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BABEL
CLASSIFICAÇÃO: Para se Emocionar, Para Rever, Estados Unidos - 25/11/2009

DIREÇÃO: Alejandro González-Iñárritu1 icone_DVD

ROTEIRO: Guillermo Arriaga

ELENCO: Cate Blanchett, Brad Pitt, Gael García Bernal, Adriana Barraza, Rinko Kikuchi, Jamie McBride, Kôji Yakusho, Lynsey Beauchamp, Nathan Gamble, Said Tarchani, Mohamed Akhzam, Boubker Ait El Caid, Elle Fanning

LOCAL, ANO: Estados Unidos, 2006

babel

Babel é o tipo do filme que sempre traz sensações novas. Por isso, vale a pena rever. Fala de várias vidas que se entrelaçam, que têm nós profundos a serem desatados e que mexem com todo o universo ao redor. Mostra a força do acaso, da fatalidade, mas também das escolhas que fazemos. Tudo, tudo mesmo tem suas consequências.

O cenário do filme se alterna por três pontos do planeta, com diálogos em inglês, francês, espanhol, japonês, árabe – daí a referência do nome, Babel. Ora estamos no Marrocos, ora em Tóquio, ora no México, na fronteira com a Califórnia. O gatilho da trama é um acidente: dois garotos marroquinos brincam com o rifle que o pai acaba de comprar. Um dos tiros atinge um ônibus de turistas, entre eles Richard (Brad Pitt, também em Bastardos Inglórios) e sua mulher Susan (Cate Blanchet), que é ferida. Seus filhos estão em San Diego, com a babá mexicana, Amélia. Por causa do acidente, Amélia tem que ficar mais tempo com as crianças e resolve levá-las para o México, para a festa de casamento de seu filho. Paralelamente a adolescente japonesa surda-muda Cheiko passa por maus bocados no Japão. Não sabe  lidar com o suicídio de sua mãe e com suas frustrações sexuais, apesar dos esforços do pai (Kôji Yakusho) para ajudá-la. E é em Tóquio que o círculo se fecha, já que o rifle que causa o acidente inicial foi presente do japonês ao marroquino, seu guia em uma temporada de caça.

Aparentemente desconexas, a costura das histórias é feita aos poucos, aumentando a expectativa dos próximos acontecimentos e mostrando a cara desse tecido da vida cuidadosa e maestralmente construído. Susan e Richard nem sabem, mas dependem desse acidente para reinventar a relação e sanar as feridas do passado; Cheiko precisa se encontrar e mostrar sua afetividade para não fazer escolhas que a levem para o mau caminho; Amélia é imigrante ilegal, viaja com o sobrinho (Gael García Bernal, também em Diários de Motocicleta, Amores Brutos) que tem problemas na fronteira americana e coloca a vida dos filhos de Susan em perigo; os  marroquinos sofrem com a questão do terrorismo árabe, retratando a vivência dos povos do deserto, da religião muçulmana e da diferença extrema de estilos de vidas nos três cantos do planeta.

Babel é emocionante e eletrizante. Trata de assuntos como imigração ilegal, auto-afirmação da adolescência, dificuldades do casamento, preconceito, terrorismo, solidão causada pela deficiência física. A amarração é perfeita. Nos tempos das mil e uma mídias, nada mais atual do que mostrar como as vidas se mesclam, sem que consigamos perceber.

Veja também os outros filmes do diretor mexicano Iñárritu: Amores Brutos, 21 Gramas e Biutiful.

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