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A ARTE DA CONQUISTA – The Art of Getting By
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Comédia Romântica - 08/05/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Gavin Wiesen

ELENCO: Freddie Highmore, Emma Roberts, Michael Angaro , Elizabeth Reaser, Sam Robard.

Estados Unidos, 2011 (83 min)

Com a cara de Nova York, A Arte da Conquista me lembrou o simpático ABC do Amor. Só que agora os personagens são mais velhos e não andam mais de patinete pela cidade. Eles têm 17 anos, estão terminando o ensino médio e estão bem naquela fase de indefinição. Crescer ou não crescer? Que caminho seguir? Como enfrentar os problemas do mundo adulto, que já fazem parte do seu repertório de compreensão, mas não das suas possibilidade de resolução?

Assim está a situação de George (Freddie Highmore, também em As Crônicas de Spiderwick, O Som do Coração, A Fantástica Fábrica de Chocolate) e Sally (Emma Roberts, também em Um Hotel Bom pra Cachorro): ele se apaixona por ela, uma das garotas mais populares da turma, mas vive um momento de insegurança familiar, não se interessa pelos estudos, não faz os trabalhos e está prestes a repetir de ano. Está naquela situação crítica de baixa auto-estima, em que é preciso um desafio maior para escolher que caminho seguir.

Vivendo essa fase de descobertas e decepções, Sally e George experimentam encontros e desencontros pelas ruas de Nova York. Não importa se é previsível ou se não é um filmaço – nem era essa a intenção do diretor  Gavin Wiesen neste seu primeiro longa. A ideia era fazer um filme gracioso, em que os personagens tivessem afinidade, conseguissem compor um casal jovem simpático e afetivo. Gosto particularmente de Freddie Highmore e foi uma grata surpresa ver que saiu da fase criança/adolescente para o jovem adulto maduro e bom ator. A Arte da Conquista é um daqueles filmes gostosos de assistir, com um toque de produção independente. Gosto do tom da narrativa, que não precisa apelar para aquelas breguices típicas das comédias românticas e investe na simplicidade. Com bom gosto!

 

AS IDADES DO AMOR – The Ages of Love
CLASSIFICAÇÃO: Romance, Para Ver Bem Acompanhado, Itália, Comédia Romântica - 27/04/2012

DIREÇÃO: Giovanni Veronesi

ROTEIRO: Giovanni Veronesi, Ugo Chiti

ELENCO: Robert De Niro, Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio, Michele Placido, Laura Chiatti, Valeria Solarino, Donatella Finocchiaro, Carlo Verdone

Itália, 2011 (125 min)

 

Nos cinemas: 27 de abril

Tenho falado mal, num tom até sem paciência, das últimas comédias românticas americanas que vi. É pura falta de paciência mesmo para aquilo que não apresenta novidade, nem graça. Não é implicância com o tema, que fique bem claro. Não só gosto do gênero, como acho que ele deve ser explorado cada vez mais – afinal, é o repertório em comum a todos nós.

As Idades do Amor é prova disso. Quando saí da sessão, pensei justamente no fato de não ter ficado impaciente, de ter acompanhado as três histórias  na bela Itália, achando o programa da segunda-feira de manhã um privilégio! Não é para ser profundo, nem denso. Esse tipo de filme é pensado para nos identificarmos, cada um com o seu repertório romântico, e nos divertirmos com a comédia da vida. E falado em italiano, tem um toque especial.

São três histórias, em três idades. Na juventude, às vésperas do casamento, o advogado Roberto (Riccardo Scamarcio, também em O Primeiro que Disse, Meu Irmão é Filho Único) se encanta com outra mulher, a bela Micol (Laura Chiatti) e já não sabe se casa com a também bela Sara (Valeria Solarino) ou se compra uma bicicleta. Já na maturidade do casamento, o apresentador de televisão se rende às maluquices de Eliana (Donatella Finocchiaro) e coloca anos de confiança a perder. Por fim, o professor americano de História da Arte Adrian (Robert De Niro, também em Noite de Ano Novo, Estão Todos Bem, O Poderoso Chefão), vai passar um tempo em Roma depois de se aposentar e um encontro com Viola (Monica Bellucci) muda sua vida de uma maneira que ele não poderia imaginar.

São pequenas histórias, por vezes exageradas, improváveis – até por isso não entre em detalhes. Mas o ponto deste gênero de filme não é ser tão fiel assim à realidade, mas florear um pouco e dar risada das situações criadas pelos mais diversos relacionamentos. As Idades do Amor (em italiano, a quem interessar possa, é Manuale d’Amore) é gracioso, tem um toque original e descontraído no narrador-cupido, que conta a trajetória dos casais e mostra belas paisagens da Itália. Para ver bem acompanhado, é um programa bem gostoso.

 

NOITE DE ANO NOVO – New Year’s Eve
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos, Comédia Romântica - 25/04/2012

DIREÇÃO: Garry Marshall

ROTEIRO: Katherine Fugate

ELENCO: Halle Berry, Jessica Biel, Abigail Breslin, Chris “Ludacris” Bridges, Robert De Niro, Josh Duhamel, Zac Efron, Hector Elizondo, Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Seth Meyers, Lea Michele, Sarah Jessica Parker, Michelle Pfeiffer, Til Schweiger, Hilary Swank, Sofía Vergara, Jon Bon Jovi

Estados Unidos, 2011 (118 min)

Gosto da noite de ano novo. Não gosto do frenesi que se instala entre as pessoas no mês de dezembro, antevendo erroneamente que algo vai mudar depois da meia-noite. Inclusive, se dezembro pudesse ser tirado do calendário… Mas o que normalmente vemos entre aqueles que se dispõem a festejar a passagem do ano é uma confraternização interessante, um sentimento (ilusório, mas válido) de balanço do ano passado e mandamentos para o ano que se inicia – que muitas vezes não saem do papel. Essa é a premissa de Noite de Ano Novo, que conta com diversos atores e atrizes famosos, cada um com seu métier e suas confusões, passando a virada do ano de 2011 na Times Square de Nova York.

O time tem, nada mais, nada menos que Robert De Niro, Michelle Pfiefer, Sarah Jessica Parker, Hilary Swank, Sofia Vergara, Asthon Kutcher, Jessica Biel, Jon Bon Jovi, Abigail Breslin, Josh Duahmel, Zac Efron, Katherine Heigl e por aí vai. Portanto, a ideia do diretor GArry Marshall (também de Uma Linda MulherIdas e Vindas do Amor) é mostrar pessoas com perfis diferentes, que de alguma maneira se cruzam naquela noite, naquele lugar. Alguns apaixonados, outros sozinhos, um doente, outro fazendo festa, outros tendo filho, todos fazem seus votos para o ano de 2012.

Há algumas passagens divertidas – afinal, o elenco é bom. Até por isso, acho que o roteiro poderia ser melhor, que Nova York poderia ter sido palco de histórias interessantes e ecléticas. Poderia surpreender. No fim das contas, é filme para distrair, que acaba caindo no lugar comum da comédia romântica. Entra naquela prateleira de filmes bons para ver no avião – categoria fictícia que criei quando assistir A Proposta em um voo longo e cansativo. Pois é, distrai. E se você pegar no sono em algum momento, tranquilamente acompanha a história até o final.

 

UM LUGAR NA PLATEIA – Fauteuils d’orchestre
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 01/04/2012

DIREÇÃO: Danièle Thompson

ROTEIRO: Danièle Thompson, Christopher Thompson

ELENCO: Cécile De France, Valérie Lemecier, Albert Dupontel, Laura Morante, Claude Brasseur, Christopher Thompson, Suzanne Flon, Sydney Pollack

França, 2006 (105 min)

Todos buscam um lugar na plateia – não pode ser nem tão longe, nem tão perto. Seria a mesma coisa que dizer que todos procuram um lugar ao sol, ser alguém para alguém na vida, fazer o que gosta, etc e tal. Só que aqui, a imagem criada pela diretora Danièle Thompson para falar dessa busca acontece através de um concertista, uma atriz e um leiloeiro, que sentem necessidade de mudar algo na vida, de fechar um ciclo e começar outro. E esse é o momento da virada. Em Paris.

Três histórias diferentes, com personagens que teoricamente não têm qualquer relação, mas se cruzam por causa e graças à Jessica (Cécile De France, também em O Garoto da Bicicleta, Além da Vida, Bonecas Russas, Albergue Espanhol), uma garota que foi criada pela avó e que finalmente consegue um emprego na num café badalado na Avenue Montaigne ao lado do Ritz, coincidentemente em frente a um teatro, uma casa de leilões e uma sala de concertos. É ela quem vai juntar o concertista cansado da rigidez e da formalidade dos concertos mundo afora, do colecionador de arte que precisa se livrar do passado para continuar vivendo e da atriz de novela que sonha em fazer um filme importante, passeando por Paris, por suas pérolas, sua cultura, sua forma de vida.

Um Lugar na Plateia tem um humor sutil e agradável, um roteiro despretensioso e muito gostoso de assistir. Para quem gosta da cidade e de filme francês, vai aproveitar.


 

ALGUÉM TEM QUE CEDER – Something’s Gotta Give
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos, Comédia Romântica - 23/03/2012

 

DIREÇÃO e ROTEIRO: Nancy Meyers

ELENCO: Jack Nicholson, Diane Keaton, Keanu Reeves, Amanda Peet

Estados Unidos, 2003 (128 min)

Uma das boas comédias românticas que todos já devem ter visto. Vale rever, são sempre situações engraçadas, diálogos divertidos e interessantes (verdadeiros, por assim dizer), com uma dupla muito empática – e simpática. Volto a falar de Jack Nicholson (também em O Iluminado, Um Estranho no Ninho, Antes de Partir) e Diane Keaton (também em Uma Manhã Gloriosa, Manhattan, a trilogia O Poderoso Chefão). Vale dizer que a diretora Nancy Meyers tem uma filmografia voltada mesmo para esse tipo de comédia, como por exemplo O Filho da Noiva 1 e 2, Operação Cupido, Simplesmente Complicado, entre outras. Parece ser essa a sua especialidade – e no que ela se propõe, gosto muito do humor, da discussão sobre as relações e as idades.

A saber: Harry é um sujeito mulherengo com 63 anos, solteiro inveterado, contra a monogamia por definição; Erica é divorciada, dramaturga bem sucedida, acostumada a viver sozinha, já enferrujada nas relações. Mas é por Marin (Amanda Peet, também em Sentimento de Culpa, 2012, Syriana), filha de Erica, que Harry se interessa. Claro que as coisas não acontecem como esperado, a idade provoca um ataque cardíaco e ele tem de ficar sob os cuidados de Erica por um tempo. O que muda tudo.

A sequência é divertidíssima. Gosto muito de Diane Keaton, muito embora ela tenha estado “fora de forma” nesse último Uma Manhã Gloriosa. Com caras e bocas, muita risada e muito choro (até isso é engraçado), a relação entre os dois acontece, se ajusta e desajusta, assim como acontece com os ajustes que a idade impõe. Já tenho falado bastante de Jack Nicholson em outros filmes, que prescinde de apresentações – é sempre irreverente e divertido. Alguém tem que ceder, é verdade. Mas eu diria que isso se aplica a qualquer idade, ou não?

ROMÂNTICOS ANÔNIMOS – Les Émotifs Anonymes
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 21/12/2011

DIREÇÃO: Jean-Pierre Améris

ROTEIRO: Jean-Pierre Améris, Philippe Blasband

ELENCO: Isabelle Carré, Benoît Poelvoorde, Lorella Cravotta

França, 2010 (80 min)

Nos cinemas: 23 de dezembro

Na mesma linha de filmes franceses para se divertir como Potiche – Esposa TroféuUma Doce Mentira e Como Arrasar um Coração, Românticos Anônimos é leve, tem aquele toque de comédia ingênua, com personagens sem qualquer malícia. Em comum, eles têm a timidez e o medo de enfrentar as inseguranças, os desafios e o desconhecido. Ainda mais quando se trata de uma relação amorosa.

Assim como os alcóolatras, os compulsivos, os fumantes se encontram em grupos anônimos, os românticos em excesso também. Angélique (Isabelle Carré, també em Medos Privados em Lugares Públicos, O Refúgio) e Jean-René (Benoît Poelvoorde, também em Coco Antes de Chanel) cuidam de seus medos e angústias, cada um com sua terapia. Mas é o chocolate que vai uni-los: ele tem uma fábrica e ela tem o dom do preparo.

Românticos Anônimos é a tradução para Les Émotifs Anonymes, que seria, no meu entender, inclusive em relação ao contexto do filme, algo mais para “tímidos anônimos”. Sim, porque românticos é o que eles realmente não conseguem ser. Trocam os pés pelas mãos, se metem em situações que beiram o improvável (mas que cabem no contexto do filme) e exageram para conseguir lidar com o nervoso e com a insegurança. Mas tem graça, leveza e um toque gastronômico do chocolate que é divertido. E imagino que não tenha sido escolhido à toa, já que é sabido que a substância alivia a ansiedade, dá a sensação de prazer e que é realmente um elemento cheio de emoções.

ENFIM VIÚVA – Enfin Veuve
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, França, Comédia Romântica - 20/12/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Isabelle Mergault

ELENCO: Michèle Laroque, Jacques Gamblin, Wladimir Yordanoff

França, 2007 (93 min)

Enfim Viúva começa bem: pelo título (gosto do tom divertido e irônico) e pela cena da praia, com a atriz Michèle Laroque cantando Y Si Tu N’existais Pas. Sugere uma comédia leve e realmente divertida – foi isso justamente o que me atraiu. O primeiro argumento é válido, é realmente leve e não compromete. Mas o segundo, fica um pouco a desejar – distrai, mas achei que fosse mais divertido.

A história é a seguinte: Anne-Marie é casada com um famoso cirurgião plástico, mas o casamento já passou do seu prazo de validade - é infeliz, acha o marido um chato e parece estar presa ao vidão que ele a proporciona. Outro núcleo da história é centrado em Leo (Jacques Gamblin, também em Os Nomes do Amor), que trabalha na restauração de barcos e tem uma viagem programada para a China a trabalho. Obviamente os núcleos se juntam, Anne-Marie e Leo são amantes e a viuvez do título se concretiza na hora certa.

Há situações atrapalhadas e até engraçadas, mas não sai muito do esperado. Gosto dos dois atores – têm jeito para comédia, para fazer rir e eles são o atrativo do filme. Mas a direção deixa a desejar, muito embora seja um filme gostoso de assistir.

UM DIA – One Day
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Estados Unidos, Comédia Romântica - 05/12/2011

DIREÇÃO: Lone Sherfig

ROTEIRO: David Nicholls

ELENCO: Anne Hathaway, Jim Sturgess, Patricia Clarkson,

Estados Unidos, 2011 (107 min)

Dizer que Emma e Dexter um dia descobrem que dessa amizade de faculdade existe algo a mais, é dizer o óbvio – é só olhar para o cartaz ao lado. Dizer que este filme se encaixa no que chamam por aí de “comédia romântica” e no que chamo por aqui de “filme para ver bem acompanhado”, também não cria tanta expectativa assim.

Mas há dois aspectos que me chamaram atenção neste filme da diretora dinamarquesa Lone Sherfig. O primeiro é de ordem prática: o formato. Os 20 anos de história entre Emma (Anne Hathaway, também em Alice no País das Maravilhas, O Casamento de Rachel, O Diabo Veste Prada) e Dexter (Jim Sturgess, também em Caminho da Liberdade) são pontuados todo dia 15 de julho, começando em 1988 quando eles se formam na faculdade e passam juntos uma “quase” noite de amor. A partir daí, os anos vão se passando e ficamos sabendo em que pé está a relação ou a “não-relação” entre os dois à medida que o calendário anda. Interessante, dá uma graça a esse longo período, muito embora não seja tábua de salvação, nem crie nem altos e baixos, nem momentos e diálogos incríveis como em Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol, que lidam com sensibilidade e criatividade com a passagem do tempo.

O outro ponto pode soar moralista e previsível – e de fato é um pouco. Emma e Dexter são opostos. Ele é de família rica, tem tudo de mão beijada, é bonitão e presunçoso, transita entre gente descolada e mulheres bonitas, faz sucesso como apresentador de televisão, enquanto ela é de origem humilde, tem que trabalhar num restaurante mexicano para pagar as contas, é desajeitada, sem charme, mas inteligente e meiga, e pena para começar a escrever o tão sonhado livro e tornar-se escritora. Para ela, Dexter é o grande amor da sua vida; para ele, Emma é sua melhor amiga. Sem querer estragar a surpresa do filme, Dexter e Emma são construídos para parecer o típico casal complementar, em que um tem os pés no chão, o senso crítico, os princípios bem estabelecidos, é o futuro; o outro tem o senso de aventura, da alegria, do presente. Acho que a ideia é trazer à tona a questão do tempo que se perde querendo mudar o outro e que se  leva para perceber que é uma questão de encaixe. Um dia pode vir a dar certo, mas e se não der tempo?

Por essa e por outras, Um Dia é gostoso de ver, embora Educação, da mesma diretora, seja realmente sem dúvida muito mais profundo e bem amarrado. Alguns pontos ficaram falhos, como o registro do passar do tempo na maquiagem de Emma – ela está igualzinha com 20 e com 40 (quem me dera…), os buracos no roteiro, mas se você quiser entrar nesse aspecto da construção da relação e da dificuldade nessa delicada percepção, talvez consiga ir além da comédia romântica.

 

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