42ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SP

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Outubro chega com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na sua 42ª edição. Antenada com o que está rolando de mais bacana no cenário internacional, a Mostra oferece de 18 a 31 de outubro, filmes exibidos nos principais festivais de cinema de mundo, inclusive Veneza, há dois meses.

Já tem lista aqui no Cine Garimpo com filmes assistidos e comentados. E a lista cresce todo dia. Acompanhe por lá pra ajudar a escolher o que assistir.

Algumas dicas pra enfrentar a maratona:

  1. Primeira providência: baixe o aplicativo da Mostra (procura como Mostra Internacional); ali você acompanha a programação diária, faz reservas de ingressos com credencial, monta a sua agenda. Ferramenta maravilhosa – está funcionando direitinho! Ou acompanhe pelo site, claro.
  2. Já vimos vários filmes e tem uma lista aqui no blog com trailer e comentário. Assim, fica mais fácil escolher o que vale seu ingresso.
  3. Há 19 filmes na Mostra que são os indicados ao Oscar de filme estrangeiro em 2019 por diversos países. Também tem uma lista com eles aqui no blog – os já assistidos vêm em primeiro.
  4. Uma nova iniciativa promove encontros e debates para fomentar negócios criativos e discutir a linguagem, a economia do cinema e as políticas culturais: é o Mercado de Ideias Audiovisuais (no Itaú Cultural); ótima oportunidade para quem quer pensar e dividir opiniões com gente da área;
  5. Muita calma. Parece um mar de filmes – e é mesmo. Mas vários deles já têm distribuidora aqui no Brasil, o que garante a sua exibição no circuito comercial em breve. Portanto, como não vai dar pra ver tudo mesmo, tenha paciência e bom garimpo!

Netflix + Amazon + HBO = Cinema

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Por Suzana Vidigal, de Veneza

No Festival de Cinema de Veneza, são vários. Parece que aumenta a cada ano. A polêmica em torno da produção de longas metragens pelas empresas de streaming faz tremer aqueles que temem que o cinema morra. Algo como o pavor que as editora têm diante dos livros digitais.

Cinema não morre. Livro impresso não morre. Mas os tempos são outros e ainda bem que o gigantes do mundo digital também gostam da telona e apostam nessa linguagem que é, afinal de contas, universal. E ainda bem que somos capazes de nos adaptar aos novos tempos. Teve uma época em que atores e diretores que faziam séries de televisão eram só de TV. Gente badalada do cinema não se misturava – uma certa hierarquia. De repente, começou a migração: bons atores garimpados nas séries eram convidados a fazer cinema e, pouco a pouco as séries começaram a contar com grandes cineastas a dirigir na televisão. A era digital colaborou – já tínhamos acesso aos canais chamados “fechados”, ainda parte daqueles pacotes da televisão a cabo (que a gente assinava e não assistia a quase nada).

Tudo isso pra dizer que a Netflix chegou, entrou na nossa casa e mudou a cara do entretenimento. A pergunta que sempre se faz, quando fala-se de um filme, é se tem na Netflix. Virou tipo gillette, band-aid, chiclete, xerox (embora xerox a nova geração nem saiba mais o que é…). Ela está na mesma prateleira da Warner, Paramount, Sony, Disney-Pixar, ou qualquer outro grande estúdio que venha à mente. É um player igual, senão mais poderoso, se considerarmos o canal de distribuição mundial, B-to-C. Gente esperta, a galera digital. Criou a oportunidade de produzir também e vende muito bem.

Aqui no Festival de Veneza, os filmes produzidos pela Netflix concorrendo a Leão de Ouro são: The Ballad of Buster Scruggs (dos irmãos americano Joel & Etahn Coen); Roma (do mexicano Alfonso Cuarón); 22 July (do inglês Paul GreenGrass). Fora de concurso, Sulla Mia Pelle (do italiano Alessio Cremonini). Sem falar da HBO que adaptou o romance da italiana Elena Ferrante em série de televisão, A Amiga Genial, e da Amazon que produziu Peterloo (do inglês Mike Leigh), também em competição. Portanto, está tudo dominado – no bom sentido.

O que não dá mais é ouvir jornalista perguntar ao diretor o que ele acha de ter a Netflix como parceira. Óbvia resposta. Se alguém acredita no projeto e investe no filme, é recebido de portas abertas – e, como disse Alfonso Cuarón, diretor de Roma na coletiva de imprensa em Veneza, “todos sabem da dificuldade de distribuir um filme falado em espanho, em preto e branco. Não precisar pensar na distribuição é maravilhoso”. Bingo. Cada um faz o seu trabalho e todos nós agradecemos. Vale dizer que Roma é fortíssimo candidato ao Leão de Ouro em 2018. Já imaginou? Sinal de que os festivais também se movimentam e isso é sensacional. Até os amantes dos clássicos têm que dar o braço a torcer – a Netflix restaurou o clássico O Outro Lado do Vento, de Orson Welles, exibido aqui também. Portanto, assunto encerrado.

 

L’AMICA GENIALE – A Amiga Genial

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Por Suzana Vidigal, de Veneza

A Amiga Genial virou série. A partir do romance best-seller da escritora italiana Elena Ferrante – aquela que mantém um mistério sobre sua identidade -, a amizade entre as meninas Lila e Lenù ganha contornos preciosos. Ambientado nos anos 1950, na periferia de Nápoles, a história foi apresentada no Festival de Veneza e aprovada pela crítica. É bonita mesmo – tem a luz do cinema italiano, deixando uma áurea de nostalgia de tempos da infância que não voltam mais.

Embora as meninas tenham dito durante a coletiva de imprensa que não tiveram muita preparação para assumir o papel de protagonistas, é claro que o diretor italiano Saverio Costanzo trabalha com maestria. As joias aqui são Elisa Del Genio e Ludovica Nasti que, pelo que disseram, tiveram a preocupação de serem elas mesmas. “O livro constrói as personagens de forma tão profunda que, quando encontramos essas meninas, elas já tinham tudo que precisavam para serem Lila e Lenù”, conta ele.

Basicamente uma história sobre a amizade entre duas garotas, que vai pra sua adolescência no segundo episódio, também tem as camadas importantes da educação de meninas na Itália daquela época. “Conta como uma professora pode mudar a vida de duas alunas, na formação e nos valores”, completa Saverio, que trabalha em parceria com a HBO. “É uma obra profundamente contemporânea e política, no sentido mais sentimental do tema.” Liderada por mulheres, a narrativa tem esse núcleo bem definido e volta pra ele em todos os momentos, com o pano de fundo da história italiana. Vai encher os olhos – e os corações – também dos brasileiros. E não será por falta de italianos por lá.

AMOS GITAI E SEU CINEMA COM CRÍTICA E POESIA

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Nem um dos dois filmes de Amos Gitai está na competição aqui no 75º Festival de Veneza. A essa altura do campeonato, nem precisava. Seu cinema é naturalmente crítico, mas não sem poesia – e, como ele diz, “um cineasta não pode se divorciar dos eventos reais, precisa falar deles e o Oriente Médio produz diariamente muito material para reflexão.” Amos apresenta A Letter to a Friend in Gaza e A Tramway in Jerusalem – que são coisas separadas, mas que se complementam. Bem intimamente, inclusive.

A Tramway in Jerusalem simula “o que poderia ser a relação entre pessoas de diferentes nacionalidades e religiões, se houvesse menos conflito”, explica o diretor na entrevista à imprensa há pouco em Veneza. “Me interesso pelo quebra-cabeça humano e não pelo cinema homogêneo.” O filme é essencialmente o que diz o título: dentro de um trem que cruza os diferentes bairros de Jerusalém, pessoas com diferentes histórias de vida se encontram. Elas se comunicam – pacifica ou violentamente, com ironia, humor ou musicalidade, mostrando o quanto somos iguais. (Aliás, quanto mais a gente vive, mais percebe o quanto as histórias de vida se repetem. Seja lá onde for.)

Filmado inteiramente dentro de um trem, tem casal israelense discutindo a relação; padre católico citando trecho bíblico; a mãe judia se queixando que o filho não lhe deu netos; a mulher israelense acusando, precipitadamente, o palestino trabalhador; a palestina com nacionalidade holandesa, amiga da israelense com nacionalidade alemã; a israelense belicista fazendo a cabeça do turista francês; o policial israelense abusando do poder. E por aí vai. O céu é o limite.

Depois de filmar A Tramway in Jerusalem, Amos Gitai (também de Free Zone) escreveu o curta A Letter to a Friend in Gaza – textos sobre a intolerância, o desrespeito, o desamor. Carrega o questionamento da geração mais jovem sobre o comportamento de seus pais, que deixaram a situação chegar no ponto em que estamos hoje – tenham sido eles omissos ou coniventes. Temas humanos e corriqueiros – já que, como diz uma das atrizes, “amar é simples demais”. Viver no conflito parece ser, para a natureza humana, um desafio bem maior.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE VENEZA – La Biennale

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Por Suzana Vidigal, de Veneza

Acompanhar festivais de cinema significa ficar na fila. Mas cada fila tem lá suas particularidades. No Festival Internacional de Cinema de Veneza, significa ficar debaixo do sol de agosto da Itália; em Berlim, aguentar o frio do inverno alemão, de rachar. Cannes é em maio, mais ameno, tipo clima de primavera-verão. Embora pareça, não tem vida fácil – nem por aqui. Mas tem vida cheia de novas visões de mundo – e essa é a grande graça.

Se pensarmos de maneira bem simples, o desafio desses dez dias é ir ao cinema: montar uma estratégia para tentar assistir aos 21 filmes que concorrem a Leão de Ouro e tentar ver algum das outras mostras paralelas, num total de 72; pinçar algum curta dentre os 15 e dar uma espiada na mostra Venezia Classici, com 40 filmes restaurados e 18 documentários; experimentar a sensação da realidade virtual, com 40 produções nesse formato. Parece moleza. Selecionados entre 3311 filmes assistidos pela produção do festival, quem foi escolhido já leva a chancela de ter passado por uma seleta peneira. E não está aqui por acaso.

Aliás, nada é por acaso. Costuma-se dizer que a seleção de filmes de um festival é um “recorte do presente” – o que é bastante óbvio. O que Alberto Barbera, diretor da 75ª edição de Veneza diz é que esse conceito de que o “presente está entre o passado e o futuro” não tem sentido algum. Que não são momentos separados, mas que eles coexistem. “As pessoas acreditam que o mundo é feito de coisas, substâncias, entidades. De algo que permanece. Ou podem acreditar que seja feito de eventos, incidentes, processos. De algo que acontece”, diz ele. E concluiu, chegando no ponto-chave: “É feito de algo que não dura, mas que está em contínua transformação”.

Se o mundo é o cinema, consideramos o cinema uma coleção de acontecimentos e processos, que nos ajudam a entender o mundo. A ideia é parar de colocar filmes em ordem cronológica, parar de encaixar as tecnologias nas respectivas décadas, as transformações do mercado, a revolução digital. A lógica não é linear – e talvez nem exista. Existe? Cinema e vida se mesclam, são dependentes e coexistentes. Somos parte disso. Assim como somos formados de experiências passadas e expectativas futuras, não dá pra dividir em partes. Com o cinema, é igual. Fora com a linha do tempo. Vamos na onda do cinema atemporal – e, por aqui, cada um é de um jeito mesmo. Vamos desde contos de faroeste até o espaço; de comédia da vida privada francesa à drama mexicano, da melhor qualidade.

Ou vamos na linha do pôster (na foto), com sua áurea feminina, sugerindo um tipo de enigma. Do ilustrador e designer Lorenzo Mattotti, essa mulher olha por uma lente, vê o planeta Terra, ou seja, olha pra nós, para a realidade. E tem um quadrado na mão. Tela de cinema? O olhar para as pessoas filtrado pela linguagem do cinema? Pensei num espelho – pode ser, vida e arte se imitam. Pode ser o que você quiser. Se estamos falando de cinema atemporal, o que importa é assistir aqui e agora. Viajar junto, aqui em Veneza ou em qualquer lugar. Basta entrar na tela.

31 agosto 2018

VIII ROCKY SPIRIT – FESTIVAL DE FILMES OUTDOOR

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Tem cinema ao ar livre dias 18 e 19 de agosto, no parque Villa-Lobos, em São Paulo. Ao ar livre, sobre viver ao ar livre: o VIII ROCKY SPIRIT – FESTIVAL DE FILMES OUTDOOR.

Explico: a curadoria de filmes do festival foca em produções sobre esportes, práticas e convivências outdoor. São documentários das mais diversas aventuras, com o montanhismo, escalada, caminhada, surf, bike, meio ambiente; filmes vindos do prestigiado Telluride Mountainfilm Festival, nos Estados Unidos, além de produções nacionais. No site do festival tem toda a programação (clique aqui).

Em sintonia com o tema dos filmes, o Rocky Spirit programou diversos eventos no parque nesses dias, com o cinema às 19h pra fechar tanto o sábado, quanto o domingo.

Dá só uma espiada na qualidade!

 

 

 

A VIDA EM FAMÍLIA

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O filme A Vida em Família, do diretor Edoardo Winspeare, foi aplaudido no Festival de Veneza e fala da amizade que surge entre o prefeito da pequena cidade de Disperata, no sul da Itália, e os detentos da região. Filippo, o prefeito que se sente incompetente, resolve lançar mão da sua paixão pela literatura e poesia, e ler para os presos. E isso muda tudo, pra todos.

Passou na Festa do Cinema Italiano e entra em cartaz dia 6 de setembro.

Dá uma olhada no trailer!

 

8 1/2 FESTA DO CINEMA ITALIANO

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Cinema italiano chegando com tudo em 12 cidades brasileiras. O festival 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, de 2 a 8 de agosto, traz o que há de mais bacana na produção contemporânea do país.

Matteo Garrone, diretor do impactante Gomorra, apresente Dogman – que promote ser tão perturbador quanto, numa ambientação da periferia de Roma de hoje. O ator Marcello Fonte levou a Palma de Ouro em Cannes pela atuação.

Toni Servillo, ator de ótimos filmes como As Confissões, A Grande Beleza, Viva a Liberdade, volta em A Garota da Névoa, num filme de suspense e crime.

Mais leve é o Aqui em Casa Tudo Bem, de Gabriele Muccino – sobre família reunida para comemorar bodas de ouro, que deve render boa diversão (foto).

Veja a programação no link do festival e programe-se. Em São Paulo, as sessões serão no Espaço Itaú de Cinema.

Rua Augusta, 1475 | Consolação

Ingressos: R$20; meia: R$ 10,00

Bilheteria online: www.itaucinemas.com.br

FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2018

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Já é tradição e todo outono o país transborda cinema francês! Este ano, o Festival Varilux de Cinema Francês, considerado o maior festival de cinema francês do mundo, leva seus 21 filmes para 88 cidades brasileiras, sendo que 20 deles são filmes novos, e um é clássico – o famoso Z, de Costa-Gavras. Ano passado levou 180 mil pessoas ao cinema. É imperdível. O Cine Garimpo já sinaliza os filmes que valem seu ingresso para você acompanhar a programação.

Vários atores, atrizes e diretores estiveram presentes na coletiva do lançamento do festival. Os irmãos Yannick e Jérémie Renier dirigem juntos o suspense Carnívoras, que tem como protagonista a jovem Zita Hanrot (prêmio César de atriz revelação por Fatima). Jérémie é o protagonista do ótimo O Amante Duplo, de François Ozon – sofisticação do começo ao fim. 

 

Alguns destaques já vistos estão neste link Varilux no Cine Garimpo.

Quando: de 7 a 20 de junho

Onde: 88 cidades

 

TITO E OS PÁSSAROS – Animação brasileira no Festival D’Annecy

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Assim, de bate-pronto, o que Tito e os Pássaros tem de mais interessante – e que já chama atenção logo de saída – é o fato de falar do tema do medo – que assola e dificulta a vida de muita gente. Do brasileiro Eduardo Benaim, a animação foi selecionada para a mostra competitiva do Festival D’Annecy deste ano, que acontece na França de 11 a 16 de junho. O Brasil é o país homenageado e o longa conta a trajetória de Tito, menino de 11 anos que tenta combater a epidemia de medo que contagiou todo mundo em São Paulo.

Segue o trailer – e a torcida pelo filme lá na França!