NEVE NEGRA

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O diretor Martín Hodara esteve no Brasil para conversar com os jornalistas sobre Neve Negra, que conta com as estrelas Ricardo Darín e Leonardo Sbaraglia (também em Relatos Selvagens, No Fim do Túnel e O Silêncio do Céu). Mas minha pergunta pra ele foi justamente essa: com dois protagonistas de peso, onde entra a personagem de Laia Costa? Sem spoiler, mas pra mim Laura, sua personagem, é a heroína da história. Numa narrativa, cenário e realidade tão masculinos, é ela que determina o futuro dos irmãos. “Ainda bem que alguém lembrou da Laia”, disse ele durante a entrevista. “Sim, é ela a protagonista, a única que se transforma no decorrer da história.”

Neve Negra estreia dia 08 de junho.

 

SONHO DE WADJDA REPRESENTARÁ ARÁBIA SAUDITA NO OSCAR

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Já recomendei aqui no blog este filme e agora aproveito o gancho para reforçar. O Sonho de Wadjda será o representante da Arábia Saudita no Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014, concorrente, portanto, do brasileiro O Som Ao Redor. Vira notícia porque é o primeiro filme feito por uma cineasta no país em que mulheres são tratadas, descaradamente, como inferiores. E mais, foi rodado inteiramente no país – coisa rara, já que as autoridades muçulmanas costumam vetar produções que, de alguma forma, possam transmitir valores e conceitos contrários ao regime.

Assistam! Além de tratar da questão religiosa, cultural e feminina da sociedade saudita, faz isso através do olhar da menina Wadjda, que sonha em ter uma bicicleta. O que parece trivial na nossa sociedade, é algo complexo na sociedade ultraconservadora, já que meninas não podem pedalar! A cineasta Haiffa Al-Mansour consegue dar leveza ao tema, sem que para isso tenha que disfarçar a dureza da realidade. Mas tem o olhar infantil ainda ingênuo, o que faz o filme entrar na lista daqueles que trazem a visão do mundo pelo prisma da infância. Inclusive, o Cine Garimpo tem uma lista de filmes em que o olhar infantil é o protagonista. Vale a pena, cada um deles!

 

FESTIVAL DE CANNES 2013: QUEM SÃO OS JURADOS

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De hoje a 26 de maio, Cannes recebe a nata do cinema mundial. Mundial mesmo, porque até a escolha do júri está carregado de significado.

E de nacionalidades diferentes. Além das premiações, do tapete vermelho e de tudo mais que gira em torno das estrelas e produções, é interessante pensar nesse perfil de jurados. Afinal, são eles que escolhem o filme que ganha a Palma de Ouro e, portanto, a chancela para fazer carreira no mundo todo. Assim, quanto mais eclético e diversificado for o corpo de jurados, mais interessantes ficam os prêmios.

Entre os integrantes estão a diretora escocesa Lynne Ramsey, do arrebatador Precisamos Falar Sobre Kevin, exibido no ano passado em Cannes, o ator francês Daniel Auteuil, de filmes como Caché e Conversas com Meu Jardineiro, e a atriz australiana Nicole Kidman, de As HorasOs OutrosReencontrando a Felicidade. Da Alemanha vem Christoph Waltz, o ator de Tarantino premiado em Django Livre e Bastardos Inglórios, mas também do ótimo Deus da CarnificinaAng Lee é o representante de Taiwan, diretor de As Aventuras de Pi e vencedor do Oscar deste ano na categoria.

Também temos Vidya Balan, atriz indiana, Naomi Kawase, cineasta japonês e Cristian Mungiu, o diretor e roteirista romeno, responsável por Além das Montanhas, 4 meses, 3 semanas, 2 diasContos da Era Dourada. Para fechar a Torre de Babel, Steven Spielberg, que prescinde apresentações e é um dos ícones do cinema americano e global. Como presidente do júri de Cannes, a escolha soa especial. Parece que pouco importa se o cinema que se faz é de arte ou comercial. Fiquei com a impressão que, por um instante, os egos ficaram um pouco de lado e o cinema de qualidade é que foi privilegiado.

Vamos aguardar o andamento do evento, que já começou com classe com a exibição de O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann, que estreia no Brasil em 7 de junho.