MARIA CALLAS – EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS

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O documentário Maria Callas – Em Suas Próprias Palavras já tem pré-estreia programada para dia 03 de dezembro, no Reserva Cultural, às 20h30. Promete promete ser um show. Literalmente. O lançamento será no dia em que a soprano faria 95 anos e contará com a presença do diretor Tom Volf, que vem de Paris para as pré-estreias em São Paulo e no Rio de Janeiro, e baterá um papo com o público após a sessão.

Garanta já seu ingresso! O material é inédito e tem Maria Callas falando dela mesma, ela que foi a cantora de ópera mais famosa do século 20. Filha de gregos, Callas nasceu em Nova York em 1923 e começou a carreira como cantora lírica em 1948. Fez história – inclusive com sua vida pessoal e amorosa. Tudo neste documentário narrado por ela própria e pela atriz Fanny Ardant.

Assista ao trailer – já dá pra ter uma ideia da riqueza de depoimentos, imagem e música.

 

 

UM SEGREDO EM PARIS

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Paris é palco de histórias de amor – e sempre vai ter lugar pra mais uma. Em Um Segredo em Paris, Mavie e George se apaixonam, mas fica claro que esse não era o plano de vida de nenhum dos dois. Ela indecisa e solitária, se muda pra Paris e conhece esse homem 40 anos mais velho. Livreiro, é do tipo cínico e com passado obscuro. Na prateleira dos amores impossíveis, são as conversas imaginárias de Mavie que constróem a narrativa do romance.

O filme dirigido por Élise Girard, com Lolita Chammah e Jean Sorel, tem um trecho inédito que você pode assistir abaixo. A estreia nos cinemas está programada para dia 15 de novembro.

 

ACORDE! O CINEMA DE SPIKE LEE

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O cinema de Spike Lee é sempre urgente e tem mostra da obra do diretor no Centro Cultural Banco de Brasil – em São Paulo, Rio e Brasília. Serão 22 filmes e quatro videoclipes, de momentos diferentes da sua carreira.

Lee tem filme novo rodando pelos festivais, Infiltrado na Klan, inclusive no Mostra de SP, e estreia no circuito comercial em 22 de novembro. O chamado é parecido – despertar pra realidade, sem papas na língua.

A programação completa de ACORDE! O CINEMA DE SPIKE LEE está abaixo ou no site do CCBB, mas já dá pra destacar que serão exibidos títulos mais recentes do cineasta, porém pouco vistos nas salas de cinema brasileiras, e alguns de seus melhores trabalhos para a televisão, como os documentários Kobe Doin’ Work (2009), filmado com 30 câmeras, e Michael Jackson’s Journey from Motown to Off the Wall (2016). Michael Jackson também é a estrela de um dos videoclipes da mostra – They Don’t Care About Us, gravado no Rio de Janeiro e em Salvador.  Quatro filmes clássicos serão exibidos em 35mm: Mais e melhores blues (1990), Febre da selva (1991), Malcolm X (1992) e A última noite (2002), que terão sessões inclusivas (com audiodescrição e close caption).

Dá uma olhada na vinheta abaixo!
https://youtu.be/kk2_OLU9x-s
CCBB São Paulo – 7 de novembro a 3 de dezembro de 2018
CCBB Rio de Janeiro – 7 de novembro a 26 de novembro
CCBB Brasília – 20 de novembro a 9 de dezembro

Programação São Paulo

1º Semana

Quarta, 07 de novembro
16h30 – Irmãos de sangue (1995 / 129 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Todos a bordo (1996 / 120 min / Digital)
Quinta, 08 de novembro
17h – Ela quer tudo (1986 / 90 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Joe’s Bed-Stuy Barbershop: We Cut Heads (1983 / 60 min / Digital) Sessão gratuita
Sexta, 09 de novembro
16h15 – Elas me odeiam, mas me querem (2004 / 138 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Jogada decisiva (1998 / 136 min / Digital)
Sábado, 10 de novembro
16h30 – Faça a coisa certa (1989 / 120 min / Digital) + Public Enemy – Fight The Power (1990 / 5 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Irmãos de sangue (1995 / 129 min / Digital) + Prince & The New Power Generation – Money Don’t Matter 2Night (1992 / 5 min / Digital) Sessão gratuita
Domingo, 11 de novembro
14h30 – O verão de Sam (1999 / 142 min / Digital) Sessão gratuita

17h15 – O plano perfeito (2006 / 130 min / Digital) Sessão gratuita
Segunda, 12 de novembro
16h – The Original Kings of Comedy (2000 / 115 min / Digital) + Eminem – Headlights (2013 / 5 min / Digital) Sessão gratuita

18h30 – Milagre em Santa Anna (2008 / 156 min / Digital) Sessão gratuita

2º Semana

Quarta, 14 de novembro
14h – Faça a coisa certa (1989 / 120 min / Digital)  Sessão Inclusiva – audiodescrição + legendagem + LIBRAS. Sessão gratuita

16h30 – Kobe Doin’ Work (2009 / 84 min / Digital)

18h30 – Jogada decisiva (1998 / 136 min / Digital)
Quinta, 15 de novembro
16h – Elas me odeiam, mas me querem (2004 / 138 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Crooklyn – Uma família de pernas pro ar (1994 / 115 min / Digital) Sessão gratuita
Sexta, 16 de novembro
17h – Garota 6 (1996 / 100 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Verão em Red Hook (2012 / 131 min / Digital)
Sábado, 17 de novembro
17h30 – Joe’s Bed-Stuy Barbershop: We Cut Heads (1983 / 60 min / Digital) Sessão gratuita

19h – O plano perfeito (2006 / 130 min / Digital) Sessão gratuita
Domingo 18 de novembro
15h30 – Michael Jackson’s Journey from Motown to Off the Wall (2016 / 110 min / Digital) + Michael Jackson – They Don’t Care About Us (1996 / 5 min / Digital)

18h – Oldboy – Dias de vingança (2013 / 104 min / Digital)
Segunda 19 de novembro
15h30 – A hora do show (2000 / 135 min / Digital)

18h30 – Milagre em Santa Anna (2008 / 156 min / Digital) Sessão gratuita

3º Semana

Quarta, 21 de novembro
16h15 – A hora do show (2000 / 135 min / Digital)

19h – The Original Kings of Comedy (2000 / 115 min / Digital) + Eminem – Headlights (2013 / 5 min / Digital) Sessão gratuita

Quinta 22, de novembro
16h30 – Faça a coisa certa (1989 / 120 min / Digital) + Public Enemy – Fight The Power (1990 / 5 min / Digital) Sessão gratuita

19h – DEBATE com Jaiê Saavedra, Bruno Galindo e Kênia Freitas
Sexta 23, de novembro
16h – Kobe Doin’ Work (2009 / 84 min / Digital)

18h – Malcolm X (1992 / 202 min / 35mm)
Sábado 24, de novembro
16h – Curso com Bruno Galindo

18h30 – A última noite (2002 / 134 min / 35mm)
Domingo, 25 de novembro
13h15 – A última noite (2002 / 134 min / 35mm)

16h – Malcolm X (1992 / 202 min / 35mm)
Segunda, 26 de novembro
16h30 – Lute pela coisa certa (1988 / 120 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Verão em Red Hook (2012 / 131 min / Digital)

4º Semana

Quarta, 28 de novembro
17h – Garota 6 (1996 / 100 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Lute pela coisa certa (1988 / 120 min / Digital) Sessão gratuita

Quinta, 29 de novembro
17h – Crooklyn – Uma família de pernas pro ar (1994 / 115 min / Digital) Sessão gratuita

19h30 – Ela quer tudo (1986 / 90 min / Digital) + Prince & The New Power Generation – Money Don’t Matter 2Night (1992 / 5 min / Digital) Sessão gratuita
Sexta, 30 de novembro
16h – O verão de Sam (1999 / 142 min / Digital) Sessão gratuita

19h – Mais e melhores blues (1990 / 130 min / 35mm)
Sábado, 1 de dezembro
16h45 – Oldboy – Dias de vingança (2013 / 104 min / Digital)

19h – Febre da selva (1991 / 121 min / 35mm)
Domingo, 2 de dezembro
15h – Mais e melhores blues (1990 / 130 min / 35mm)

17h30 – Febre da selva (1991 / 121 min / 35mm)
Segunda, 3 de dezembro
16h30 – Michael Jackson’s Journey from Motown to Off the Wall (2016 / 110 min / Digital) + Michael Jackson – They Don’t Care About Us (1996 / 5 min / Digital)

19h – Todos a bordo (1996 / 120 min / Digital)

SERVIÇO

Mostra “Acorde! O Cinema de Spike Lee”
Patrocínio: Banco do Brasil
Curadoria: Jaiê Saavedra

Produção: Júlio Bezerra
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Data: 07 de novembro a 03 de dezembro de 2018
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia entrada)

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo -SP
(Acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô)
(11) 3113-3651/3652 | Quarta a segunda, das 9h às 21h
ccbbsp@bb.com.br  | bb.com.br/cultura  | twitter.com/ccbb_sp  |
facebook.com/ccbbsp | instagram.com/ccbbsp
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência | Ar-condicionado | Cafeteria e Restaurante | Loja

 

 

CENTRAL DO BRASIL faz 20 anos

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Central do Brasil tem cópia restaurada pra festejar seu 20º aniversário. Pra quem ainda não viu, corre. Responsável por recolocar o Brasil no circuito internacional dos festivais mundo afora (Urso de Ouro e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro no Festival de Berlim), o filme de Walter Salles é primoroso – na sua forma e humanidade.

Haverá sessão na Mostra SP pra prestigiar. O diretor Walter Salles e os protagonistas Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira estarão presentes na sessão.

Quando: terça-feira, dia 30, às 21h, no Espaço Itaú de Cinema – Augusta

42ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SP

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Outubro chega com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na sua 42ª edição. Antenada com o que está rolando de mais bacana no cenário internacional, a Mostra oferece de 18 a 31 de outubro, filmes exibidos nos principais festivais de cinema de mundo, inclusive Veneza, há dois meses.

Já tem lista aqui no Cine Garimpo com filmes assistidos e comentados. E a lista cresce todo dia. Acompanhe por lá pra ajudar a escolher o que assistir.

Algumas dicas pra enfrentar a maratona:

  1. Primeira providência: baixe o aplicativo da Mostra (procura como Mostra Internacional); ali você acompanha a programação diária, faz reservas de ingressos com credencial, monta a sua agenda. Ferramenta maravilhosa – está funcionando direitinho! Ou acompanhe pelo site, claro.
  2. Já vimos vários filmes e tem uma lista aqui no blog com trailer e comentário. Assim, fica mais fácil escolher o que vale seu ingresso.
  3. Há 19 filmes na Mostra que são os indicados ao Oscar de filme estrangeiro em 2019 por diversos países. Também tem uma lista com eles aqui no blog – os já assistidos vêm em primeiro.
  4. Uma nova iniciativa promove encontros e debates para fomentar negócios criativos e discutir a linguagem, a economia do cinema e as políticas culturais: é o Mercado de Ideias Audiovisuais (no Itaú Cultural); ótima oportunidade para quem quer pensar e dividir opiniões com gente da área;
  5. Muita calma. Parece um mar de filmes – e é mesmo. Mas vários deles já têm distribuidora aqui no Brasil, o que garante a sua exibição no circuito comercial em breve. Portanto, como não vai dar pra ver tudo mesmo, tenha paciência e bom garimpo!

Netflix + Amazon + HBO = Cinema

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Por Suzana Vidigal, de Veneza

No Festival de Cinema de Veneza, são vários. Parece que aumenta a cada ano. A polêmica em torno da produção de longas metragens pelas empresas de streaming faz tremer aqueles que temem que o cinema morra. Algo como o pavor que as editora têm diante dos livros digitais.

Cinema não morre. Livro impresso não morre. Mas os tempos são outros e ainda bem que o gigantes do mundo digital também gostam da telona e apostam nessa linguagem que é, afinal de contas, universal. E ainda bem que somos capazes de nos adaptar aos novos tempos. Teve uma época em que atores e diretores que faziam séries de televisão eram só de TV. Gente badalada do cinema não se misturava – uma certa hierarquia. De repente, começou a migração: bons atores garimpados nas séries eram convidados a fazer cinema e, pouco a pouco as séries começaram a contar com grandes cineastas a dirigir na televisão. A era digital colaborou – já tínhamos acesso aos canais chamados “fechados”, ainda parte daqueles pacotes da televisão a cabo (que a gente assinava e não assistia a quase nada).

Tudo isso pra dizer que a Netflix chegou, entrou na nossa casa e mudou a cara do entretenimento. A pergunta que sempre se faz, quando fala-se de um filme, é se tem na Netflix. Virou tipo gillette, band-aid, chiclete, xerox (embora xerox a nova geração nem saiba mais o que é…). Ela está na mesma prateleira da Warner, Paramount, Sony, Disney-Pixar, ou qualquer outro grande estúdio que venha à mente. É um player igual, senão mais poderoso, se considerarmos o canal de distribuição mundial, B-to-C. Gente esperta, a galera digital. Criou a oportunidade de produzir também e vende muito bem.

Aqui no Festival de Veneza, os filmes produzidos pela Netflix concorrendo a Leão de Ouro são: The Ballad of Buster Scruggs (dos irmãos americano Joel & Etahn Coen); Roma (do mexicano Alfonso Cuarón); 22 July (do inglês Paul GreenGrass). Fora de concurso, Sulla Mia Pelle (do italiano Alessio Cremonini). Sem falar da HBO que adaptou o romance da italiana Elena Ferrante em série de televisão, A Amiga Genial, e da Amazon que produziu Peterloo (do inglês Mike Leigh), também em competição. Portanto, está tudo dominado – no bom sentido.

O que não dá mais é ouvir jornalista perguntar ao diretor o que ele acha de ter a Netflix como parceira. Óbvia resposta. Se alguém acredita no projeto e investe no filme, é recebido de portas abertas – e, como disse Alfonso Cuarón, diretor de Roma na coletiva de imprensa em Veneza, “todos sabem da dificuldade de distribuir um filme falado em espanho, em preto e branco. Não precisar pensar na distribuição é maravilhoso”. Bingo. Cada um faz o seu trabalho e todos nós agradecemos. Vale dizer que Roma é fortíssimo candidato ao Leão de Ouro em 2018. Já imaginou? Sinal de que os festivais também se movimentam e isso é sensacional. Até os amantes dos clássicos têm que dar o braço a torcer – a Netflix restaurou o clássico O Outro Lado do Vento, de Orson Welles, exibido aqui também. Portanto, assunto encerrado.

 

L’AMICA GENIALE – A Amiga Genial

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Por Suzana Vidigal, de Veneza

A Amiga Genial virou série. A partir do romance best-seller da escritora italiana Elena Ferrante – aquela que mantém um mistério sobre sua identidade -, a amizade entre as meninas Lila e Lenù ganha contornos preciosos. Ambientado nos anos 1950, na periferia de Nápoles, a história foi apresentada no Festival de Veneza e aprovada pela crítica. É bonita mesmo – tem a luz do cinema italiano, deixando uma áurea de nostalgia de tempos da infância que não voltam mais.

Embora as meninas tenham dito durante a coletiva de imprensa que não tiveram muita preparação para assumir o papel de protagonistas, é claro que o diretor italiano Saverio Costanzo trabalha com maestria. As joias aqui são Elisa Del Genio e Ludovica Nasti que, pelo que disseram, tiveram a preocupação de serem elas mesmas. “O livro constrói as personagens de forma tão profunda que, quando encontramos essas meninas, elas já tinham tudo que precisavam para serem Lila e Lenù”, conta ele.

Basicamente uma história sobre a amizade entre duas garotas, que vai pra sua adolescência no segundo episódio, também tem as camadas importantes da educação de meninas na Itália daquela época. “Conta como uma professora pode mudar a vida de duas alunas, na formação e nos valores”, completa Saverio, que trabalha em parceria com a HBO. “É uma obra profundamente contemporânea e política, no sentido mais sentimental do tema.” Liderada por mulheres, a narrativa tem esse núcleo bem definido e volta pra ele em todos os momentos, com o pano de fundo da história italiana. Vai encher os olhos – e os corações – também dos brasileiros. E não será por falta de italianos por lá.

AMOS GITAI E SEU CINEMA COM CRÍTICA E POESIA

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Nem um dos dois filmes de Amos Gitai está na competição aqui no 75º Festival de Veneza. A essa altura do campeonato, nem precisava. Seu cinema é naturalmente crítico, mas não sem poesia – e, como ele diz, “um cineasta não pode se divorciar dos eventos reais, precisa falar deles e o Oriente Médio produz diariamente muito material para reflexão.” Amos apresenta A Letter to a Friend in Gaza e A Tramway in Jerusalem – que são coisas separadas, mas que se complementam. Bem intimamente, inclusive.

A Tramway in Jerusalem simula “o que poderia ser a relação entre pessoas de diferentes nacionalidades e religiões, se houvesse menos conflito”, explica o diretor na entrevista à imprensa há pouco em Veneza. “Me interesso pelo quebra-cabeça humano e não pelo cinema homogêneo.” O filme é essencialmente o que diz o título: dentro de um trem que cruza os diferentes bairros de Jerusalém, pessoas com diferentes histórias de vida se encontram. Elas se comunicam – pacifica ou violentamente, com ironia, humor ou musicalidade, mostrando o quanto somos iguais. (Aliás, quanto mais a gente vive, mais percebe o quanto as histórias de vida se repetem. Seja lá onde for.)

Filmado inteiramente dentro de um trem, tem casal israelense discutindo a relação; padre católico citando trecho bíblico; a mãe judia se queixando que o filho não lhe deu netos; a mulher israelense acusando, precipitadamente, o palestino trabalhador; a palestina com nacionalidade holandesa, amiga da israelense com nacionalidade alemã; a israelense belicista fazendo a cabeça do turista francês; o policial israelense abusando do poder. E por aí vai. O céu é o limite.

Depois de filmar A Tramway in Jerusalem, Amos Gitai (também de Free Zone) escreveu o curta A Letter to a Friend in Gaza – textos sobre a intolerância, o desrespeito, o desamor. Carrega o questionamento da geração mais jovem sobre o comportamento de seus pais, que deixaram a situação chegar no ponto em que estamos hoje – tenham sido eles omissos ou coniventes. Temas humanos e corriqueiros – já que, como diz uma das atrizes, “amar é simples demais”. Viver no conflito parece ser, para a natureza humana, um desafio bem maior.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE VENEZA – La Biennale

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Por Suzana Vidigal, de Veneza

Acompanhar festivais de cinema significa ficar na fila. Mas cada fila tem lá suas particularidades. No Festival Internacional de Cinema de Veneza, significa ficar debaixo do sol de agosto da Itália; em Berlim, aguentar o frio do inverno alemão, de rachar. Cannes é em maio, mais ameno, tipo clima de primavera-verão. Embora pareça, não tem vida fácil – nem por aqui. Mas tem vida cheia de novas visões de mundo – e essa é a grande graça.

Se pensarmos de maneira bem simples, o desafio desses dez dias é ir ao cinema: montar uma estratégia para tentar assistir aos 21 filmes que concorrem a Leão de Ouro e tentar ver algum das outras mostras paralelas, num total de 72; pinçar algum curta dentre os 15 e dar uma espiada na mostra Venezia Classici, com 40 filmes restaurados e 18 documentários; experimentar a sensação da realidade virtual, com 40 produções nesse formato. Parece moleza. Selecionados entre 3311 filmes assistidos pela produção do festival, quem foi escolhido já leva a chancela de ter passado por uma seleta peneira. E não está aqui por acaso.

Aliás, nada é por acaso. Costuma-se dizer que a seleção de filmes de um festival é um “recorte do presente” – o que é bastante óbvio. O que Alberto Barbera, diretor da 75ª edição de Veneza diz é que esse conceito de que o “presente está entre o passado e o futuro” não tem sentido algum. Que não são momentos separados, mas que eles coexistem. “As pessoas acreditam que o mundo é feito de coisas, substâncias, entidades. De algo que permanece. Ou podem acreditar que seja feito de eventos, incidentes, processos. De algo que acontece”, diz ele. E concluiu, chegando no ponto-chave: “É feito de algo que não dura, mas que está em contínua transformação”.

Se o mundo é o cinema, consideramos o cinema uma coleção de acontecimentos e processos, que nos ajudam a entender o mundo. A ideia é parar de colocar filmes em ordem cronológica, parar de encaixar as tecnologias nas respectivas décadas, as transformações do mercado, a revolução digital. A lógica não é linear – e talvez nem exista. Existe? Cinema e vida se mesclam, são dependentes e coexistentes. Somos parte disso. Assim como somos formados de experiências passadas e expectativas futuras, não dá pra dividir em partes. Com o cinema, é igual. Fora com a linha do tempo. Vamos na onda do cinema atemporal – e, por aqui, cada um é de um jeito mesmo. Vamos desde contos de faroeste até o espaço; de comédia da vida privada francesa à drama mexicano, da melhor qualidade.

Ou vamos na linha do pôster (na foto), com sua áurea feminina, sugerindo um tipo de enigma. Do ilustrador e designer Lorenzo Mattotti, essa mulher olha por uma lente, vê o planeta Terra, ou seja, olha pra nós, para a realidade. E tem um quadrado na mão. Tela de cinema? O olhar para as pessoas filtrado pela linguagem do cinema? Pensei num espelho – pode ser, vida e arte se imitam. Pode ser o que você quiser. Se estamos falando de cinema atemporal, o que importa é assistir aqui e agora. Viajar junto, aqui em Veneza ou em qualquer lugar. Basta entrar na tela.

31 agosto 2018

VIII ROCKY SPIRIT – FESTIVAL DE FILMES OUTDOOR

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Tem cinema ao ar livre dias 18 e 19 de agosto, no parque Villa-Lobos, em São Paulo. Ao ar livre, sobre viver ao ar livre: o VIII ROCKY SPIRIT – FESTIVAL DE FILMES OUTDOOR.

Explico: a curadoria de filmes do festival foca em produções sobre esportes, práticas e convivências outdoor. São documentários das mais diversas aventuras, com o montanhismo, escalada, caminhada, surf, bike, meio ambiente; filmes vindos do prestigiado Telluride Mountainfilm Festival, nos Estados Unidos, além de produções nacionais. No site do festival tem toda a programação (clique aqui).

Em sintonia com o tema dos filmes, o Rocky Spirit programou diversos eventos no parque nesses dias, com o cinema às 19h pra fechar tanto o sábado, quanto o domingo.

Dá só uma espiada na qualidade!