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BESOURO
CLASSIFICAÇÃO: Para se Divertir, Para Pensar, Brasil - 16/03/2010

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DIREÇÃO: João Daniel Tikhomiroff

ROTEIRO: Patrícia Andrade, João Daniel Tikhomiroff

ELENCO: Aílton Carmo, Anderson Santos de Jesus, Jessica Barbosa, Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi.

Brasil, 2009 (93 min)

O filme Besouro foi anunciado como uma superprodução nacional, feita de um lado com atores estreantes, de outro com talento de profissionais internacionais. E de fato é – Aílton Carmo, o Besouro, é professor de capoeira e guia turístico em Lençóis e o coreógrafo chamado para fazer Besouro “voar” na capoeira foi o chinês Huen Chiu Ku, o mesmo de O Tigre e o Dragão, em que os personagens voavam lutando kung fu. O efeito é realmente bonito e o filme tem muito mais um teor poético, onde as visões e o imaginário falam mais alto, do que ação propriamente dita.  

Além do resultado plástico e estético, a questão histórica é muito interessante, baseada em fatos reais. Meu filho de 10 anos assistiu - disse que não só gostou como aprendeu com o filme, com a reconstituição da época, com os cenários e a situação de trabalho dos negros nos canaviais. Achei bacana o comentário. Besouro conta a história do capoeirista baiano Besouro Mangangá, filho de ex-escravos, que se tornou famoso por defender seu povo das garras dos coronéis e dos policiais na Bahia dos anos 1920. Naquele tempo a capoeira era proibida, pois ameaçava a hegemonia e o poderio dos coronéis. Embora não mais escravocrata, o Brasil do anos 20 ainda praticava crueldades e injustiças contra os negros, resultando numa sociedade cheia de preconceitos até hoje. Besouro é o defensor do seu povo através da luta-dança ensinada por seu mestre, passada de geração em geração. Mas, é preciso dizer que o herói aqui não é um herói pró-ativo, do tipo “ação a todo custo”. Ele é muito mais contemplativo, pensativo, cheio dos misticismos da cultura negra, o que faz o filme ser mais introspectivo – com todo o apelo que possa existir nos orixás. Daí o tom poético que mencionei acima.

Eu particularmente reparei muito no local das filmagens, o Parque Nacional Chapada Diamantina. Estive lá há poucos meses e de cara identifiquei a cor de ferro da água, as cachoeiras maravilhosas, a vegetação, as formações rochosas que tanto caracterizam esse oásis no coração da Bahia. Pela própria mística  e encantamento do lugar, é como se o Besouro lendário realmente pudesse voar.

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