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OS PILARES DA TERRA – The Pillars of the Earth
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Canadá, Alemanha - 10/04/2012

 

 

ELENCO: Ian McShane, Rufus Sewell, Matthew Macfadyen, Eddie Redmayne, Hayley Atwell, Sarah Parish

Canadá, Alemanha, 2010 (8 episódios)

Quem não se lembra do clássico Os Pilares da Terra, de Ken Follett, de 1989? Depois de contar a saga de Tom Construtor, o renomado autor inglês lançou outros bons livros como A Queda dos Gigantes e Mundo Sem Fim. Mas nenhum deles é tão envolvente e tão marcante quanto a história da construção de uma catedral em plena Idade Média, acompanhada de romance, intrigas da nobreza, brigas palacianas, assassinatos pelas mãos do clero, incêndios, enforcamentos em praça pública, Cruzadas e tudo mais o que se possa imaginar numa época em que a Igreja reinava livre e solta.

Para quem leu, assistir a esta minissérie homônima de quatro filmes, com produção de Ridley Scott (diretor de Cruzada, Hobin Hood, Telma & Louise, Gladiador) vai ser como revisitar a saga do século 12 e dar nome – e caras – aos personagens, minuciosamente lapidados pelo autor. É claro que o livro traz inúmeros elementos que enriquecem a narrativa de forma desigual quando pensamos no filme. Mas são linguagens diferente e é natural que isso ocorra. O cinema tem suas limitações de tempo, mas também traz a vantagem da imagem, a concretização da vida em uma época da Europa feudal, de escassos registros. Visualizar os castelos, as casas ao redor do que eram as fortalezas e mosteiros, o poder e atuação dos cavaleiros, a disputa pelo poder na hierarquia da Igreja e pelo trono deixado vago por Henrique I é muito bom.

Li o livro na época em que foi lançado e reli recentemente. Portanto, assisti à minissérie produzida para a televisão com a trama e os personagens frescos na memória – o que serviu para ilustrar ainda mais a história e dar sentido a muita coisa. Mas imagino que, mesmo se você não se debruçou sobre as mais de 1.000 páginas do livro, a série é bacana. Caso se anime, leia o livro antes, tendo em mente que as primeiras dezenas de páginas são descritivas mesmo, situam o leitor no tempo e no espaço, o que é importante para entender e se envolver com as seguintes. Não desista. Afinal, uma catedral não se constrói da noite por dia.

PINA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Documentário, Alemanha - 23/03/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Wim Wenders

ELENCO: Pina Bausch, Regina Advento, Malou Airaudo,

Alemanha, 2011 (103 min)

 

Nos cinemas: 23 de março

 

No dia em que fomos, os jornalistas, convidados a assistir ao documentário do cineasta alemão Wim Wenders sobre Pina Bausch, morreu uma ciclista na Av. Paulista. Depois de quase 2 horas para chegar à sessão de cinema, confesso que somente a leveza de Pina poderia me descolar da dureza, da crueldade e da insensatez do asfalto. Somente a linguagem do corpo, do olhar, das mãos (!) já na cena de abertura do filme foram capazes de me fazer abstrair tamanha falta de sensibilidade e flutuar por outras esferas.

Com essa licença bem particular e autoral, introduzo este documentário sobre a coreoógrafa e bailarina alemã Pina Baush. Quase uma licença poética, que marcou a sensação completamente oposta do cru e do sublime. Pina não conta uma história, não tem propriamente um enredo. Prescinde de palavras e depoimentos e é essencialmente formado de peças encenadas, maravilhosamente expressadas pelos bailarinos de sua companhia de dança, que a acompanharam na sua trajetória, de diversos lugares do mundo, inclusive do Brasil. A intensidade dos movimentos impressiona, a força da interpretação essencialmente de sentimentos humanos como a alegria, o medo, o amor, a dor, a raiva, a separação, a compaixão. A total interação com o meio, a sensação de fazer questão de pertencer, de marcar presença, de sentir o lugar, a dança, o corpo e a mente e transmitir. Porque transmite, o tempo todo, ainda mais com o recurso do 3D, Pina realmente me fez dançar junto. Num dia em que meus pés estavam cravados no chão, na realidade nua a crua.

O recurso tridimensional faz com que o movimento não só se apresente, mas ele penetra, tem volume, preenche a tela tanto quanto a trilha sonora. Sem exageros, apenas complementar. O que se vê é uma ode ao que temos de mais precioso, a capacidade de expressão, onde represamos todos os nossos sentimentos, não-sentimentos, negações, afirmações. Da maneira com que Pina concebeu as peças apresentadas, esse repertório vem verdadeiramente à tona, extravasa, transborda. Antes de morrer, ela já havia passado com o diretor Wim Wanders o conteúdo do documentário. Mas a obra é póstuma e espetacular. Claro que quem não aprecia minimamente a dança, vai se cansar. Mas o que eu fico realmente imaginando é o que esse registro representa para quem realmente vive e pratica a dança. Para quem simplesmente vive, já é uma preciosidade.

DARFUR – DESERTO DE SANGUE – Darfur
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Alemanha - 07/02/2012

DIREÇÃO: Uwe Boll

ROTEIRO: Uwe Boll, Chris Roland

ELENCO: Kristanna Loken, David O’Hara, Noah Danby, Billy Zane

Alemanha, 2009 (98 min)

Não assista Darfur pela sua qualidade cinematográfica. Assista pela informação. Mas só se estiver disposto a ver verdadeiras atrocidades de deixar qualquer um, no mínimo, indisposto. O filme retrata a guerra civil no Sudão, nessa região oeste conhecida como Darfur, que sofre com o genocídio desde 2003 e já deixou milhões de refugiados.

Assim como acontece em outras partes da África, tribos rivais disputam poder e território. Para que fique claro quem é que manda, mais fácil dizimar o inimigo. No caso de Darfur, os rebeldes dessa região, de imensa maioria negra e muçulmana, lutavam pela separação do território, cujos habitantes vivem basicamente de agricultura de subsistência, pecuária e atividade nômade. Obviamente o governo central nega a independência e reage com extrema violência. Com o apoio de milícias da etnia janjaweed, também muçulmana, porém de origem árabe, o objetivo seria dizimar os compatriotas negros de Darfur como parte da estratégia de resolução do problema.

Para contar essa história, o filme fala de uma grupo de jornalistas ocidentais, que vão a Darfur registrar o genocídio. Com escolta das forças de paz da União Africana, visitam uma tribo que já tem marcas profundas de violência, que já sofreu com a morte de parentes, com a perda de garotos convocados pela milicias para serem “soldados”, com estupros e outras formas brutais de violência. Toda a questão gira em torno da chegada repentina dos milicianos janjaweed na tribo e da permanência ou não dos jornalistas por lá. Ficar ali inibiria atos de violência? Do que essa gente seria capaz?

Já disse e repito. Darfur não é um filme com roteiro e atuações dignos de nota. Mas conta uma história que deixou marcas profundas, campos de refugiados lotados, sem assistência, comida ou remédios, milhares de doentes com epidemias, inclusive com AIDS, e um país dilacerado e dominado por extrema violência. É isso que o filme mostra, registrando de forma explícita as barbaridades que acontecem nos dias de hoje. Bem debaixo do nosso nariz.

 

SE NÃO NÓS, QUEM? – Wer wenn nicht wir
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Alemanha - 05/11/2011

DIREÇÃO: Andres Veiel

ROTEIRO: Andres Veiel, Gerd Koenen (livro)

ELENCO: August Diehl, Lena Lauzemis, Alexander Fehling, Thmas Thieme, Imogen Kogge, Michael Wittenborn, Susanne Lothar

Alemanha, 2011 (124 min)

Se não os jovens, quem mais iria ganhar as ruas e protestar contra a Guerra do Vietnã, o imperialismo americano, o governo de ultradireita, as ditaduras, o capitalismo de uma forma geral? Se não os jovens, quem mais iria se armar até os dentes, praticar atentados terroristas, viver na clandestinidade por um mundo sem injustiças sociais, na linha do que queriam os comunistas no mundo todo? Se não os jovens alemães, que formavam a geração nascida após o fim da Segunda Guerra, quem mais seria capaz de contestar o poder, as barbaridades no nazismo e a conivência ou não dos parentes durante o regime de Hitler?

Se Não Nós, Quem? faz um recorte do fim dos anos 1960 e começo de 70, exatamente a mesma época retratada em O Grupo Baader-Meinhof, que também merece ser visto. O interessante aqui é a construção dos personagens, metáfora da antítese da sociedade alemã da época. Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis) é de classe média, a filha escolhida entre seis irmãos para estudar, cujo pai era contra o nazismo, mas não lutou, permanecendo na indiferença; Bernward Vesper (August Diehl) é filho único, filho de pai nazista, responsável pelo banimento de livros suspeitos e censura cultural. Encontram-se na faculdade, no curso de literatura, resolvem abrir uma editora para publicar livros, mas cada um passa a ter um objetivo diferente. Editar livros com ideias ditas subversivas seria o suficiente? Seria possível fazer diferente com tanta instabilidade emocional, com um relacionamento ‘que tinha regras próprias”? O grupo encabeçado por Andreas Baader, que executava atos terroristas em espaços públicos e chamava a atenção da Europa, seria capaz de sacudir o mundo? Seria o melhor caminho?

Nessa confusão de amores, ideais, violência e inconsequência, o filme fala da vida do casal nessa época conturbada, de movimentos estudantis no mundo topo, de golpes militares, de prisões, de ditaduras. Muito bem construído, Se Não Nós, Quem? conta a história de personagens reais e me pegou já pelo título. Se não os jovens, quem? Sem fazer juízo de valor quanto aos atentados – que são injustificados, é claro – o ato de sair nas ruas, de protestar, de ter e usar sua voz ativa é realmente papel dos jovens, que anseiam por mudanças e que têm o poder real de mudar. Vestimos a carapuça? Realmente, se não forem eles, não há de ser ninguém. Mas voltando à Alemanha, vale conferir. Um ótimo filme sobre essa geração que nasce numa Alemanha que precisa se redescobrir e se reinventar.

* Filme da Mostra Internacional, já em pré-estreia esta semana.

O DIA EM QUE EU NÃO NASCI – Das Lied in Mir
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Alemanha - 18/10/2011

DIREÇÃO: Floriam Cossen

ROTEIRO: Florian Cossen, Elena von Saucken

ELENCO: Jessica Scharz, Michael Gwisdek, Rafael Ferro, Beatriz Spelzini,

Alemanha, 2010 (92 min)

Li pouco sobre este filme antes de assistir. Acho que você deve fazer o mesmo. O elemento surpresa é um dos pontos fortes do filme, já que nos permite sentir na pele a mesma surpresa que Maria (Jessica Scharz) sente ao se deparar com um passado desconhecido. A primeira cena já denuncia que algo está represado na sua memória afetiva, quando ouve, em um saguão do aeroporto de Buenos Aires, uma canção de ninar. O choro impressiona. Embora estivesse de passagem, a capital argentina acaba sendo o cenário deste belíssimo filme.

Maria é alemã, nadadora, determinada. Em Buenos Aires entra em contato com seu passado e  sair da zona de conforto para ir atrás da verdade sem falar espanhol, estrangeira em sua própria história de vida, é parte do processo de resgate pessoal, resgate da identidade nacional, um pedido de desculpas pelo tempo das trevas da ditadura, da conivência, da tortura a qualquer preço.

O Dia Em Que Eu Não Nasci é para ser sentido. Eu me emocionei.

 

A INFORMANTE – The Whisterblower
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Canadá, Alemanha - 07/09/2011

DIREÇÃO: Larysa Kondracki

ROTEIRO: Larysa Kondracki, Eilis Kirwan

ELENCO:Rachel Weisz, Monica Bellucci, Vanessa Redgrave, Nikolaj Lie Kaas, Roxana Condurache, Paula Schramm, David Strathairn, Jeanette Hain

Alemanha, Canadá, 2010 (112 min)

Destacada para se juntar à missão de paz da ONU na Bósnia no pós-guerra em 1999, a policial Kathryn Bolkovac (Rachel Weisz, também em O Jardineiro Fiel e Beleza Roubada) acaba mexendo no vespeiro do tráfico humano na região. Causado pela guerra – ou exacerbado ao extremo pelo conflito étnico-religioso que assolou os Bálcãs de 1992 a 95 – o comércio de garotas de diversos países do leste europeu, ludibriadas por esquemas corruptos e mentirosos, torna-se uma excelente fonte de renda não só para sérvios e croatas, mas para os próprios agentes das forças de paz da ONU, que teoricamente estavam na região para reorganizar e estruturar o país devastado.

É nesse contexto que Kathryn percebe o envolvimento não só dos donos de boate, bares e criminosos dos países vizinhos como Ucrânia, Hungria e Bulgária, mas também do alto escalão da ONU. Enquanto mulher, não se contenta em fechar os olhos para as torturas, exploração sexual e violência contra as garotas e coloca  sua carreira e vida em risco para delatar e punir os culpados. Baseado em fatos reais, A Informante é um registro muito interessante de um crime bastante comum, que continua sendo praticado nos quatro cantos do mundo, continua movimentando muito dinheiro e favorecendo uma rede de criminosos impressionante.

Neste caso específico, o que me chama a atenção é realmente pensar que isso ocorreu há apenas uma década, na entrada do século 21, em plena Europa, aos olhos de absolutamente todo o mundo. Filmes assim são muito válidos para refrescar a nossa memória e não deixar isso esquecido no passado. Imagine o que ocorre em países mais distantes, não tão interessantes do ponto de vista geopolítico ou econômico… Quando se fala em crimes de guerras passadas, fica mais fácil se distanciar e imaginar que tudo foi inevitável. Aqui, não há como. É muito recente, deixou sequelas intermináveis e sangue espalhado pelas mãos de quem deveria prover a paz. Pelo que o filme mostra, a imunidade diplomática dos agentes das Nações Unidas os livraria de qualquer punição. Portanto, a melhor medida era mesmo tirar proveito da situação. Soa familiar?

A ÚLTIMA ESTAÇÃO – The Last Station
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Inglaterra, Alemanha - 04/08/2011

DIREÇÃO E ROTEIRO: Michael Hoffman

ELENCO: Helen Mirren, James McAvoy, Christopher Plummer, Paul Giamatti, Anne-Marie Duff, John Sessions, Patrick Kennedy, Kerry Condon

Alemanha, Rússia, Inglaterra, 2009 (112 min)

“Todas as religiões têm um único princípio organizador: o amor.” – Leon Tolstoi

 

O que vai ficando para trás no tempo, inevitavelmente vai se perdendo em meio de tantas informações. Obras literárias como Ana Kerenina – que a personagem de Juliette Binoche lê em A Insustentável Leveza do Ser – se perdem em meio a tantas publicações, que poucos hoje conhecem sua narrativa ou seu autor. Filmes como A Última Estação são um alento nesses casos – nos remetem à época e costumes passados, nos ensinam sobre os grandes mestres da literatura e contam uma boa história. Afinal, de modo geral essas personalidades tiveram vidas no mínimo interessantes.

strong>A Última Estaçãoconta o último ano de vida de Leon Tolstoi (1824-1910), quando já tinha bem claro na sua cabeça que o acúmulo de riqueza era prejudicial à sociedade e que todos os cidadãos deveriam ser iguais. Para tanto, resolve doar em testamento os direitos de suas obras ao bem comum, apesar dos protestos de sua esposa Sofia (a fantástica Helen Mirren, também em A Rainha) e da loucura que toma conta do casamento depois de 48 anos e 13 filhos – entre elas Sasha (Anne-Marie Duff, também em O Garoto de Liverpool). Assessorado por seus discípulos Vladimir Chertkov (Paul Giamatti, também A Minha Versão do Amor) e Valentin Bulgakov (James McAvoy, também em X-Men – Primeira Classe) em suas convicções de paz, preservação da natureza e divisão de bens, seu grande conflito é com a esposa, que não concorda com a partilha, dá o tom do filme e da relação intempestiva e intensa, mas por fim amorosa.

Adaptado do livro de Jay Parini e inspirado no diário de Bulgakov – que anotou tudo o que viu e sentiu enquanto conviveu com o escritor e sua família – A Última Estação é um belíssimo registro do começo do século 20 na Rússia. Além de contar uma bonita história, informa e instrui sobre a obra e a mente de mestres que já ficaram para trás no tempo, como Tolstoi (Christopher Plummer), morto há mais de 100 anos.

 

 

UM FILME INACABADO – Shtikat Haarchion
CLASSIFICAÇÃO: Israel, Alemanha - 08/05/2011

DIREÇÃO e ROTEIRO: Yael Hersonski

ELENCO: Alexander Beyer, Rüdiger Vogler

Israel, Alemanha, 2010 (88 min)

O documentário Marcha da Vida, sobre a travessia a pé de jovens e sobreviventes dos campos de concentração à Auschwitz e Birkenau na Polônia, como faziam os judeus na guerra, me fez lembrar desde documentário que vi há pouco. Foi premiado no Sundance Festival, mas acho que infelizmente ainda não está disponível no Brasil.

Trata-se de um filme feito pelos alemães para ser usado a favor da máquina de propaganda nazista. Até aí, nenhuma novidade. É mais do que sabido que eles manipulavam e editavam as imagens até onde lhes convinha, para mostrar ao mundo a “maravilha que era viver em um gueto ou em um campo de concentração”. A novidade aqui é que esses específicos 60 minutos de filme não foram editados, não tinham trilha sonora e portanto mostram, nua e cruamente, a realidade por que passaram os judeus na Segunda Guerra, especificamente no gueto de Varsóvia. A filmagem foi feita em maio de 1942, portanto três meses antes de o gueto ser fechado e de seus habitantes serem enviados ao campo de concentração. Daí o nome do documentário: A Film Unifinished – Um Filme Inacabado.

Aqui tudo é mostrado sem rodeios ou meias palavras: vemos as crianças mendigando, o trabalho forçado, a falta de comida, higiene e habitação dignas, a diferença entre judeus ricos e pobres ressaltada pelos nazistas no filme. Impressiona ver os corpos largados nas ruas sendo recolhidos em carrocinhas e lançados em valas comuns e o terrível ritual chuveiro-câmara de gás. Mas é a pura realidade, que os alemães não tiveram tempo de editar. Encontrado por uma equipe de pesquisadores e transformado neste documentário, a riqueza dos detalhes de A Film Unfinished serviu e serve até hoje como referência para tentar reconstruir aquela época, para fazer filmes sobre o assunto e sobretudo como prova cabal (como se ainda precisasse de alguma…) do terror do Holocausto. Interessante dizer que são entrevistadas alguns sobreviventes dos campos, que revivem na tela sua infância ou adolescência, e é encenada uma entrevista com um cinegrafista que participou do projeto dos filmes de propaganda política de Hitler e que recorda ter filmado as atrocidades dos guetos. Interessante ouvir o relato de quem viu o extermínio atrás das lentes e fez o registro histórico. É patético ver os judeus jantando elegantemente e comprando livremente na feira, como parte da farsa e da mentira, enquanto os judeus-atores tropeçavam nos corpos espalhados nas ruas. Já naquele tempo, a manipulação da imagem tinha um poder inestimável.

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