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O SONHO DE WADJDA – Wadjda
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Pensar, Drama, Arábia Saudita, Alemanha - 03/05/2013

sonho de wadjdaDIREÇÃO e ROTEIRO: Haiffa Al-Mansour

ELENCO: Reem Abdullah, Waad Mohammed, Abdullrahman Al Gohani, Ahd, Sultan Al Assaf

Alemanha, 2012 (97 min)

 

Nos cinemas: 03 de maio

 

Sonhar em ter uma bicicleta faz parte do imaginário de qualquer criança. Claro que isso esbarra, muitas vezes, na questão financeira, mas se deixarmos isso de lado, eu diria que infância e bicicleta caminham juntas desde sempre. O interessante é que na Arábia Saudita isso não é verdade. Pelo menos para as meninas. Menino pode, como pode todo o resto. Menina não. É imoral, contra os princípios religiosos, coisa de menina sem virtude.

Na sociedade islâmica conservadora saudita, mulher fica realmente para escanteio. Mesmo assim, a diretora Haiffa Al-Mansour consegue traçar, de uma maneira doce, um panorama da situação feminina em seu país, sem que para isso fosse preciso ser amarga. Wadjda tem 12 anos e destoa completamente das outras meninas da sua idade. Gosta de rock, tem veia empreendedora (faz pulseiras para vender na escola e ganhar um dinheirinho), usa tênis, gosta de brincar com os meninos e quer, loucamente, uma bicicleta. Enquanto espera a visita do pai, que, para desespero de sua mãe, vai se casar novamente porque deseja um filho homem, ela pensa numa maneira de burlar as expectativas e conseguir uma linda bicicleta verde.

É pelo olhar da garota que sutilmente somos introduzidos na cultura e religião islâmicas e na maneira como as pessoas se relacionam. Wadjda é daquele tipo que leva bronca, é repreendida, mas não desiste. A ponto de se inscrever em um concurso de Alcorão na escola, para tentar ganhar o prêmio em dinheiro e comprar seu sonho.

Digo e repito que o cinema tem esse papel: trazer universos remotos e diversos para perto. Aproximar povos, gerar interesse e conhecimento, diminuir a intolerância. De uma maneira singela e delicada, a diretora filma na Arábia Saudita, país em que não há salas de cinema oficiais, onde mulheres e homens são reprimidos por trabalharem juntos, onde o cinema é considerado imoral. É em países muçulmanos como o Irã, que cineastas são perseguidos e presos, proibidos de exercer seu trabalho. Portanto, essa obra ganha ainda mais importância e valor. Sem falar no simples fato de ter o olhar ainda em formação como lente para tudo que acontece.

Há algum tempo selecionei, aqui no Cine Garimpo, filmes que vão ao encontro aos temas da religião islâmica e seus costumes, e  da criança como protagonista do cinema. Vale a pena conferir!

FILMES SOBRE O ORIENTE MÉDIO 

QUANDO A CRIANÇA É QUEM DÁ O TOM 

 

 

O FUTURO – The Future
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Estados Unidos, Drama, Alemanha - 25/04/2013

DIREÇÃO E ROTEIRO: Miranda Julyo futuro1

ELENCO: Miranda July, Hamish Linklater, David Warshofsky

Alemanha, Estados Unidos, 2011 (91 min)

 

Nos cinemas: 26 de abril

 

Assisti a este filme na 35a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Replico aqui meu comentário, já que filme entrará em circuito comercial. E, claro, replico porque vale a pena ver!

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O futuro de ponta-cabeça – gostei do cartaz do filme. Aliás, que futuro? Que perspectiva? Quais são os planos? Nenhum, a não ser adotar um gato. E ao se deparar com essa mudança no futuro próximo, que chega em 30 dias, o casal Sophie (Miranda July, também a diretora) e Jason perde o chão. Será que conseguirão lidar com tamanha responsabilidade? Fará sentido continuar fazendo um trabalho sem graça, que não gostam, diante dessa mudança tão importante que está para acontecer? Antes de chegar o gato, que mudará suas vidas para sempre, é preciso aproveitar, correr atrás do sonho, desligar a internet, porque depois disso tudo estará acabado.

Este é o panorama irônico de O Futuro, logicamente mostrando um casal acomodado ao extremo para causar estranheza. Eles próprios são estranhos – vivem sem entusiasmo, tomam decisões sem pensar, se precipitam justamente quando a causa pede calma. Fazer a diferença no mundo particular de cada um pede calma e determinação. Mas Sophie e Jason não sabem o que querem: se dançam, ou se compram árvores para salvar o planeta; se fazem o tempo parar para não se perder ou não perder o outro, ou se correm para os braços do primeiro que abrir as portas. Interessante o retrato da relação que não se sustenta, que não se relaciona, que vive no imaginário irreal, na espera vazia. Apenas vive, cada um no seu mundo virtual, sem comunicar-se realmente, sem compartilhar sonhos, sem ambicionar construir.

O Futuro vale ser visto, mesmo porque tem figuras de linguagem e metáforas extremamente profundas, que chegam a incomodar. A da solidão interior, do vazio, da falta de auto-conhecimento, da falta de perspectiva, da falta de garra e vontade – motores fundamentais para uma vida ser vivida. Metáfora dos tempos atuais, em que o medo paralisa, em que o rigor das convenções e expectativas engessa iniciativas e quebra de paradigmas? Também acho que sim. Fato é que, ao sair dessa sessão da 35a Mostra, notei que as pessoas perguntavam aos amigos se tinham entendido bem tal e tal parte do filme. Pelo que senti, era isso que Miranda July queria despertar: o desconforto, a incerteza diante de um comportamento, para gerar reflexão, para deixar sentir a história de acordo com o repertório de cada um.

E o gato? Bem, o gato faz parte desse contexto sempre inacabado da vida do casal, ilusório, cheio de intenções, mas nunca concluído. Difícil sair da zona de conforto…


OS VISITANTES – Die Besucher (Mostra de Cinema SP)
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Drama, Alemanha - 25/10/2012

DIREÇÃO: Constanze Knoche

ROTEIRO: Leis Bagdach

ELENCO: Uwe Kockisch, Corinna Kirchhoff, Anjorka Strechel, Jocob Diehl, Andreas Leupold, Anne Müller, Irina Potapenko, Anjorka Strechel

Alemanha, 2012 (92 min)

Impossível não lembrar de Estamos Todos Bem, o original italiano com Marcello Mastroianni, e da adaptação americana com Robert De Niro, Estão Todos Bem. A cena do pai deslocado e distante que sai de casa para visitar os filhos que, já adultos e teoricamente responsáveis por suas vidas, moram em outras cidades, é a marca desses filmes. Mas não só isso. O que marca é o distanciamento da família com o passar do tempo, a indiferença que camufla a frustração e a tristeza de ter a família afastada, o tempo que passa e nem nos damos conta. Será que não é tempo de agir, lavar a roupa suja e juntar aquilo que um dia foi chamado de “família”?

Jakob, pai de três filhos que moram em Berlim e já não vê há anos, resolve visitar os filhos para lhes contar  algo importante. Chega de surpresa e, claro, pega todos despreparados para uma visita tão inusitada. Nas conversas e encontros, o único em comum são mágoas, situação mal resolvidas no passado, palavras não ditas e muito sentimento não demonstrado. Diante da dificuldade da nova situação financeira, as mentiras, podres, traições veem à tona e são o gatilho para a crise que viria mais cedo ou mais tarde.

Simples e singelo, o filme Os Visitantes têm esse nome porque é isso que os filhos achavam que seu pai era: um visitante dentro de casa, alguém isolado, ausente e indiferente. E visitantes eles também se tornaram, não só na vida dos familiares, mas nas suas próprias. Bonita visão dessa difícil relação familiar, que vai criando particularidades que o tempo aguça e trata de enrijecer cada vez mais. Bonita visão do olhar externo, da namorada que se sente sim confortável, acolhida. Mais uma amostra de que a sujeira colocada debaixo de tapete durante a vida causa mágoas difíceis de serem esquecidas. Cuidar. Juntar forças. Talvez sejam essas a palavra de ordem que aparecem nas cenas finais. Dizem que os amigos são a família que escolhemos. Eu diria que a família são os amigos em potencial que recebemos de bandeja.

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BARBARA (Mostra de Cinema SP)
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Alemanha - 23/10/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Christian Petzold

ELENCO: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Rainer Bock, Christina Hecke

Alemanha, 2012 (105 min)

Revisitar o tema da Alemanha Oriental, sua rigidez, crueldade e incontestável capacidade de gerar cidadãos insatisfeitos, é muito interessante quando feito por diretores que viveram essa realidade ainda jovens. Mais interessante ainda é o tom escolhido pelo diretor Christian Petzold. Não é o drama da censura e controle em si, mas o drama humano da rigidez e privação consequentes, concentrados no personagem Barbara. Claro que o tema remete ao maravilhoso A Vida dos Outros, mas não chega a ser tão impactante quando ele. Mesmo assim, Barbara é a escolha alemã para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013 e tem uma boa história para contar.

Barbara (Nina Hoss) é uma médica pediatra em Berlim, afastada da cidade grande por contrariar as regras do regime. Ousou solicitar às autoridades o visto de saída, para juntar-se ao namorado no lado ocidental. Como punição, é transferida para um isolado hospital à beira do mar Báltico, sem projeção ou estrutura. Isso nos anos 1980, o que levou Barbara a sofrer controle, espionagem e humilhações, já que as autoridades desconfiavam constantemente de que pudesse haver um plano de fuga.

Chama a atenção o caráter contido e permanentemente tenso de Barbara, que se divide entre o desejo de fugir e a paixão e dedicação pela profissão, pelo cuidado com o outro, pelo zelo. Difícil tirar um sorriso de Barbara; fácil imaginar qual será a sua escolha. A opção de desfecho do diretor Petzold prima pela liberdade, tenha ela um formato previsível ou não. Agora que a Alemanha é uma só, fica fácil falar. Filmes assim nos ajudam nesse transporte para uma realidade ditatorial e compulsória, que ainda vemos acontecer por aí.

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FELICIDADE – Glück (Mostra de Cinema SP)
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver Bem Acompanhado, Para se Emocionar, Drama, Alemanha - 20/10/2012

DIREÇÃO: Doris Dörrie

ROTEIRO: Ferdinand von Schirach

ELENCO: Alba Rohrwacher, Vinzenz Kiefer, Matthias Brandt, Andrea Sawatzki

Alemanha, 2011 (112 min)

O primeiro filme que vi com a atriz italiana Alba Rohrwacher me impressionou pela força que ela coloca no texto e na interpretação. O italiano Que Mais Posso Querer, uma história de amor que lembra o filme publicado antes deste, Entre o Amor e a Paixão, é forte porque tem Alba. Em seguida vi Um Sonho de Amor, lembrei que ela também está em Caos CalmoMeu Irmão é Filho Único, Irmãs Jamais E mais, está também em outro filme da Mostra deste ano, A Bela que Dorme, de Marco Bellocchio. Agora de novo, é ela quem dá o tom de Felicidade, da diretora Doris Dörrie, a mesma do lindo Hanami – Cerejeiras em Flor, exibido na Mostra do ano passado.

Enquanto em Cerejeiras em Flor Doris Dörrie toca na questão do amor perpetuado, encontrado em suas diferentes formas, em Felicidade ela fala da ruptura brusca e violenta do estado de realização para a busca traumática e retomada quase impossível do estado pleno, amoroso e tranquilo. Irina (Alba Rohrwacher) é extremamente feliz com sua família na Macedônia, até que tudo é destruído durante a Guerra dos Bálcãs. Refugia-se em Berlim, onde passa a trabalhar como prostituta, sua única maneira de seguir vivendo e convivendo com seus traumas e solidão. Kalle (Vinzenz Kiefer) aparece na sua vida por acaso, tão errante e abandonado de alma quanto ela.

Não vou me alongar muito descrevendo o que acontece no filme, mesmo porque os fatores surpresa são incríveis e o desfecho é  realmente muito tocante. Andei lendo por aí algumas resenhas que revelam parte daquilo que dá brilho e originalidade ao roteiro. Eu assisti ao filme sem saber detalhe algum, por isso prefiro que você veja e deixe o sentimento brotar, como foi para mim. Brota naturalmente. Irina e Kalle passam por situações de entrega, desespero e quase desesperança, que fazem parte dessa construção do amor que Doris Dörrie propõe.

Sai do filme realmente tocada. Vale conferir, sentir a intensidade e complexidade da busca dos personagens pela identidade, pela nacionalidade, pelo amor próprio perdido no passado. Resgatado com uma instintiva prova de amor.

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OS PILARES DA TERRA – The Pillars of the Earth
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Canadá, Alemanha - 10/04/2012

 

 

ELENCO: Ian McShane, Rufus Sewell, Matthew Macfadyen, Eddie Redmayne, Hayley Atwell, Sarah Parish

Canadá, Alemanha, 2010 (8 episódios)

Quem não se lembra do clássico Os Pilares da Terra, de Ken Follett, de 1989? Depois de contar a saga de Tom Construtor, o renomado autor inglês lançou outros bons livros como A Queda dos Gigantes e Mundo Sem Fim. Mas nenhum deles é tão envolvente e tão marcante quanto a história da construção de uma catedral em plena Idade Média, acompanhada de romance, intrigas da nobreza, brigas palacianas, assassinatos pelas mãos do clero, incêndios, enforcamentos em praça pública, Cruzadas e tudo mais o que se possa imaginar numa época em que a Igreja reinava livre e solta.

Para quem leu, assistir a esta minissérie homônima de quatro filmes, com produção de Ridley Scott (diretor de Cruzada, Hobin Hood, Telma & Louise, Gladiador) vai ser como revisitar a saga do século 12 e dar nome – e caras – aos personagens, minuciosamente lapidados pelo autor. É claro que o livro traz inúmeros elementos que enriquecem a narrativa de forma desigual quando pensamos no filme. Mas são linguagens diferente e é natural que isso ocorra. O cinema tem suas limitações de tempo, mas também traz a vantagem da imagem, a concretização da vida em uma época da Europa feudal, de escassos registros. Visualizar os castelos, as casas ao redor do que eram as fortalezas e mosteiros, o poder e atuação dos cavaleiros, a disputa pelo poder na hierarquia da Igreja e pelo trono deixado vago por Henrique I é muito bom.

Li o livro na época em que foi lançado e reli recentemente. Portanto, assisti à minissérie produzida para a televisão com a trama e os personagens frescos na memória – o que serviu para ilustrar ainda mais a história e dar sentido a muita coisa. Mas imagino que, mesmo se você não se debruçou sobre as mais de 1.000 páginas do livro, a série é bacana. Caso se anime, leia o livro antes, tendo em mente que as primeiras dezenas de páginas são descritivas mesmo, situam o leitor no tempo e no espaço, o que é importante para entender e se envolver com as seguintes. Não desista. Afinal, uma catedral não se constrói da noite por dia.

PINA
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Documentário, Alemanha - 23/03/2012

DIREÇÃO e ROTEIRO: Wim Wenders

ELENCO: Pina Bausch, Regina Advento, Malou Airaudo,

Alemanha, 2011 (103 min)

 

No dia em que fomos, os jornalistas, convidados a assistir ao documentário do cineasta alemão Wim Wenders sobre Pina Bausch, morreu uma ciclista na Av. Paulista. Depois de quase 2 horas para chegar à sessão de cinema, confesso que somente a leveza de Pina poderia me descolar da dureza, da crueldade e da insensatez do asfalto. Somente a linguagem do corpo, do olhar, das mãos (!) já na cena de abertura do filme foram capazes de me fazer abstrair tamanha falta de sensibilidade e flutuar por outras esferas.

Com essa licença bem particular e autoral, introduzo este documentário sobre a coreoógrafa e bailarina alemã Pina Baush. Quase uma licença poética, que marcou a sensação completamente oposta do cru e do sublime. Pina não conta uma história, não tem propriamente um enredo. Prescinde de palavras e depoimentos e é essencialmente formado de peças encenadas, maravilhosamente expressadas pelos bailarinos de sua companhia de dança, que a acompanharam na sua trajetória, de diversos lugares do mundo, inclusive do Brasil. A intensidade dos movimentos impressiona, a força da interpretação essencialmente de sentimentos humanos como a alegria, o medo, o amor, a dor, a raiva, a separação, a compaixão. A total interação com o meio, a sensação de fazer questão de pertencer, de marcar presença, de sentir o lugar, a dança, o corpo e a mente e transmitir. Porque transmite, o tempo todo, ainda mais com o recurso do 3D, Pina realmente me fez dançar junto. Num dia em que meus pés estavam cravados no chão, na realidade nua a crua.

O recurso tridimensional faz com que o movimento não só se apresente, mas ele penetra, tem volume, preenche a tela tanto quanto a trilha sonora. Sem exageros, apenas complementar. O que se vê é uma ode ao que temos de mais precioso, a capacidade de expressão, onde represamos todos os nossos sentimentos, não-sentimentos, negações, afirmações. Da maneira com que Pina concebeu as peças apresentadas, esse repertório vem verdadeiramente à tona, extravasa, transborda. Antes de morrer, ela já havia passado com o diretor Wim Wanders o conteúdo do documentário. Mas a obra é póstuma e espetacular. Claro que quem não aprecia minimamente a dança, vai se cansar. Mas o que eu fico realmente imaginando é o que esse registro representa para quem realmente vive e pratica a dança. Para quem simplesmente vive, já é uma preciosidade.

DARFUR – DESERTO DE SANGUE – Darfur
CLASSIFICAÇÃO: Para Entender o Nosso Mundo, Alemanha - 07/02/2012

DIREÇÃO: Uwe Boll

ROTEIRO: Uwe Boll, Chris Roland

ELENCO: Kristanna Loken, David O’Hara, Noah Danby, Billy Zane

Alemanha, 2009 (98 min)

Não assista Darfur pela sua qualidade cinematográfica. Assista pela informação. Mas só se estiver disposto a ver verdadeiras atrocidades de deixar qualquer um, no mínimo, indisposto. O filme retrata a guerra civil no Sudão, nessa região oeste conhecida como Darfur, que sofre com o genocídio desde 2003 e já deixou milhões de refugiados.

Assim como acontece em outras partes da África, tribos rivais disputam poder e território. Para que fique claro quem é que manda, mais fácil dizimar o inimigo. No caso de Darfur, os rebeldes dessa região, de imensa maioria negra e muçulmana, lutavam pela separação do território, cujos habitantes vivem basicamente de agricultura de subsistência, pecuária e atividade nômade. Obviamente o governo central nega a independência e reage com extrema violência. Com o apoio de milícias da etnia janjaweed, também muçulmana, porém de origem árabe, o objetivo seria dizimar os compatriotas negros de Darfur como parte da estratégia de resolução do problema.

Para contar essa história, o filme fala de uma grupo de jornalistas ocidentais, que vão a Darfur registrar o genocídio. Com escolta das forças de paz da União Africana, visitam uma tribo que já tem marcas profundas de violência, que já sofreu com a morte de parentes, com a perda de garotos convocados pela milicias para serem “soldados”, com estupros e outras formas brutais de violência. Toda a questão gira em torno da chegada repentina dos milicianos janjaweed na tribo e da permanência ou não dos jornalistas por lá. Ficar ali inibiria atos de violência? Do que essa gente seria capaz?

Já disse e repito. Darfur não é um filme com roteiro e atuações dignos de nota. Mas conta uma história que deixou marcas profundas, campos de refugiados lotados, sem assistência, comida ou remédios, milhares de doentes com epidemias, inclusive com AIDS, e um país dilacerado e dominado por extrema violência. É isso que o filme mostra, registrando de forma explícita as barbaridades que acontecem nos dias de hoje. Bem debaixo do nosso nariz.

 

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