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A CAÇA – The Hunt
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Drama, Dinamarca - 20/03/2013

DIREÇÃO: Thomas Vinterberg

ROTEIRO: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm

ELENCO: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing, Lars Ranthe, Alexandra Rapaport, Ole Dupont

Dinamarca, 2012  (115 min)

 

Nos cinemas: 22 de março

 

Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier em um projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir. Dele também são Submarino e Festa de Família. Os dois são de enlouquecer.

Deve ser porque retratam os dramas humanos, seus e meus, como ele realmente são. Intensos, cruéis, traiçoeiros, surpreendentes. A Caça, exibido na 36a Mostra Internacional de Cinema, lida com isso, com mazelas – das mais humanas. A injustiça, o julgamento, a traição. Lucas (Mads Mikkelsen, vencedor de melhor ator em Cannes por este filme e também em Depois do Casamento, Coco Chanel & Igor Stravinsky, O Amante da Rainha) é professor da educação infantil. Acaba de se divorciar e está em plena delicada negociação com a ex-mulher a respeito da guarda do filho adolescente. O ambiente é amigável, uma pequena cidade dinamarquesa em que todos se conhecem. Mas de repente que surge um boato e a vida de Lucas vira do avesso. Suas conduta é questionada, suas relações mais íntimas e duradouras são colocadas em dúvida. Verdade ou mentira, fato é que Vinterberg traz à tona e faz questão de ressaltar a capacidade humana do pré-julgamento e todo o perigo que vem junto com ele.

De uma intensidade ímpar, de uma profundidade cortante. Por ser real. Tem muito do cinema conterrâneo de Susanne Bier, como seu Em Um Mundo Melhor e Depois do Casamento. E de uma angústia que fica e que seguiu comigo até depois que o filme terminou, pensando sobre a proporção que o ressentimento ocupa dentro das pessoas. E do que isso é capaz. Não deixe de ver, ainda mais no mundo de hoje em que as manipulações são constantes, e o bullying cada vez mais frequente. Fala-se muito nesse tipo de intimidação física e emocional com crianças e adolescentes, mas nos esquecemos da intensidade com que é feito no ambiente adulto.

 

O AMANTE DE RAINHA – A Royal Affair
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Drama, Dinamarca - 05/02/2013

DIREÇÃO: Nicolaj Arcel

amante da rainha

ROTEIRO: Bodil Sttensen-Leth

ELENCO: Alicia Vikander, Mads Mikkelsen, Mikel Boe Folsgaard

Dinamarca, 2012 (137 min)

Mads Mikkelsen é a referência nas telas quando se fala de cinema dinamarquês. A primeira vez que vi o ator foi em Depois do Casamento, da diretora Suzanne Bier. Tem um olhar misterioso e sério, próprio de personagens que nos causam dúvida, intrigantes. Ponto pra ele.

Só depois assisti a Coco Chanel & Victor Stravinsky, em que sua presença já não me  chamou tanta atenção, parece ainda imaturo na tela. Acho que Mikkelsen se destaca em personagens mais controversos e capciosos, como em A Caça, que foi exibido na Mostra de SP e é espetacular.

Em O Amante da Rainha, Mikkelsen está brilhante e ofusca qualquer atuação sem sal da princesa da Grã-Bretanha, Caroline Mathilde (Alicia Vikander), que se casa com Christian VII (Mikkel Boe Folsgaard), rei da Dinamarca. Isso acontece em 1766, quando o pensamento Iluminista está borbulhando na Europa e o poder da realeza sendo questionado.

Famoso por ser um sujeito esquisito, cheio de manias, boêmio e promíscuo, e por ter um comportamento alheio às questões políticas, sociais e econômicas do país, Christian também é alheio à esposa, que se entedia e acaba se apaixonando pelo médico alemão Johann Struensee (Mikkelsen). Struensee é escolhido para ser o médico particular do rei, depois o oficial da corte. Entra na intimidade do palácio, passa a aconselhar o rei em todas as esferas, inclusive política e pessoal. No que diz respeito ao país, dita as regras inspiradas no Iluminismo que está virando a Europa de cabeça para baixo; na seara pessoal, invade os aposentos da rainha.

Caroline Mathilde não só tem que enfrentar  a saia justa perante a corte dinamarquesa no século XVII, mas também o exílio na Alemanha. O filme é o concorrente dinamarquês ao Oscar de melhor filme estrangeiro, disputando a estatueta com o francês Amor. Além de esteticamente lindo, o filme mostra um interessante momento histórico e os bastidores do romance proibido. Um prato cheio para quem gosta de romance de época.

SUBMARINO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Drama, Dinamarca - 27/01/2013

dinamarca submarinoDIREÇÃO: Thomas Vinterberg

ROTEIRO: Tobias Lindholm

ELENCO: Jokob Cedergren, Peter Plaugborg, Patricia Schumann, Morten Rose, Gustav Fischer Kjaerulff

1 icone_DVD

Dinamarca, 2011

 

Antes de mergulhar nas profundezas de Submarino, é preciso dizer que quem dirige é Thomas Vinterberg. Aquele diretor dinamarquês responsável por filmes fortes, marcantes, dilacerantes como Festa de Família (em DVD) e A Caça (que passou na Mostra de Cinema de SP em 2012). Tem a mesma carga dramática das produções da conterrânea Susanne Bier em Depois do Casamento e Em Um Mundo Melhor, mas com aquela cara de realidade nua e crua, símbolo do manifesto Dogma 95, do qual é co-autor, ao lado do também diretor Lars Von Trier. Portanto, um cinema duro, sem fantasia ou maquiagem, a vida como ela é. Gosto disso, embora saia sempre do cinema com a sensação de peso e reflexão tão reais quanto aqueles que a vida normalmente nos impõe e só por vezes propõe.

Vamos ao mergulho fundo e sombrio. As primeiras cenas já são de arrepiar. Dois irmãos têm de tomar conta do bebê caçula, enquanto sua mãe se droga e embriaga pelas ruas. Somos logo transportados para a vida adulta dos irmãos, que é repleta pelo vazio, pela falta de sentido e objetivo, pelo descontrole. Errantes pelo mundo, só colocando em prática o isolamento, a carência, o desamor em que foram criados. Não há cenas de conforto, nem a menor pretensão por parte do diretor de dourar a pílula, de construir heróis. A vida é dura e pertence a pessoas comuns. A solidão é infinita.

Assista a Submarino se estiver naqueles dias em que uma reflexão sobre comportamento, educação, valores vai cair bem, assim como um bom bate papo com alguém bacana sobre o assunto. Se o clima estiver mais pra baixo, nebuloso e tristonho, melhor deixar para outro dia. Submarino mergulha lá no fundo da alma humana, onde ela praticamente se perde pelo caminho e esquece de deixar a guia para conseguir voltar à superfície. De tão real, é capaz de te levar também para as profundezas e impedir que você aprecie a beleza do filme. Apesar de ser tão cruel.

 

COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO – Things We Lost in the Fire
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Dinamarca - 25/12/2012

DIREÇÃO: Susanne Biercoisas que perdemos pelo caminho

ROTEIRO: Allan Loeb

ELENCO: Halle Berry, Benicio Del Toro, Alison Lohman, David Duchivny, Alexis Llewellyn

1 icone_DVDDinamarca, 2007 (118 min)

Um incêndio queima lembranças da família, fotos, objetos que não podem ser recuperados. São essas coisas que ficam pelo caminho, como diz a tradução do título original. Quando marcos da lembrança afetiva são destruídos, o vazio se instala. Na família, a tragédia pega todos de surpresa e é preciso resgatar o passado através do mais improvável elemento.

Não vou entrar em detalhes. Assisti a este filmes em saber o que aconteceria e recomendo que você faça o mesmo. Aliás, aproveito para dizer: já que muitos comentários publicados na imprensa eletrônica e impressa vão logo contanto detalhes do roteiro, simplesmente não leio. Procuro me informar sobre o diretor, atores, mas não sobre a história. O elemento surpresa é fundamental para o envolvimento com o filme. Por isso, digo só que Audrey (Halle Berry) perde sua referência em uma tragédia e vai buscar o resgate da razão de vida e das lembranças passadas no personagem de Benício del Toro, que não era exatamente uma pessoa próxima em sua vida.

Também são da diretora dinamarquesa Susanne Bier Em Um Mundo Melhor (Oscar de melhor filme estrangeiro em ) e Depois do Casamento. Coisas que Deixamos Pelo Caminho não é tão forte quando esses outros dois, nem tão instigante. Mas é um relato interessante sobre as voltas que a vida dá, sobre o exercício da aceitação do antes inaceitável, sobre a necessidade de acomodação diante de uma nova realidade.

FESTA DE FAMILIA – The Celebration
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Dinamarca - 12/11/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Thomas Vinterberg

ELENCO: Ulrich Thomsen, Henning Moritzen, Thomas Bo Larsen

Dinamarca, 1998 (105 min)

Depois de A Caça, exibido na 36a Mostra Internacional de Cinema de SP, fui atrás da  filmografia do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg. É dele a autoria do movimento Dogma 95, juntamente com Lars Von Trier (diretor de Melancolia, Anticristo), que estipularam um padrão para a produção cinematográfica (veja abaixo). Festa de Família se encaixa perfeitamente, porque mais parecem cenas reais do que cinema. Uma câmera na mão oscila de acordo com o movimento dos personagens, sem estabilidade, assim como os membros dessa família destroçada, que se reúnem só fisicamente, porque está bem longe de ter uma união, seja ela qual for.

Na comemoração de 60 anos do patriarca da família, todos se juntam para comemorar. Helge (Henning Moritzen, também em Tudo Ficará Bem) representa a família feliz, bem sucedida. Mas não é o que parece ser quando Christian (Ulrich Thomsen, também em Em Um Mundo Melhor) resolve fazer um discurso em “homenagem” ao pai. As mágoas antigas, as questões não resolvidas vêm à tona e tornam a festa uma verdadeira lavagem de roupa suja, com um realismo impressionante.

Tem que gostar desse tipo de filme que revira as entranhas. É forte, tem uma tensão no ar constante, causa estranheza na sua estética pelo naturalismo, som natural, falta de truques fotográficos e tudo mais que faz maquiagem do cinema. Festa em Família é uma bela amostra dessa visão cinematográfica mais purista, eu diria. E humana, naquilo que há de mais difícil, que são os relacionamentos familiares.

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DOGMA 95: Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier no projeto Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. O avesso de Hollywood.

A CAÇA – Jagten – The Hunt (Mostra de Cinema SP)
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Drama, Dinamarca - 27/10/2012

DIREÇÃO: Thomas Vinterberg

ROTEIRO: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm

ELENCO: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing, Lars Ranthe, Alexandra Rapaport, Ole Dupont

Dinamarca, 2012  (115 min)

Thomas Vinterberg é parceiro de Lars Von Trier em um projeto bastante interessante. Em 1995, eles se juntaram para fundar o movimento Dogma 95, que estipulou 10 mandamentos para um novo cinema que seria feito a partir dali. Para encaixar-se no padrão, o filme tem que ser rodado no local, sem cenografia, som natural, câmera na mão, sem filtro ou truques fotográficos. Deve ser em cores, na época atual, vetados os filmes de gênero. Ou seja, naturalista, a vida como ela é, aqui e agora, sem maquiagem. Radical ou não, confesso que gosto. É o avesso do pode-tudo de Hollywood. Um cinema que me dá prazer em assistir.

Deve ser porque retrata os dramas humanos, seus e meus, como ele realmente são. Intensos, cruéis, traiçoeiros, surpreendentes. A Caça lida com isso, com mazelas, das mais humanas. A injustiça, o julgamento, a traição. Lucas (Mads Mikkelsen, também em Depois do Casamento, Coco Chanel & Igor Stravinsky, vencedor de melhor ator em Cannes por este filme) é professor da educação infantil, acaba de divorciar-se e está em plena delicada negociação com a ex-mulher a respeito da guarda do filho adolescente. O ambiente é amigável, uma pequena cidade dinamarquesa em que todos se conhecem. É de repente que surge um boato e a vida de Lucas vira do avesso. Suas conduta é questionada, suas relações mais íntimas e duradouras são colocadas em dúvida. Verdade ou mentira, fato é que Vinterberg traz à tona e faz questão de ressaltar a capacidade humana do pré-julgamento e todo o perigo que vem junto com ele.

De uma intensidade ímpar, de uma profundidade cortante. Por ser real. Tem muito do cinema conterrâneo de Susanne Bier, como seu Em Um Mundo Melhor e Depois do Casamento. E de uma angústia que fica e que seguiu comigo até depois que o filme terminou, sobre a proporção que o ressentimento ocupa dentro das pessoas. E do que isso é capaz.

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PROGRAME-SE: Para mais informações sobre horários e salas, clique aqui.

JERUSALÉM – Jerusalem
CLASSIFICAÇÃO: Suécia, Para Ver Bem Acompanhado, Drama, Dinamarca - 07/08/2012


DIREÇÃO: Bille August

ROTEIRO: Bille August, Selma Lagerlöf (livro)

ELENCO: Maria Bonnevie, Ulf Friberg, Pernilla August, Lena Endre, Sven-Bertil Taube

Suécia, Dinamarca, 1996 (168 min)

De novo o tema da imigração, já que Bille August é também diretor de Pelle, O Conquistador (1987), só que desta vez é para a Terra Prometida. Mas Jerusalém é também um filme de amor, muito embora seja a religião, fé, crença os grandes motores da narrativa. Até por isso acho que o diretor optou por planos extensos, sugerindo reflexão e observação do personagem, dentro da proposta de vida das pessoas dessa pequena comunidade sueca, no começo do século 20.

Gertrud e Ingmar são criados juntos, se apaixonam e tinha absolutamente tudo para continuar juntos. Mas a chegada de um pregador fervoroso mexe profundamente com a fé dos habitantes dessa pacata e tradicional sociedade e acaba os distanciando cada vez mais. Indicação sueca para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro naquele ano, Jerusalém expõe não só a vida cotidiana e crenças da comunidade que gira em torno do culto e da figura do pregador, como a possibilidade de escolha e suas consequências. Ao seguirem para a Terra Prometida, os cristãos integram uma leva de peregrinos que lutam para coexistir na cidade sagrada com judeus e muçulmanos.

Em tempos de Festival de Cinema Judaico, um filme interessante sobre o tema. Longo, é verdade. E lento, no ritmo dos filmes nórdicos. Mas sensível e bonito. Vejam o trailer abaixo – infelizmente não é legendado, mas tem um visual que pode dar uma boa dica do tipo de filme.

 

MELANCOLIA – Melancholia
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Dinamarca - 11/08/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Lars Von Trier

ELENCO: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgaard, John Hurt, Stellan Skarsgaard, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling

Dinamarca, 2011 (136 min)

Começando pelo inevitável, não consigo entender como alguém capaz de fazer um filme tão intenso, dramático e íntimo foi também capaz de dar, em alto e bom tom, no palco mais cobiçado do mundo do cinema que é Cannes, declarações pró-nazistas. Uma postura não encaixa na outra e fica difícil imaginar como funciona a cabeça de Lars Von Trier. Sem falar no seu perturbador Anticristo - que instigou em mim o sentimento de angústia, incapacidade de curar as próprias feridas, incompreensão total do mundo. Já entrei em Melancolia achando que fosse ver algo do gênero, mas não. Aqui, o diretor também lida com as difíceis questões pessoais de cada um, seus sofrimentos e a dificuldade de verbalizar o que se sente, de se comunicar, de se ajudar, mas é o medo, a solidão, o desconhecido que falam mais alto e tomam conta da vida. E do mundo.

Do mundo quem toma conta e mobiliza é o planeta Melancolia que surge detrás do Sol e se aproxima da Terra. Dos personanagens, é o sentimento de melancolia. As imagens impressionantes do prólogo já dão uma amostra das dificuldades da vida – impressiona a cena sofrida da noiva que não sai do lugar; as duas partes seguintes, explicam o que cada um não é capaz de fazer. Na primeira, Justine (Kirsten Dunst, melhor atriz em Cannes pelo papel) se casa e a festa é minuciosa e luxuosamente preparada pela irmã Claire (Charlotte Gainsbourg, também em Anticristo). Infelicidade instalada em cada cena, em cada corte brusco, num jogo de câmeras que mostra a instabilidade emocional, a dúvida, a tristeza. Descompasso familiar que beira a loucura e a incompreensão. Na segunda parte, os cacos do que era para ser um casamento feliz são recolhidos e o planeta Melancolia ameaça a tênue e mascarada estabilidade de Claire, trazendo à tona sua mais íntima fraqueza. Com medo de si mesmas, cada uma em seu universo particular, as irmãs se afundam naquilo que parece ser o fim do mundo dentro da sua perspectiva pessoal.

A dramaticidade é tanta que fui ficando angustiada com o evidente pavor que corroia cada uma delas. Não dá para explicar, é uma leitura especial e muito delicada do túnel sem luz lá no fundo. Mas é uma angústia diferente de Anticristo – que causa repúdio. Aqui, a angústia causa sofrimento na seara mais íntima do ser humano. E por isso toca mais fundo. Belíssimo, entoado por uma trilha sonora clássica, Melancolia vale quanto pesa. E Lars Von Trier que tenha mais cuidado com o que diz e o que pensa da próxima vez, porque ao mesmo tempo em que foi capaz de dizer barbaridades, dirigiu seus atores com maestria. Sem isso, não haveria melancolia como a senti.

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