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CARANDIRU
CLASSIFICAÇÃO: Para Rever, Para Entender o Nosso Mundo, Brasil - 12/09/2010

DIREÇÃO: Hector Babenco

ROTEIRO: Hector Babenco, Francisco Bonassi, Victor Navas, Dráuzio Varella

ELENCO: Caio Blat, Gero Camilo, Nelson Machado, Lázaro Ramos, Rodrigo Santoro, Milton Gonçalves, Luis Carlos Vasconcelos, Maria Luisa Mendonça, Wagner Moura

Brasil, 2003 (147 min)

Passo, com frequência, em frente ao cadeião de Pinheiros. Um desses dias meu filho me perguntou como era o interior de uma prisão. Disse que não sabia, que nunca tinha visto uma de perto. Mas de imediato me veio à mente o cinema como resposta – afinal, ele tem essa função de nos mostrar uma realidade distante, um país distante, um mundo que não conhecemos.

Carandiru seria o filme – apesar da sua violência, objetividade e realidade. Não dava para esquecer que o filme retrata não só a vida na cadeia, mas também o massacre dos 111 presos em outubro de 1992. Tenho até hoje gravada a imagem dos corpos alinhados nos caixões, naquele imenso corredor da prisão.

Revimos Carandiru, com olhos de quem volta quase 20 anos no tempo. O filme é baseado no livro do médico Dráuzio Varella, Estação Carandiru, em que relata sua experiência dentro do presídio quando fazia um trabalho voluntário de prevenção à AIDS no ambulatório. Suas visitas durante anos dão uma dimensão de seus ‘habitantes’, e não da questão prisional ou criminal brasileiras. Portanto, o que se vê são histórias de vida dos presos, a relação entre eles, as disputas, as dificuldades e preconceitos, o trato com a AIDS, a vida por um fio, a vida como um barril de pólvora. Literalmente.

Gostei ainda mais de Carandiru agora. Além de muito bem construído - enquanto roteiro, fotografia, dramaticidade - mostra a realidade da vida dentro das cadeias brasileiras e de muitas no mundo. Vale lembrar que o complexo do Carandiru foi implodido em 2002 e são essas cenas reais que enceram o filme. Humano e desumano ao mesmo tempo. Está visto, essa é uma prisão por dentro. Nas suas entranhas.

Um Comentário to “CARANDIRU”

  1. Boa Tarde
    meu nome é Ronaldo Mazotto e trabalhei muitos anos na casa de detenção do carandiru e posso dizer que aprendi a ver que realmente existe recuperação mas são muito poucos que correm atrás de melhorias pois realmente só melhora quem quer não adianta quere recuperar aqueles que gostam do crime.
    durante o tempo em que trabalhei la consegui juntar o maior acervo particular do antigo presidio com mais de 1000 fotos muitas horas em video centenas de objetos documentos alem de um documentario ja exibido em amis de oito paises produzido por uma tv americana (se quizer uma cópia mande um email que enviarei) e realizo exposições em escolas faculdades e afins e tenho tambem muitas história a contar trabalhei la com a Shofia tambem mas eu trabalhei na linha de frente onde realiza as terriveis contagens diarias as trancas e o contato direto com os detentos passei diversas rebeliões e muitas vezes de refem a o Dr. Drauzia não viviam o livro do Dr. Drauzio ele narra o que os detentos contavam a ele e não o que ele vivenciou quero salientar que o trabalho de Babenco ficou muito bom mas garanto que fugiu muito da realidade de dentro do presidio pois apenas os presos e os funcionarios sabiam o que era o dia a dia ali dentro o Dr. Drauzio realizavas apenas atendimentos nos pavilhões da frente mas a contagem e as trncas era apenas os funcionarios nos pavilhões do fundão e no meu caso eu estva realmente no dia a dia e gostaria de uma oportunidade de poder contar minha realidades , pois as muralhas cairam mas as memórias continuam.

  2. Ronaldo Mazotto on September 13th, 2011 at 16:34

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