ROTEIRO: Joel Oliansky
ELENCO: Forest Whitaker, Diane Venora, Michael Zelniker, Samuel E. Wright
Estados Unidos, 1988 (161 min)
Aos amantes do jazz, Bird vai encantar por seu repertório. Aos que esperam uma história dinâmica, vai cansar. A biografia feita por Clint Eastwood (também em J.Edgar, Sobre Meninos e Lobos, Além da Vida, Conquista da Honra, Invictus, Cartas de Iwo Jima, Gran Torino, A Troca) é escura, dentro dos bares, da noite, dos clubes de jazz e da imensa depressão e do profundo vício em que o jazzista Charlie Parker (Forest Whitaker, vencedor em Cannes pelo papel) se afunda. Bebe e se droga desde os 15 e ao morrer, aos 34 anos, o médico legista estima que seu corpo tenha a idade de 65.
Claro que Eastwood não dá ponto sem nó – ganhou inclusive o Globo de Ouro por este filme. A escuridão é proposital, é reflexo da vida que Parker levou. Considerado um dos mestre do jazz, o percursor do bebop e do jazz agradável para se ouvir, não só para se dançar (como era antes com as big bands), teve uma vida pessoal consumida pela instabilidade, com mais baixos do que altos, o que é muito bem retratado no filme. Até por isso – e por suas 2h20 de duração – Bird se alonga um pouco demais da conta e vai ficando a cada cena mais sombrio. Assim como a vida do músico e compositor. De novo: para quem ama o jazz, sem dúvida uma biografia interessante dos anos 1940/50 no mundo da música. Se esse não for seu tema preferido, outras biografias do diretor como J.Edgar (sobre o chefão do FBI) e Invictus (sobre Nelson Mandela) talvez agradem mais. Mas lembre-se de que Eastwood tem um estilo próprio, que não precisa pedir passagem nem permissão para filmar.
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