GARIMPO dos FILMES ESTRANGEIROS no OSCAR 2018

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Que safra! Um pot-pourri de altíssima qualidade, cinema de primeira, diálogos importantes, num apanhado profundo sobre a intolerância humana – o mal do momento, que não tem data pra terminar.

  • Como toda regra tem exceção, a Hungria de Corpo e Alma é o único que fala de amor – que acontece entre dois improváveis personagens, num filme estranho e diferente, lindo e sensível; vai pro campo dos sonhos, da alma gêmea, da sincronia de pensamentos e sensações. Uma pérola;
  • Migre para o oposto – protótipo da dureza, frieza, indiferença. Sem Amor está mais pra desamor, acentuado pela paisagem fria da Rússia, na relação de pessoas que não se comunicam, na comunicação que destrói, na destruição que contagia;
  • Tanto contagia que não deixa barato. Uma simples resposta atravessada vai parar nos tribunais em O Insulto – na colcha de retalhos de um Líbano de palestinos e católicos, de jornadas que se misturam e processam rancores e mágoas históricas, fazendo das vidas particulares verdadeiros tratados e lavagens de roupa suja que vêm das profundezas da alma;
  • Intolerância transcende a política e a religião, vai pra esfera da sexualidade em Uma Mulher Fantástica, na importância do olhar para a realidade cruel enfrentada por transsexuais. Universal, o retrato chileno é urgente, fundamental e sensível;
  • Se é preciso sensibilidade pra entender e, talvez, apreciar a arte contemporânea, é preciso publicidade pra fazer a arte acontecer. Será? The Square – A Arte da Discórdia desmistifica as sociedades perfeitas, nos faz lembrar que somos todos feitos da mesma matéria – com todos aqueles podres incluídos -, e deixa a pergunta: quais são os quadrados em que nos metemos e que nos engessam tanto nessa vida?