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2 COELHOS
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Brasil, Ação - 18/04/2012

DIREÇÃO: Afonso Poyart

ROTEIRO: Afonso Poyart, Izaías Almada

ELENCO: Fernando Alves Pinto, Caco Ciocler, Alessandra Negrini, Marat Descartes

Brasil, 2012 (108 min)

Quem mata dois coelhos com uma cajadada só acaba se dando bem. Economiza tempo, estratégia e ainda sai ganhando algum dinheiro. No caso de Edgar, ganhar algum dinheiro não é bem o objetivo. O que está em jogo é ganhar muito dinheiro, deixar os malandros da corrupção de mão abanando e ainda, de quebra, ficar com o amor da sua vida sem que ninguém o chateie mais. Seriam 3, os coelhos?

2 Coelhos tem uma estrutura narrativa muito diferente e muito interessante, diga-se de passagem. Aliás, tem cara de videogame, do estilo ação-tiroteios-explosões – e acho que esse é o grande trunfo e ponto a favor da originalidade. Além de ser rapidíssimo e de o vai-e-vem do narrador-personagem ser literalmente exemplificado com desenhos e esquemas na tela, o diretor escolhe embaralhar todos os personagens de forma nada, mas nada linear. Até entendermos a relação do nerd perito em tecnologia Edgar (Fernando Alves Pinto, também em Onde Está a Felicidade?), com Walter (Caco Ciocler), que trabalha no restaurante do pai de Edgar , com a promotora corrupta Julia (Alessandra Negrini) e com os tantos marginais do filme entre eles Maicon (Marat Descartes, também em Estamos Juntos, Trabalhar Cansa, É Proibido Fumar), demora. Não que seja confuso, não é isso. Mas a trama se entrelaça propositalmente, ganhando ao mesmo tempo leveza e jovialidade ao roteiro.

Com esse ritmo acelerado, uma quase-metáfora da mente do jovem de hoje, que pensa e atua em vários campos, do real a o virtual, ao mesmo tempo, o diretor novato Afonso Poyart banca uma linguagem diferente no cinema nacional. Para quem ainda torce o nariz para a produção brasileira, 2 Coelhos e outros tantos filmes brasileiros inovadores provam que tem gente batalhando para dar vida a vários coelhos, no mínimo diferentes do que a gente costuma ver por aí.

SHERLOCK HOLMES: O JOGO DE SOMBRAS – Sherlock Holmes: A Game of Shadows
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Ação - 12/01/2012

DIREÇÃO: Guy Ritchie

ROTEIRO: Michele e Kieran Mulroney

MICHELE e KIERAN MULRONEY

ELENCO: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Rachel McAdams, Stephen Fry, Eddie Marsan, Kelly Reilly

Estados Unidos, 2011 (129 min)

 

Nos cinemas: 13 de janeiro

 

Adaptar um personagem clássico como Sherlock Holmes tem mais perigos do que garantias. Quem o fizesse corria o risco de criar uma figura desinteressante para os dias de hoje, principalmente em se tratando de filmes de mistério. Já digo de cara que ainda não vi o primeiro Sherlock Holmes (2009) e que isso não fez a menor diferença na compreensão da história. Holmes é o famoso detetive que vive no fim do século XIX em Londres, é um sujeitos excêntrico que tem a missão de descobrir as tramóias de quem esteja a fim de prejudicar a paz da capital inglesa – e, neste caso, da Europa.

Na pele de Robert Downey Jr. (também em O Solista), Holmes é um solteirão convicto, adequado aos tempos modernos, não sem exercitar seu raciocínio lógico, suas deduções baseadas em evidências e suposições certeiras. Com as confusões, o que temos é um filme de muita ação, intriga e jogo de interesses, sempre com ajuda de seu fiel amigo Watson (Jude Law, também em Contágio, Closer – Perto Demais), que vai se casar. Aliás, vale dizer que o elenco feminino é marcante: tem Rachel McAdams (também em Uma Manhã Gloriosa e Meia-Noite em Paris), Kelly Reilly (também em Albergue Espanhol, Bonecas Russas) e Noomi Rapace (também em Os Homens que não Amavam as Mulheres). Se você for esperando um filme de ação, daqueles em que as manobras são improváveis, mas que estão previstas, em que a produção é bacana e bem cuidada e em que pitadas de humor e descontração ajudam a dupla a resolver a situação.

O trailer já dá uma boa mostra do que pretende o Sherlock Holmes contemporâneo. Da minha parte, confesso que o exercício de assistir a tantos filmes com propostas e linguagens diferentes me fez assimilar que algumas coisas são incomparáveis. Essa linha do Sherlock Holmes é superprodução, ação a todos momento, feito sob medida para quem adora aventuras. Se você é um deles, vai curtir. Eu confesso, aqui muito entre nós, que gostei. Achei divertido. Precisa mais? Ou melhor, era para ser mais do que isso? Neste caso, acho que não.

 

 

CAVALO DE GUERRA – War Horse
CLASSIFICAÇÃO: Para Ver em Família, Para se Emocionar, Estados Unidos, Drama, Ação - 05/01/2012

DIREÇÃO: Steven Spielberg

ROTEIRO: Lee Hall, Richard Curtis

ELENCO: Jeremy Irvine, Emily Watson, David Thewlis, Niels Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Benedict Cumberbatch, Celine Buckens

Estados Unidos, 2012

Nos cinemas: 06 de janeiro

Steven Spielberg volta mostrando seu indiscutível talento para filmes sensíveis e produções grandiosas. Portanto, quem gosta da sua maneira de filmar, vai curtir e se emocionar. E volta em dose dupla, porque teremos também a estreia de As Aventuras de Tintim logo mais. O belo Cavalo de Guerra me fez lembrar de O Império do Sol, em que o protagonista também é um garoto, só que na Segunda Guerra (confesso que gosto mais desse primeiro filme do que do atual). Aqui ele retoma o tema da perda da adolescência, dos sonhos, das amizades, das referências e da transformação da vida pela guerra. Sempre do ponto de vista de quem está começando a vida, ainda é inocente e guarda a pureza que a vivência muitas vezes acaba destruindo – portanto, carregado de sentimentalismo muitas vezes exagerado. Então, atenção: Cavalo de Guerra não é um filme de guerra propriamente dito – se você for com essa expectativa, vai se decepcionar. Não tem nada a ver com A Lista de Schindler, por exemplo, que é feita para adultos, sobre o mundo adulto. Este aqui é feito para jovens, do ponto de vista do jovem, que fantasia uma realidade adulta.

Presente como produtor executivo em vários filmes nos últimos anos, entre eles Super 8, Bravura Indômita, Além da Vida, Cartas de Iwo Jima, A Conquista da Honra, Spielberg dirige uma história que teria tudo para ser somente mais um conto melodramático sobre a guerra e a amizade entre um rapaz e um cavalo. Mas constrói os personagens de uma maneira que não cai na pieguice (apesar do sentimentalismo, música de fundo, encenação do cavalo, etc). É na simplicidade do enredo que Cavalo de Guerra se torna um filme bem feito. A espinha dorsal é Albert (Jeremy Irvine), que mora com sua família em uma fazenda na Inglaterra no começo do século XX. Por circunstância que não vêm ao caso, acaba criando e domando um lindo potro, com quem estabelece uma relação muito especial. A Primeira Guerra explode e a vida de todos vira de ponta cabeça. Inclusive  do cavalo, que é vendido e vai para o front de batalha.

São várias as reviravoltas, mas o fato é que os 146 minutos de filme prendem a atenção. A composição dos personagens franceses (Niels Arestrup, também em O Profeta, A Chave de Sarah), dos pais de Jeremy, dos soldados no front são histórias paralelas em meio à produção impecável dos campos ingleses, das batalhas, das cenas em que o cavalo é o protagonista. Dizer muito mais sobre o filme, é diminuir a sua composição cinematográfica como um todo – que é o que ele tem de mais bonito. O que é basicamente um filme sobre  o amor de um rapaz por um cavalo (como tantas outras vezes no cinema), ganha na tela a dimensão de um grande feito e de uma grandiosa produção.

NOTA: Assisti pela segunda vez a Cavalo de Guerra. Quem foi esperando um filme de guerra, se decepcionou, como alertei acima. Achou falso, forçado, estilo “sessão da tarde”. Mas de fato é esse o apelo: da emoção do jovem, do sentimento de fidelidade dessa fase da vida, do apego ao animal. É um programa para ver em família – do estilo Spielberg de filmar. Mas é cinema bem feito.

 

MISSÃO IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA – Mission: Impossible – Ghost Protocol
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Estados Unidos, Ação - 25/12/2011

DIREÇÃO: Brad Bird

ROTEIRO: Josh Appelbaum, André Nemec

ELENCO: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Paula Patton, Sabine Moreau, Brij Nath, Michael Nyqvist, Vladimir Mashkov, Samuli Edelmann

Estados Unidos, 2011 (133 min)

Do muito que já foi dito sobre o quarto filme da série Missão Impossível, só me resta reiterar que sim, ele vale o seu ingresso de cinema. Seja ação o seu gênero de filme ou não, você vai curtir a aventura desses agentes, que agora sem o respaldo da agência de agentes secretos americana, a IMF (Impossible Missions Force), seguem por sua conta e risco em uma missão que começa em Budapeste, passa por Moscou, Dubai e termina em Mumbai, na Índia. O itinerário dá dinâmica e diversidade, que são muito bem-vindos em filmes assim.

Recheado de muita ação e suspense, com humor sutil nas horas precisas e nas situações mais extremas, o diretor Brad Bird, especialista em animações no estúdio Pixar como Ratatouille e Os Incríveis, acerta no tom: embora agentes especiais, são de certa forma humanizados em suas fraquezas e perdas – cada um deles demonstra abertamente suas falhas pessoais e problemas mal resolvidos, o que parece formar um time que se completa e tem de fato algo em comum.

Ethan Hunt (Tom Cruise) é resgatado da prisão em Moscou para liderar uma arriscada tarefa dentro do controlado Kremlim. Mas há criminosos atrás dos mesmos arquivos secretos, que conseguem explodir o prédio do poder russo. Ethan é responsabilizado pelo atentado, perde o respaldo da IMF e a missão daqui por diante passa a ser um “protocolo fantasma” – ou seja, sem retaguarda logística, nem autorização para atuar. Mas nem por isso fica menos envolvido na perigosa trama de códigos de armas nucleares. Com um time composto pelo especialista em tecnologia Benji (Simon Pegg), o ex-agente Brandt (Jeremy Renner, também em Guerra ao Terror) e a decidida Jane (Paula Patton, também em Preciosa), embrenham-se em jogo estratégico de pura sobrevivência e já não têm como evitar as confusões, perseguições e tudo mais que você pode imaginar.

Tom Cruise diz a que veio com seu estilo inconfundível, mostra que está em forma e tem presença de novo nas telas. Ele é o produtor de todos os filmes da “franquia” (como estão dizendo por aí) e fez questão de não trabalhar com dublês na cena em que escala o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, em Dubai. É de tirar o fôlego. Obviamente os efeitos são incríveis – temos realmente a impressão de que ele está sem qualquer equipamento de segurança (os cabos de aço foram apagados digitalmente). É ele em pessoa do começo ao fim. Um filme de ação para ninguém botar defeito.

Cada um dos filmes da série tem um diretor diferente, escolhidos por Tom Cruise. Interessante essa ideia, já que muitas vezes fica difícil fazer a sequências sem cair em clichês ou mesmices. Assim, cada um imprime seu estilo e seu histórico como cineasta, tendo como espinha dorsal a trajetória dos agentes da IMF. Lembro-me bem do primeiro filme da série, mas não dos outros dois – o primeiro foi realmente mais marcante. Deveria ter feito isso antes, assistir aos outros, relembrar como tudo se passou, embora não seja imprescindível para entender o que acontece. No fim, literalmente, tudo se esclarece e fica realmente a sensação de que vale a pena prosseguir com a ideia. Será que o galã vai ter fôlego?

 

11 HOMENS E UM SEGREDO – Ocean’s Eleven
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Rever, Estados Unidos, Ação - 14/12/2011

DIREÇÃO: Steven Soderbergh

ROTEIRO: Ted Griffin

ELENCO: George Clooney, Brad Pitt, Julia Roberts, Andy Garcia, Matt Damon

Estados Unidos, 2001 (116 min)

 

Estou me preparando para rever esta trilogia. Começa com 11 Homens e um Segredo. Danny Ocean (George Clooney, também em Queime Depois de Ler, Amor sem Escalas, Syriana – A Indústria do Petróleo) escala 11 homens, cada um com um perfil específico, indo da estratégia, contorcionismo, eletrônica, informática e espionagem, para executar uma tarefa aparentemente impossível: roubar todo o dinheiro do cofre ultra tecnológico e seguro de três cassinos de Las Vegas, seguindo três regras básicas: não ferir ninguém, roubar somente quem mereça, continuar com o plano, independente do que acontecer.

Este é um daqueles filmes bacanas de suspense e humor, que vão sendo construídos passo a passo. O que se constrói aqui é um golpe grande golpe, que se transforma em uma grande aventura. Bem equilibrados e com um elenco incrivelmente entrosado, é dirigido por Steven Soderbergh (também de Che – O Argentino, Che – A Guerrilha, Contágio) – na verdade, é uma refilmagem do filme dos anos 1960. Além de George Clooney, conta com Brad Pitt (Árvore da Vida, Queime Depois de Ler, Babel, Bastardos Inglórios), Andy Garcia (O Poderoso Chefão), Matt Damon (Gênio Indomável,  ContágioBravura Indômita,  Além da VidaInvictusSyryana – A Indústria do Petróleoe Julia Roberts (Larry Crowne, Closer, Comer, Rezar, Amar). É uma turma fora da lei, que acaba conquistando a simpatia do espectador. Inevitável, com tanto charme assim…

 

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