FESTIVAL DE CANNES 2017

Publicado em

Terminou Cannes e ficaram as promessas pra nós que ainda não vimos o que rolou por lá. Segue a lista das pendência para os próximos meses, só pra ficar na vontade de assistir a tanto filme bom que vem por aí. Vale dizer: só a Netflix saiu de mãos vazias, com bem disse o presidente do júri Pedro Almodóvar. O resto do mundo ganhou a chancela de Cannes: Suécia, Turquia, Escócia, França, Marrocos, Japão, Itália, Estados Unidos, Rússia, México, Irã. Bem bom – talvez reflexo de um júri cada vez mais eclético e heterogêneo.

 

_ PALMA DE OURO_ The Square, de Ruben Östlund

Sueco, é dele também o ótimo – e perturbador – Força Maior. Sobre o momento em que os casais começam a se estranhar e percebem que há alguém ali que já não reconhecem. E que não reconhecem a si mesmos. Já The Square toca no tema da arte contemporânea, que, segundo o diretor, “é algo que deve ser criticado, analisado, assim como qualquer outra área do conhecimento, inclusive o cinema”. Fato, a gente não precisa aceitar e consumir tudo que vê.

**********************

_MELHOR DIRETOR_ Sofia Coppola 

Ganhou com sua releitura de O Estanho que Nós Amamos (The Beguiled), com o trio loiro Nicole Kidman, Elle Fanning e Kirsten Dunst, além de Colin Farrell. Família de cineastas (seu pai, Francis Ford Coppola, de O Poderoso Chefão, e sua avó, Eleonor Coppola, que estreia o filme Paris Pode Esperar semana que vem!). Talentosíssima, tem um estilo todo pessoal, sem rabo preso. Vide meu favorito Encontros e Desencontros (Lost In Translation – não é por acaso que é o que eu mais gosto!). Também ótimos Um Lugar Qualquer e Bling Ring – A Gangue de Hollywood.

**********************

_PRÊMIO ESPECIAL 70º ANIVERSÁRIO de CANNES_ Nicole Kidman

Dispensa apresentações. A atriz arrasa, é camaleoa, produz sem parar e só em Cannes estava presente com dois filmes: O Estranho que Nós Amamos (venceu melhor diretor, com Sofia Coppola) e The Killing of a Sacred Deer (melhor roteiro). 

Da filmografia de Nicole: Lion – Uma Jornada para Casa, Os Outros, As Horas, Nine, Segredos de Sangue, Grace de Mônaco, Uma Longa Viagem, Antes de Dormir, Reencontrando a FelicidadeDe Olhos Bem Fechados

 

*************************

_MELHOR ATRIZ_ Diane Kruger

Pelo filme In The Fade, do turco Fatih Akin (também de Soul Kitchen e Por Outro Lado – ótimos filmes). Este novo é duro, filme sobre perda e reconstrução. “Há anos esperava pra fazer um filme em alemão”, disse a atriz, também de Bastardos Inglórios, Adeus, Minha Rainha e Pais e Filhas. “É sobre uma mulher que perde tudo e precisa reaprender a viver sem nada”, completa Diane, na entrevista após receber o prêmio. Ela está fora da Alemanha há mais de 20 anos. Linda e poliglota!

*************************

_MELHOR ATOR_Joaquin Phoenix

Premiado pelo filme You Were Never Realy Here, da britânica Lynne Ramsay. É dela também aquela paulada que é Precisamos Falar Sobre Kevin, que não deixa ninguém sair ileso – muito menos quem é mãe. Phoenix tem filmes ótimos no currículo. Três são meus preferidos: Amantes, com Gwyneth Paltrow; O Homem Irracional, um Woody Allen com Emma Stone e Ela (Her), com a voz de Scarlett Johansson. Também está em O Imigrante e Hotel Ruanda.

*************************

_PRÊMIO DO JÚRI_ Loveless

O russo Andrey Svyagintsev disse, em entrevista coletiva, que seu objetivo não foi fazer um filme político – embora tenha esse pano de fundo. “O tema é a ausência de empatia e egoísmo entre as pessoas”, revela. De fato: um casal se separa, entra naquele estresse do divórcio e seu filho desaparece. Dramático. É dele também o impactante Leviatã, que ganhou melhor roteiro em Cannes em 2014.

*************************

_MELHOR ROTEIRO_ The Killing of a Sacred Deer e You Were Never Really Here

Dividiram o prêmio, o grego Yorgos Lanthimos de The Killing…  e a escocesa Lynne Ramsay por You Were…

*************************

_GRANDE PRÊMIO DO JÚRI_ 120 Batimentos por Minuto

O diretor Robin Campillo é franco-marroquino e também foi responsável pelo roteiro de Entre os Muros da Escola, filmaço que levou a Palma de Ouro em 2008.  Sobre a Aids e a luta de um ativista contra a indiferença em relação à doença.

*************************

_PRÊMIO DO JÚRI ECUMÊNICO_ Radiance

Da diretora japonesa Naomi Kawase, também responsável pelo lindo e sensível Sabor da Vida, indicado ao prêmio Un Certain Regard em Cannes em 2015.

*************************

_CÂMERA DE OURO (para diretores estreantes)_ Jeune Femme, de Léonor Serraille

_OLHO DE OURO (melhor documentário)_ Visages, Villages, de Agnès Varda

_PALMA DE OURO DE CURTA METRAGEM_Xiao Cheng Er Yue

**********************

MOSTRA UN CERTAIN REGARD

_MELHOR FILME_ A Man of Integrity, de Mohammad Rasoulof (Irã)

_MELHOR DIRETOR_ Taylor Sherida, por Wind River (também roteirista de Sicário)

_PRÊMIO DO JÚRI_ April’s Daughter, de Michel Franco (também de Depois de Lúcia e Chronic_ México)

_MELHOR PERFORMANCE_ Jasmine Trica, pelo papel em Fortunata

__________________________________________________________________

16 de maio

Vai começar a grande festa de Cannes! Pelo site, dá pra acompanhar as entrevistas coletivas, o entra-e-sai dos atores e diretores e ficar com gostinho de um-dia-quero-ir. E como no cinema não tem certo ou errado, júri eclético é júri com olhar diverso, aberto, plural. Quem manda este ano é o diretor espanhol Pedro Almodóvar, auxiliado por Jessica Chastain (atriz americana), Paolo Sorrentino (diretor italiano), Will Smith (ator americano), Maren Ade (diretora, roteirista e produtora alemã), Park Chan-Wook (diretor sul-coreano), Agnès Jaoui (atriz, roteirista, diretora e cantora francesa), Fan Bingbing (atriz chinesa) e Gabriel Yared (compositor francês).

Estes são os filmes que concorrem à Palma de Ouro, programada para dia 28 de maio. Pra dar uma referência, ao lado estão filmes anteriores dos diretores correspondentes, comentados aqui no blog. Assim, dá pra clicar e saber de quem se trata e o que esse diretor já fez.

Nelyubov (Loveless), Andrey Zvyagintsev  | também de Leviatã
You Were Never Really Here, Lynne Ramsay | também de Precisamos Falar sobre Kevin
Le Redoutable, Michel Hazanevicius | também de O Artista
Hikari (Radiance), Naomi Kawase | também de Sabor da Vida,
Jupiter’s Moon, Kornél Mundruczó | também de White Dog
L’amant Double, François Ozon | também de Uma Nova Amiga, Dentro da Casa, Ricky, Potiche, Amor em 5 Tempos
The Beguiled, Sofia Coppola | também de Encontros e Desencontros, Somewhere, The Bling Ring
Happy End, Michael Haneke | também de Amor, A Fita Branca
Wonderstruck, Todd Haynes | também de Carol
Aus Dem Nichts (In The Fade), Fatih Akin | também de Soul Kitchen, Do Outro Lado
Okja, Bong Joon-ho | também de Mother
The Meyerowitz Stories, Noah Baumbach | também de O Plano de Maggie, Mistress America, Enquanto Somos Jovens, Frances Ha

Good Time, Benny Safdie e Josh Safdie
Rodin, Jacques Doillon
The Killing Of A Sacred Deer, Yorgos Lanthimos | também de Lobster
A Gentle Creature, Sergei Loznitsa
Geu-hu (The Day After), Hong Sangsoo
120 Battements Par Minute, Robin Campillo

 

QUEM DISPUTA O OSCAR 2015

Publicado em

Foi divulgada hoje a lista dos indicados.

Gostei: da escolha dos filmes estrangeiros. Só filme bom! De Marion Cotillard ser indicada pelo filme Dois Dias, Uma Noite, dos Irmãos Dardenne. De Boyhood ser indicado para as principais categorias: filme, diretor, ator, atriz coadjuvante, roteiro original.

Não gostei: do destaque tão grande que teve O Jogo da Imitação Grande Hotel Budapeste. O primeiro tem uma história real incrível, mas não tem nada de muito especial enquanto filme (como conjunto de filme-história-real, gosto mais de A Teoria de Tudo); o segundo é original, mas não é para tanto assim. Ou será que terei de ver de novo para crer?

 

Melhor filme
Sniper americano
Birdman
Boyhood: Da infância à juventude
O grande hotel Budapeste
O jogo da imitação
Selma
A teoria de tudo
Whiplash

Melhor diretor
Alejandro Gonzáles Iñárritu (“Birdman“)
Richard Linklater (“Boyhood“)
Bennett Miller (“Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo“)
Wes Anderson (“O grande hotel Budapeste”)
Morten Tyldum (“O jogo da imitação“)

Melhor ator
Steve Carell (“Foxcatcher“)
Bradley Cooper (“Sniper americano”)
Benedict Cumbertatch (“O jogo da imitação“)
Michael Keaton (“Birdman“)
Eddie Redmayne (“A teoria de tudo“)

Melhor ator coadjuvante
Robert Duvall (“O juiz”)
Ethan Hawke (“Boyhood“)
Edward Norton (“Birdman“)
Mark Ruffalo (“Foxcatcher“)
JK Simons (“Whiplash“)

Melhor atriz
Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite“)
Felicity Jones (“A teoria de tudo“)
Julianne Moore (“Para sempre Alice”)
Rosamund Pike (“Garota exemplar“)
Reese Whiterspoon (“Livre“)

Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette (“Boyhood“)
Laura Dern (“Livre“)
Keira Knightley (“O jogo da imitação“)
Emma Stone (“Birdman“)
Meryl Streep (“Caminhos da floresta“)

Melhor filme em língua estrangeira
Ida” (Polônia)
Leviatã” (Rússia)
“Tangerines” (Estônia)
Timbuktu” (Mauritânia)
Relatos selvagens” (Argentina)

Melhor documentário
“O sal da terra”
“CitizenFour”
“Finding Vivian Maier”
“Last days”
“Virunga”

Melhor documentário em curta-metragem 
“Crisis Hotline: Veterans Press 1”
“Joanna”
“Our curse”
“The reaper (La Parka)”
“White earth”

Melhor animação
“Operação Big Hero”
Como treinar o seu dragão 2
Os Boxtrolls
“Song of the sea”
“The Tale of the Princess Kaguya”

Melhor animação em curta-metragem
“The bigger picture”
“The dam keeper”
“Feast”
“Me and my moulton”
“A single life”

Melhor curta-metragem em ‘live-action’
“Aya”
“Boogaloo and Graham”
“Butter lamp (La lampe au beurre de Yak)”
“Parvaneh”
“The phone call”

Melhor roteiro original
Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo (“Birdman“)
Richard Linklater (“Boyhood“)
E. Max Frye e Dan Futterman (“Foxcatcher“)
Wes Anderson e Hugo Guinness (“O grande hotel Budapeste”)
Dan Gilroy (“O abutre“)

Melhor roteiro adaptado
Jason Hall (“Sniper americano”)
Graham Moore (“O jogo da imitação“)
Paul Thomas Anderson (“Vício inerente”)
Anthony McCarten (“A teoria de tudo“)
Damien Chazelle (“Whiplash“)
Melhor fotografia

Emmanuel Lubezki (“Birdman“)
Robert Yeoman (“O grande hotel Budapeste”)
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski (“Ida“)
Dick Pope (“Sr. Turner”)
Roger Deakins (“Invencível“)

Melhor edição
Joel Cox e Gary D. Roach (“Sniper americano”)
Sandra Adair (“Boyhood“)
Barney Pilling (“O grande hotel Budapeste”)
William Goldenberg (“O jogo da imitação“)
Tom Cross (“Whiplash“)

Melhor design de produção
“O grande hotel Budapeste”
O jogo da imitação
Interestelar
Caminhos da floresta
“Sr. Turner”

Melhores efeitos visuais
Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick (“Capitão América 2: O soldado invernal”)
Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist (“Planeta dos macacos: O confronto“)
Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould (“Guardiões da Galáxia”)
Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher (“Interestelar“)
Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer (“X-Men: Dias de um futuro esquecido”)

Melhor figurino
Milena Canonero (“O grande hotel Budapeste”)
Mark Bridges (“Vício inerente”)
Colleen Atwood (“Caminhos da floresta“)
Anna B. Sheppard e Jane Clive (“Malévola”)
Jacqueline Durran (“Sr. Turner”)

Melhor maquiagem e cabelo
Bill Corso e Dennis Liddiard (“Foxcatcher“)
Frances Hannon e Mark Coulier (“O grande hotel Budapeste”)
Elizabeth Yianni-Georgiou e David White (“Guardiões da Galáxia”)

Melhor trilha sonora
Alexandre Desplat (“O grande hotel Budapeste”)
Alexandre Desplat (“O jogo da imitação“)
Hans Zimmer (“Interestelar“)
Gary Yershon (“Sr. Turner”)
Jóhann Jóhannsson (“A teoria de tudo“)

Melhor canção
“Everything is awesome”, de Shawn Patterson (“Uma aventura Lego“)
“Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (“Selma“)
“Grateful”, de Diane Warren (“Além das luzes”)
“I’m not gonna miss you”, de Glen Campbell e Julian Raymond (“Glen Campbell…I’ll be me”)
“Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (“Mesmo se nada der certo“)

Melhor edição de som
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sniper americano”)
Martín Hernández e Aaron Glascock (“Birdman“)
Brent Burge e Jason Canovas (“O hobbit: A batalha dos cinco exércitos“)
Richard King (“Interestelar“)
Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (“Invencível“)

Melhor mixagem de som
John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (“Sniper americano”)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (“Birdman“)
Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (“Interestelar“)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (“Invencível“)
Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (“Whiplash“)