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A PELE QUE HABITO – La Piel Que Habito
CLASSIFICAÇÃO: Para Pensar, Espanha, Drama - 13/10/2011

DIREÇÃO: Pedro Almodóvar

ROTEIRO: Pedro Almodóvar, Thierry Jonquet

ELENCO: Antonio Banderas, Elena Anaya, Jan Cornet, Marisa Paredes, Blanca Soárez, Bárbara Lennie, Fernando Cayo

Espanha, 2011 (117 min)

Sempre que assisto a um filme de Pedro Almodóvar, faço o esforço de espantar a expectativas, de me livrar dos conceitos, ideias fechadas e pré-concebidas. É um esforço que vale a pena. A possibilidade de você entrar na viagem e na trajetória da narrativa do diretor espanhol é bem maior e certamente você vai passear um universo nunca dantes visitado!

Da última vez, Almodóvar fez uma homenagem ao cinema com Abraços Partidos – com fortes semelhanças com os excelentes anteriores Tudo Sobre Minha MãeFale com Ela e Volver. Todos femininos na essência. Desta vez, o lado masculino é preponderante, na figura de Antonio Banderas como Robert Ledgard. Renomado e genial cirurgião plástico, ele mantém um centro cirúrgico dentro de sua casa em Toledo, na Espanha, e faz pesquisas para desenvolver uma pele que possa ser transplantada em pacientes queimados ou gravemente acidentados. A pesquisa transcende o meio científico e acadêmico e entra na seara pessoal, na obsessão, na cura de um passado cheio de traumas e perdas. Como tudo em Almodóvar, os elementos e personagens se cruzam de uma maneira forte, instigante e desta vez, mórbida, visceral, vingativa.

Isso parece tudo muito vago. E é, também no filme. Ao mesmo tempo em que percebemos o olhar obcecado do Dr. Roberto, não sabemos qual a sua real intenção – além de criar a tal da pele artificial. Tem uma relação de dependência com o voyeurismo (observa, controla Vera como ninguém), deixando evidente a relação de posse do corpo, da vontade, do sexo. Como sempre disseca (aqui literalmente) o lado sexual, as relações viscerais, questionando quem realmente é a pessoa que habita cada um dos corpos que vemos por aí. É quem pretende ser, quem os outros esperam que seja, quem realmente é? Tudo ainda vago, eu sei. É preciso assistir a este Almodóvar para entender. Mesmo porque, como espectador, você só vai começar a ligar os pontos depois que muita coisa já aconteceu, muita violência já ficou implícita e explícita, muita crise de identidade já se instalou na telona.

Vejo muita gente dizendo que o diretor espanhol não se renova, que o formato é sempre o mesmo. Não concordo, acho que ele imprime seu estilo, mas sabe contar histórias como ninguém. Mas tenho que confessar que A Pele Que Habito tem algo novo, menos humorado e mais maquiavélico talvez, mas não menos espetacular. Não deixa ninguém sair ileso do cinema – o que senti é algo quase visceral mesmo, uma aflição que vem das entranhas. Além de Antonio Banderas, Marisa Paredes (também em Tudo Sobre Minha Mãe) e Elena Anaya (também em Fale com Ela) estão incríveis – mas é o olhar e a loucura de Roberto que dominam o filme e conduzem o destino de Marília, Vera e Vicente (Jan Cornet). Bem à sua maneira. Eu é que não queria estar na pele deles.

Um Comentário to “A PELE QUE HABITO – La Piel Que Habito”

  1. Filme imperdível…Almodóvar por outro ângulo, mas que prestigia sempre o lado feminino até dentro de um homem!!!achei surpreendente!!Bandeiras fabuloso!!vale muito a pena!!!

  2. Márcia Guitti on November 28th, 2011 at 03:59

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