ROTEIRO: Wu Si, Ling Zhang
ELENCO: Jingchu Zhang, Chen Li, Daoming Chen, Fan Xu
China, 2010 (135 min)
Separados pelo Destino foi dica de uma leitora do Cine Garimpo. Com olhar para as relações humanas, suas complexidades e incoerências, o filme coloca o núcleo familiar acima de tudo - acima das separações, das mágoas e dos rancores.
Inspirado em fatos reais, não pude deixar de me lembrar de uma situação semelhante no tsunami asiático, quando uma mãe se viu na dramática situação de poder salvar só um dos filhos das ondas gigantes – lembro de esse fato ter aparecido na mídia na época. Se tentasse salvar os dois, todos se afogariam. É uma ‘escolha de Sofia’ dos nossos tempos, das tragédias ditas naturais. O que não é natural é preterir um filho ao outro, mas acaba sendo a única escolha para salvar um deles. Em Separados pelo Destino, a mãe chinesa tem que escolher qual dos filhos gêmeos vai tirar debaixo dos escombros do terremoto avassalador que destrói Tangshan em 1976 e mata seu marido. A história se desenrola a partir dessa escolha e vamos acompanhando a vida das famílias até 2008, quando um terremoto destrói outra cidade chinesa.
Além de todos o drama da perda, das mortes – são mais de 240 mil – da reconstrução das vidas, vemos aqui um interessante retrato da cultura chinesa, do papel dos pais, da importância fundamental da família e suas distorções nas obrigações, das mudanças na sociedade chinesa nos dias de hoje. Diante de tantas tragédias como terremotos, tsunamis, tornados e enchentes (tão familiares por aqui), não tem como não se sensibilizar com a história e transportá-la para nossa realidade. Apesar de algumas falhas no roteiro como a supressão do reencontro entre os irmãos, fiquei pensando se isso não teria sido uma opção do diretor para não cair no melodrama, que acaba sendo inevitável diante do assunto.
ELENCO: Huang Lu
China, 2007 (95 min)
“Morrer é fácil, difícil é viver.” – frase dita por uma garota, também vendida para ser esposa da ignorância
Só a atriz Huang Lu aparece na lista dos créditos do IMDb, The Internet Movie Database – o banco de dados de cinema que dá toda e qualquer informação sobre o tema. Pelo que pesquisei, os outros personagens são moradores da região montanhosa do norte da China, onde a história se passa. Quando percebi isso, fez sentido. O filme é uma pequena e real amostra das atrocidades humanitárias a que as mulheres são submetidas na China de proporções continentais e portanto bem longe dos olhos e do alcance de qualquer um que se preocupe com os direitos humanos.
Bai Xuemei é uma garota formada na faculdade. Como tem dificuldade de encontrar emprego, aceita trabalhar em um pequeno vilarejo, que supostamente fabrica medicamentos para uma grande indústria. Tudo mentira. Ludibriada, ela é vendida a uma família, para que seja esposa de um homem bem mais velho. Tem o mesmo destino de muitas mulheres chinesas: é aprisionada, sujeita aos maus tratos da família, a quem deve obediência e servidão e, principalmente, um filho homem. Montanha Cega mostra a realidade das mulheres numa sociedade absolutamente machista e primitiva, em que os bebês do sexo feminino são muitas vezes mortos; quando sobrevivem, as mulheres são renegadas e vendidas como esposas a outras famílias.
A atriz Huang Lu consegue transmitir com muita força o seu desespero, e mostra que realmente enlouquece nessa sociedade corrupta, em que todos são cúmplices, egoístas e cegos. Um horror, que se junta a tantas outras humilhações por que passam as mulheres em sociedades atrasadas e hipócritas. Em uma situação dessas, realmente o caminho mais díficil é continuar vivo. E são.
ROTEIRO: Jia Zhang-Ke, Guan Na, Jiamin Sun
ELENCO: Han Sanming, Zhao Tao, Li Zhubin, Wang Wei Hong
A Hidrelétrica de Três Gargantas é a maior do mundo, no rio Yang-Tsé, o maior da China. A obra durou 12 anos e tem a função de prevenir enchentes, fornecer energia e facilitar o transporte fluvial de pessoas e mercadorias. Portanto, está intimamente ligada com o desenvolvimento social e econômico chinês. É tão emblemático quanto majestoso – um divisor de águas entre a China agrícola e rural e a industrial e global.
Em Busa da Vida mostra essa faceta interessante do que resta dos vilarejos alagados com a formação da represa, o que resta das famílias, o que resta das profissões. Quem antes vivia nas aldeias às margens do rio Yang-Tsé, plantava e vivia a cultura chinesa da área rural; com a instalação da usina, cria-se um exército de demolidores – trabalhadores contratados para demolir o que vai sumir debaixo das águas quando o nível do rio subir.
Parece ficção para construir a realidade dessa região. Mas a desconstrução dos vilarejos para a construção de uma obra dessa magnitude mostra a descontrução de muitas famílias e de muitas vidas. Um dos protagonistas do filme vai atrás da filha, que já não mora na aldeia alagada há anos; a outra, vai à procura do marido, que saiu e nunca mais voltou. E uma procura pela identidade das pessoas nessa nova sociedade que nasce sem pedir passagem. Salve-se quem puder.
DIREÇÃO: Ang Lee
ROTEIRO: Hui-Ling Wang, James Scha
mus
ELENCO: Tony Leung Chiu Wai, Wei Tang, Joan Chen, Lee-Hom Wang, Chung Hua Tou
LOCAL, ANO: China, Estados Unidos, 2007 (157 min)
Leão de Ouro em Veneza em 2007
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