas. Stéphanie (Marion Cotillard, também em Até a Eternidade, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Contágio, Piaf – Um Hino ao Amor, Meia-Noite em Paris) vive sua vida sem muito entusiasmo e trabalha como adestradora de orcas em um aquário da cidade. Em uma das apresentações, ela sofre um acidente, perde as duas pernas e sua vida muda radicalmente. Paralelamente, Alain (Matthias Schoenaerts) está desempregado, precisa cuidar do filho e para isso muda-se para a casa da irmã, que mora na mesma cidade que Stéphanie.

As duas realidades se cruzam, sem que para isso o diretor Jacques Audiard (também de O Profeta) tivesse que criar um tema romântico. Pelo contrário. Cria um clima seco, quase pragmático, em que a dor da perda e do isolamento de Stéphanie e a frieza de Alain não se compadecem um do outro. Não há sentimento de compaixão, pena, companheirismo. Apenas uma troca de conveniências, dentro do que convém a cada um deles.

Além da crueza do tema, essa relação fria faz com que Ferrugem e Osso não seja um filme óbvio, muito menos fácil, e nem por um minuto doce. Duro de assistir, mas de uma autencidade impressionante sobre a essência humana. Dor e solidão não se confundem, mas o sofrimento faz trazer à tona a vontade de viver – e de viver melhor. A beleza está na descoberta dessa possibilidade, apesar dos pesares e limitações, sempre inúmeras. Uma das atuações mais completas de Marion Cotillard, que emociona, impressiona e justifica sua posição de destaque na cena mundial cinematográfica.

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ADEUS, MINHA RAINHA – Les Adieux à la Reine
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Entender o Nosso Mundo, França, Drama - 02/05/2013

adeus, minha rainha2DIREÇÃO: Benoît Jacquot

ROTEIRO: Benoît Jacquot, Gillles Taurand

ELENCO: Léa Seydoux, Diane Kruger, Virginie Ledoyen, Noémie Lvovsky, Xavier Beauvois, Michel Robin, Julie-Marie Parmentier

França, 2012 (100 min)festival_varilux_2013

Toda vez que falamos de revoluções passadas, fico pensando o que terão sido na realidade. Mesmo quando falamos de algo tão importante e impactante como a Revolução Francesa, sobre a qual há inúmeros registros, ainda persiste a pergunta que não quer calar: como foi na realidade, em detalhes?

Os fatos históricos e suas consequências, as mudanças nas relações sociais, a violência brutal instalada na França neste final do século 18, a queda da monarquia são incontestáveis e renderão sempre bons filmes nas mãos de bons diretores – o que Benoît Jacquol deu provas de que faria muito bem. O que a gente não sabe é o que aconteceu nos bastidores.

E é aqui que o diretor francês se supera, dando vida a uma história fascinante, do ponto de vista das mais improváveis protagonistas da Revolução. Através dos olhos de uma simples criada camponesa, que se torna a leitora da rainha Maria Antonieta por compartilharem o amor aos livros, somos apresentados aos três derradeiros dias após a Queda da Bastilha em 14 de julho de 1789 – uma prisão em Paris, invadida pelos opositores ao regime monárquico, que se tornou o estopim da Revolução.

Equilibrado, plasticamente lindo e encantador em toda a sua preocupação com os detalhes do Palácio de Versailles, na época a residência do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta (Diane Kruger), Adeus, Minha Rainha não se versa sobre intrigas palacianas, mas sim sobre a relação de platônica admiração que Sidonie (Léa Seydoux) tem pela rainha. No meio da penúria do povo e da ostentação da nobreza, Sidonie tenta entender o que está de fato acontecendo quando os revoltosos invadem a prisão da Bastilha, libertam os poucos prisioneiros que lá estavam por ousarem descordar do rei, roubam as armas e marcham em direção à Versailles para depor, de uma vez por todas, o obsolutismo. Além de proteger sua rainha, Sidonie confia nela cegamente e é surpreendida pelo desfecho, assim com nós.

Filmes sobre reis e rainhas sempre rendem romances proibidos, traições, jogos de interesse, casamentos forçados, guerras em nome de Deus. O que é mais agridoce nesse duro e violento momento da história é a sutileza dos bastidores, daquele que é inexpressivo, daquele que faz o teatro acontecer por trás das cortinas pesadas e escusas. Adoro histórias de realeza, mas confesso que gosto ainda mais dos contos da criadagem. São eles que tudo sabem, tudo observam. Um olhar aguçado, quase uma câmera oculta.

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DEPOIS DE MAIO – Après May
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, França, Drama - 29/04/2013

depois de maio2DIREÇÃO e ROTEIRO: Olivier Assayas

ELENCO: Lola Creton, Clément Métayer, Félix Armand

França, 2012 (122 min)

 

Depois de maio de 68, tudo foi diferente. A ebolição daquela década mudou para sempre a história dessa juventude que transgrediu, desafiou, foi para as ruas protestar contra a guerra, a rigidez das regras culturais e comportamentais que resultavam dos anos em que a França estava se recompondo da destruição da Segunda Guerra.

Apesar de ter sacudido tudo e todos na França e de ter contagiado outros jovens, universitários e operários em outros países europeus, o que se viu na década seguinte foi o oposto disso. Jovens sem rumo ou propósito, buscando o que ser e o que fazer, mas sem aquele entusiasmo do fim dos anos 60. E isso que eu mais gosto no filme: a indecisão do personagem Gilles diante de fazer a revolução ou o cinema tem o ritmo dessa fase lenta, letárgica, morna. O diretor Olivier Assayas (também de Horas de Verão) acerta nesse tom carregado de significado, embora possa parecer, em alguns momentos, devagar demais.

Mas esse é o ritmo de Gilles, que busca se encontrar nessa sociedade politizada, mas que não sabe muito bem o que fazer com isso. Sabe que precisa andar em grupo, procurar juntar-se aos que têm objetivo em comum, nem que este seja ‘não ter objetivo de fato’. Mas, assim como em Horas de Verão, Depois de Maio tem um gosto forte de recomeço, de descoberta. No primeiro, a família que perde a matriarca precisa encontrar uma nova maneira de se relacionar entre si e com as marcas do passado que existem em comum; neste os jovens precisam descobrir o que fazer com o legado da ebulição cultural e social dos anos 1960. E esse é o ponto interessante, que pede reflexão, não tanto política quanto no filme/série Carlos (sobre o terrorista Chacal), mas sobre o papel pessoal de cada um na sociedade.

 

 

THERESE D. – Thérèse Desqueyroux
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, França - 04/04/2013

DIREÇÃO: Claude Millertherese-d

ROTEIRO: Claude Miller, François Mauriac (romance)

ELENCO: Audrey Tautou, Gilles Lellouche, Anaïs Demoustier, Catherine Arditi

França, 2012 (110 min)

 

Nos cinemas: 05 de abril

 

Emmanuelle Riva, a atriz do premiado Amor, já viveu dias de Therese D. Foi em 1962, quando o romance de François Mauriac foi filmado pela primeira vez. Seu marido era nada mais, nada menos do que Philippe Noiret, o eterno Neruda de O Carteiro e O Poeta e Alfredo, de Cinema Paradiso. Nada mal, a dupla.

Agora quem vive a figura de Therese D., uma aristocrata completamente dentro do perfil feminino da proprietária de terra e herdeira de fortunas na França dos anos 1920, é Audrey Tautou. Submissa, respeitosa, obediente. Aceita casamento arranjado com o filho do vizinho fazendeiro, para assim perpetuar o poderio. Mas no fundo, Therese não se conforma e enlouquece dar uma solução no mínimo diferente para tudo isso.

Inspirado no romance escrito em 1952, toda a beleza estética do filme trabalha a favor da crítica à burguesia, às regras, à hipocrisia da alta sociedade que quer conservar seus lugares a todo custo. Inclusive sacrificando a amizade, o desejo pessoal, as habilidades individuais. Therese é criada como uma mulher do campo, sujeita às prioridades masculinas e financeiras. Mas quer viver na cidade, quer ser quem ela ainda não descobriu que é. Quer que seu marido Bernard (Gilles Lellouche, também em Até a Eternidade) tire e destrua todas as ideias ‘perigosas’ que ela tem na cabeça.

A trajetória de Therese é contada com todo rigor da construção de época, mas sem tanta força quanto imaginava que teria Audrey Tautou. Famosa pelo lindo e criativo O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Audrey Tautou parece que vai no piloto automático de uma história, que já diz tudo por si só. Tem beleza, mas falta emoção; tem boa história, mas falta presença. Parece até injustiça dizer isso, mas o que acontece com atores marcantes é essa alta expectativa que despertam quando aparecem em papéis importantes. Gosto mais de Audrey em Coco Antes de Chanel, e até em comédias românticas como Uma Doce Mentira, por exemplo. E claro, nos antigos Albergue Espanhol e Bonecas Russas. Injusta, eu? Pode ser. Mas seu personagem poderia ter mais força, ser mais audacioso. Audácia do tamanho da sua ousadia e coragem.

Vale dizer que Mauriac escreveu o romance com base em uma notícia publicada em 1927. Não sei bem o teor do caso real, mas seja lá qual foi, Therese teve uma boa má ideia para mudar o rumo da sua vida. E ainda deu sorte: a justiça não funcionou. Se você for amante dos filmes de época, não dê muita bola para comentários sobre minha expectativa com relação à Audrey Tautou. Mas confesso que acabo de colocá-lo na prateleira dos bonitos-filmes-de-época. Nada como o realmente emocionante Ligações Perigosas. Quem se lembra?

 

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